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        <article-title>Primeiros Passos na Aprendizagem Baseada em Problemas</article-title>
      </title-group>
      <contrib-group>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Flávia Estélia Silva Coelho</string-name>
          <email>flaviacoelho@ufersa.edu.br</email>
          <xref ref-type="aff" rid="aff0">0</xref>
        </contrib>
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          <label>0</label>
          <institution>Departamento de Ciências Exatas e Naturais - Universidade Federal Rural do Semi- Árido (UFERSA) Av. Francisco Mota</institution>
          ,
          <addr-line>572, Costa e Silva - 59.625-900 - Mossoró - RN -</addr-line>
          <country country="BR">Brasil</country>
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      </contrib-group>
      <fpage>603</fpage>
      <lpage>610</lpage>
      <abstract>
        <p>Inspired on scientific method, the problem-based learning stimulates the student to learn how to learn and get prepared to solve contextualized and elaborated problems at the light of their future profession. This paper exposes the fundamentals of the methodology and reports its benefits, the difficulties and discussions related to its application. This teaching-learning strategy is based on the interdisciplinary and emphasizes the development of professional skills and profiles endowed with own behavior of a solid training. Resumo. Inspirada no método científico, a aprendizagem baseada em problemas estimula o estudante a aprender a aprender e se preparar para solucionar problemas contextualizados e elaborados à luz de sua futura profissão. Este artigo expõe os fundamentos da metodologia e relata os seus benefícios, dificuldades e discussões relacionados à sua aplicação. Essa estratégia de ensino-aprendizagem baseia-se na interdisciplinaridade e enfatiza o desenvolvimento de perfis profissionais dotados de habilidades e atitudes próprias de uma formação sólida.</p>
      </abstract>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>-</title>
      <p>1. Introdução</p>
      <p>A seguir, apresenta-se uma visão geral da metodologia (seção 2), seguida de uma
descrição da experiência obtida no ensino de Segurança Computacional (seção 3). Por
fim, apresentam-se algumas discussões que permeiam a sua vivência no contexto
considerado e considerações finais (seção 4).</p>
      <p>Ressalta-se que no relato de experiência (seção 3), o objetivo é justificar a
adaptação de uma disciplina do Bacharelado em Ciência da Computação da UFERSA
frente aos recursos de ensino e aprendizagem fornecidos pela ABP e, favorecer assim,
uma visão prática do uso da metodologia. Particularmente, a metodologia é aplicada de
modo isolado em relação a outras disciplinas do referido curso (embora com caráter
multidisciplinar em relação aos seus pré-requisitos) e em semestres em que o número de
estudantes matriculados favorece a sua condução.
2.</p>
      <p>
        Aprendizagem Baseada em Problemas
As primeiras experiências com a ABP aconteceram na década de 70 em faculdades de
Medicina no Canadá e Holanda, com posteriores aderências de instituições dos Estados
Unidos – popularidade que propiciou a sua recomendação oficial por parte de sociedades
de Medicina e a sua disseminação em outros cursos na área da Saúde, Economia, Direito
e Engenharia em diversas partes do mundo – o que enfatiza a sua aplicabilidade em
diferentes ramos do conhecimento [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">Thomas 2000</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        Essa metodologia concentra esforços no desenvolvimento de habilidades
indispensáveis para o sucesso profissional dos estudantes: raciocínio, comunicação e
autonomia. Daí afirmar-se que se trata de uma estratégia educacional formativa (e não
meramente informativa como ocorre na prática pedagógica tradicional) focada no
estudante. Neste sentido, os problemas propostos são formulados de modo a estimulá-lo
a aprender e a fazer parte do processo de construção do seu próprio aprendizado [Delisle
1997,
        <xref ref-type="bibr" rid="ref4">Mantri et al 2008</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        A elaboração dos problemas, em particular, deve ser fundamentada visando (i)
motivar os estudantes, (ii) incentivar a tomada de decisões e a realização de julgamentos
com base em fatos, informações e/ou argumentações lógicas, (iii) ter complexidade
suficiente para impor a necessidade de cooperação para a obtenção de uma solução e (iv)
expor questões de forma a promover a discussão, de acordo com [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">Duch et al 2001</xref>
        ].
