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      <title-group>
        <article-title>Uma Estratégia para Melhoria de Processo de Software nas Empresas Brasileiras</article-title>
      </title-group>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Kival C. Weber</string-name>
          <email>kival.weber@nac.softex.br</email>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Ana Regina Rocha</string-name>
          <email>darocha@cos.ufrj.br.</email>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Ana Cristina Rouiller</string-name>
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          <string-name>Adalberto Crespo</string-name>
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          <string-name>Ângela Alves</string-name>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Arnaldo Ayala</string-name>
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          <string-name>Austregésilo Gonçalves</string-name>
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          <string-name>Benito Paret</string-name>
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          <string-name>Carlos Vargas</string-name>
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          <string-name>Clênio Salviano</string-name>
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          <string-name>Cristina Machado</string-name>
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          <string-name>Danilo Scalet</string-name>
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          <string-name>Djalma Petit</string-name>
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          <string-name>Eratóstenes Araújo</string-name>
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          <string-name>José Carlos Maldonado</string-name>
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          <string-name>Kathia Oliveira</string-name>
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          <string-name>Luiz Carlos Oliveira</string-name>
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          <string-name>Márcio Girão</string-name>
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          <string-name>Márcio Amaral</string-name>
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          <string-name>Renata Campelo</string-name>
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          <string-name>Teresa Maciel</string-name>
          <xref ref-type="aff" rid="aff0">0</xref>
        </contrib>
        <aff id="aff0">
          <label>0</label>
          <institution>---------------- • K.C.Weber é da Sociedade para Promoção da Excelência do Software Brasileiro</institution>
          ,
          <addr-line>SOFTEX</addr-line>
        </aff>
      </contrib-group>
      <pub-date>
        <year>2004</year>
      </pub-date>
      <abstract>
        <p>Resumo - Estudos sobre a qualidade no setor de software brasileiro mostram a necessidade de um esforço significativo capaz de aumentar a maturidade dos processos de software das empresas. Este artigo descreve o Projeto mps Br - melhoria de processo do software Brasileiro, uma iniciativa envolvendo universidades, grupos de pesquisa e empresas, sob a coordenação da Sociedade SOFTEX. O projeto visa a definição e disseminação de um Modelo de Referência e um Modelo de Negócio para melhoria de processo de software (MR mps e MN mps, respectivamente). Não é objetivo deste projeto definir algo novo no que se refere a normas e modelos de maturidade. Sua novidade está na estratégia de implementação, criada para a realidade brasileira. O Modelo de Negócio tem grande potencial de replicabilidade no Brasil e em outros países de características semelhantes no que se refere ao setor de software. Palavras-chave - avaliação do processo, melhoria do processo, processo de software</p>
      </abstract>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>-</title>
      <p>——————————</p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>1 INTRODUÇÃO</title>
      <p>
        Psoftware brasileiro mostram que é necessário um
esquisas periódicas sobre a qualidade no setor de
esforço adicional significativo para melhorar os
processos de software no país [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">1</xref>
        ]. Desde 1993, com a
criação do PBQP Software (Subcomitê de Software do
Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade), o
Brasil investe na melhoria da Qualidade de Software [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2">2</xref>
        ],
[
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">3</xref>
        ]. Entretanto, um estudo comparativo do MIT
(Massachusetts Institute of Technology) [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref4">4</xref>
        ] constatou que
houve interesse na me-lhoria de processos de software no
Brasil, nos últimos anos, mas que as empresas locais
favoreceram a ISO 9000 [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref5">5</xref>
        ] em detrimento de outros
modelos e padrões especificamente voltados para software.
      </p>
      <p>Segundo dados do Ministério da Ciência e Tecnologia
(MCT/SEITEC), em 2003, o número de empresas que
desenvolvem software no Brasil com certificação ISO 9000
era 214, enquanto o número de empresas com avaliação
oficial CMM era 30. Considerando-se estas 30 empresas
com avaliação oficial CMM, verifica-se que na base da
pirâmide encontram-se 24 empresas no nível 2 e cinco
empresas no nível 3. No topo da pirâmide há uma empresa
no nível 4 e nenhuma no nível 5. Estes dados evidenciam
que, para a melhoria dos processos de software no Brasil,
há dois problemas a serem resolvidos nos próximos anos:
1) no topo da pirâmide, a questão a ser resolvida é: Como
aumentar expressivamente o número de empresas
com avaliação formal CMM/CMMI níveis 4 e 5 no
Brasil, com foco nas empresas exportadoras de
software e em outras grandes empresas?
