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    <article-meta>
      <title-group>
        <article-title>1InterLab - Laboratório de Tecnologias Interativas 2LTI - Laboratório de Técnicas Inteligentes Escola Politécnica - Universidade de São Paulo</article-title>
      </title-group>
      <contrib-group>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Regina C. Cantele</string-name>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Diana F. Adamatti</string-name>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Maria A. G. V. Ferreira</string-name>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Jaime S. Sichman</string-name>
        </contrib>
      </contrib-group>
      <abstract>
        <p>Ontologies are a basic building block of the Semantic Web. An ontology presents a common vocabulary of a certain domain, defining precisely the meaning and relationships between its terms. As a consequence, a great number of researchers are working in method and techniques to build ontologies through automatic or semi-automatic processes, which perform knowledge acquisition from texts, dictionaries and structured and semi-structured knowledge bases. On the other hand, reverse engineering, when applied to software engineering, uses a collection of theories, methodologies and techniques to support information abstraction and extraction from a piece of software. This paper presents a preliminary proposal, which uses reverse engineering techniques applied to ontology engineering, whose goal is to reduce the time consuming task of ontology creation.</p>
      </abstract>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>1. Introdução</title>
      <p>
        Andrônico de Rodes, por volta de 50 a.C., recolheu e classificou as obras de Aristóteles que,
durante muitos séculos, haviam ficado dispersas e perdidas
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">(Chaui 1995)</xref>
        . Desde este período vem
o desejo de recolher os dados já disponibilizados pelas organizações, comunidades científicas e
indivíduos em diferentes fontes de informação, como na Web ou em banco de dados legados, e
transformá-los em informações úteis e conhecimento através do uso de ontologias.
      </p>
      <p>
        De acordo com
        <xref ref-type="bibr" rid="ref23">Guarino (1997)</xref>
        e
        <xref ref-type="bibr" rid="ref20">Gruber (1995)</xref>
        , uma ontologia representa um vocabulário
comum de um domínio. Assim, define o significado dos termos e as relações entre eles,
organizados em um uma taxonomia e contém primitivas de modelagem como classes, relações,
funções, axiomas e instâncias. Existem linguagens tradicionais para sua representação como:
CYCL, Ontolingua, F-Logic, CML etc., e linguagens padrões para Web como: OIL (Ontology
Inference Layer), DAML+OIL (DARPA Agent Markup Language), RDF(s), XOL (Ontology
Exchange Language), SHOE (Simple HTML Ontology Extensions), XTM (XML Topic Maps) e
OWL (Ontology Web Language) [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref13">Corcho e Gómez-Pérez 2003</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref17">Gómez-Pérez e Corcho 2002</xref>
        ],
[
        <xref ref-type="bibr" rid="ref40">Su e Ilebrekke 2002</xref>
        ]. É importante ressaltar que existem diferentes conexões entre os
componentes da ontologia, seus paradigmas de representação do conhecimento e suas linguagens
de representação.
      </p>
      <p>
        A engenharia de software utiliza-se dos princípios da engenharia reversa como uma coleção de
teorias, metodologias e técnicas capazes de suportar a extração e abstração de informações de um
software existente, produzindo documentos consistentes, quer seja a partir do código fonte, ou
através da adição de conhecimento e experiência, que não poderiam ser automaticamente
reconstruídos a partir do código [Benedusi et al. 1992]. Define-se como engenharia progressiva
àquela que segue a seqüência de desenvolvimento estabelecida por uma metodologia, visando à
obtenção do sistema implementado [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref14">Chikofsky e Cross II 1990</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        Os engenheiros de ontologias apresentam o enfoque de aprendizado de ontologia - Ontology
Learning - como um conjunto de métodos e técnicas usado para construir uma ontologia através de
processos automáticos ou semi-automáticos de aquisição de conhecimento via textos, dicionários,
bases de conhecimento, dados semi-estruturados e esquemas relacionais já existentes [Meersman et
al. 2002], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref18">Gómez-Pérez e Manzano-Macho 2003</xref>
        ]. Outros termos para construção semi-automática
de ontologias são geração de ontologias, mineração de ontologias, e extração de ontologias.
