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        <article-title>Inclusão Digital para Entidades Rurais de Parelhas/RN: um Relato de Experiência</article-title>
      </title-group>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Júlia Valentim de Oliveira Pinheiro</string-name>
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          <string-name>Claudimar Jeferson da Silva Melo</string-name>
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          <string-name>Jaciely Mayara dos Santos Diniz</string-name>
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          <string-name>Amanda Helen de Souza Medeiros</string-name>
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          <string-name>Francisco Genivan Silva</string-name>
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        <aff id="aff0">
          <label>0</label>
          <institution>Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) - Campus Avançado de Parelhas R. Dr. Mauro Duarte</institution>
          ,
          <addr-line>s/n - José Clóvis, Parelhas - RN, 59360-000</addr-line>
        </aff>
      </contrib-group>
      <pub-date>
        <year>2017</year>
      </pub-date>
      <fpage>250</fpage>
      <lpage>260</lpage>
      <abstract>
        <p>The expansion of new technologies - computer science included has promoted a number of facilities and benefits; however, it creates a new issue: digital exclusion. Therefore, the present work aims to report the facts experienced during the execution of the project named "Capacitation in Basic Computing for Rural Organizations in Parelhas, RN, BR”. This project consisted of a basic computer training course that lasted 60 hours and involved 40 participants in the City of Parelhas, RN. Upon completion, the project qualified 27 individuals in basic computer skills, thus contributing to their critical participation in the digital society. Resumo. A expansão das novas tecnologias, incluindo a informática, vem promovendo uma série de facilidades e benefícios. No entanto, ocasiona uma nova problemática: a exclusão digital. Desse modo, o presente trabalho tem como objetivo relatar as experiências vivenciadas com a execução do projeto intitulado “Capacitação em Informática básica para Entidades Rurais de Parelhas/RN”. O projeto consistiu na realização de um curso de capacitação em informática básica que durou 60 horas e que envolveu 40 participantes no município de Parelhas/RN. Ao seu final, o projeto capacitou 27 pessoas em conhecimentos básicos de informática, contribuindo desta forma para que participem criticamente da sociedade digital.</p>
      </abstract>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>1. Introdução</title>
      <p>A difusão das TIC trouxe consigo grandes mudanças na estrutura da sociedade,
expressas claramente por meio de alterações ocorridas nas mais diversas áreas como
comunicação, educação, saúde, lazer e até nos modos de se trabalhar. Assim, não é mais
possível enxergar o mundo sem essas tecnologias, pois o funcionamento de quase tudo
está condicionado a elas. Em paralelo a essas mudanças, emerge a necessidade de
capacitar a população para usufruir totalmente dos benefícios gerados pelo uso correto
das TIC. Iniciativas educacionais que visam qualificar os usuários para tal fim se fazem
cada vez mais necessárias, principalmente no tocante à população rural, que é
visivelmente excluída dessas evoluções tecnológicas. É por essa razão que se torna cada
vez mais urgente um mundo onde todos são inclusos no meio digital, pois quem não está
inserido nesse meio é, de muitos modos, privado de participar integralmente da sociedade.</p>
      <p>Neste artigo será apresentada a experiência na execução do curso de capacitação
e informática básica para entidades rurais do município de Parelhas/RN, cujo objetivo
fundamental foi oportunizar aos participantes conhecer novas tecnologias que tornem
mais simples a realização de tarefas voltadas para sua ocupação no campo ou que
propiciem benefícios em outros âmbitos de sua vida, como o educacional. Outrossim, o
projeto também visou a promoção da inclusão social por meio da inclusão digital,
permitindo aos concluintes do curso participarem de maneira efetiva e crítica da
sociedade da informação.</p>
      <p>Partindo destas premissas, foi elaborado o projeto denominado “Capacitação em
Informática básica para associados da Cooperativa Agropecuária do Seridó e Sindicato
dos Trabalhadores (as) Rurais de Parelhas”. Seu público alvo foi os membros dessas duas
entidades, que representam trabalhadores rurais do município de Parelhas e circo
vizinhança, bem como seus familiares e outros de seu convício social.
