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      <title-group>
        <article-title>Click! Uma experiência de uso das mídias digitais na busca e disseminação das aprendizagens</article-title>
      </title-group>
      <contrib-group>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Gildene Lima de Souza Fernandes</string-name>
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        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Gleidson Felipe Justino da Silva</string-name>
          <email>gleidsonfejustino@gmail.com</email>
          <xref ref-type="aff" rid="aff1">1</xref>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Kleber Tavares Fernandes</string-name>
          <email>kleber76@gmail.com</email>
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          <xref ref-type="aff" rid="aff1">1</xref>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Núcleo de Educação da Infância - NEI-CAp</string-name>
          <xref ref-type="aff" rid="aff1">1</xref>
        </contrib>
        <aff id="aff0">
          <label>0</label>
          <institution>Departamento de Informática e Matemática Aplicada - DIMAP Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Cep 59072-970 - Natal - RN -</institution>
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        </aff>
        <aff id="aff1">
          <label>1</label>
          <institution>Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Caixa</institution>
          <addr-line>Postal 1524 - Cep 59072-970 - Natal - RN -</addr-line>
          <country country="BR">Brazil</country>
        </aff>
      </contrib-group>
      <pub-date>
        <year>2017</year>
      </pub-date>
      <fpage>114</fpage>
      <lpage>124</lpage>
      <abstract>
        <p>The discussion about the new ways of teaching and learning summons the reflection on the role of the media to the search and dissemination of the learning. The present article presents an experience in which children of elementary school play the role of protagonists in the construction of their knowledge, establishing a close relationship with the digital media. Through a few "clicks" they not only learn about Japan, but also learn about their own country. In addition, and in an extraordinary way, they teach us about the potential of technological resources to increase learning and how it is possible to act as critical consumers and producers of media. Resumo. A discussão sobre as novas formas de ensinar e aprender convoca a reflexão sobre o papel das mídias para a busca e disseminação das aprendizagens. O presente artigo apresenta uma experiência em que crianças do ensino fundamental ocupam o lugar de protagonistas na construção de seus conhecimentos, estabelecendo uma estreita relação com as mídias digitais. Por meio de alguns “clicks”, elas não somente aprendem sobre o Japão, como também aprendem sobre o seu próprio país. Além disso, e de forma extraordinária, elas nos ensinam sobre o potencial dos recursos tecnológicos para ampliação das aprendizagens e sobre o quanto é possível atuarem como consumidores críticos e produtoras de mídias.</p>
      </abstract>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>-</title>
      <p>
        Começamos com a metáfora da “liquidez” de Bauman (2001) para situar esse texto e a
prática pedagógica aqui relatada numa sociedade moderna, incapaz de manter as formas,
pelo seu permanente estado de desmontagem.
Os líquidos se movem facilmente. Eles fluem, escorrem,
esvaem-se, respingam, transbordam, vazam, inundam, borrifam,
pingam, são filtrados, destilados; diferentemente dos sólidos,
não são facilmente contidos – contornam certos obstáculos,
dissolvem outros e invadem ou inundam seu caminho. (...) A
extraordinária mobilidade dos fluidos é o que os associa à ideia
de leveza [Bauman 2001 apud
        <xref ref-type="bibr" rid="ref8">Santaella 2007</xref>
        ].
      </p>
      <p>A Escola não poderia fugir dessa fluidez nas formas de pensar e fazer aprender.