2) na base da pirâmide, tem-se uma outra questão: Como
melhorar radicalmente os processos de software no
Brasil, com foco em um número significativo de
micro, pequenas e médias empresas, de forma que
estas atinjam os níveis de maturidade 2 e 3, a um
custo acessível?</p>
      <p>A solução para o primeiro problema está fora do escopo
deste artigo, exigirá um prazo longo (4 a 10 anos) e será
apoiada pelo Projeto Qualificação de Profissionais no
Modelo CMMI. Este trabalho descreve uma abordagem
para solução do segundo problema, no período 2004-2006,
no âmbito do Projeto mps Br – melhoria de processo do
software Brasileiro. Os dois projetos são coordenados pela
Sociedade SOFTEX.</p>
      <p>A Sociedade SOFTEX é uma entidade privada, sem fins
lucrativos, que promove ações de empreendedorismo,
capacitação, apoio à capitalização e ao financiamento, e
apoio à geração de negócios no Brasil e no exterior, visando
aumentar a competitividade da indústria brasileira de
software. Sua missão é transformar o Brasil em um centro
de excelência mundial na produção e exportação de
software. É a entidade nacional responsável pelo Programa
SOFTEX, que coordena as ações de 31 Agentes SOFTEX,
localizados em 23 cidades de 13 Unidades da Federação,
com mais de 1300 empresas associadas (consulte
www.softex.br ).</p>
      <p>Após esta seção introdutória, na seção 2 é descrito o
Projeto mps Br. Na seção 3 são resumidas as principais
abordagens para melhoria de processo de software, que
foram a base para a definição do Modelo de Referência para
melhoria de processo de software (MR mps). A seção 4
apresenta o MR mps. A seção 5 descreve as
experiênciaspiloto e os primeiros resultados obtidos. Na seção 6, como
conclusão, são destacados os diferenciais do projeto.
A estrutura organizacional do projeto é constituída por:
1) uma equipe coordenadora do projeto;
2) uma equipe técnica, com responsabilidade pela
definição e aprimoramento do Modelo de Referência
(MR mps);
3) Forum de Credenciamento e Controle (FCC),
responsável por credenciar e controlar instituições
implementadoras do MR mps e avaliadoras de
empresas segundo o modelo. No momento do
credenciamento, a Sociedade SOFTEX assina um
convênio com a instituição credenciada.</p>
      <p>O cronograma do projeto compreende seis etapas: as
duas primeiras foram de planejamento (P do PDCA) e as
quatro últimas etapas, semestrais, serão de execução,
controle e aprimoramento do projeto. A 1ª etapa –
Organização do Projeto, realizada de dezembro de 2003 a
março de 2004, teve como objetivo organizar o projeto,
estabelecer seus objetivos e definir a primeira versão do
Modelo de Referência (MR mps). A 2ª etapa –
Aprimoramento do Modelo, de abril a junho de 2004, teve
como objetivos o aprimoramento do Modelo de Referência,
o início das atividades de treinamento no modelo e a
realização de experiências iniciais de uso do MR mps em
empresas. De julho de 2004 a junho de 2006, nas quatro
etapas semestrais denominadas de Implementação em
Grupos de Empresas, serão realizadas implementações e
avaliações do modelo em empresas, com foco em grupos
de empresas, em diversos locais do país.</p>
      <p>Normalmente, devido ao seu custo elevado a
implementação e avaliação de modelos como o CMMI,
mesmo nos seus níveis mais baixos (2 e 3), está fora do
alcance da micro, pequena e média empresa, especialmente
no Brasil. Para resolver este pro-blema, o Projeto mps Br
criou dois modelos:
1) Modelo de Referência para melhoria de processo de
software (MR mps), que será descrito na seção 4;
2) Modelo de Negócio para melhoria de processo de
software (MN mps), descrito nesta seção.</p>
      <p>
        No Brasil, algumas instituições e Agentes SOFTEX têm
experiência na formação e gestão de grupos de empresas
para me-lhoria de processo de software, seja de grupos de
empresas voltados à implementação e certificação ISO 9000
[
        <xref ref-type="bibr" rid="ref6">6</xref>
        ] seja de grupos de empresas voltados à implementação e
avaliação CMM e CMMI. A partir destas experiências
concebeu-se para o Projeto mps Br um Modelo de Negócio
(MN mps) que prevê duas situações:
1) a implementação do MR mps de forma personalizada
para uma empresa (MNE – Modelo de Negócio
Específico);
2) a implementação do MR mps de forma cooperada em
grupos de empresas (MNC – Modelo de Negócio
Coope-rado), com custo mais acessível às micro,
pequenas e médias empresas por dividir
proporcionalmente parte dos custos entre as
empresas e por se buscar outras fontes de
financiamento.
