<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Archiving and Interchange DTD v1.0 20120330//EN" "JATS-archivearticle1.dtd">
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  <front>
    <journal-meta />
    <article-meta>
      <title-group>
        <article-title>Integração curricular por meio da prática de ensino interdisciplinar em IHC</article-title>
      </title-group>
      <contrib-group>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Ecivaldo de Souza Matos</string-name>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Instituto Federal de Educação</string-name>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Canindé - São Paulo/SP ecivaldo@acm.org</string-name>
        </contrib>
      </contrib-group>
      <fpage>25</fpage>
      <lpage>30</lpage>
      <abstract>
        <p>Curriculum integration has been one of the trends in Education, so that the teaching makes sense to students, whose reasoning is guided by practical perception of knowledge in construction. The National Curriculum Guidelines of Computing Courses, under homologation, addresses this integration, including aspects related to human-computer interaction (HCI). In this sense, this paper presents a pilot study about teaching curriculum integration to teaching HCI and programming language in a degree course in Computer Science. The results can inspire other interdisciplinary practices and studies.</p>
      </abstract>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>-</title>
      <p>Palavras-chave
Currículo, interdisciplinaridade, integração curricular,
didática, interação humano-computador, programação,
aprendizagem significativa.</p>
      <p>Copyright © 2013 for the individual papers by the papers' authors.</p>
      <p>
        Copying permitted only for private and academic purposes. This
volume is published and copyrighted by its editors. In: Proceedings
of IV Workshop sobre Ensino de IHC (WEIHC 2013), Manaus,
Brazil, 2013, published at http://ceur-ws.org/
INTRODUÇÃO
O computador está presente em muitas das atividades
humanas na atualidade [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref16">16</xref>
        ]. Isto tem colaborado para que
diversas comunidades epistêmicas definam a necessidade
de inclusão de conhecimentos computacionais na formação
de estudantes de nível superior. Este é o caso da Biologia e
da Educação, cujos cursos de graduação estão em um
movimento, ainda que discreto, de inclusão das tecnologias
digitais de informação e comunicação (TDIC) em seus
currículos. O mesmo acontece em outras áreas, há mais ou
menos tempo, como Medicina, Enfermagem, Geografia,
entre outras.
      </p>
      <p>
        A própria comunidade epistêmica da Computação tem
percebido e trabalhado na concepção de estruturas
curriculares interdisciplinares, como nas iniciativas atuais
da ACM e IEEE [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref4">4</xref>
        ]. No Brasil, novas diretrizes
curriculares nacionais (DCN) para os cursos de graduação
plena em Computação foram aprovadas1 pelo Conselho
Nacional de Educação (CNE). Tais diretrizes consideram a
formação interdisciplinar como algo essencial para o
estudante de Computação. Nesse sentido, apontam a
Interação Humano-Computador (IHC) como um dos
elementos interdisciplinares fundamentais.
      </p>
      <p>
        A IHC é por natureza um campo interdisciplinar [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref19 ref5">5,19</xref>
        ].
      </p>
      <p>Não se “produz” IHC em sala de aula sem recorrer em
algum momento a outras “disciplinas” do conhecimento
humano. Todavia, será que os professores fazem isso com
segurança e plena consciência? E os alunos, eles
conseguem fazer relações com o mundo que o cercam e
com as demais disciplinas acadêmicas, de modo a articular
naturalmente conhecimentos de IHC com conhecimentos de
outras disciplinas?
Considerando a importância do desenvolvimento de
projetos interdisciplinares que explorem as relações entre os
diversos componentes curriculares dos cursos de graduação
em Computação, neste artigo apresentamos uma
experiência de integração curricular pautada na articulação
conceitual de duas disciplinas de referência: IHC e
1 Até o momento da redação final deste artigo, as DCN dos cursos de
graduação em Computação aguardam homologação do Ministério da
Educação (MEC).