Nunca estivemos tão abertos, mas ao mesmo tempo tão confusos sobre nossas opções
metodológicas, como se estivéssemos perdido a solidez que habitava os modos que
entendíamos ser adequados para apresentar e “fixar” os conteúdos.</p>
      <p>Ao pensar em metodologias atualizadas de ensino é impossível não
considerarmos a inserção dos mais modernos aparatos tecnológicos inventados pelo
homem. Também voltamos nossa atenção para o papel da mídia, entendida como a
indústria da comunicação, no acesso e produção de saberes e valores.</p>
      <p>
        Para que escola se torne uma instituição do “nosso tempo”, ela precisa reaver um
déficit histórico de investimento em tecnologia, como condição para continuar sendo
proporcionadora de acesso ao conhecimento. Se como diz
        <xref ref-type="bibr" rid="ref4">Kenski (2006)</xref>
        “diferentes
épocas da história da humanidade são historicamente reconhecidas, pelo avanço
tecnológico correspondente”, pensamos que a escola precisa acompanhar o
desenvolvimento tecnológico da nossa época, e por que não dizer, estar à frente dele.
      </p>
      <p>Tecemos essas considerações para sinalizar a temática deste artigo. Trata-se de
um relato de experiência desenvolvido com crianças do 4º ano do ensino fundamental,
na qual o conhecimento não estava dado em livros didáticos, enciclopédias, (mídia
impressa). Ele não estava pronto para ser consultado, e sim foi construído pelas crianças
sob a mediação de professores, que recorreram às mais diversas mídias. Tais professores
partiram do entendimento de que para as crianças confirmarem suas hipóteses sobre o
objeto de estudo e atenderem as suas curiosidades sobre o mesmo, era preciso que elas
mesmas fizessem as descobertas, usando a tecnologia como aliada.</p>
      <p>Portanto, nosso objetivo, é evidenciar as possibilidades de uso da mídia e dos
aparatos tecnológicos para ampliação das aprendizagens das crianças, sendo estas
protagonistas das descobertas acerca do objeto de estudo.</p>
      <p>No item fundamentação teórica, destacamos as principais ideias e respectivos
autores que subsidiaram as decisões/ações pedagógicas da experiência relatada e as
reflexões deste artigo.</p>
      <p>Em seguida, fazemos o relato de como se deu a escolha do objeto de estudo
explorado na experiência e de como as crianças conseguiram fazer suas descobertas
acerca do mesmo.</p>
      <p>Após evidenciarmos as lições aprendidas ao longo do processo, tecemos nossas
considerações finais, reconhecendo a pertinência das ações pedagógicas vivenciadas
para o debate acerca do uso das mídias na educação.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>2. Fundamentação teórica</title>
      <p>Para realização das reflexões em torno do uso da mídia e dos aparatos tecnológicos no
processo de ensino aprendizagem, nos fundamentamos em ideias que evidenciam essa
possibilidade.</p>
      <p>
        Pesquisas no campo da mídia-educação [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">Bevort e Belloni 2012</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">Feilitzen e
Carlsson 2002</xref>
        ] e [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref6">Moran 2007</xref>
        ] têm mostrado que o estudo das diversas mensagens
midiáticas na educação de crianças e jovens é um terreno fértil para o desenvolvimento
da leitura crítica e autônoma, porque se trata de uma linguagem presente, influente e
familiar a esse público. Como em outros setores da mídia-educação, o estudo da
imagem se desenvolve em diversas abordagens e metodologias.
      </p>
      <p>
        Segundo
        <xref ref-type="bibr" rid="ref5">Kress e Van Leeuwen (2001</xref>
        ) palavra e imagem não correspondem à
mesma maneira de se falar sobre o mesmo assunto. Contudo, palavra e imagem juntas
têm um significado mais amplo. Imagem e palavra se completam, se opõem, interagem
com o objetivo de significar mais. Considerando cada modo semiótico, que consiste na
maneira como os sinais são usados para transmitir um significado, especialmente através
dos diferentes modos, se torna mais significativo e com maior potencial comunicativo
quando combinados entre si. Dessa forma, consideramos pertinente a importância que
atribuímos ao uso das imagens no estudo realizado com as crianças.