      </p>
      <p>Os níveis da Taxonomia de Bloom Revisada [Anderson and Krathwohl 2001]
propõem os critérios especializados para a elaboração de problemas, a saber: relembrar
(produzir informações corretas a partir da memória), entender (conceder um significado
às experiências educacionais), aplicar (utilizar um procedimento), analisar (decompor um
conceito em suas partes constituintes e descrever como se relacionam com o todo), avaliar
(propor julgamentos em função de critérios e padrões) e criar (agrupar dados para resultar
algo novo).</p>
      <p>
        Peculiarmente, a ABP, enquanto prática pedagógica, enfatiza o aprendizado de
conteúdos cognitivos e a integração de disciplinas, favorecendo a ideia da
multidisciplinaridade. Para tanto, é preparada uma série de situações cujo arcabouço são
os conhecimentos que o estudante deverá adquirir de maneira autônoma. Cada situação,
é formulada como um problema a ser discutido em grupos tutoriais [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">Berbel 1998</xref>
        ].
      </p>
      <p>O grupo tutorial é um artifício estrutural para a turma, definindo a sua composição
por um tutor e, no máximo, doze estudantes. Entre estes últimos, selecionam-se em
rodízio, um coordenador, um secretário e um relator, de modo que todo o grupo possa
exercer essas funções ao longo das sessões tutoriais [Delisle 1997]. Todos os estudantes
devem participar das discussões, todavia, cabe ao coordenador o gerenciamento do uso
da metodologia, ao secretário e ao relator destinam-se as funções de anotar na lousa e em
papel, respectivamente, todos os registros do andamento das discussões.</p>
      <p>Em uma visão simplificada, a discussão de um problema se desenvolve em duas
fases, a saber: (i) o problema é apresentado e discutido pelo grupo tutorial que, como
resultado, gera os objetivos de aprendizagem e (ii) após estudo individual (extraclasse),
os estudantes rediscutem o problema à evidência dos conhecimentos conquistados de
acordo com o ciclo de aprendizagem apresentado na Figura 1.</p>
      <p>
        Figura 1. Ciclo de Aprendizagem Seguido nos Grupos Tutoriais
[
        <xref ref-type="bibr" rid="ref6">Santos et al 2007</xref>
        ]
      </p>
      <p>Uma carga horária é prevista para o tratamento de cada problema. De acordo com
[Delisle 1997], no ponto de partida (1), o problema é apresentado aos alunos e então lido
e interpretado. Termos e conceitos desconhecidos são elencados e podem ser esclarecidos
por aqueles com conhecimento prévio sobre o assunto; caso contrário, devem ser
incluídos no item questões para serem esclarecidos na próxima sessão tutorial.</p>
      <p>Na chuva de ideias (2), nenhuma sugestão deve ser descartada, para não rejeitar
contribuições razoáveis ou desestimular os mais tímidos do grupo. Hipóteses devem ser
formuladas e fatos ou informações explicitados como uma forma de impulsionar os
estudantes a propor explicações constituídas em conhecimento e experiências prévios.</p>
      <p>Na sistematização (3), os estudantes julgam as ideias, hipóteses, informações e fatos
relevantes a fim de agrupá-las e organizá-las de modo a fornecer a melhor estrutura possível
para a solução do problema em direção à formulação de questões relacionadas (4).</p>
      <p>As metas de aprendizagem (5) são estabelecidas à luz do que foi traçado no passo
4, a fim de compor um plano de ações com metas bem definidas. Na avaliação do processo
(6), o grupo é instigado a investigar o andamento do ciclo de aprendizagem ao longo da
resolução do problema. Em especial, devem ser criteriosamente analisados os aspectos
que estão dificultando o progresso do grupo (sobretudo, observando aspectos da tutoria).</p>
      <p>
        Após a fase de estudo individual dos estudantes (professores especialistas, em
áreas específicas abordadas no problema, podem ser consultados nesta etapa), o problema
é reexaminado em conformidade com as tarefas executadas de acordo com o plano de
ação acordado. Com novos fatos e informações em mãos, a discussão é retomada a partir
do passo 2. Destaca-se que esse ciclo é repetido até a última sessão tutorial estipulada
para solucionar o problema [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">Santos e Angelo 2009</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        A solução de um problema consiste em um ou mais produtos (relatórios,
apresentações, projetos, processos, softwares, entre outros) que, por sua vez, são
entregues ao tutor para a devida correção e avaliação de aprendizado. Esta avaliação
abrange subcomponentes, a saber: (i) avaliação inicial do desempenho do estudante, (ii)
avaliação formativa que monitora o progresso da aprendizagem a fim de fornecer retorno
regular a respeito dos sucessos e falhas na aprendizagem do estudante – o que é relevante
também para o tutor, (iii) avaliação somativa ou certificativa que determina o grau de
esforços necessários para atingir os objetivos de aprendizagem, fornecendo assim, valores
quantitativos do conhecimento do estudante. Nesta última modalidade, mede-se
desempenho e avaliam-se os produtos propriamente ditos [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref12">Woods, 1996</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        Na ABP, sob a ótica dos conhecimentos mínimos exigidos pelo currículo de um
dado curso, os objetivos cognitivos devem ser previamente estabelecidos e confrontados
àqueles construídos pelos estudantes. Em caso de divergências, os problemas devem ser
substituídos ou reformulados tendo como alvo provocar a aprendizagem [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">Berbel 1998</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        Para estudos avançados sobre a metodologia, evidenciam-se [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref8">Savery 2006</xref>
        ] e
[Delisle 1997] como singularmente úteis.
