<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Archiving and Interchange DTD v1.0 20120330//EN" "JATS-archivearticle1.dtd">
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      <title-group>
        <article-title>Explorando o Multilinguismo no Design Web: Uma Pesquisa Exploratória</article-title>
      </title-group>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Brasil diego.rosa@restinga.ifrs.edu.br</string-name>
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      <fpage>60</fpage>
      <lpage>64</lpage>
    </article-meta>
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  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>-</title>
      <p>INTRODUÇÃO
Evidências demonstram que existem muito mais indivíduos
bilíngues e multilíngues no mundo do que monolíngues [1].
Apesar de sua grande incidência, o bilinguismo segue
marginalizado em várias partes do mundo. Segundo
Romaine, embora os monolíngues sejam uma minoria
quando consideramos o mundo como um todo, eles são uma
minoria muito poderosa, frequentemente impondo sua
língua aos outros, os quais não tem opção senão
tornaremse bilíngues [2].</p>
      <p>Apesar dos indícios de que grande parte dos usuários de
software no mundo possuam algum grau de bilinguismo,
ainda são poucos os sistemas que tiram proveito dessa
característica de seus usuários. Da mesma forma, na
academia o tema tem sido pouco explorado e não foi
encontrado nenhum trabalho abordando o tema na área de
interação humano-computador (IHC).</p>
      <p>WAIHCWS’16 was held as part of IHC’16, organized by the Brazilian Computing
Society (SBC). October 04, 2016, São Paulo/SP, Brazil. Copyright 2016 © for this
paper by its authors. Permission to make digital or hard copies of all or part of this
work for personal or classroom use is granted for private and academic purposes.</p>
      <p>O objetivo deste trabalho é apresentar os resultados de uma
pesquisa exploratória sobre o impacto do multilinguismo no
projeto da interação. Dentro desta pesquisa, serão
apresentadas algumas estratégias de design que vem sendo
aplicadas pela indústria nesta área.</p>
      <p>REFERENCIAL TEÓRICO
Como mencionado, o estudo do bilinguismo e
multilinguismo no contexto do desenvolvimento de
software ainda é pouco presente em trabalhos científicos.
Para iniciar uma análise do tema, é necessário definir
alguns conceitos básicos relativos às áreas da linguística e
do localização de software.</p>
      <p>Qualquer avaliação sobre a incidência de bilinguismo e
multilinguismo no mundo depende da definição que será
utilizada para classificar um indivíduo como bilíngue.
Revisando a literatura é possível encontrar diversas
definições para bilinguismo. Em um extremo, temos a
definição de Bloomfield, segundo a qual o indivíduo
precisa ter controle nativo das duas línguas [3]. No contexto
da interação humano-computador, essa definição não é a
mais adequada, já que é possível utilizar um software
suficientemente simples contando apenas com
conhecimentos básicos de leitura em uma determinada
língua. Em outro extremo, temos o conceito de bilinguismo
incipiente apresentado por Diebold, o qual descreve o
estágio inicial de contato entre duas línguas [4]. Baker
atribui a cada uma dessas definições os adjetivos de
(bilinguismo) máximo e mínimo respectivamente e afirma:
“quem é ou não categorizado como bilíngue dependerá do
propósito da categorização” [5].</p>
      <p>No caso deste trabalho, são mais adequadas as definições de
bilinguismo passivo ou receptivo, ou ainda de
semibilinguismo [6], casos em que existe uma considerável
desproporção entre o domínio das duas línguas, ou seja, o
indivíduo pode apresentar dificuldade de se expressar em
uma determinada língua, porém possui capacidade básica
de entender textos e/ou falas nesta mesma língua. Como
dito anteriormente, esta habilidade básica de compreensão
de uma outra língua pode ser suficiente para que o
indivíduo consiga interagir com uma determinada interface
de software.</p>
      <p>
        Além de definir os conceitos de bilinguismo e
multilinguismo, é interessante também definir os conceitos
básicos da área de tradução e localização de software.
Segundo Esselink [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">7</xref>
        ]:
Internacionalização (internationalization ou i18n): “é o
processo de generalizar um produto de tal forma que possa
lidar com múltiplas línguas e convenções culturais sem a
necessidade de re-design.”
Localização (localization ou L10n): “envolve tornar um
produto linguística e culturalmente apropriado para um
locale alvo (país/região e língua) onde será vendido e
utilizado.”
Como está sendo discutido o uso de software por usuários
multilíngues, uma possível estratégia de design é exibir
textos em diferentes línguas simultaneamente (vide
exemplos do Google e TripAdvisor na seção Resultados
Obtidos). Aqui surge um conceito menos citado na
literatura, porém de relevância para este trabalho:
Multilingualização (multilingualization ou m17n): a
prática de adaptar um produto para múltiplas línguas [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2">8</xref>
        ].