Programação. Tal integração ocorreu no âmbito de um
curso de graduação tecnológica em uma instituição federal
de educação.</p>
      <p>A seguir apresentamos os conceitos de currículo,
interdisciplinaridade e integração curricular considerados
na concepção da prática pedagógica docente e alguns
resultados parciais da intervenção didática realizada no
primeiro semestre letivo de 2013. Tal intervenção foi
realizada no âmbito de uma disciplina de programação
avançada. Contudo, neste artigo consideramos os aspectos
que ressaltam o aprendizado de conhecimentos inerentes à
Interação Humano-Computador.</p>
      <p>CURRICULO E INTERDISCIPLINARIDADE
Ao se pensar prática de ensino de qualquer disciplina é
necessário contextualizá-la dentro de uma concepção de
currículo, bem como de método ou filosofia de educação,
intrínsecos ao educador.</p>
      <p>
        Embora possa parecer simples, conceituar currículo não é
das tarefas mais fáceis. Os estudos no campo do currículo
no Brasil começaram a criar identidade somente em meados
dos anos 1980 [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref12">12</xref>
        ]. Desde então, dada a heterogeneidade
de teorizações e pelas discussões sobre e pela
interdisciplinaridade, este campo tem sido fortemente
marcado pelo hibridismo de correntes e, mais recentemente,
pela integração curricular [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref11">11</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        Segundo Lopes e Macedo [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref12">12</xref>
        ], por muito tempo o
planejamento curricular se confundiu com currículo.
      </p>
      <p>Teóricos da Educação tem concebido o currículo como um
“processo”, em vez de puro e simples planejamento
estritamente formal do ensino (currículo
prescrito/proposto).</p>
      <p>
        O currículo é um conjunto de práticas efetivas dadas pelas
práxis dos atores educacionais (currículo praticado) [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref13">13</xref>
        ].
      </p>
      <p>Currículo, portanto, tem vida no interior da sala de aula.</p>
      <p>Deste modo, os documentos curriculares são apenas
elementos estanques que representam uma parte do
processo de planejamento da ação pedagógica.</p>
      <p>
        Na área de Computação, há estudos que evidenciam uma
dinâmica pela busca da interdisciplinaridade em currículos
de cursos de graduação [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref14">14</xref>
        ].
      </p>
      <p>Todavia, a interdisciplinaridade não é uma característica
prescritiva, mas metodológica; isto é, documentos
curriculares, como projetos pedagógicos de curso (PPC)
não garantem cursos interdisciplinares per si. A postura
interdisciplinar é uma questão de método e postura
filosófica do educador na busca pela integração de práticas
e conhecimentos, seja para a construção de novos
conhecimentos, como para o desenvolvimento de
habilidades e manutenção de competências.</p>
      <p>
        Qual é o preço da interdisciplinaridade em uma sociedade
disciplinar? Esta pergunta, de difícil resposta, merece
atenção da comunidade de pesquisa em Ciência da
Computação e, por conseguinte, à comunidade epistêmica
de Interação Humano-Computador. Pois, assim como as
outras áreas do conhecimento (fazendo alusão à
disciplinaridade), a Computação é marcada pela tradição
disciplinar. Esta tradição, conforme Goodson e Popkewitz,
é uma construção político-social, decorrente de uma
pluralidade de demandas políticas que não tem um único
processo de significação [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref12">12</xref>
        ], haja vista o processo de
estabelecimento e reconhecimento da IHC como área de
estudo e pesquisa dentro da Ciência da Computação e nos
currículos dos cursos de graduação em Computação no
Brasil.
      </p>
      <p>Nesse sentido, a inter-relação entre saberes das diversas
disciplinas que compõem a Computação com finalidades
educacionais encontra-se tensionada pela disciplinarização
que, por sua vez, é de natureza científica.</p>
      <p>
        Uma dos mecanismos para “burlar” essa disciplinarização é
a integração curricular, de modo a incentivar o
estabelecimento de relações pedagogicamente significativas
aos estudantes, permitindo práticas inter e pluridisciplinares
endógenas e exógenas [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2">2</xref>
        ] à disciplina/campo de estudo.