      </p>
      <p>No Modelo de Negócio Específico para uma empresa
(MNE), cada empresa interessada negocia e assina um
contrato específico com uma das Instituições Credenciadas
para Implementação (ICI). Para avaliação, negocia e assina
um outro contrato específico com uma das Instituições
Credenciadas para Avaliação (ICA). A entidade
coordenadora do Projeto mps Br (Sociedade SOFTEX) toma
conhecimento, através da ICI ou ICA, do contrato e dos
resultados da implementação e/ou avaliação na empresa.</p>
      <p>No Modelo de Negócio Cooperado (MNC), o primeiro
passo, é a constituição de um grupo de empresas
interessadas na implementação do MR mps (o que pode
acontecer, ou não, por iniciativa de um Agente SOFTEX). A
partir de sua constituição, a coordenação do grupo de
empresas irá negociar e assinar um contrato com uma das
Instituições Credenciadas para Implementação (ICI).
Posteriormente, irá negociar e assinar um outro contrato
para avaliação das empresas com uma das Instituições
Credenciadas para Avaliação (ICA). Neste caso, a
Sociedade SOFTEX toma conhecimento da implementação
e/ou avaliação no grupo de empresas, através da ICI ou
ICA, e assina um convênio com a entidade organizadora do
grupo de empresas (por exemplo, um Agente SOFTEX),
sempre que pertinente.
3</p>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>MODELOS</title>
    </sec>
    <sec id="sec-4">
      <title>SOFTWARE</title>
      <p>E</p>
    </sec>
    <sec id="sec-5">
      <title>NORMAS</title>
      <p>DE</p>
    </sec>
    <sec id="sec-6">
      <title>PROCESSOS</title>
      <p>DE
O objetivo fundamental do Projeto mps Br é a definição e
disseminação de um Modelo de Referência para melhoria
de processo de software (MR mps). Não é objetivo do
projeto definir algo novo no que se refere a Normas e
Modelos de Maturidade. A novidade e contribuição do
projeto está na sua estratégia de implementação, criada
para a realidade brasileira. Além disto, o Modelo de
Negócio definido para o projeto tem grande potencial de
replicabilidade no Brasil e em outros países de
características semelhantes no que se refere ao setor de
software. Desta forma os modelos, normas e métodos já
disponíveis e conhecidos internacionalmente foram o ponto
de partida para a definição do Modelo de Referência.</p>
      <p>O ponto de partida para definição do MR mps foi,
portanto, a análise da realidade das empresas brasileiras, e
a sua plena compatibilidade com o modelo CMMI
(Capability Maturity Model Integration), a norma ISO/IEC
12207 e a norma ISO/IEC 15504 (SPICE) que descrevemos
sucintamente a seguir.</p>
      <p>
        Em 1988, foi proposto o desenvolvimento da Norma ISO/IEC
12207 [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">7</xref>
        ] dentro de um esforço conjunto da ISO – International
Organization for Standardization e do IEC – International
Electrotechnical Commission em estabelecer uma estrutura
comum para os processos de ciclo de vida de software como
forma de ajudar as organizações a compreenderem todos os
componentes presentes na aquisição e fornecimento de software
e, assim, conseguirem firmar contratos e executarem projetos de
forma mais eficaz. A Norma foi publicada internacionalmente em
1995 e no Brasil em 1998.
