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        <article-title>O espectro de uma terceira onda: questões e desafios da educação formal em IHC em uma instituição brasileira</article-title>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Luiz Ernesto Merkle</string-name>
          <email>merkle@utfpr.edu.br</email>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Marília Abrahão Amaral</string-name>
          <email>mariliaa@utfpr.edu.br</email>
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        </contrib>
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          <label>0</label>
          <institution>UTFPR - DAINF - PPGTE</institution>
          ,
          <addr-line>Av. 7 de setembro 3165 - 80230-901 Curitiba, PR</addr-line>
          <country country="BR">Brasil</country>
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          <label>1</label>
          <institution>UTFPR - DAINF - PPGTE</institution>
          ,
          <addr-line>Av. 7 de setembro 3165 - 80230-901 Curitiba, PR</addr-line>
          <country country="BR">Brasil</country>
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      </contrib-group>
      <fpage>19</fpage>
      <lpage>24</lpage>
      <abstract>
        <p>We present in this article some reflections on the challenges of developing an HCI education aligned on the so called HCI third wave. We discuss the necessary perspective of such an endeavor in order to ground a curriculum reformulation under development at UTFPR, Curitiba. We address the tensions between the established curricula recommendations from one side, and the cultural, axiological, political and ethical issues raised by the third wave on the other. In this perspective , we recollect some of the experiences we have at the curricular discussions and on actual efforts to upgrade the Information Systems degree. Whit this aim, we succinctly present a proposed framework, in order to springboard a discution we belive is necessary at the national scope. This curricular structure addresses not only the courses in the broad area of HCI, per se, but other ones in the human sciences that could foster the construction and the recognition of Computing and HCI as a interdisciplinary endeavor.</p>
      </abstract>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>-</title>
      <p>
        INTRODUÇÃO
Se de fato levamos em consideração a área de Interação
Humano Computador (IHC) como sendo plurifacetada e
móvel, como nos apontam [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref4 ref5">5, 6</xref>
        ], nossos horizontes de
atuação se abrem em perspectivas a explorar, muito além
dos horizontes de recomendações curriculares e diretrizes
governamentais, daqui de alhures, por mais bem preparadas
Copyright © 2013 for the individual papers by the papers' authors.
Copying permitted only for private and academic purposes. This
volume is published and copyrighted by its editors. In: Proceedings
of IV Workshop sobre Ensino de IHC (WEIHC 2013), Manaus,
Brazil, 2013, published at http://ceur-ws.org/
e discutidas que tenham sido.
      </p>
      <p>
        Por outro lado, se IHC vai além da Computação, como
inseri-la em nossos cursos sem descaracterizá-la. Podemos
dizer que as instituições acadêmicas sempre são mais
conservadoras do que pesquisas isoladas. Afinal, a pesquisa
e a extensão, coetâneas ao ensino, sempre trarão vozes
outras que as sedimentadas em nossas culturas, nos cursos
onde atuamos ou em nossas aulas. Ouvi-las é importante
para o devir do conhecimento, sobretudo para esta área.
No presente artigo almejamos problematizar o ideal de se
educar profissionais em nível de graduação dentro de
arcabouços mais recentemente caracterizados como de
terceira onda [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2 ref7">3,8</xref>
        ]. Faremos isto caracterizando
sucintamente esta terceira onda e descrevendo algumas
experiências que temos em desenvolvimento em nossa
instituição, ao longo de duas décadas. Concluímos que não
tem sido simples trazer esta perspectiva para nosso dia a dia,
muitas vezes mais moroso do que gostaríamos. Por outro
lado, os desafios têm contribuído para o aprimoramento
político-pedagógico dos cursos que oferecemos. Em um
momento em que esta terceira onda começa a se mostrar
presente em foros internacionais de modo menos tímido,
discorrer sobre esta experiência pode contribuir para a
consolidação e transformação de práticas associadas em
outras universidades. Uma outra motivação para a escrita
deste artigo diz respeito à missão da própria área de IHC
dentro da computação, que entendemos poder ser um vetor
para se ampliar a participação de grupos reiteradamente
sub-representados, por cortes de classe, gênero, raça e etnia,
geração e capacidade.