      </p>
      <p>A integração curricular só é de fato possível se, e somente
se, o professor estiver disposto a internalizar a
interdisciplinaridade em seu fazer pedagógico, ou seja, na
sua concepção de didática.</p>
      <p>
        INTEGRAÇÃO CURRICULAR
As propostas de integração curricular podem ser
organizadas em três grupos [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref11">11</xref>
        ]: (i) propostas de integração
pelas competências e habilidades a serem formadas nos
alunos; (ii) propostas de integração baseadas nos interesses
dos estudantes; (iii) propostas de integração conceitual das
disciplinas com manutenção das lógicas disciplinares de
referência.
      </p>
      <p>
        No primeiro grupo estão as propostas de integração de
conteúdo cuja preocupação primaz é a eficiência e a
eficácia do ensino. Essas propostas estão pautadas na
racionalidade técnica e comportamentalista de Tyler [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref21">21</xref>
        ],
cujo princípio fundamental é a definição de objetivos
curriculares direcionados para mudanças comportamentais
(behavoristas) nos estudantes. Tais mudanças
evidenciariam o desenvolvimento de habilidades e
competências.
      </p>
      <p>
        Diferente da visão tecnocêntrica tyleriana, o grupo de
propostas baseadas nos interesses dos estudantes pretendem
desenvolver ações didáticas em que o corpo discente
resolva problemas cotidianos em sala de aula, superando
objetivos behavioristas [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">7</xref>
        ]. Com enfoque pragmático e
baseado em projetos, propostas desse grupo valorizam a
integração de saberes por meio da transversalidade de
conhecimentos [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref8">8</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        Por sua vez, a integração conceitual das disciplinas é um
modo de estabelecer inter-relações a partir de problemas e
temas comuns das disciplinas de referência, valorizando a
lógica da disciplinaridade e, ao mesmo tempo, a articulação
entre os conhecimentos específicos de cada disciplina [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">9</xref>
        ].
      </p>
      <p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS INTERDISCIPLINARES EM
COMPUTAÇÃO
Ao pensarmos na sala de aula como um espaço de
construção de conhecimento interdisciplinar, o encontro de
diversos fluxos de conhecimentos, advindos das diferentes
disciplinas constituintes do currículo, pode ser produtivo
tanto para o ensino quanto para a aprendizagem.</p>
      <p>
        A prática da didática interdisciplinar tem o seu cerne na
composição de elementos didáticos de diferentes
disciplinas. Por exemplo, em disciplinas de matemática é
comum termos exercícios-tipo [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref10">10</xref>
        ] que procuram incentivar
o raciocínio lógico-matemático; do mesmo modo, em
programação tradicionalmente trabalha-se com
exercíciostipo incentivadores do pensamento abstrato. Um trabalho
didático interdisciplinar pode, nesta situação, promover
atividades que combinadas incentivem ao mesmo tempo o
raciocínio lógico-matemático e o pensamento abstrato.
      </p>
      <p>
        Na literatura sobre ensino de IHC encontram-se referências
a experiências didáticas que representam propostas de
integração curricular. Frequentemente encontra-se relatos
de experiências pautadas no enfoque pragmático baseado
em projetos, na tentativa (nem sempre explícita) de romper
com estruturas curriculares baseadas em disciplinas
estanques, como em [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">3</xref>
        ]. Também há estudos que
apresentam implementações de abordagens mais próximas
da integração conceitual disciplinar, como [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref15 ref2 ref20">2, 15, 20</xref>
        ].