      </p>
      <p>As metodologias para desenvolvimento de ontologias apresentam ciclos de vida distintos, mas
as fases de aquisição e formalização das ontologias sempre aparecem em todos os ciclos. Desta
forma, na aquisição constrói-se um modelo conceitual e na formalização um modelo formal.</p>
      <p>O objetivo principal deste artigo descrever uma proposta de como combinar a reengenharia de
sistemas com a engenharia de ontologias para reduzir o tempo dispendido na construção de
ontologias. Desta forma, a seção 2 apresenta uma pequena revisão sobre ontologias. A seção 3
apresenta uma revisão de reengenharia e algumas metodologias para desenvolvimento de
ontologias. Na seção 4, a metodologia para combinação de engenharia reversa e ontologias é
apresentada. Na seção 5, estão as conclusões do artigo.
2. Ontologias</p>
      <p>
        Pesquisas em ontologias têm origem na filosofia com a natureza e organização das coisas. Uma
ontologia, segundo [Gruber 1995], é uma especificação explícita dos objetos, conceitos e outras
entidades que se assume existirem em uma área de interesse, além das relações entre estes
conceitos e restrições, expressos através de axiomas. Em Ciência da Computação, o termo
ontologia refere-se a um artefato de engenharia, constituído por um vocabulário específico que
descreve um modelo particular do mundo, adicionando um conjunto explícito de suposições
relacionando os significados das palavras no vocabulário
        <xref ref-type="bibr" rid="ref32 ref34">(Maedche et al. 2002)</xref>
        . Os vocabulários
são, usualmente, organizados em taxonomias.
      </p>
      <p>
        A ontologia deve fazer uma especificação formal de uma área de conhecimento [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref5">Benjamins e
Gómez-Pérez 1999</xref>
        ]. Cinco componentes foram definidos para esta formalização [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref19">Gruber 1993</xref>
        ]:
i. Conceitos: podem representar qualquer coisa em um domínio, como uma tarefa, uma
função, uma estratégia, etc.;
ii. Relações: representam um tipo de interação entre os conceitos no domínio, sendo a
cardinalidade sempre n:n;
iii. Funções: são um caso especial de relações, sendo a cardinalidade n:1;
iv. Axiomas: são as sentenças que são sempre verdadeiras;
v. Instâncias: são utilizadas para representar os elementos do domínio.
      </p>
      <p>
        Atualmente existem várias linguagens desenvolvidas para a representação formal de ontolo
        <xref ref-type="bibr" rid="ref17">gias
[Gómez-Pérez e Corcho 2002</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref40">Su e Ilebrekke 2002</xref>
        ], entre elas:
i. KIF (Knowledge Interchange Format): é uma lógica de primeira ordem monotônica,
possuindo sintaxe simples e com algumas extensões para suportar um raciocinador
de relações;
ii. Ontolingua: é uma linguagem de compartilhamento de ontologias, desenvolvida por
        <xref ref-type="bibr" rid="ref20">Gruber (1995)</xref>
        para permitir o projeto e a especificação de ontologias com
semânticas lógicas baseadas no KIF;
iii. OIL (Ontology Inference Layer): é uma camada de inferência e representação
baseada na Web, que combina a utilização de modelagem de primitivas provenientes
das linguagens baseadas em frames com a semântica formal e, ainda com serviços de
raciocinador provenientes de lógicas de descrição;
iv. XOL (Ontology Exchange Language): linguagem, baseada em XML, projetada para
proporcionar um formato para troca de definições entre ontologias no domínio da
biologia molecular;
v. RDF (Resource Description Framework): recomendação do World Wide Web
Consortium - W3C. Constitui-se em uma arquitetura genérica de metadados que
permite descrever semanticamente recursos no contexto Web;
vi. DAML+OIL: este padrão é a união de DARPA Agent Markup Language (DAML) e
OIL e define uma série de construções específicas para representação de ontologias
em RDF. O Consórcio W3C está atualmente construindo um padrão para
representação de ontologias, o OWL (Web Ontology Language), que é amplamente
baseado no DAML+OIL e deverá manter grande parte das suas construções.