      </p>
      <p>Em particular, nesta breve comunicação neste Workshop de
Ensino de IHC, relatamos algumas reflexões com base em
atividades desenvolvidas em uma instituição de ensino
superior pública, a Universidade Tecnológica Federal do
Paraná, e que hoje oferece cursos nas áreas de Engenharia
de Computação, Sistemas de Informação, Computação
Aplicada e Tecnologia e Sociedade, todos com disciplinas
específicas na área de IHC.</p>
      <p>Em referência ao título escolhido para este artigo, podemos
dizer que se trate de um desafio a ser encarado. Nos
permitimos, em se tratando de um workshop, em fazer
algumas provocações, com o objetivo de iniciar um debate.
Um “espectro” pode ser uma aparição ilusória, uma pessoa
magra, uma ameaça, ou o registro de uma distribuição,
dentre outras definições. Explorando estas metáforas em
conjunto, pois nas engenharias o termo espectro denota um
conjunto de componentes de uma onda, onde cada elemento
uma pode contribuir para a IHC como um todo. Será que o
ensino de IHC, devidamente inserido em diretivas
curriculares, quando oferecido em cursos de graduação e
pós-graduação dentro de uma perspectiva de terceira onda,
não passa de uma ilusão? Em que nível ele de fato pode ser
trabalhado, ou pode ser trabalhado a contento, dentro das
perspectivas e competências dos envolvidos, docentes e
discentes? Será demasiado tímido frente a outras correntes,
a muito consolidadas no Brasil e já com uma comunidade
significativa? Há espaço para inserção, e poder de
convencimento, para contribuir inclusive à atualizações de
recomendações curriculares neste sentido? Será que tal viés
ou perspectiva, múltiplo por concepção, pode ser visto
como uma ameaça, por exigir um mudança de perspectiva,
como apontam alguns trabalhos? Será que a própria
computação está aberta para isto?
Neste artigo, caracterizamos sucintamente a IHC de terceira
onda, sem intuito de descrevê-la a contento, e como ela em
parte difere de ondas concorrentes, qualificadas como
primeira e segunda. Isto nos dará subsídios para apontar
algumas áreas de formação importantes para sua
constituição, como aquelas que tratam de questões
históricas, culturais, axiológicas, e que seriam necessárias a
uma educação formal consistente neste viés. Em seguida
apresentamos alguns momentos e perspectivas
significativos em nossa trajetória institucional, de modo a
caracterizar nossos esforços neste sentido.</p>
      <p>Isto nos permitirá explicitar, programaticamente, em parte o
viés de uma educação em HCI de largo espectro, incluindo
várias de suas correntes exigiria. É neste escopo que
apresentamos brevemente o conjunto de disciplinas
ofertado, que relatamos nossas experiências, e tecemos
comentários sobre os desafios de tais propostas.</p>
      <p>O faremos também em uma perspectiva consonante com a
terceira onda, refletindo sobre o contexto da educação em
IHC, em como isto se reflete não apenas em nossos
laboratórios, conferências e salas de aula, mas, muito além
das fronteiras interacadêmicas, na incompatibilidades e
contradições que um tal viés expõe, e como temos lidado
com isto.</p>
      <p>
        ONDAS, PARADIGMAS, FACES E FASES EM IHC
Não é de hoje que se questionam correntes dominantes no
grande campo de atuação que agrega comunidades como as
de Usabilidade, Design de Informação, Design de Interação,
Design Participativo, Interação Humano-Computador,
Sistemas Colaborativos, Trabalho Cooperativo e uma
pletora de outras denominações, algumas com diferenças
sutis de denominação como HCI e CHI, mas profundas
diferenças de orientação. [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref14">15</xref>
        ] questionam profundamente
as perspectivas de processamento de informação presentes
na comunidade, com apoio na fenomenologia, na
linguagem e nos sistemas auto-organizados. [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref13">14</xref>
        ] argumenta
pela importância de uma perspectiva situada do
desenvolvimento e da compreensão das relações entre
pessoas e máquinas, esmiuçando os problemas associados a
noção de plano. [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref8">9</xref>
        ] apresenta um arrazoado de perspectivas,
apontando as diferenças em similaridade entre diferentes
abordagens nos ainda chamados sistemas homem máquina.