      </p>
      <p>
        Em 2002, foi feita uma atualização na norma ISO/IEC
12207 [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref8">8</xref>
        ] em forma de anexo que visava representar a
evolução da engenharia de software, as necessidades
vivenciadas pelos usuários da norma e a harmonização com
a série de normas ISO/IEC 15504 – Avaliação de Processos
de Software. Essa atualização inseriu processos e
acrescentou na sua descrição propósito e resultados de
implementação o que possibilita a avaliação da capacidade
do processo. A norma, incluindo o seu anexo, é composta
por 22 processos, 95 atividades, 325 tarefas e 254 resultados.
Todos esses processos, executados durante o projeto de
software, conduzem à qualidade tanto do produto quanto
do processo. Entretanto, a norma deixa para a organização
definir “como” os processos serão executados conservando
dessa forma a flexibilidade necessária para que os países e
as organizações a implementem de acordo com a cultura
local e a tecnologia empregada.
      </p>
      <p>A ISO/IEC 12207 tem sido amplamente utilizada em
muitos países como referência para contratação de serviços
de desenvolvimento e manutenção de software. No Brasil,
muitas organizações têm tomado conhecimento da
existência da norma e algumas já a utilizam para definição
de processos de desenvolvimento de software. Muitos
trabalhos de pesquisa têm utilizado a norma o que
vislumbra uma ampla utilização da mesma no futuro.</p>
      <p>
        A ISO/IEC 15504 (SPICE) presta-se à realização de
avaliações de processos de software com dois objetivos: a
melhoria de processos e a determinação da capacidade de
processos de uma organização. Se o objetivo for a melhoria
de processos, a organização pode realizar a avaliação
gerando um perfil dos processos que será usado para a
elaboração de um plano de melhorias. A análise dos
resultados identifica os pontos fortes, os pontos fracos e os
riscos inerentes aos processos. No segundo caso, a empresa
tem o objetivo de avaliar um fornecedor em potencial,
obtendo o seu perfil de capacidade. O perfil de capacidade
permite ao contratante estimar o risco associado à
contratação daquele fornecedor em potencial para auxiliar
na tomada de decisão de contratá-lo ou não [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">9</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref10">10</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        O modelo SW-CMM (Capability Maturity Model) foi
definido no SEI (Software Engineering Institute) a pedido do
Departamento de Defesa dos Estados Unidos. A partir de
1991, foram desenvolvidos CMMs para várias disciplinas.
Embora estes modelos tenham mostrado sua utilidade, o
uso de múltiplos modelos mostrou-se problemático. O
CMMI surgiu para resolver o problema de se usar vários
modelos e é o resultado da evolução do SW-CMM, SECM
(System Engineering Capability Model) e IPD-CMM (Integrated
Product Development Capability Maturity Model). É, portanto,
o sucessor destes modelos. Além disso o CMMI foi
desenvolvido para ser consistente e compatível com a
ISO/IEC 15504 (SPICE) [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref11">11</xref>
        ].
      </p>
      <p>Existem dois tipos de representação no CMMI: em
estágios e contínua. Tem-se, assim, um único modelo que
pode ser visto de duas perspectivas distintas. A
representação em estágios é a representação usada no
SWCMM. Esta representação é composta de um conjunto de
áreas de processo para definir um caminho de melhoria
para a organização, descrito em termos de níveis de
maturidade. A representação contínua é o enfoque
utilizado no SECM, no IPD-CMM e também no SPICE. Este
enfoque permite que uma organização selecione uma área
de processo específica e melhore com relação a esta área. A
representação contínua usa níveis de capacidade para
caracterizar melhoria relacionada a uma área de processo.</p>
      <p>
        Uma questão que se apresenta para as organizações é,
então: que modelo escolher? Se a organização é familiar
com o SW-CMM, a representação em estágios será a mais
adequada para migrar para o CMMI. Esta representação,
também, é a mais adequada se a organização necessita
demonstrar externamente o seu nível de maturidade.