      </p>
      <p>
        Alguns pesquisadores uniram o formalismo existente para representação das ontologias com a
UML (Unified Modeling Language) do OMG (Object Management Group) [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref11">Cranefield e Purvis
1999</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref12">Cranefield 2001</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2">Baclawski et al. 2001</xref>
        , 2002], [Dutra 2001], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref17 ref24">Guizzardi et al. 2002</xref>
        ].
OMG é um grupo que fornece diretrizes para a indústria de software, através de especificações de
padrões, cuja missão é promover a teoria e a prática da tecnologia de objetos para o
desenvolvimento de sistemas distribuídos. UML é uma linguagem gráfica, utilizada em Engenharia
de Software para modelar sistemas orientados a objeto, que além de definir uma notação gráfica,
conjunto de símbolos padrões, especifica, em detalhes, a semântica destes símbolos de tal forma
que o modelo idealizado para o sistema possa ser compreendido por todos, facilitando a
comunicação efetiva entre os desenvolvedores que a utilizam [OM
        <xref ref-type="bibr" rid="ref18">G 2003</xref>
        ]. Além disso, a UML é
extensível; esta característica tem permitido a sua aplicação em ontologias. Outro padrão OMG
utilizado é o MOF (Meta Object Facility) - um conjunto de serviços projetados para suportar a
administração de metadados. Metadado é um dado, que descreve outro dado, com um nível maior
de abstração. Exemplos de metadados são: tipos de dados nas linguagens de programação,
definições de interfaces dos componentes, diagramas de análise e projeto, esquemas SQL que
descrevem a estrutura de banco de dados relacionais [OMG 2001].
      </p>
      <p>
        OMG criou, em novembro de 2000, o padrão XML Metadata Interchange (XMI) para
representar um mecanismo padrão de troca de dados usado entre várias ferramentas, repositórios e
middleware. Na época, isto deveria garantir a facilidade na troca de metadados entre ferramentas de
modelagem baseadas no padrão OMG-UML e os repositórios de metadados baseados em
OMGMOF em ambientes heterogêneos distribuídos. Mais recentemente, o XMI tem sido usado para
interpretar artefatos UML, artefatos de base de dados e data warehouse, definições de interfaces
CORBA, interfaces e classes JAVA [OM
        <xref ref-type="bibr" rid="ref17">G 2002</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref41">Suzuki e Yamamoto 1999</xref>
        ]. RDF e OWL são
padrões para a Web Semântica, que fornecem um framework para gerenciamento e integração de
recursos das empresas e compartilhamento e reuso de dados na Web.
      </p>
      <p>Especificações destinadas a padronizar os recursos necessários para as ontologias e os padrões
já existentes estão sendo realizadas pelo OMG [OMG 2004].
3. Reengenharia</p>
      <p>
        Para
        <xref ref-type="bibr" rid="ref14">Chikofsky e Cross (1990</xref>
        ),
        <xref ref-type="bibr" rid="ref27">IEEE CS-TCSE (2004</xref>
        ) e
        <xref ref-type="bibr" rid="ref22">GT-REG (2004)</xref>
        , a reengenharia,
conhecida também como renovação ou reconstrução, é o exame de um sistema de software, a fim
de reconstituí-lo em uma nova forma, e a subseqüente implementação dessa nova forma. Um
processo de reengenharia geralmente inclui alguma forma de engenharia reversa, seguida por uma
forma de engenharia progressiva ou reestruturação [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref28">Jacobson e Lindstrom 1991</xref>
        ].
3.1 Engenharia reversa
      </p>
      <p>
        Segundo
        <xref ref-type="bibr" rid="ref4">Benedusi et al. (1992)</xref>
        e
        <xref ref-type="bibr" rid="ref14">Chikofsky e Cross (1990</xref>
        ), pode-se definir engenharia reversa
como uma coleção de teorias, metodologias e técnicas capazes de suportar a extração e abstração
de informações de um software existente, produzindo documentos consistentes, quer seja a partir
do código fonte, ou através da adição de conhecimento e experiência que não podem ser
automaticamente reconstruídos a partir do código.