[
        <xref ref-type="bibr" rid="ref15">16</xref>
        ] também tece suas críticas às correntes então em voga,
mas da perspectiva das organizações e do trabalho. [1]
separa fatores humanos de atores humanos. Outras vertentes,
como o trabalho cooperativo e o design participativo,
igualmente teceram suas críticas, exploraram teorias, a
ponto das comunidades desenvolverem identidades distintas.
Em meados da passagem do milênio alguns textos e
discussões começam a utilizar o termo segunda onda para
designar algumas perspectivas desenvolvidas na grande
área de IHC [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">10</xref>
        ]. Estes foram apresentados em
contraposição à primeira onda, vertente cognitivista e de
processamento de informação então fortemente vigente.
Entretanto, este mesmo período presenciou em nível
internacional a emergência de várias outras facetas e
experimentações neste grande campo, aparentemente
minado, que não necessariamente se encaixavam em uma
supostamente primeira ou segunda ondas. Dimensões como
a estética [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">4</xref>
        ], relacionadas a mudança do local da ação ao
modo como compreender a experiência [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref11">12</xref>
        ], assim como o
foco de interesse, que se ampliava para o do cotidiano,
englobando questões lúdicas, emocionais, políticas, e
muitas outras então abstraídas dos interesses da
comunidade, em sua maioria.
      </p>
      <p>
        Em 2006, [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2">3</xref>
        ] faz uma referência a uma terceira “onda”, que
articula justamente estas iniciativas e correntes. [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref6">7</xref>
        ] as
qualificam como um terceiro paradigma1. Porém, em nota
de rodapé em [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">8</xref>
        ] (p. 385) é apontado como mais adequado
o termo perspectivas situadas, embora reconheçam que o
termo “terceira onda” passou a uso corrente na comunidade.
Neste artigo de 2011, estes autores problematizam a área de
IHC afirmando que seria necessária uma mudança
epistemológica mais radical à comunidade de IHC para
considerar a importância do local, dos valores, do contexto,
onde as interações se dão ou são construídas. [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref12">13</xref>
        ]
caracteriza este movimento como florescente.
      </p>
      <p>
        Alguns daqueles mesmos autores e autoras que
contribuíram para questionar a vertente cognitivista em IHC,
a dita primeira, neste quadro subdividido em fases,
apresentam suas perspectivas. Além da já citada [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2">3</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref5">6</xref>
        ]
lista três faces, uma que estende a ergonomia e a engenharia
à computação; uma que traz a administração para o escopo
da computação, nos anos dos mainframes; e ainda uma
1 Não vamos entrar no mérito aqui da recepção do termo
paradigma pela comunidade de computação, onde
equivocadamente uma alteração de método é justificativa para se
propor um novo “paradigma” o que é totalmente descabido na
acepção original de [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref10">11</xref>
        ].
outra associada à emergência do computador pessoal. [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">2</xref>
        ]
reitera a importância de valores e da atividade humana na
compreensão da computação na vida diária.
      </p>
      <p>
        Trazemos estes autores e autoras, porque entendemos que a
ideia de onda, por mais que possa ser compreendida como
espectro, geralmente é entendida como etapas, sendo uma
subsequente a outra. Em termos históricos, isto pode ser
problemático, pois em vez de viabilizar uma diferenciação
epistemológica e suscitar reflexões sobre a pertinência de
cada uma, a cada contexto, a cada local, a cada momento,
facilmente escorrerá em simplificações e reducionismos.