3. Um Relato de Experiência – ABP em Segurança Computacional
Segurança Computacional estuda os requisitos e os mecanismos de proteção adequados
às informações e sistemas [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref5">Pfleeger 2006</xref>
        ]. No Bacharelado em Ciência da Computação
da UFERSA, a disciplina é componente curricular obrigatória do oitavo período, tendo
como pré-requisitos Redes de Computadores I e Estruturas de Dados II, com carga horária
de 60 horas.
      </p>
      <p>O curso é noturno e disponibiliza semestralmente 25 vagas. Curiosamente,
observam-se nos períodos finais, turmas com um número reduzido de estudantes. Por
exemplo, considerando os últimos quatro anos, as turmas de Segurança Computacional
possuem em média 8 alunos – o que favoreceu o despertar para a busca de alternativas
pedagógicas a fim de desenvolver o conteúdo programático de forma mais criativa e
inovadora, e assim, contribuir para o fortalecimento da capacidade de solucionar
problemas e a autonomia dos futuros egressos do curso.</p>
      <p>O conteúdo programático da disciplina é organizado em três unidades
constituintes de modo a desenvolverem a seguinte ementa: Estrutura e terminologia,
requisitos formais de segurança, crimes virtuais, vulnerabilidades, ameaças e
contramedidas, algoritmos de criptografia simétricos e assimétricos, assinaturas digitais,
segurança nos serviços Internet TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet
Protocol), protocolos e algoritmos para aplicações específicas.</p>
      <p>Em cada unidade, os assuntos são trabalhados em aulas expositivas e grupos
tutoriais. Em princípio, a disciplina prioriza trabalhos práticos que, por sua vez, são o
foco principal da contextualização centrada em problemas. Sendo assim, em cada
unidade, a ABP é usada parcialmente com o objetivo de explorar tópicos de modo prático
e com caráter multidisciplinar em relação aos pré-requisitos da disciplina – Estruturas de
Dados e Redes de Computadores.</p>
      <p>Nas sessões tutoriais, foi elaborada uma customização dos papéis desempenhados
no grupo, sugerindo que os estudantes, em rodízio, atuem nas funções, a saber:
coordenador, relator e membro. O coordenador é responsável por liderar o grupo,
encorajar a participação de todos, manter a dinâmica do grupo e controlar o tempo da
sessão tutorial. O relator participa das discussões, registra os pontos relevantes apontados,
ajuda o grupo a ordenar o seu raciocínio e registra as fontes de pesquisa utilizadas pelo
grupo, produzindo ao final de cada sessão, um relatório específico. Os demais estudantes,
ditos membros, são estimulados a participar das discussões, acompanhar todas as etapas
do ciclo de aprendizagem – vide figura 1, ouvir e respeitar a opinião dos colegas, fazer
questionamentos e procurar alcançar os objetivos de aprendizagem.</p>
      <p>Geralmente, são elaborados 2 ou 3 problemas de média complexidade para cada
unidade da disciplina. A construção dos problemas considera os níveis de cognição
propostos em [Anderson and Krathwohl 2001], com vistas a uma contextualização prática
do conteúdo. Para exemplificar, considere o problema apresentado na figura 2.</p>
      <p>Figura 2. Exemplo de Problema Resolvido em Sessões Tutoriais –
Redes Privadas Virtuais e Especificação de Protocolos</p>
      <p>Fonte: autoria própria</p>
      <p>No problema proposto, o objetivo de aprendizagem concentrou esforços, ao longo
de seis sessões tutoriais (de 1h30min cada), no entendimento e aplicabilidade prática de
redes virtuais privadas – VPNs (Virtual Private Networks) e na especificação de
protocolos seguros para redes Internet TCP/IP, englobando assuntos da Segurança
Computacional e de Redes de Computadores. Os produtos requisitados foram