      </p>
      <p>
        A engenharia reversa de um sistema legado pode ser realizada de diversas maneiras, por
exemplo, através dos códigos fontes ou executáveis, através do repositório de dados da ferramenta
CASE utilizada ou através dos dicionários dos bancos de dados utilizados. Assim, tenta-se
recuperar a semântica da solução presente nos diferentes metadados existentes no sistema. A
representação obtida deste processo de engenharia reversa, geralmente segue padrões de mercado,
tais como UML, MOF e XMI, de forma a ser compreendida facilmente pelo maior número possível
de ferramentas. Um estudo de caso foi o projeto de Vicent Eng
        <xref ref-type="bibr" rid="ref29">lebert [Hainaut et al. 1997</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        Neste enfoque, surge também o aprendizado de ontologia (Ontology Learning) como um
conjunto de métodos e técnicas usado para construir uma ontologia através de processos
automáticos ou semi-automáticos de aquisição de conhecimento via textos, dicionários, bases de
conhecimento, dados semi-estruturados e esquemas relacionais já existentes [Meersman et al.
2002], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref18">Gómez-Pérez e Manzano-Macho 2003</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        Algumas ferramentas com essa finalidade foram desenvolvidas no escopo de projetos maiores,
tais como REVERSE, que é ferramenta para extração de ontologias do projeto KAON, e XRA,
que é uma ferramenta de extração de ontologias a partir de engenharia reversa do projeto DOME.
Os trabalhos de
        <xref ref-type="bibr" rid="ref26">Handschuh et al. (2001)</xref>
        e
        <xref ref-type="bibr" rid="ref18">Gómez-Pérez e Manzano-Macho (2003</xref>
        ) demonstram a
real viabilidade e oportunidade de aplicação do conceito de reengenharia em ontologias.
      </p>
      <p>
        Foram desenvolvidas algumas ferramentas baseadas em técnicas de linguagem natural e
aprendizagem por computador para a extração de ontologias a partir de legados:
i. Ferramentas baseadas em Análise Léxica e Sintática (Lexical and Syntatic Analysis),
tais como:
        <xref ref-type="bibr" rid="ref29">LTG [Mikheev e Finch 1997</xref>
        ] e Terminate [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">Biébow et al. 1999</xref>
        ];
ii. Ferramentas baseadas em Classificação Consensual (Conceptual clustering), tais
como: ASIUM [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref16">Faure e Nédellec 1999</xref>
        ], Mo´K [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref8">Bisson et al. 2000</xref>
        ] e SVETLAN
[
        <xref ref-type="bibr" rid="ref10">Chaelandar e Grau 2000</xref>
        ];
iii. Ferramentas baseadas em Abordagem Estatística (Statiscal Approach), tais como:
      </p>
      <p>
        Text-To-Onto [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref31">Maedche e Staab 2001</xref>
        ].
3.2. Metodologias para engenharia progressiva de ontologias
      </p>
      <p>
        Segundo Marietto et. al (2002), o desenvolvimento e o uso de metodologias para a construção
de ontologias é fundamental, na medida que retiram o caráter subjetivo desta atividade. A área de
Engenharia Ontológica estuda os aspectos relacionados a tal construção, bem como o
desenvolvimento de sistemas que utilizem ontologias em sua estrutura. Para
        <xref ref-type="bibr" rid="ref30">López (2001)</xref>
        , o que
diferencia uma área de estudo que se encontra na “infância” de outra, em fase “adulta”, é esta tem
suas metodologias aceitas e utilizadas. A Engenharia de Software pode ser dita como estando na
fase adulta, pois suas metodologias são largamente difundidas e utilizadas.
3.2.1 Metodologia do Projeto Enterprise Ontology
      </p>
      <p>
        Nesta metodologia, a construção da ontologia está dividida em três fases [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref42">Uschold e King
1995</xref>
        ]:
iii. Refinamento e estruturação da ontologia: definição de uma ontologia definitiva; os
módulos não devem ser muito dependentes uns dos outros e devem ser o mais
coerentes possíveis, a fim de se obter a máxima homogeneidade de cada módulo.