Entretanto, não há obrigatoriedade de se escolher uma
representação em detrimento da outra. Mais de 80% do
conteúdo das duas representações é comum e elas oferecem
resultados equivalentes. Raramente as organizações
implementam uma representação exatamente como ela é
prescrita. Por exemplo, uma organização pode escolher a
representação em estágios para implementar o nível 2 mas
incluir uma ou duas áreas de processo de nível 3 em seu
plano de melhoria. Outra possibilidade é uma organização
escolher a representação contínua para guiar internamente
o seu processo de melhoria e, no momento de realizar a
avaliação, escolher a representação em estágios [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref11">11</xref>
        ].
      </p>
      <p>Um modelo em estágios fornece um roteiro predefinido
para a melhoria de processos na organização baseado em
um agrupamento e ordenação de processos. O termo
“estágios” vem da forma como o modelo descreve este
roteiro, isto é, como uma série de estágios chamados níveis
de maturidade. Cada nível de maturidade tem um
conjunto de áreas de processo que indicam onde a
organização deve colocar o foco de forma a melhorar o seu
processo. Cada área de processo é descrita em termos das
práticas que contribuem para alcançar seus objetivos. O
progresso ocorre pela satisfação dos objetivos de todas as
áreas de processo relacionadas a um determinado nível de
maturidade. As áreas de processo do CMMI estão
organizadas em quatro níveis de maturidade na
representação em estágios, pois o nível 1 não possui áreas
de processo.
4</p>
    </sec>
    <sec id="sec-7">
      <title>MODELO DE REFERÊNCIA PARA MELHORIA DO</title>
    </sec>
    <sec id="sec-8">
      <title>PROCESSO DE SOFTWARE</title>
      <p>O Modelo de Referência para melhoria de processo de
software (MR mps) compreende níveis de maturidade e um
método de avaliação (Fig. 1).</p>
      <p>Fig. 1. Modelo de Referência para Melhoria do Processo de Software.</p>
      <sec id="sec-8-1">
        <title>4.1 Implementação do MR mps</title>
        <p>A norma de referência para os processos de ciclo de vida de
software no MR mps é a ISO/IEC 12207 conforme sua
atualização publicada em 2002. Essa atualização inseriu
processos e acrescentou na sua descrição propósito e
resultados de implementação o que possibilita a avaliação
da capacidade do processo. A norma, incluindo o seu
anexo, é composta por 22 processos:
1) Processos fundamentais: Aquisição, Fornecimento,</p>
        <p>Desenvolvimento, Operação e Manutenção.
2) Processos de apoio: Documentação, Gerência de
Configuração, Garantia da Qualidade, Verificação,
Validação, Revisão Conjunta, Auditoria, Resolução de
Problemas e Usabilidade.
3) Processos organizacionais: Gerência, Infra-estrutura,
Melhoria, Recursos Humanos, Gestão de Ativos,
Gestão de Programa de Reuso e Engenharia de
Domínio.</p>
        <p>Os resultados esperados da implementação dos
processos são uma adaptação para o MRmps dos resultados
esperados nos pro-cessos e atividades da ISO/IEC 12207.</p>
        <p>A implementação do mps pode ter soluções
diferenciadas dependendo das características, necessidades
e desejo das organizações. Por exemplo, quando a
organização desejar ter aderência de seus processos ao
CMMI esta pode se apoiar nas áreas de processo deste
modelo para obter diretrizes sobre como definir e
implementar os seus processos. A norma ISO/IEC 12207,
por sua vez, contém atividades e tarefas descritas de forma
detalhada que podem auxiliar na implementação das áreas
de processo.</p>
      </sec>
      <sec id="sec-8-2">
        <title>4.2 Níveis de Maturidade</title>
        <p>Os níveis de maturidade estabelecem uma forma de prever
o desempenho futuro de uma organização com relação a
uma ou mais disciplinas. Um nível de maturidade é um
patamar definido de evolução de processo. Cada nível de
maturidade estabelece uma parte importante do processo
da organização.</p>
        <p>No MR mps a maturidade de processo está organizada
em duas dimensões: a dimensão capacidade (capability
dimension) e a dimensão processo (process dimension).</p>
        <p>A dimensão da capacidade é um conjunto de atributos
de um processo que estabelece o grau de refinamento e
institucionalização com que o processo é executado na
organização. À medida que evolui nos níveis, um maior
ganho de capacidade de desempenhar o processo é
atingido pela organização. Os níveis estabelecem uma
maneira racional para aprimorar a capacidade dos
processos definidos no MR mps.</p>
        <p>A dimensão de Processos é baseada na ISO/IEC 12207 e
estabelece o que a organização deveria executar para ter
qualidade na produção, fornecimento, aquisição e operação
de software.</p>
        <p>A interseção dessas duas dimensões define a maturidade
do processo que no MR mps são sete níveis de maturidade:
A (Em Otimização), B (Gerenciado Quantitativamente), C
(Definido), D (Largamente Definido), E (Parcialmente
Definido), F (Gerenciado) e G (Parcialmente Gerenciado).