      </p>
      <p>CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM ANÁLISE E
DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS DO INSTITUTO
FEDERAL DE SÃO PAULO-CAMPUS SÃO PAULO
O curso superior de Tecnologia em Análise e
Desenvolvimento de Sistemas (TADS) do Instituto Federal
de São Paulo-Campus São Paulo (IFSP/SPO) iniciou suas
atividades no primeiro semestre letivo de 2005. Desde
então ingressam anualmente cerca de 120 estudantes
distribuídos em três turmas (duas noturnas e uma diurna). O
curso possui carga-horária de 2.440 horas, destas 360 horas
são dedicadas ao estágio supervisionado, requisito
obrigatório para diplomação.</p>
      <p>
        Segundo o seu projeto pedagógico de curso (PPC) [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref18">18</xref>
        ] o
perfil de egresso do TADS no IFSP/SPO é o de “Integrador
de Sistemas”, de tal modo que ele seja capaz de:

elaborar e implementar projetos de sistemas na
área de informática, realizando análise e
levantamento de dados de situações-problema, a
tradução da necessidade do cliente/usuário para a
linguagem técnica, a especificação técnica da
solução, bem como a elaboração da montagem,
testes e documentação de todo o processo de
desenvolvimento de software;








executar, planejar e supervisionar manutenção de
sistemas;
gerenciar e supervisionar operações e
implementações de controle de tecnologia de
informação (TI);
auxiliar na tomada de decisões, quanto às
estratégias de implantação de sistemas de controle
nos setores industrial, financeiro e comercial;
participar de atividades de ensino, pesquisa,
análise, experimentação, ensaio e divulgação
técnica e extensão na área de Informática;
implementar gestão tecnológica permitindo o
gerenciamento de processo, treinamento de
pessoal, gestão de qualidade e empreendedorismo;
utilizar técnicas de software com estruturas que
possibilitem estudo e aplicação em integração de
sistemas;
aplicar técnicas de gestão de informática,
permitindo o planejamento e controle de produção
e de processo, administração de materiais,
elaboração de orçamento e gestão de qualidade;
gerenciar equipes de trabalho.
      </p>
      <p>Os cursos superiores de Tecnologia na área de Computação
não possuem propostas curriculares (ou “currículos de
referência”) estabelecidos pela Sociedade Brasileira de
Computação (SBC). Nesse sentido, os currículos desses
cursos são flexíveis às necessidades regionais e às
características institucionais.</p>
      <p>O TADS do IFSP/SPO possui uma proposta curricular
modular e orientado a habilidades e competências,
reproduzindo uma visão tayleriana de currículo. A
integralização total do curso acontece em no mínimo seis
semestres letivos, divididos em três módulos de dois
semestres letivos cada. Espera-se que a cada módulo o
estudante desenvolva um conjunto de competências
específicas para sua atuação profissional, dentre as
elencadas no PPC.</p>
      <p>Ao final do primeiro módulo, intitulado módulo básico, o
estudante deve ser capaz de analisar dados de programas,
interpretar textos técnicos, desenvolver algoritmos
programáveis, entre outras habilidades. No segundo
módulo, o estudante deve ser capaz de desenvolver e
administrar sistemas com uso de banco de dados. No último
módulo o estudante desenvolve competências para análise e
projeto de sistemas.</p>
      <p>
        Nesse contexto modular e essencialmente disciplinar, não
há componentes curriculares dedicados a conhecimentos
específicos de IHC. Nem, tampouco, há alusão à difusão de
conteúdos ao longo das disciplinas do curso.
Inserir conteúdo de IHC em disciplina de programação
nesta intervenção foi, portanto, uma estratégia curricular
adotada exclusivamente pelo professor, aproveitando
problemas transversais às duas disciplinas, na perspectiva
de integração conceitual e baseado em pressupostos
teóricometodológicos da teoria da Aprendizagem Significativa [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">1</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        Para Ausubel [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">1</xref>
        ], a aprendizagem é um processo de
desenvolvimento de estruturas significativas. Nesse sentido,
conhecimento pode ser definido como a “compreensão do
significado”. A aprendizagem será significativa quando o
estudante conseguir associar o novo conhecimento em sua
estrutura cognitiva, articulando conhecimentos de diferentes
naturezas.
      </p>
      <p>
        Interdisciplinaridade e integração curricular no ensino
de IHC
Segundo Lopes e Macedo [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref12">12</xref>
        ], “para o desenvolvimento da
interdisciplinaridade, há que existir cooperação e
coordenação entre os campos disciplinares, de maneira a
serem incorporados resultados das várias especialidades
disciplinares, bem como instrumentos, técnicas e conceitos”
(p. 132).
      </p>
      <p>
        Nesse sentido, a prática da interdisciplinaridade em IHC se
torna ainda mais viável, dada a natureza interdisciplinar
orgânica da área [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref19 ref5">5, 19</xref>
        ].