</p>
      <p>O projeto foi aprovado em 02 de agosto de 2016 no edital 09/2016-PROEX/IFRN,
tendo sua execução iniciada no mesmo dia e seu encerramento no dia 21 de dezembro de
2016. Com previsão de formar 30 pessoas, foram realizadas 40 inscrições. Os inscritos
foram primeiramente triados pelas duas entidades participantes do projeto, depois
encaminhados para o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande
do Norte (IFRN). No instituto foram coletados dados acerca de cada participante através
de um pequeno formulário eletrônico. Os dados serviram para levantar um perfil
demográfico resumido dos participantes. Alguns dados relevantes estão descritos a
seguir:
</p>
      <p>Quanto ao gênero: 73,9% dos inscritos eram do sexo feminino e 26,1% do sexo
masculino;
Quanto a escolaridade: 39,1% tinham como nível de escolaridade o ensino
fundamental incompleto; 8,7% possuem o fundamental completo e 26,1%, o ensino
médio completo (não alfabetizado, médio completo, ensino superior completo e
incompleto completam os dados de escolaridade)</p>
      <p>Atendendo a um público de origem semelhante, porém diversificado em termos
de idade, escolaridade e experiência, acreditamos que o projeto teve relevante
contribuição na aquisição de conhecimentos e práticas necessários à convivência em uma
sociedade cada vez mais pautada pelos avanços tecnológicos. Compreendemos, pois, que
à medida que a tecnologia tem moldado e direcionado os rumos da economia e da vida, é
preciso que a população tenha as competências necessárias para lidar com ela.</p>
      <p>Por fim, ressaltamos que a educação em seus variados modelos e modalidades é
compreendida como uma das formas que podem dar suporte à aquisição dessas
competências. Desta forma, acreditamos que iniciativas educacionais que visem
instrumentalizar o conhecimento acerca das TIC e seu potencial transformador possuem
grande relevância social. Há de modo especial, diante da escassez ou inexistência de
iniciativas semelhantes, uma necessidade maior de oferta de formação direcionada à
população originária do campo, público alvo deste projeto.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>2. Inclusão Digital</title>
      <p>
        Nos últimos anos, a ampliação do acesso e aperfeiçoamento das tecnologias passaram a
ser imperativas para o desenvolvimento de países, conforme evidenciado em União
Internacional de Telecom
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">unicações – UIT (2013</xref>
        ). O desenvolvimento e a difusão das TIC
afeta e pode representar avanços para a educação, saúde, inovação, pesquisa e
desenvolvimento. É possível observar, principalmente, uma relação mais aproximada
entre o acesso e desenvolvimento das tecnologias e educação, não sendo possível, nos
dias atuais, separar essas duas áreas. Esta relação se dá de tal forma que UIT (2013) afirma
que o acesso à educação de qualidade e às TIC são fundamentais para a construção efetiva
e participativa das sociedades do conhecimento. Entretanto, disparidades no acesso a
esses dois bens sociais ainda persistem e penalizam uma boa parte da população.
      </p>
      <p>
        Em um contexto abordado pela Teoria Crítica da Tecnologia, em que tecnologia
e sociedade se influenciam mutuamente, fica evidente que existe uma relação intrínseca
entre mudanças técnicas/tecnológicas e o contexto social em que elas ocorrem [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref5">NEDER
2013</xref>
        ], ou seja, a tecnologia não é neutra e não está deslocada da sociedade e “pode
contribuir para o acirramento ou diminuição das desigualdades sociais, dependendo do
uso que se faz e dos atores envolvidos nos processos de tomada de decisão” [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref4">MARTINS
2015</xref>
        ].
      </p>
      <p>Essa caracterização das TIC como instrumento de desenvolvimento social, foi
avaliada no relatório Measuring the Information Society 2014 [UIT 2014], onde foi
constatado que há uma correlação estatisticamente significativa entre o Índice de
Desenvolvimento em TIC (IDI) e o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do
Milênio (ODM) – metas instituídas pela ONU relacionadas a educação, igualdade, saúde,
combate à fome e meio ambiente.</p>
      <p>Em contrapartida, é importante destacar o caráter duplo dessa relação, pois ao
mesmo tempo em que as TIC podem representar uma oportunidade de desenvolvimento
social e emancipação, podem também contribuir para ampliação das discrepâncias e
perpetuação das desigualdades.</p>
      <p>Sobre as condições necessárias para que as TIC, efetivamente, possam contribuir
positivamente nas transformações sociais, Ávila e Holanda (2006) afirmam:
Ações para reduzir essa desigualdade digital apenas são efetivas quando são
assegurados aos excluídos digitais os meios tecnológicos, os recursos de
usabilidade, as ferramentas de assistência, os apoios institucional e social,
assim como as capacitações e habilitações para que eles possam vencer todos
os tipos de barreiras e, assim, percorrer a trajetória rumo ao centro participativo
da sociedade informacional [ÁVILA e HOLANDA 2006, p. 46 – grifo nosso]</p>
      <p>Assim, diante do desafio que é garantir o acesso integral as TIC, é preciso que
haja um compromisso do Estado e de outras instituições da sociedade em busca do
progresso econômico, do bem-estar social e da redução das desigualdades.</p>
      <p>Em 2008 um conjunto de empresas, tais como Microsoft e Intel, divulgou um
plano para patrocinar pesquisas com o objetivo de acelerar uma reforma na educação


global através da mobilização de comunidades educacionais, políticas e econômicas
internacionais. Essa iniciativa deu origem ao Assessment e Teaching of 21st Century
Skills (ATC21S) Consortion e um dos principais propósitos desse consórcio é identificar
habilidades necessárias aos estudantes para que possam enfrentar os desafios de uma
sociedade informatizada e globalizada [ATC21S 2016]. As habilidades definidas pelo
consórcio podem ser agrupadas em categorias, das quais destacamos três:
</p>
      <p>Formas de pensar: criatividade, pensamento crítico, resolução de problemas, tomada
de decisão e aprendizagem;
Formas de trabalhar: comunicação e colaboração;
Ferramentas para trabalhar: competências em TIC e competências informacionais
(information literacy – domínio de habilidades e conhecimentos relacionados ao
universo informacional).</p>
      <p>De modo geral, a definição dessas habilidades e o próprio consórcio tem um
propósito geral de fazer com que a educação “possa oferecer uma visão de cultura que
empodere os aprendizes para interpretarem e se empenharem nos novos formatos e
conteúdos da cultura digital” [UIT 2013].