      </p>
      <p>Os componentes da ontologia são criados na fase de especificação da aplicação, pois nesta fase
define-se a lista de termos e tarefas.
3.2.4 Methontology</p>
      <p>
        Esta metodologia foi desenvolvida pelo grupo de Inteligência Artificial da Universidade
Politécnica de Madri [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref17">Gómez-Pérez 2002</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref29">López et. al 1997</xref>
        ]. Esta metodologia está dividida em
três grupos de atividades:
i. Atividades de Gerenciamento de Projeto: incluindo planejamento, controle e garantia
de qualidade. No planejamento são definidas quais tarefas serão desenvolvidas; no
controle é garantido que as tarefas planejadas serão executadas e a garantia de
qualidade busca desenvolver o produto como estabelecido pelos seus requisitos;
ii. Atividades de Desenvolvimento Orientado: inclui especificação, conceitualização,
formalização e implementação. A especificação define o porquê da ontologia estar
sendo construída (utilização e usuários finais). A conceitualização estrutura o
domínio de conhecimento em um modelo conceitual. A formalização transforma o
modelo conceitual em um modelo formal ou semi-computável. A implementação
transforma modelos computáveis em linguagens computacionais.
iii. Atividades de Suporte: inclui aquisição de conhecimento, avaliação, integração,
documentação e gerenciamento de configurações. Na aquisição de conhecimento é
estudado o conhecimento de um determinado domínio. Na avaliação são realizadas
comparações técnicas das ontologias, relacionadas com software e documentação. A
integração de ontologias busca desenvolver uma nova ontologia a partir de outras já
disponíveis. A documentação é a explicação completa e exaustiva de todos os
recursos e fases existentes. Gerenciamento de configurações registra todas as
alterações (versões) de documentação, software e ontologias.
      </p>
      <p>A criação dos componentes da ontologia é realizada, principalmente, na etapa de atividades de
desenvolvimento orientado, especificamente, na conceitualização e formalização do conhecimento.
4.0 Ontologia e reengenharia</p>
      <p>
        Este trabalho propõe as seguintes etapas para a obtenção de uma ontologia:
i. Engenharia reversa (obtenção de um metadado da ontologia): através da aplicação da
reengenharia nos sitemas legados obtém-se uma ontologia inicial;
ii. Representação em UML estendida para ontologias, segundo
        <xref ref-type="bibr" rid="ref15">Dutra (2001)</xref>
        e
        <xref ref-type="bibr" rid="ref36 ref37 ref38 ref39">OMG
(2004)</xref>
        ;
iii. Engenharia progressiva (representação em RDF): aplicar uma das metodologias para
o desenvolvimento de uma ontologia completa.
      </p>
      <p>O conhecimento do sistema legado (Figura 1-1a) está geralmente presente nos metadados das
ferramentas utilizadas na sua concepção e implementação (Figura 1-1b). Por exemplo, no
dicionário de dados do gerenciador de banco de dados relacional utilizado (Figura 1-1c), no
repositório da ferramenta CASE utilizada (Figura 1-1b) na sua construção ou nos documentos
referentes ao sistema (help, planilhas, textos, etc) (Figura 1-1d). Aplicando a engenharia reversa
(Figura 1-1e) sobre o dicionário de dados dos gerenciadores de banco de dados poder-se-ia obter o
modelo Entidade-Relacionamento com suas entidades, atributos, relacionamentos, restrições e
cardinalidade. Da engenharia reversa do repositório de dados da ferramenta CASE utilizada seriam
obtidos os modelos (existentes) do sistema, tais como: Diagramas de Seqüência, Diagramas de
Estados e o Diagrama de Casos de Uso. Aplicando uma das técnicas de aprendizado de ontologias
(Figura 1-1f), descritas na seção anterior, sobre os documentos existentes obtém-se uma taxonomia
do sistema (Figura 1-1g).</p>
      <p>Este processo de extração pode ser realizado por ferramentas implementadas com o padrão
MOF (Figura 1-2a). Assim, o resultado final poderá ser apresentado no padrão UML. É a
transformação de uma forma de representação em outra, de mesmo nível de abstração relativo,