Daí a ressalva já mencionada de [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">8</xref>
        ]. Estas caracterizações
multifacetadas desta área chamada IHC, em que correntes
coetâneas se desdobram, servem a diferentes interesses,
reforçam e enfraquecem valores, refletem e refratam
posicionamentos, incluem, medeiam e excluem
participações, têm implicações e desdobramentos diretos na
forma como nossas recomendações curriculares, nossos
cursos, nossos processos de ensino e aprendizagem, nossa
estruturação de laboratórios, nosso reconhecimento da
relevância de contribuições, são constituídas e modificadas.
Mudanças epistemológicas consideráveis estão em
perspectiva, o que não necessariamente caracterizam
mudanças na organização curricular de IHC. Continua a ser
necessário contribuir para que a formação em IHC e áreas
correlatas contemple conhecimentos em diferentes
disciplinas, e isto depende muito do contexto em que IHC
está inserido nas recomendações curriculares e nas matrizes
de cursos na área de computação. Não basta mais incluir
uma disciplina de IHC para uma formação consistente,
embora seja um começo. Mas mais que isto, não basta
simplesmente incluir um conjunto significativo de
disciplinas para uma formação multifacetada e plural como
as postuladas pela terceira onda. Exigir-se-ia uma
articulação delas, que permitisse, uma postura crítica frente
a cada inserção computacional em diferentes esferas da vida
cotidiana, ao menos de alguns profissionais. Isto exige uma
mudança da própria computação como área, ainda
grandemente direcionada como uma disciplina formal,
universal, neutra, desinteressada, e consequentemente
avessa ao concreto, particular, político, interessado, como
muitas das teorias exploradas tanto pela segunda como
terceira ondas já expressaram reiteradamente. Isto nos leva
a questões curriculares, pois elas não só balizam como
regulam parte do que pode e do que não pode ser oferecido
em cursos de graduação e pós em computação e informática,
no Brasil e alhures.
      </p>
      <p>RECOMENDAÇÕES CURRICULARES
Não há muitas recomendações curriculares em IHC, embora
encontrem-se vários esforços em associações profissionais e
comunidades, passados e presentes. A exceção são as
recomendações do SIGCHI, de 1992. Mas, na medida em
que a área de IHC foi devidamente reconhecida e inclusa
nas recomendações em computação, aparentemente a
necessidade de recomendações particulares diminuiu, o que
não significa que os estudos foram interrompidos.
O desafio demanda um esforço substancial da comunidade
pois podemos afirmar que as recomendações curriculares
nacionais são bastante ortodoxas, pois propiciam estreita
margem de trabalho a questões associadas a valores, a
culturas, ao cotidiano, à participação, ao contexto, ao
momento, e a muitas outras dimensões situadas e
circunstanciadas.</p>
      <p>Quanto às internacionais, elas tem sido um pouco mais
abertas, mas ainda são densamente direcionadas pelos
preceitos da dita primeira onda. Entretanto, vale ressaltar
que a organização acadêmica norte-americana e europeia
facilitam sobremaneira a exploração de outras áreas do
conhecimento na graduação, além de exigirem um número
significativamente mais enxuto de horas de trabalho
associadas diretamente à computação. Este não é o caso
brasileiro, onde dificilmente um estudante pode fazer um
leque grande de disciplinas fora de seu “departamento”.