Para cada um destes níveis de maturidade foram atribuídas
áreas de processo, com base nos níveis 2, 3, 4 e 5 do CMMI
em estágios. Esta divisão tem uma gradação diferente do
CMMI em estágios com o objetivo de possibilitar uma
implementação mais gradual e adequada às micro,
pequenas e médias empresas brasileiras. A possibilidade de
se realizar avaliações considerando mais níveis permite
uma visibilidade dos resultados de melhoria de processo,
na empresa e no país, com prazos mais curtos. Para cada
área de processo são considerados objetivos e práticas
específicos, de acordo com o Nível de Maturidade em
questão.</p>
        <p>Consideremos novamente o exemplo anterior de
organização. Para esta empresa o adequado é buscar de
início uma avaliação Nível F do mps Br, cujos resultados
pretendidos são compatíveis com o nível 2 do CMMI. Ao
evoluir seus processos buscando o nível E do MR mps e
ainda a compatibilidade com o CMMI a empresa deverá
introduzir todas as áreas de processo relativas a Engenharia
do nível 3 do CMMI: Desenvolvimento de Requisitos,
Solução Técnica, Integração do Produto, Verificação e
Validação. A evolução para o nível D implicará em
implementar as áreas de processo Treinamento
Organizacional, Foco no Processo Organizacional,
Definição do Processo Organizacional e Gerência Integrada
do Produto. Para o nível C deverá implementar as áreas de
processo Gerência de Riscos, Análise e Resolução da
Decisão e Gerência Integrada de Fornecedores. Os níveis B
e A cor-respondem, de forma idêntica, aos níveis 4 e 5 do
CMMI.</p>
      </sec>
      <sec id="sec-8-3">
        <title>4.3 Método de Avaliação</title>
        <p>A avaliação das organizações segundo o MR mps deverá
ser realizada considerando-se a aderência às áreas de
processo estabelecidas para cada nível de maturidade e a
adequação das práticas que implementam as áreas de
processo. O método de avaliação foi definido com base na
ISO/IEC 15504.</p>
        <p>O grau de implementação das práticas relacionadas a
uma área de processo é avaliado a partir de Indicadores.
Estes indicadores, que devem ser definidos pela empresa
para cada prática relacionada a uma área de processo,
podem ser de um dos três tipos a seguir: Direto, Indireto ou
Afirmação. Indicadores Diretos são produtos
intermediários, resultado de uma atividade. Indicadores
Indiretos são, em geral, documentos que indicam que uma
atividade foi realizada. Afirmações são resultantes de
entrevistas com a equipe dos projetos avaliados, onde os
entrevistados relatam como uma prática foi implementada.</p>
        <p>O grau de implementação de uma prática é avaliado de
acordo com quatro níveis: TI – Totalmente Implementada;
LI – Largamente Implementada; PI – Parcialmente
Implementada; e NI- Não Implementada. A Tabela 1
contém as regras para caracterizar o grau de
implementação das práticas, completamente aderentes ao
SPICE e ao CMMI. Os pontos nesta escala devem ser
entendidos como uma porcentagem que representa o grau
de alcance. A decisão final sobre o grau de implementação
de um processo é da equipe de avaliação, considerando os
resultados da avaliação nos projetos avaliados. No Projeto
mps Br, para facilitar a implementação do método de
avaliação e a uniformidade das avaliações realizadas, estão
sendo definidos check-lists orientadores.</p>
        <p>Uma empresa é considerada de nível A, B, C, D, E, F ou
G se todas as suas áreas, unidades, divisões ou setores
tiverem sido avaliados como naquele nível. Uma empresa,
entretanto, pode desejar ter avaliado apenas um ou alguns
de seus setores, áreas, unidades ou divisões (organização a
ser avaliada). É possível que, como resultado de uma ou
mais avaliações, partes de uma empresa tenham alcançado
um determinado nível e partes da mesma um outro nível.