devidamente entregues, de acordo com a especificação.</p>
      <p>A utilização da ABP como apoio ao ensino da disciplina Segurança
Computacional evidenciou repercussões positivas e negativas. As repercussões positivas
são notáveis nos comentários dos próprios estudantes: “Continuo achando a PBL
fenomenal e irei implementar futuramente com meus alunos. :D A partir do
momento que tomamos uma postura ativa no processo de ensino-aprendizagem as
aulas se tornam muito mais interessantes e a hora passa voando.”; “Nas últimas
sessões tivemos um ótimo desempenho. A presença dos membros e o compartilhamento
de informações foi o ponto mais forte. Todos se empenharam e se preocuparam em estar
realizando boas sessões.”; “Para mim, a PBL foi uma experiência única, não tenho do que
reclamar, só peço que essa abordagem possa ser usada por muito tempo, porque senti que
o aprendizado interativo estava em foco, o tempo todo. Participei mais das aulas,
compreendi melhor os conteúdos, aprendi com outras pessoas, enfim foi uma experiência
da qual não tenho críticas negativas. Queria poder dá uma opinião construtiva (no sentido
de melhorar) mas é isso mesmo que penso.”.</p>
      <p>Outro ponto intrigante diz respeito à observação de que os estudantes passaram a
ter um comportamento mais responsável, principalmente, quanto ao cumprimento das
atividades que lhe eram incumbidas. Assim, na sua grande maioria, avisavam
antecipadamente e com a devida formalidade quando não poderiam participar das sessões
tutoriais, embora se empenhassem em realizar as tarefas que lhe fossem atribuídas pelo
restante do grupo, em horários extraclasse. Na visão docente, acostumada a não receber
justificativas de faltas em aulas (salvo exceções, em atividades avaliativas), tal novidade
confere meios facilitadores para acompanhar as dificuldades e realizações dos estudantes
ao longo do semestre letivo.</p>
      <p>Negativamente, notaram-se resistências naturais a mudanças e novidades,
sobretudo daqueles mais tímidos e/ou passivos.</p>
      <p>Considerações Finais
A ABP oferece caminhos para problemas pedagógicos relacionados à atuação docente,
tais como, deficiências na integração entre teoria e prática profissional e dificuldade em
promover conhecimentos além dos técnico-científicos curriculares.</p>
      <p>Diante da vivência no ensino de Segurança Computacional, observa-se um
estímulo à criatividade e multidisciplinaridade por parte do docente. Sendo deste,
requisitada uma pré disposição para se esforçar em aprender as peculiaridades da ABP
como prática pedagógica.</p>
      <p>Salienta-se que a ABP substitui o conhecimento previamente elaborado pelo
conhecimento construído a partir de uma atitude ativa do próprio estudante que é
desafiado a aprender a pensar, a raciocinar e a elaborar soluções para problemas de acordo
com requisitos estipulados para os produtos.</p>
      <p>Tal cenário acarreta um despertar para alternativas metodológicas para a prática
pedagógica que estimulem, nos estudantes, uma visão fundada em uma formação
teóricoprática sólida, sob a perspectiva das exigências do mercado e embasada em princípios da
autonomia e da ética – sendo a ABP, uma opção significativa para o contexto, dadas as
suas características próprias.</p>
      <p>Referências
Anderson, L. W. and Krathwohl, K. R. (2001), A Taxonomy for Learning, Teaching and</p>
      <p>Assessing, Longman.</p>
      <p>Barrows, H. S. (1996). “Problem-Based Learning in Medicine and Beyond: A Brief
Overview”. In L. Wilkerson &amp; W. Gijselaers. Bringing Problem-Based Learning to
Higher Education: Theory and Practice. New Directions for Teaching and Learning
Series, No. 68, Jossey-Bass.</p>
    </sec>
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