Mas como então falarmos em aspectos sociais, políticos, de
valor, culturais se nem professores nem estudantes têm esta
formação. A próxima seção apresenta um esforço
estruturado para considerar os aspectos da terceira onda em
uma organização curricular.</p>
      <p>A EDUCAÇÃO EM IHC EM NOSSA INSTITUIÇÃO
A instituição em análise, a UTFPR, oferece atualmente dois
cursos de graduação na área de Computação e Informática
que incluem disciplinas de IHC: Engenharia de
Computação e Sistemas de Informação, ambos em nível de
bacharelado. Em nível de pós-graduação temos um
mestrado profissional em Computação Aplicada, com
disciplinas correlatas e um mestrado e um doutorado
interdisciplinar, com área de concentração em Tecnologia e
Sociedade. Em contraposição ao reconhecimento
anteriormente aventado, mas em conformidade com as
diretrizes curriculares nacionais, optamos em inserir em
nossos cursos um montante maior de disciplinas que
viabilizem por parte do estudante uma compreensão mais
aprofundada do contexto social e profissional da
computação, assim como conhecimentos de áreas básicas as
ciências humanas que potencialmente poderiam servir de
arcabouço em projetos centrados no uso. No Quadro 1
listamos o conjunto de disciplinas já inclusas nos projetos
de curso atuais, as quais julgamos contribuir a uma
construção de uma IHC compreendida de modo amplo, ao
desenvolvimento do computar em domínios de relevância
ainda não extensivamente explorados, ou à compreensão de
seus contextos histórico-culturais. A presença destas
disciplinas em nossos cursos não deram os resultados
almejados nos respectivos projetos de cursos, o que requer
tanto ajustes pontuais, como uma reestruturação de fundo.
Em um diagnóstico breve, alguns fatores são marcantes no
curso de Sistemas de Informação. Começamos pela elevada
carga horária do curso atual e sua distribuição. Que tem
sobrecarregado o corpo discente e o docente. Percebe-se a
falta de momentos de reflexão e livre criação. Os períodos
iniciais funcionam como filtros, que embora selecionem
estudantes com perfis competentes em abstração e
facilidade de programação, podem estar excluindo um
grande montante de pessoas que não tiveram a
oportunidade anterior de construir estas competências. Há
também uma falta de conexão entre conteúdos ministrados
disciplinas, o que se traduz nma excessiva segmentação ou
insularidade disciplinar. Somamos a estes a falta de
flexibilidade e a reduzida oferta de disciplinas optativas.
Objetivam a comunicação e a integração de saberes: Estágio
Supervisionado; Atividades Complementares; Trabalho de
Conclusão de Curso; Oficinas de Integração; Metodologia de
Pesquisa; Comunicação Oral e Escrita; Inglês;
Objetivam a compreensão da inserção social da computação:
Ciências Ambientais; Economia; Filosofia da Ciência e da
Tecnologia; História da Técnica e da Tecnologia; Sociedade e
Política no Brasil; Tecnologia e Sociedade; Ética Profissão e
Cidadania; Computação e Sociedade;
Objetivam uma compreensão de contexto de uso e sua
administração: Gestão da Informação e de Sistemas de
Informação; Gestão de Oportunidades; Gerência de Projetos;
Gestão de Pessoas; Gestão Financeira; Governança Corporativa;
Marketing (Gestão mercadológica); Produção e Logística; Teoria
Geral da Administração; Teoria Geral de Sistemas;
Objetivam trabalhar nestes contextos: Design de Interação;
Segurança e Auditoria de Sistemas; Sistemas de Apoio a Decisão;
Trabalho Cooperativo Apoiado por Computador;
Quadro 1. Disciplinas correlatas à IHC inclusas em cursos de</p>
      <p>Graduação na instituição em análise
PRÁTICAS ATUAIS
Como intuito de aprimorar o projeto político pedagógico
atual do curso de Sistemas de Informação foram planejadas
atividades para interconectar, e desta maneira favorecer, as
disciplinas de Design de Interação e de Computação e
Sociedade, a primeira com carga horária de 60ha e a
segunda de 30 horas aula.</p>
      <p>A ementa atual de Design de Interação contempla:
“Fundamentos em Design de Interação e em Computação
Gráfica. Introdução ao design e à avaliação de artefatos e
mídias interativos.”. Já a ementa da disciplina de
Computação e Sociedade aborda os seguintes elementos:
“O computador na sociedade atual. Aspectos sociais e
econômicos da utilização da informática. A ética
profissional como construção sócio-simbólica. Atuação do
profissional no mercado de trabalho. Relações de Poder: o
espaço público, o privado e o sujeito. Automação, Robótica
e Desemprego. Política de Informática. Cidadania e
educação. Recursos de aprendizagem. Conteúdos e
identidade cultural. Epistemologia e possibilidades de
representação: Ferramental tecnológico como construção
sociocultural.”