Em qualquer caso, o documento comprobatório da
avaliação realizada deverá explicitar o que foi objeto de
avaliação (escopo da avaliação) e o nível resultante de
maturidade.</p>
        <p>TABELA 1
REGRAS PARA CARACTERIZAR O GRAU DE</p>
        <p>IMPLEMENTAÇÃO DAS PRÁTICAS</p>
        <p>Para realização de uma avaliação devem ser submetidos
todos os projetos concluídos e todos os projetos em
andamento a partir da implementação do MR mps na
empresa ou na organização que será avaliada. Durante o
planejamento da avaliação, a instituição avaliadora deve
selecionar um subconjunto suficiente de projetos que
garanta a representatividade da organização a ser avaliada.
Este número, entretanto, não deve ser inferior a dois
projetos concluídos e dois projetos em andamento.
Algumas empresas podem desenvolver um único produto.
Isto entretanto não é impedimento para a avaliação, pois
projetos são entendidos em sentido amplo, incluindo
projetos de manutenção no produto. O resultado de uma
avaliação MR mps em empresa tem validade de dois anos.</p>
        <p>
          Diretrizes para implementação e avaliação segundo o MR mps
são descritas em três guias específicas: Guia Geral, Guia de
Implementação e Guia de Avaliação. Essas guias estão sendo
elaboradas e refinadas pela equipe técnica do modelo. Tem-se
neste momento a versão 1.0, orientando a experiência-piloto. A
partir destas guias específicas, diferentes instituições poderão
definir sua estratégia de implementação e/ou avaliação de acordo
com o MR mps e submetê-la para credenciamento junto ao Fórum
de Credenciamento e Controle (FCC). Após o credenciamento
pelo FCC, uma instituição está apta para apoiar empresas na
implementação do MR mps e/ou avaliar a aderência das mesmas
ao modelo. Posteriormente, serão elaboradas outras guias
específicas, como por exemplo uma Guia de Aquisição [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref12">12</xref>
          ].
        </p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-9">
      <title>EXPERIÊNCIAS-PILOTO E PRÓXIMOS PASSOS DO</title>
    </sec>
    <sec id="sec-10">
      <title>PROJETO</title>
      <p>Como vimos no cronograma do projeto:
1) de dezembro de 2003 a março de 2004, foi realizada a
sua primeira etapa – Organização do Projeto, onde
foram identificados os seus objetivos estratégicos,
estabelecido o Plano de Ação e definido o MR mps;
2) de abril a junho de 2004, foi realizada a sua segunda
etapa – Aprimoramento do Modelo, cujo objetivo foi
aprimorar o MR mps com base em experiências-piloto
em empresas e nas atividades iniciais de treinamento
no modelo.</p>
      <p>
        No Rio de Janeiro, o MR mps está sendo implementado
pela COPPE/UFRJ em 18 pequenas e médias empresas.
Estas empresas constituíram dois grupos, organizados pela
RIOSOFT, que partilharam as atividades de treinamento: 44
horas de aula em temas de Engenharia de Software e 20
horas de aula no MR mps e nos processos a serem
implementados. Para estas 18 empresas, foram definidas
duas estratégias de implementação. Um grupo de
empresas optou por iniciar seu processo de melhoria
seguindo rigorosamente os níveis do MR mps e, desta
forma, estão concentradas nas áreas de processo do nível de
maturidade G. Outro grupo de empresas decidiu iniciar o
trabalho englobando os níveis F e G e a área de processo
Medição e Análise, de forma a começar o processo de
melhoria com a implementação das áreas de processo
equivalentes ao nível de maturidade 2 do CMMI. As duas
estratégias são perfeitamente compatíveis com o MR mps e
com os objetivos do Projeto mps Br. Para apoiar a
implementação do modelo, este grupo de empresas conta
com consultores da COPPE/UFRJ e um ambiente de
desenvolvimento de software com ferramentas de apoio
desenvolvidas para apoiar as áreas de processo [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref13">13</xref>
        ].