      </p>
      <p>Acreditamos na possibilidade de formação de consumidores críticos das mídias,
concordando com as ideias de Canela:</p>
      <p>A população com menos de 18 anos também pode ser entendida
a partir da sua necessidade de educar-se e ser educada para o
consumo crítico das mensagens dos meios de comunicação.</p>
      <p>
        Inúmeras são as abordagens nas ciências sociais e humanas que
discutem o processo de aprendizagem de crianças e
adolescentes, seus métodos e conteúdos. Nesse sentido, não
podemos deixar, especialmente os estudiosos da comunicação,
de apontar a relevância na formação destas populações
particulares para a interação com o mundo da palavra, do som e
da imagem mediados por diferentes tecnologias. [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2">Canela 2008</xref>
        ].
      </p>
      <p>Souza (2003) também discorre sobre o papel da mídia-educação. Ela parte da
visão negativa que muitas vezes é atribuída às mídias - apontada por críticos como
“corrompedoras da infância” - para discorrer sobre as possibilidades de associá-las ao
ensino e a aprendizagem, com vistas a desenvolver as capacidades críticas e criativas
das crianças.</p>
      <p>Ressaltamos, a partir desse entendimento, a importância da mediação do
professor na prática pedagógica, de modo a fazer uso da tecnologia considerando seu
aluno como sujeito ativo no processo de construção do conhecimento, protagonista da
ação. Isso porque, apenas a presença de aparatos tecnológicos, não se constitui garantia
de inovação e muito menos de aprendizagem das crianças. Para Almeida (2007), cabe ao
professor analisar a efetividade das contribuições desses suportes para a criação de
experiências educativas significativas e relevantes para os aprendizes.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>3. O nascimento de um Tema de Pesquisa</title>
      <p>As ações aqui relatadas foram desenvolvidas em uma turma do 4º ano do ensino
fundamental, de uma escola de aplicação, de uma universidade brasileira. Trata-se de
um grupo formado por 21 crianças entre 9 e 10 anos, o qual foi acompanhado por três
adultos – dois professores efetivos e um bolsista.</p>
      <p>A escola lócus desta experiência adota uma metodologia criada e sistematizada
ao longo dos anos por sua equipe de professores, denominada Metodologia do Tema de
Pesquisa. Trata-se de uma organização curricular flexível, onde as temáticas a serem
estudadas são escolhidas pelas próprias crianças ou partem de necessidades observadas
pelos professores.</p>
      <p>
        Segundo
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">Rêgo (1999)</xref>
        , para que um assunto ou tópico de interesse passe a ser
Tema de Pesquisa, ele precisa articular saberes de diferentes áreas do conhecimento,
considerar o contexto sociocultural das crianças, bem como os processos de
desenvolvimento e de construção de conhecimentos pelos quais as crianças estão
passando nessa fase da vida. O desenvolvimento do estudo deve ser organizado em três
fases: Estudo da Realidade – ER (momento em que se faz o levantamento prévio do que
as crianças já sabem sobre o tema e o que querem saber); Organização do Conhecimento
– OC (momento em que são realizados estudos e ações que levem à exploração das
questões de pesquisa) e Aplicação do Conhecimento – AC (momento em que os saberes
são sistematizados para socialização entre as próprias crianças, pais e comunidade
escolar). Segundo a autora, esses momentos não se constituem em fases estanques por
considerarem as curiosidades e necessidades das crianças, permitindo novos
desdobramentos para os estudos, conforme estas vão apresentando novas demandas.
      </p>
      <p>Nesta perspectiva, as crianças inicialmente aqui mencionadas, sinalizaram
grande curiosidade e interesse para aprender sobre o Japão, escolhendo o estudo deste
país como o Tema de Pesquisa da turma. Tal decisão foi motivada pelo encantamento
delas com o desenvolvimento tecnológico desse país e pelas peculiaridades de sua
cultura. A etapa seguinte à definição do tema foi o levantando do que elas consideravam
saber e das suas curiosidades sobre o Japão, conforme registra o Quadro 1 abaixo:
Quadro 1. Curiosidades dos alunos do 4º ano sobre o Tema de Pesquisa Japão.</p>
      <p>O QUE QUEREMOS SABER SOBRE O JAPÃO
1-Quais são os esportes que tem lá?