Este esforço de integração foi iniciado no primeiro semestre
letivo de 2013 e tem como base o desenvolvimento de um
projeto prático, que deve transcorrer durante o semestre
letivo, e que inclua alguns dos conceitos cobertos pelas
ementas de cada uma das disciplinas. Cada esquipe foi
encorajada a criar um enunciado de projeto que priorize
uma determinada comunidade e que contemple as
perspectivas das duas disciplinas. Por exemplo, um projeto
envolveu a criação/adequação de materiais instrucionais
(na área de programação) para serem disponibilizados via
web a estudantes da instituição em atividades a distância.
Neste trabalho a equipe partiu de um material já existente,
desenvolvido no escopo das atividades de um dos grupos
PET 2 do Departamento Acadêmico de Informática, e
realizou uma adequação para que este material fosse
disponibilizado em um site desenvolvido por eles.
Com esta iniciativa os alunos consideraram questões sobre
análise de uso , requisitos, projeto e prototipação,
usabilidade, avaliação de interface entre outros. Também
consideraram questões sobre a comunidade a ser atendida,
enfatizando o desenvolvimento não determinista deste
artefato e contribuindo para que se atentem ao local, ao
valor e ao contexto em que as interações se dão ou são
construídas. Esta amplitude de compreensão vai ao
encontro do horizonte proposto por algumas das iniciativas
da terceira onda, por contextualizarem e situarem o
computar em um momento e uma comunidade concretos, e
exigindo assim, a saída do conforto do laboratório, a ida a
campo, o encontro da diferença e da incompreensão.
Neste exemplo, estiveram envolvidas em fazeres similares
três outras equipes, com dois participantes cada. A título de
exemplo, a primeira tratou da questão de disponibilização
de material na web, para apoio ao ensino a distância. A
segunda propôs um artefato no escopo da acessibilidade
para idosos e a terceira apresentou uma proposta para
apoiar uma comunidade de voluntários de uma associação
da área de saúde. O objetivo curricular desta iniciativa é
promover a fundamentação e a discussão crítica das
correntes tradicionais e tendências em IHC, já que isto
corrobora com os estudos da área de Computação e
Sociedade, que tratam, por exemplo, de questões de
conteúdo e de identidade cultural, atenção para processos
de inserção e acesso de minorias na ou pela computação
considerando cortes de classe, gênero, etnia, geração e
capacidade, atuação do profissional de Sistemas de
Informação e ferramental tecnológico como construção
sociocultural. Ambas as disciplinas podem e devem
considerar a tecnologia como produção social, dando a
devida importância às pessoas, artefatos, práticas, culturas,
saberes e fazeres.</p>
      <p>Este esforço, desenvolvido em parceria das duas disciplinas,
possibilitou que estudantes visualizassem a importância de
atuar política e socialmente, por meio da computação e na
computação. É sabido que os artefatos possuem
2 Programa de Educação Tutorial Conexões de Saberes, do
Ministério da Educação (MEC), das Secretaria de Educação
Superior (SESu) e Secretaria de Educação Continuada,
Alfabetização e Diversidade (SECAD), aprovado em 2010.
significados, e que as escolhas computacionais realizadas
durante o desenvolvimento de um determinado artefato
propiciam maneiras de viver que podem excluir ou incluir
grupos sociais bem como possibilitar formas distintas de
apropriação deste artefato. Entendemos que a baixa procura,
presença e permanência de minorias na computação possa
estar associada ao perfil disciplinar que a própria área como
um todo percorreu historicamente.