Um outra estratégia de design que torna-se viável quando
considera-se um volume grande de usuários multilíngues é
a de tradução crowdsourced (vide o exemplo do Facebook
na seção Resultados Obtidos). Embora a tradução
colaborativa não seja uma prática nova na área da
linguística, o uso de crowdsourcing para o processamento
de línguas é relativamente recente e tem sua origem mais na
indústria do que na academia [9]. Callison-Burch apresenta
a colaboração de diversos não-especialistas através da
ferramenta Amazon Mechanical Turk para avaliar a
qualidade de traduções, atingindo resultados equivalentes
aos resultados obtidos por especialistas [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref4">10</xref>
        ].
      </p>
      <p>METODOLOGIA
Foram analisados quatro websites avaliando aspectos de
multilinguismo em seu projeto de interação: Google,
TripAdvisor, HostelWorld e Facebook. Ao todo foram
identificadas cinco diferentes estratégias de design voltadas
para usuários multilíngues, as quais são apresentadas na
seção seguinte.</p>
      <p>RESULTADOS OBTIDOS
Partindo-se da premissa de que um número considerável
dos usuários de software apresentam algum grau de
bilinguismo, o próximo passo é definir que estratégias de
design de interação podem ser adotadas para explorar da
melhor maneira possível o multilinguismo dos usuários.
Nesta seção, são citadas algumas dessas estratégias e
exemplos de sistemas atuais que as adotam.</p>
      <p>
        Perfis de Usuários Multilíngues
O primeiro passo para projetar a interação para multilíngues
é descobrir qual o grau de multilinguismo dos usuários. O
que se observa na maioria dos sistemas atuais é a adoção de
perfis de usuário monolíngues, ou seja, o usuário escolhe
um locale (país/região e língua) e este locale é utilizado ao
longo de todo o uso do software. Atualmente o Google [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref5">11</xref>
        ]
é um dos poucos websites que permitem aos usuários a
escolha de múltiplas línguas em seu perfil (Figura 1).
Apesar da adoção de perfis multilíngues por parte do
Google, esta estratégia de design ainda é pouco explorada
tanto na indústria quanto na academia e poderia ser melhor
estudada partindo-se da seguinte hipótese:
Hipótese 1: É possível melhorar a experiência de usuário
de indivíduos multilíngues através da adoção de um perfil
que permita o registro do conhecimento do usuário em
múltiplas línguas.
      </p>
      <p>Figura 1. Configurações de usuário no Google permitem a
escolha de múltiplas línguas.</p>
      <p>Ferramentas de Pesquisa na Web
Assumindo a Hipótese 1 como verdadeira, uma
consequência imediata é passar a apresentar na interface do
sistema informações em diferentes línguas sempre que isso
for útil de alguma forma para o usuário. Uma categoria de
website em que isso pode ser observado é a categoria das
ferramentas de pesquisa.</p>
      <p>
        Figura 2. Busca pelo termo “ux” no Google retorna resultados
em português e inglês de acordo com configurações do usuário
A Web está repleta de informações em diferentes línguas e,
quando o usuário multilíngue realiza uma busca em uma
ferramenta de pesquisa, pode estar interessado em
visualizar websites em todas as línguas nas quais tem
habilidades básicas de leitura. Novamente aqui temos o
Google [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref5">11</xref>
        ] como exemplo. Baseando-se nas configurações
de línguas do perfil do usuário, o Google prioriza o
resultado das buscas, muitas vezes exibindo em uma mesma
tela resultados em diferentes línguas (Figura 2).
      </p>
      <p>Avaliações/Comentários de Usuários
Outra categoria de websites em que a exibição de
informações em diferentes línguas torna-se interessante é a
dos websites que permitem que diferentes usuários enviem
avaliações sobre um determinado assunto. Atualmente
diversos websites oferecem essa funcionalidade e já faz
parte do dia-a-dia dos usuários enviarem avaliações de
produtos, aplicativos, livros, filmes, músicas, posts em
redes sociais, atrações turísticas, etc.</p>
      <p>
        Figura 3. TripAdvisor localizado em Português do Brasil exibe
comentários em espanhol, inglês e francês sobre a Torre Eiffel.
Quando o sistema em questão limita a exibição das
avaliações/comentários a apenas aquelas enviadas na língua
preferencial do usuário, muita informação acaba sendo
omitida. Por exemplo, em um sistema com perfil
monolíngue, um usuário multilíngue com locale Português
do Brasil só veria comentários neste idioma, possivelmente
deixando de visualizar uma gama muito maior de
comentários caso pudesse visualizar também os
comentários em inglês e espanhol. Um exemplo de sistema
que já adota a exibição de comentários em diferentes
idiomas é o website sobre atrações turísticas TripAdvisor
[
        <xref ref-type="bibr" rid="ref6">12</xref>
        ] (Figura 3).
      </p>
      <p>A partir dos exemplos do Google (ferramenta de pesquisa)
e TripAdvisor (avaliações de usuários) podemos formular
uma nova hipótese sobre a exibição de conteúdo em
diferentes línguas em interfaces adaptadas ao
multilinguismo:
Hipótese 2: A exibição de conteúdo em diferentes línguas
simultaneamente é útil para usuários multilíngues em
determinados contextos.</p>
      <p>Localização Dinâmica
Em geral, a localização de um sistema se dá a partir da
escolha do locale por parte do usuário, ou seja, a língua de
preferência e o país/região em que o usuário se encontra.