2-Como é a tecnologia de lá?
3-Qual é a moeda utilizada?
4-O dinheiro dos japoneses é igual ao do Brasil?
5-Como é a economia?
6-Quais são os desenhos animados japoneses?
7-Quais são os presidentes de lá?
8-Quais são as cidades do Japão?
9-Qual é a melhor escola de lá e como são as suas regras?
10-Quantos são os habitantes?
11-A população é maior que a do Brasil?
12-Como é o clima de lá?
13-Quais são as músicas mais tocadas no Japão?
14-Qual é o estilo das músicas de lá?
15-Por que os olhos deles são puxados?
16-Quais são os símbolos do Japão?
17-Lá eles acreditam em Deus/ deuses?
18-Quais são as profissões dos japoneses?
19-Lá tem escavações de fósseis?
20-As festas de lá duram só um dia?
21-Eles comem insetos?
22-Qual é o significado da bandeira deles?
23-No Japão tem animais em extinção?
24-Como eles conseguem comer com palitos?
25-Quais são as brincadeiras típicas de lá?
26-Qual é a história do Japão?
27-Por que lá acontecem terremotos?
28-Quais são os pontos turísticos do Japão?
29-Quais são as festas mais populares?
30-Que guerras já aconteceram no Japão?
31-Quais tipos de transportes eles usam?
32-Quais são os desastres naturais mais frequentes?
33-Qual é a temperatura de lá? Ela muda durante as estações?
34-Por que eles escrevem com símbolos?
35-Por que eles acham os samurais religiosos?
36-Por que eles gostam de praticar lutas?
37-Por que eles gostam de fazer origami?
38-Por que a comida típica do Japão é o sushi?
39-O “Yang” é do Japão ou da China?
40-Lá existem olimpíadas?
41-Quais são os escritores mais conhecidos de lá?
42-Quais são os desastres ecológicos?
43-Como é o solo?
44-Como são as famílias?
45-As mulheres e os homens tem o mesmo direito?
46-Além de sushi e insetos, eles comem outras coisas?
47-Eles têm agricultura? Como é?
48-Lá tem política? Como é?
49-Como são as religiões?
50-Eles acreditam em algum Deus?
51-Como é a arquitetura de lá?
52-Como eles se vestem?
53-Como é a natureza?
54-Como é a literatura? E os escritores?
55-Quais são os principais artistas e obras?
56-Quais são os artistas mais conhecidos?
57-Quais são os monumentos pré-históricos?
58-Quais são as regras de lá?
59-Por que eles comem peixe cru?
60-Que eventos acontecem lá?</p>
      <p>Ao classificar as perguntas das crianças por blocos, os professores verificaram a
riqueza de aspectos a serem explorados nesse estudo. A Figura 1 retrata as áreas de
conhecimentos exploradas.</p>
      <p>Figura 1. Rede temática do tema de pesquisa Japão.</p>
      <p>Fez-se necessário dar aos conteúdos um caráter interdisciplinar, característico
dessa metodologia, para promover as descobertas das crianças. Tal conhecimento não
estava pronto em nenhuma fonte e demandava busca incessante por parte das crianças e
dos professores. Entram em cena os recursos/canais midiáticos, como meio de fazer tal
busca e “levar as crianças ao Japão”, mesmo sem poderem ir até lá.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-4">
      <title>4. Alguns “clicks” em busca das descobertas</title>
      <p>Na intenção de proporcionar o estudo das questões de pesquisa das crianças, foram
realizadas várias atividades que envolveram o acesso e a produção de mídia,
promovendo a interação das crianças com os mais diferentes recursos e estratégias.</p>
      <p>A pesquisa por meio da internet foi uma das ações mais desenvolvidas pelas
crianças, constituindo-se em um canal de busca eficiente para alcançar as respostas
almejadas. Tal atividade constituiu-se em oportunidade para esclarecermos sobre a
necessidade de atentarmos para a credibilidade de tudo que está posto na rede,
considerando o acesso livre de todos para postagem de quaisquer informações. No
decorrer dos estudos, as crianças já apresentavam autonomia de buscar informações dos
mais diversos sites e canais sobre o Japão e trazê-las para compartilhar com os demais