É importante frisar que esta atividade não almeja
contemplar todos os conteúdos das duas disciplinas. Porém
ela possibilita que estudantes abordem conteúdos
específicos das duas disciplinas que sejam significativos e
importantes para cada projeto, permitindo a construção de
pontes entre não só disciplinas do curso, mas entre
realidades concretas que podem ser vivenciadas além dos
muros da academia.</p>
      <p>PRÁTICAS FUTURAS
Neste momento o Núcleo Docente Estruturante trabalha em
uma reestruturação do currículo de Bacharelado em
Sistemas de Informação para reduzir a carga horária total
do curso, e a carga em disciplinas obrigatórias, liberando
espaço para que o corpo discente possa assumir parte da
responsabilidade pela conformação por sua trajetória
curricular específica. As cargas horárias de disciplinas de
formação específica também devem sofrer uma redução
repassando parte delas, hoje obrigatórias a todo o corpo
discente, para os cursos de pós-graduação e fomentando
uma integração destes níveis. Flexibilidade e mobilidade
são palavras de ordem. A arquitetura da reformulação prevê
um cerne básico reduzido, com carga horária tal nos dois
primeiros períodos que permita uma maior diversidade de
trajetórias pessoais à entrada no curso, e complete uma
forma de primeiro ciclo com disciplinas introdutórias, em
grande parte, das várias áreas contempladas por
recomendações curriculares nacionais e internacionais.
Disciplinas nestas áreas, que incluem não apenas as
tradicionais de computação, mas também aquelas nas
ciências humanas e nas artes/linguagens necessárias para a
IHC e a computação que almejamos, encaminham a escolha
de trilhas/módulos de duas a quatro disciplinas que
permitem talhar perfis profissionais em demanda ou a
explorar. Cada estudante deverá cursar um mínimo de três
destas trilhas em computação, o que permite um
aprofundamento em certas áreas, duas ou mais
formalmente constituías em outras áreas do conhecimento,
restando ainda um conjunto de duas ou três disciplinas que
podem ser cursadas isoladamente, e que permitem a
exploração e certa flexibilidade nas escolhas. Pontualmente,
foi realizada uma inspeção nas ementas e conteúdos das
disciplinas, o que resultou na detecção de alguma
redundância.. Conteúdos que antes eram abordados em duas
ou mais disciplinas de forma similar, foram repassados
apenas para uma disciplina. Como exemplo é possível citar
as disciplinas de Tecnologia e Sociedade e Computação e
Sociedade (ambas com 30ha semanais), que apresentam
conteúdos repetidos. Neste caso, opção foi por permanecer
com uma disciplina de 45ha semanais para atender aos dois
programas anteriores. Este tipo de situação ocorreu em mais
disciplinas, o que proporcionou uma reestruturação do
currículo considerando o número total de horas em sala de
aula.</p>
      <p>Naquilo que concerne a área de IHC propriamente dita, a
equipe conta com cinco docentes, que ofertam hoje quatro
disciplinas obrigatórias (Design de Interação para dois
cursos, Trabalho Cooperativo, e Computação e Sociedade),
apenas na graduação. No novo projeto, apenas
Fundamentos em Interação Humano Computador seria
obrigatória, e apenas para Sistemas de Informação. Isto só é
possível pela coberturas das disciplinas de ciências
humanas à tópicos que envolvem as relações entre as
tecnologias e as sociedades, em seus aspectos culturais,
históricos, políticos, éticos, etc, as quais também devem
passar por uma reestruturação. Esta redução de carga,
flexibilização de escolhas e articulação de conteúdos abre
espaço para a oferta concreta, já em nível de graduação, de
disciplinas com foco específico em “Projeto e
Desenvolvimento em Design de Interação/IHC”, em
“Avaliação em Design de Interação/IHC”, e outras que
podem ser ofertadas tempestivamente conforme a
disponibilidade ou em paralelo com a pós-graduação. A
primeira tem por objetivo trabalhar os aspectos de