      </p>
      <p>Também, foram iniciadas as atividades de treinamento
visando o credenciamento de instituições para
implementação e/ou avaliação do modelo. Em maio de
2004, no Rio de Janeiro, foi realizado o primeiro curso de
Introdução ao MR mps. Em junho e julho de 2004, foram
realizados Workshops do Projeto mps Br em Brasília, São
Paulo e Recife com ampla participação de representantes de
empresas, governo e pesquisadores de diversas regiões do
país, onde foram apresentadas diferentes estratégias de
implementação do Modelo de Referência e diversas
experiências de melhoria de processo de software em
grupos de empresas. Como parte destes Workshops foram
realizados cursos de Introdução ao MR mps. Com os cursos
realizados, cerca de 250 profissionais iniciaram o seu
processo de formação no MR mps. A primeira prova de
conhecimentos específicos para implementação do modelo
foi realizada em agosto de 2004, com 53 aprovados. A partir
deste resultado foi iniciado o processo de credenciamento
de instituições implementadoras. Ainda no segundo
semestre de 2004 serão realizados cursos em Porto Alegre,
Belo Horizonte, Manaus, Campinas e Fortaleza e duas
novas provas de conhecimentos em outubro e dezembro.</p>
      <p>Além dos grupos de empresas existentes no Rio de
Janeiro, Recife e Campinas, segundo o Modelo de Negócio
Cooperado (MNC), outros grupos de empresas estão se
formando em Belo Horizonte, Brasília, Campinas,
Fortaleza, Porto Alegre e São Paulo. Em agosto de 2004
teve, também, início a implementação do MR mps em três
grandes organizações do governo brasileiro, o que está
sendo feito segundo o Modelo de Negócio Específico
(MNE).
6</p>
    </sec>
    <sec id="sec-11">
      <title>CONCLUSÃO</title>
      <p>Neste artigo apresentamos o Projeto mps Br. O projeto tem
sete diferenciais que o caracterizam: (i) sete níveis de
maturidade que permitem uma implementação gradual,
adequada à micro, pequena e média empresa, e que
permitem aumentar a visibilidade do processo de melhoria;
(ii) compatibilidade a ISO/IEC 12207, a ISO/IEC 15504 e o
CMMI; (iii) criado para a realidade brasileira; (iv) custo
acessível; (v) avaliação periódica (de 2 em 2 anos); (vi)
grande potencial de replicabilidade no Brasil e em outros
países; e, (vii) ter sido definido e ser implementado em forte
interação universidade-empresa, o que constitui um
catalizador do desenvolvimento tecnológico e de negócios.</p>
      <p>Como primeiros resultados, destacamos a definição e
aprimoramento do modelo, as atividades iniciais de
treinamento e a experiência-piloto no Rio de Janeiro em um
grupo de 18 empresas, além da extraordinária
receptividade do projeto em todas as regiões do país e em
empresas de diferentes portes, privadas e governamentais.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-12">
      <title>REFERÊNCIAS</title>
      <p>Kival C. Weber é Engenheiro de Telecomunicações pelo Instituto
Militar de Engenharia (1974), Mestre em Engenharia Elétrica pela
COPPE/UFRJ (1976). Foi secretário nacional da Secretaria Especial
de Informática. Empresário do setor de software. Foi Presidente da
Sociedade Softex. É coordenador do projeto mps Br e do sub-comitê
de software do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade.
Áreas de interesse: qualidade de software, processo de software.
Ana Regina Rocha é Bacharel em Matemática pela UFRJ (1970),
Mestre (1979) e Doutor (1983) em Informática pela PUC-Rio. É
professora do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação
da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde orientou 17 teses de
doutorado e 77 teses de mestrado. É coordenadora da Equipe Técnica
do Modelo do projeto mps Br
Todos os demais autores são membros da equipe do Projeto mps Br.</p>
    </sec>
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