colegas, preocupadas com a veracidade do que estavam divulgando.</p>
      <p>Instigadas a acompanharem as informações da atualidade, as crianças passaram a
estar atentas também aos noticiários das rádios e canais de televisão. Era comum, nas
rodas de conversa, partilharem acontecimentos diversos, principalmente acerca do
Japão, tanto de forma oral, como também trazendo materiais impressos.</p>
      <p>Neste percurso, notícias sobre um trem invisível, terremotos, visita de
autoridades ilustres, chegada da primavera, entre outras, foram socializadas na sala pelas
próprias crianças, permitindo que relacionassem o Japão antigo e o Japão atual. Foi
possível estabelecer uma busca por informações intercalando vários canais de
comunicação, como a televisão, o rádio e a internet, o que permitiu às crianças perceber
os diferentes formatos que a notícia pode tomar, de acordo com o veículo, bem como a
importância e abrangência de cada um desses canais.</p>
      <p>Paralelamente e dando suporte ao estudo do Tema de Pesquisa, realizamos
algumas aulas sobre os textos do gênero jornalístico (notícia, reportagem, entrevista). As
crianças, tanto assumiram a função de consumidoras desses textos, como também a
função de produtoras. Portanto, escreveram notícias sobre eventos dos quais a turma
participou, principalmente sobre a participação de convidados que ministraram palestras
e/ou oficinas acerca das nossas temáticas de estudo: e religiosidade japonesa; oficina de
origami desenvolvida por um professor convidado externo; bem como a aula sobre
cultura pop japonesa e vivência de culinária japonesa, realizadas pela bolsista de
comunicação social da escola. Todas as notícias foram divulgadas para toda a escola em
um jornal mural.</p>
      <p>A internet também proporcionou o acesso a fotografias e vídeos que foram
essenciais para o estudo de todos os aspectos da rede de conhecimentos em construção.
As imagens possibilitam leituras diversas sobre o objeto de conhecimento, trazendo
elementos da história, da geografia, da arte, da arquitetura, da culinária, da natureza,
entre outros aspectos do Japão.</p>
      <p>Considerando a importância das imagens como forma de registro e fonte
histórica, realizamos um estudo sobre a fotografia. Foram ações desenvolvidas sobre
este recorte: levantamento dos conhecimentos prévios sobre a utilidade da fotografia;
entrevistas com familiares sobre a fotografia em outras épocas; leituras sobre a evolução
das máquinas fotográficas; aula sobre fotografia com um professor convidado
(procedimentos para manuseio das máquinas, ângulos, regras dos terços,
intencionalidade do fotógrafo...).</p>
      <p>Aprofundar os conhecimentos sobre a fotografia subsidiou a continuidade das
descobertas pelas crianças, pelo fato delas poderem aplicar tudo aquilo que estavam
descobrindo sobre essa tecnologia em viagens de estudos. Tais viagens foram realizadas
como consequência do interesse dos alunos em aprender sobre os ciclos econômicos do
Brasil, após descobrirem que muitos japoneses vieram para o Brasil para trabalhar nas
lavouras de café. Foram visitados três municípios do interior do Rio Grande do Norte:
Ceará-mirim, Acari e Currais novos, para aprender sobre o impacto/as contribuições da
cultura da cana-de-açúcar, do couro e da mineração, respectivamente.</p>
      <p>Durante as visitas citadas, as crianças fizeram os registros fotográficos usando
tanto máquinas digitais e como os seus celulares ou de familiares. Elas estavam
orientadas a tentar apreender, por meio da captação de imagem, o modo de vida das
pessoas e as peculiaridades da atividade econômica daquele lugar.</p>
      <p>Ao retornarem para a escola, as crianças dedicaram-se a fazer a própria seleção
do que consideravam suas melhores fotos e deram-lhes títulos que anunciavam o que a