desenvolvimento de artefatos em IHC em profundidade, e a
segunda tratar de questões de avaliação, explorando os
métodos e técnicas existentes. Para realizar um trabalho de
IHC com a graduação e com a pós-graduação foi prevista
abertura das disciplinas de Design de Interação ofertada em
nível de pós-graduação, e que cobrem conteúdos mais
aprofundados. Ou seja, se por um lado estamos diminuindo
o exigido como obrigatório em IHC à ambos os cursos,
também estamos possibilitando um aprofundamento em
disciplinas optativas em IHC, e em áreas fundamentais a
esta.</p>
      <p>Estas práticas em andamento e futuras estão direcionadas,
atualmente, ao curso de Sistemas de Informação, porém,
espera-se que o curso de Engenharia da Computação
também possa se apropriar de tais sugestões para que
contemple estes conteúdos nos mesmos moldes. A
arquitetura proposta possibilita, eventualmente, se
estruturar uma entrada única em Informática, e várias
diplomações, articuladas em torno de conjuntos de
requisitos no cerne comum e de conjuntos de trilhas
específicas. A organização em dois ciclos, tal qual os
bacharelados recentemente abertos em algumas instituições
no Brasil, em princípio permitiria que estudantes com
interesses, perfis e restrições diversas se graduassem por
exemplo não só em bacharelados já ofertado, como
Engenharia de Computação e Sistemas de Informação, mas
alternativamente em cursos de carga horária mais reduzida
(como os tecnólogos) ou inclusive mais extensa, tais quais
os minors em sistemas anglo-saxônicos. Neste sentido,
vêse que hoje minors em Design de Interação, Informática em
Saúde, ou mesmo de formação plena como Licenciatura em
Computação, embora possíveis, exigiriam a exploração de
colaborações interdepartamentais e interinstitucionais ainda
não tecidas. A arquitetura curricular prevê esta
possibilidade, mas têm-se ciência de que isto só pode ser
conseguido a longo prazo.</p>
      <p>Reforça-se que esta liberdade de construção de trajetória
profissional por cada estudante é crucial para o
desenvolvimento da área de Interação Humano Computador,
interdisciplinar por natureza, mas que hoje se vê em parte
estagnada pela falta de flexibilidade que as próprias
estruturas acadêmicas perpetuam. Como se pode pleitear as
dimensões culturais, históricas, políticas, educacionais,
econômicas, comunicacionais, estéticas para IHC se cada
estudante e cada docente enfrenta atualmente desafios
significativos para cursar, validar e ver reconhecidas como
dignas e importantes para sua formação conhecimentos em
antropologia, sociologia, história, psicologia, pedagogia,
economia, comunicação, letras, artes ou outras, exigidas
inclusive para a compreensão da literatura desta área. É
neste contexto, e viés, que os autores deste artigo estão
trabalhando formações específicas.</p>
      <p>CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao se assumir, por diversas razões históricas de nossa
trajetória pessoal e institucional o viés de um espectro
muito semelhante ao que vem sendo denominado terceira
onda em IHC, nos vemos responsáveis também por
questionar os preceitos epistemológicos quase hegemônicos
que ditam, regulam, supervisionam, e punem trajetórias
profissionais e institucionais divergentes. Sabemos que não
estamos sós nesta caminhada, pois muitos são os contextos
em que a computação se faz presente, e estes exigem
mudanças de postura e formação, sob risco de serem
descartados por outras formações que o fizerem.</p>
      <p>AGRADECIMENTOS
Nós gostaríamos de agradecer em especial os Núcleos
Docentes Estruturantes dos Cursos de Engenharia de
Computação e Bacharelado em Sistemas de Informação,
aos e às integrantes da Linha e Grupos de Pesquisa em que
atuamos em nível de pós-graduação. Agradecemos também
as indicações de revisores desta comunicação neste evento,
que certamente contribuíram para o seu aprimoramento.
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