preservando o comportamento externo do sistema (funcionalidade semântica). Isso resulta em uma
representação que preservaria as características do sistema, de forma compreensível pelos
engenheiros de ontologias. Assim, poderia ser obtida a primeira representação conceitual da
ontologia - o primeiro modelo da ontologia no formato UML (Figura 1-2b). Os resultados obtidos
nos processos Figura 1-1g e Figura 1-2a geram o metadados.</p>
      <p>Em um segundo momento, aplica-se a Engenharia Progressiva (Figura 1-3), a partir da primeira
versão proposta (Figura 1-2b), os engenheiros de ontologias seguem uma da metodologias
descritas na seção 3, garantindo a utilização do padrão RDF. A utilização de metodologias
garantem a base ontológica (Figura 1-4) será consistente e coerente com o domínio a ser
representado.</p>
      <p>SGDBR
(1c)</p>
      <p>Sistema Legado</p>
      <p>(1a)
Documentos</p>
      <p>diversos
HTML, texto, XML, ..</p>
      <p>(1d)
Aprendizado de
ontologias (1f)</p>
      <p>Engenharia reversa (1e)</p>
      <p>Repositório
de Dados /
CASE (1b)</p>
      <p>Representação interna da
ontologia
(1g)</p>
      <p>Extração dos
modelos no padrão
MOF / XMI (2a)</p>
      <p>Representação</p>
      <p>inicial da
ontologia (2b)
Metadados</p>
      <p>Engenharia progressiva (3)</p>
      <p>Base ontológica
(4)</p>
      <p>Figura 1. Combinação da reengenharia de sistemas e engenharia de ontologias.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>5. Conclusões e Trabalhos Futuros</title>
      <p>
        Este artigo apresentou a viabilidade conceitual de integração dos diversos padrões e técnicas
associados aos temas de reengenharia de sistemas e engenharia de ontologias. Tanto os padrões da
OMG –(UML, MOF, XMI), quanto os padrões da W3C –(XML e RDF), são reconhecidos, aceitos
e utilizados pela comunidade de tecnologia da informação. A engenharia de ontologias, uma área
que está em fase inicial de pesquisa, pode se valer desta experiência e maturidade para obter
melhores representações de seus artefatos. Obviamente, os especialistas de um dado domínio são
as pessoas mais indicadas para definir os conceitos-chave de uma determinada área de
conhecimento. Mas, mesmo assim, deve-se considerar que a semântica de um termo pode variar de
um contexto para outro, de um lugar para outro e mesmo de uma pessoa para outra. Por causa desta
heterogeneidade semântica, a engenharia de ontologias não é uma atividade trivial e requer tempo,
disponibilidade e consenso dos especialistas. Logo, a idéia do aproveitamento das fontes existentes,
através da reengenharia ou do aprendizado de ontologias, como já realizado por
        <xref ref-type="bibr" rid="ref25">Hainaut et al.
(1997)</xref>
        ,
        <xref ref-type="bibr" rid="ref26">Handschuh et al. (2001)</xref>
        e
        <xref ref-type="bibr" rid="ref18">Gómez-Pérez e Manzano-Macho (2003</xref>
        ), e proposto neste artigo,
pode auxiliar muito na construção de um modelo inicial do que já foi representado no passado
sobre um determinado domínio específico. Para que possa existir compartilhamento de
conhecimento, é necessário que pelo menos os conceitos mais comuns estejam descritos em uma
ontologia básica, que possa ser o ponto de convergência dos engenheiros ontológicos.
      </p>
      <p>
        Como trabalhos futuros pretendemos realizar experimentos práticos conciliando a proposta
apresentada anteriormente com o trabalho desenvolvido por
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">Araujo (2003)</xref>
        , onde foram realizados
manualmente todos os processos anteriormente descritos em nossa proposta (reengenharia,
representação em UML e engenharia progressiva utilizando Methontology para construção da
ontologia). Desta forma, as etapas 1 e 2, apresentadas na Figura 1, serão feitas de forma automática
e poder-se-á confrontar os resultados obtidos com a representação realizada por Araújo (2003) a
fim de verificar consistência e completeza da representação obtida.
      </p>
    </sec>
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