fotografia representava. A Figura 2 representa o registro fotográfico dos alunos.</p>
      <p>Figura 2. Uso do celular em aulas de campo. Fonte: Acervo dos professores
Os recursos tecnológicos voltam a ser convocados para contribuir com nossas
aulas, durante a preparação de seminário, para própria turma, e de uma mostra cultural,
para toda a escola e os pais. O intuito foi proporcionar estratégias para sistematizar e
divulgar as aprendizagens, sendo as crianças protagonistas na organização dos registros
e materiais relacionados às mesmas: foram preparados textos e apresentações
multimídias, fazendo uso de softwares específicos para tais finalidades. O conhecimento
técnico sobre tais recursos foi explorado mediante as dúvidas e necessidades das
crianças na preparação desses materiais. As Figuras 3 e 4 registram os momentos de
exposição.</p>
      <p>Figura 3. Seminário em sala de aula.</p>
      <p>Figura 4. Exposição das fotografias retiradas pelas crianças - Mostra Cultural.</p>
      <p>As exposições realizadas fecham o ciclo de estudos sobre o Tema de Pesquisa. E
novos “clicks” são acionados para favorecer a disseminação e valorização das
aprendizagens.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-5">
      <title>4. Resultados alcançados</title>
      <p>Podemos elencar como resultados alcançados, as inúmeras descobertas que as crianças
fizeram sobre o Tema de Pesquisa Japão. As perguntas levantadas foram indicadoras do
percurso traçado e dos recursos envolvidos. Localizando a chegada dos japoneses no
Brasil, os alunos se sentiram também motivados para entender em que contexto se dava
a imigração e quais atividades econômicas marcaram a história do nosso país.</p>
      <p>Também consideramos relevante destacar que foi possível fazer um uso
adequado da tecnologia em favor de tais descobertas. Sem o uso dos computadores,
máquinas fotográficas, celulares, equipamentos de projeção, televisores e também
materiais não digitais (livros, cadernos...) teria sido impossível mobilizar tantos saberes
e engajar as crianças para essa busca.</p>
      <p>A vivência do protagonismo pelas crianças constituiu-se em lição para os
professores, que perceberam cada vez mais que o seu papel no processo de ensino e
aprendizagem não é de detentor do conhecimento, mas sim, de mediador de práticas
onde as crianças interajam com o objeto do conhecimento.</p>
      <p>Por fim, e não menos importante, queremos destacar a condição das crianças
para ler criticamente conteúdos disseminados pelas mídias e a produzir materiais
midiáticos para divulgar suas aprendizagens.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-6">
      <title>5. Considerações Finais</title>
      <p>Entendemos que a tecnologia aplicada à educação possibilita o acesso mais rápido ao
conhecimento e uma abordagem mais dinâmica e significativa dos conteúdos abordados
na escola. O uso adequado das tecnologias e das mídias tem o poder motivar os alunos a
um maior engajamento, despertando a curiosidade e ampliando as possibilidades de
aprendizagem.</p>
      <p>Consideramos que a experiência aqui relatada poderá ser modificada ou
aprofundada com a inserção de outras práticas e outros recursos, midiáticos ou não.
Porém, consideramos que ela pode ser desencadeadora das discussões sobre as relações
possíveis entre mídia, tecnologia e educação.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-7">
      <title>Referências</title>
      <p>Almeida, Maria Elisabeth B. (2007) “Integração de tecnologias à educação: novas
formas de expressão do pensamento, produção, escrita e leitura”. In: Valente, José A.
(org.). Formação de educadores à distância e integração de mídias. São Paulo:
Avemcarp.</p>
    </sec>
  </body>
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