      </p>
      <p>A experiência de integração curricular ocorreu com o
planejamento de aulas sobre aspectos introdutórios de IHC
em uma disciplina específica de programação, intitulada
“A5LP1 - Linguagem de Programação Plataforma .NET I”,
oferecida a duas turmas de 20 alunos cada, do 5o período do
TADS no IFSP/SPO.</p>
      <p>
        O objetivo da disciplinam, conforme PPC do curso [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref18">18</xref>
        ], é:
apresentar ferramenta de desenvolvimento
para o ambiente .Net e capacitar os
participantes a desenvolver aplicações
básicas com manipulação de bancos de
dados através de SGBD (Sistemas
Gerenciadores de Banco de Dados). O curso
dá especial ênfase aos recursos e controles
básicos da linguagem C# e ao design de
interfaces do Usuário. (grifo nosso)
Há, portanto, a intenção de que o estudante tenha contato
com design de interfaces. É a primeira disciplina da matriz
curricular do TADS no IFSP/SPO a citar dentre seus
objetivos aspectos de IHC. Por isso esta disciplina foi
escolhida para este estudo. Todavia, vale salientar que a
ementa da disciplina não apresenta explicitamente
conteúdos relacionados à IHC. Logo, fica a critério do
professor apresentar conceitos e técnicas de IHC (design da
interação) aos estudantes.
      </p>
      <p>Para a maioria dos estudantes este seria o primeiro contato
com IHC, dado que até o momento da intervenção descrita
neste artigo nenhum dos 40 estudantes tivera contato prévio
formal com conhecimentos de IHC, nem sabiam o que era
design da interação.</p>
      <p>
        O planejamento didático foi elaborado para dez horas-aula
de 45 minutos por turma, divididas em dois dias. O plano
de aula procurou valorizar os conhecimentos subsunçores
dos estudantes e a aprendizagem como processo de
compreensão e assimilação [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref17">17</xref>
        ], na busca pela
aprendizagem significativa. O plano a ação didática foi
dividido em quatro fases/unidades:
1. Introdução: apresentação geral da área de IHC
2.
3.
4.
      </p>
      <p>Unidade I: conceitos básicos.</p>
      <p>Unidade II: integração de IHC com processo de
desenvolvimento de software.</p>
      <p>Unidade III: princípios e procedimentos de design
da interação.</p>
      <p>As três primeiras fases foram realizadas no primeiro dia de
aula. O segundo dia foi dedicado exclusivamente para a
Unidade III.</p>
      <p>Na Introdução foi realizado um “aquecimento” com o
objetivo de apresentar brevemente o campo de IHC aos
estudantes. Em seguida, a Unidade I apresentou
conceitoschave de IHC, como interação, interface e affordance. Estes
conceitos serviriam de subsunçores para as fases
posteriores.</p>
      <p>Ao final da Unidade I, os estudantes foram convidados a
efetuar a primeira atividade: procurar em sítios na web três
possíveis exemplos de problemas relacionados a
affordances para posterior discussão coletiva.</p>
      <p>Na Unidade II foram apresentados elementos de integração
entre o processo de desenvolvimento de software e IHC.</p>
      <p>
        Neste momento os estudantes puderam tecer “pontes
cognitivas” [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref17">17</xref>
        ] entre os novos conteúdos e o que fora
estudado até o momento na disciplina de programação.
      </p>
      <p>
        Antes de iniciar a fase seguinte, os estudantes elaboraram
individualmente mapas conceituais descrevendo o conceito
“interação humano-computador”. A única exigência do
professor era que os conceitos “interação”, “interface” e
“affordance” fossem contemplados em uma ou mais
proposições, conforme apresentado na Figura 1. Esta
atividade teve como objetivo incentivar a reconciliação
integradora [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">1</xref>
        ].