Nos sistemas atuais, a escolha do locale pode se dar em
diferentes momentos da experiência do usuário: no
momento de realizar o download do instalador, durante a
instalação, durante a execução do software, etc. Em outros
casos, o website ou aplicativo simplesmente utiliza o locale
configurado no sistema operacional. Em qualquer uma
destas situações, o usuário não consegue combinar
configurações de diferentes locales, algo que pode ser útil
especialmente considerando usuários multilíngues. Por
exemplo, em um mundo globalizado, não seria um absurdo
encontrar um usuário brasileiro, morando na Suíça, falando
predominantemente inglês e recebendo salário em Euro.
Digamos que este usuário deseje utilizar um certo sistema
com as seguintes configurações de localização:
•
•
•
•</p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>Língua: Inglês; Formato de número, data, hora: formato brasileiro; Fuso-horário: Suíça; Moeda: Euro.</title>
      <p>
        Figura 4. HostelWorld apresentando conteúdo em Inglês do
Reino Unido e exibindo os preços em Real do Brasil.
Nenhum locale que o usuário venha a escolher irá satisfazer
essa necessidade. Para um usuário como este, a única
solução seria a adoção de uma estratégia de localização
dinâmica, ou seja, a qualquer momento do uso do software,
o usuário pode alterar suas configurações de localização,
podendo combinar configurações de diferentes locales. Um
exemplo de website que utiliza uma estratégia semelhante é
o HostelWorld [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">13</xref>
        ], ferramenta para buscas e reservas em
albergues ao redor do mundo. Neste sistema, o usuário pode
alterar a qualquer momento a moeda em que os preços são
exibidos (Figura 4). Esta função é muito útil para usuários
em viagem que precisam lidar com várias moedas
diferentes ao mesmo tempo. Baseando-se no exemplo do
HostelWorld, podemos formular uma hipótese sobre a
localização dinâmica:
Hipótese 3: A possibilidade de combinar configurações de
diferentes locales é útil para usuários multilíngues em
determinados contextos.
      </p>
      <p>
        Tradução Crowdsourced
Outra estratégia que torna-se viável a partir do momento em
que um sistema passa a contar com um grande número de
usuários multilíngues é a de tradução colaborativa ou
tradução crowdsourced. A grande vantagem desta estratégia
é a redução de custos com tradução e a possibilidade de
oferecer o sistema em um número maior de línguas. A rede
social Facebook possui em seu website uma ferramenta
chamada Traduza o Facebook [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref8">14</xref>
        ]. Através desta
ferramenta, os usuários da rede recebem frases em inglês e
as traduzem para sua língua materna (Figura 5).
      </p>
      <p>Figura 5. Ferramenta Traduza o Facebook apresenta frases em
Inglês dos Estados Unidos para que usuários brasileiros
multilíngues as traduzam para o Português do Brasil.
A partir do exemplo visto acima, podemos formular uma
última hipótese:
Hipótese 4: Um sistema com um número suficientemente
grande de usuários multilíngues pode se beneficiar de
tradução crowdsourced para reduzir custos com tradução.
CONCLUSÃO E TRABALHOS FUTUROS
A pesquisa exploratória apresentada neste trabalho abordou
diversos aspectos de um tema ainda pouco explorado na
academia: o impacto do multilinguismo dos usuários no
projeto de interação. Dada a multidisciplinaridade
intrínseca do tema, o referencial teórico apresentado se
mostrou fundamental para definir diversos conceitos
relacionados à linguística e à localização de software.
Quanto à análise de sistemas de software atuais, foi possível
identificar algumas estratégias de design que já vêm sendo
adotadas pela indústria para aproveitar
habilidades com várias línguas de seus usuários:
melhor as
•
•
•
•</p>
      <p>A adaptação de perfis de usuário para indivíduos
multilíngues;
A apresentação de interfaces com conteúdo em
múltiplas línguas (ferramentas de pesquisa e
websites com avaliações/comentários de usuários);
A localização dinâmica de interfaces;</p>
      <p>E a tradução crowdsourced.
2.
3.
4.
5.
6.
9.</p>
      <p>Trabalhos futuros podem aprofundar o estudo de cada uma
das hipóteses formuladas, explorar estratégias de design
alternativas ou ainda investigar novas estratégias ainda não
implementadas.</p>
      <p>REFERÊNCIAS
1. Tucker, G. R. 1998. A global perspective on
multilingualism and multilingual education. In: Cenoz,
J., Genesee, F. (Eds.). Beyond bilingualism:
Multilingualism and multilingual education.
Multilingual Matters, pp. 3-15.</p>
      <p>Romaine, S. 1995. Bilingualism. 2a ed.
WileyBlackwell.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>Bloomfield, L. 1933. Language. Holt. Diebold, A. R. 1964. Incipient bilingualism. In Hymes,</title>
      <p>D. ed. Language in Culture and Society. Harper &amp;
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      <p>Baker, C. 2011. Foundations of bilingual education
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    </sec>
  </body>
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