      </p>
      <p>Em seguida, na Unidade III, foram apresentados aspectos
de design da interação centrado na comunicação. Nesta
última fase do plano didático-pedagógico, os estudantes
foram convidados a elaborar o design da interação (mapa de
objetivos dos usuários, quadro de representação da
interação como diálogo, esquema conceitual dos signos e
modelo de tarefas), protótipo e implementação (em C#) de
uma mesma porção do trabalho final em desenvolvimento
pelos grupos. Os artefatos resultantes do design da
interação foram apresentados por cada grupo e objeto de
discussão conjunta com toda a turma, de modo estabelecer
um “nivelamento” conceitual e construir conhecimento
coletivamente.</p>
      <p>Figura 1. Recorte de mapa conceitual sobre “interação humano-computador” elaborado por um dos estudantes
Como avaliação da atividade de integração, todos os grupos
tiveram que elaborar, em seus trabalhos finais dessa
disciplina, o design da interação anterior à programação na
plataforma .NET. Um dos critérios de avaliação pautou-se
na adequação entre os artefatos de design de interação
(modelo de tarefas e quadro de representação da interação
como diálogo e esquema conceitual de signos) e o software
implementado.</p>
      <p>
        DISCUSSÃO
A formação positivista fortemente pautada na
disciplinaridade de conhecimentos não nos impede de
investir em novos modos e metodologias de ensino na
busca pela melhoria do aprendizado. A Didática exige
curiosidade epistemológica e compromisso com a
transformação do estudante [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref6">6</xref>
        ].
      </p>
      <p>Freire indica que, dentre outras, a autonomia é uma das
mais importantes categorias pedagógicas. Em sala de aula,
o professor pode promover a autonomia em seus alunos,
dotando-os de capacidade para encontrar soluções para os
problemas que surgiram em sua carreira profissional. No
campo da Computação, discutir e solidificar conceitos
podem ser uma estratégia interessante para a construção
dessa autonomia.</p>
      <p>
        A experiência didática descrita neste artigo pretendeu ir
além da mera apresentação sintática de uma linguagem e de
um ambiente de programação que, a priori, era o “objetivo”
da disciplina, conforme PPC do curso [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref18">18</xref>
        ]. A partir disso,
evidenciou que há como integrar conhecimentos de
diferentes disciplinas com sucesso, uma vez que os
estudantes que nunca tiveram contato com IHC
conseguiram, ao final da disciplina específica de
programação, articular conhecimentos de IHC e de
programação. De modo geral, conseguiram associar o novo
conhecimento em sua estrutura cognitiva, articulando
conhecimentos de naturezas disciplinares diferentes.
      </p>
      <p>Isto ficou claro nas avaliações realizadas durante a
intervenção didática e ao final da disciplina. Dado que tanto
nas atividades individuais como nas coletivas, os estudantes
fizeram projetos de interação e apresentaram softwares
finais (programados em C#) que representavam fielmente o
design de interação previamente realizado (mapa de
objetivos dos usuários, quadro de representação da
interação como diálogo, esquema conceitual dos signos e
modelo de tarefas).</p>
      <p>Além disso, relatos dos alunos ao final da aula e em redes
sociais (por exemplo, o trecho abaixo) favoreceram as
inferências sobre a integração curricular aqui descrita.</p>
      <p>Status: fazendo mapa conceitual do trabalho da aula de
terça-feira, C# parte 2. Vai ajudar a dar uma visão
panorâmica do Sistema de E-commerce e fazer os ajustes
necessários. Acho que essa foi uma das melhores coisas
que aprendi na faculdade e vou levar para vida: Fazer
29
mapas conceituais e mentais. [Relato de um dos estudantes
no Facebook©]
Nesta integração curricular foi possível observar como a
aprendizagem significativa se dá por meio do movimento
dialético constante de assimilação, reflexão e interiorização,
com utilização dos saberes subsunçores na promoção do
aprendizado.</p>
      <p>Isto realizado com respeito aos saberes dos estudantes,
convicção de que a mudança é possível mas exige
contextualização, compromisso, liberdade e flexibilidade,
além de constante disponibilidade para o diálogo entre os
diferentes conhecimentos.</p>
      <p>
        Em trabalhos futuros espera-se repetir os experimentos em
novas turmas, aprofundando as análises dos fenômenos por
meio de teoria(s) de ensino que possa(m) ser composta(s)
com a teoria da Aprendizagem Significativa de Ausubel [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">1</xref>
        ]
e com os aspectos conceituais de integração curricular
apresentados por Lopes [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref11">11</xref>
        ].
      </p>
      <p>REFERÊNCIAS</p>
    </sec>
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