</p>
      <p>No plano nacional ao longo dos últimos anos foram executadas diversas ações
com o intuito de regulamentar atividades relacionadas às TIC e internet e promover a
inclusão digital. A primeira dessas ações foi a criação em meados dos anos 1990 do
Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) que buscava normatizar procedimentos
referentes às atividades inerentes à internet no país e estabelecer estratégias relacionadas
ao seu desenvolvimento. Um outro marco nas políticas públicas nacionais para a inclusão
digital foi a criação, em 1997, do Programa Nacional de Tecnologia Educacional
(Proinfo) que deu início as ações que buscavam a união entre tecnologia e educação. As
ações governamentais para democratização do acesso as TIC atuam especialmente em
três eixos:
</p>
      <p>Aumento do acesso comunitário à internet e às tecnologias: Programa Rede Jovem
(2000), Programa Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão –
GESAC (2002), Programa Nacional de Apoio à Inclusão Digital nas Comunidades
(Telecentros.BR) em 2009 e Criação do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL)
em 2010;
Facilitar a aquisição popular de equipamentos de informática: Programa de Inclusão
Digital (2005) e Projeto Cidadão Conectado – Computador para Todos (2005);
Promoção de uso das TIC no ensino público: projeto Um Computador por Aluno
(UCA) e Instituição do Regime Especial de Aquisição de Computadores para Uso
Educacional (RECOMPE), ambos em 2007 e Programa Banda Larga nas Escolas
(PBLE) em 2008.</p>
      <p>Além desses três eixos, é importante ressaltar iniciativas direcionadas
especificamente para a formação e capacitação para uso das TIC, como o programa Redes
Digitais da Cidadania criado em 2012, que instituiu parcerias com instituições públicas e
apoia projetos em áreas temáticas voltadas ao uso das TIC. E, ainda nessa linha,
destacase também o Programa Inclusão Digital da Juventude Rural que visa o financiamento de
projetos para a capacitação de jovens agricultores, indígenas e de comunidades
quilombolas.</p>
      <p>No entanto, apesar deste número significativo de políticas públicas, um
levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) aponta fragilidades principalmente
relativas a desarticulação de tais políticas e ainda problemas relacionados ao
planejamento, metas, prazos e ainda a “falta de atualização periódica das ações e a
ausência da necessária avaliação da efetividade dos programas” [TCU 2015].</p>
      <p>
        Diante do exposto, da atestada importância da inclusão digital e de sua relação
com a melhoria de aspectos socioeconômicos, torna-se preponderante que mais
iniciativas se somem às políticas a ações já existentes. A criação de cursos que enfatizam
o uso crítico e consciente das tecnologias ampliam não somente as oportunidades de
empregabilidade, mas se tornam projetos de transformação social que melhoram as
condições de vida das pessoas.
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2">Carvalho Neto, Cruz e Hetkowsk (2008</xref>
        ) enfatizam a
importância dos espaços de capacitação:
“Esses espaços de capacitação podem assim constituir-se como locais de
formação de sujeitos capazes de exercer plenamente a cidadania – acelerando
o processo de desenvolvimento local em todos os setores, comunicando para o
mundo afora seus desejos, suas esperanças e suas conquistas, preparados para
o enfrentamento das circunstâncias em que vivem” [CARVALHO NETO,
      </p>
      <p>CRUZ e HETKOWSK 2008].</p>
      <p>Tudo isso fundamentou a criação e execução do projeto de capacitação, cuja
metodologia é detalhada a seguir.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>3. Metodologia do projeto</title>
      <p>O curso de formação básica em Informática foi executado integralmente através de aulas
presenciais e práticas em laboratório, totalizando uma carga horária de 60 horas. As aulas
foram ministradas duas vezes por semana, duas horas por dia, no turno vespertino,
respeitando o horário disponível dos participantes, uma vez que os agricultores, em sua
maioria, trabalham nas feiras livres no turno matutino. O local das aulas foi o próprio
IFRN, pois o local conta com a estrutura necessária para as atividades. Além da figura do
professor durante as aulas presenciais, o curso contou com o suporte dos tutores (alunos
do curso técnico integrado de informática do IFRN). Os tutores deram apoio durante a
execução das aulas, fazendo o acompanhamento sistemático dos alunos, auxiliando nas
atividades diárias e ajudando a identificar e antecipar problemas de aprendizagem. Esse
suporte contribuiu também na prevenção de problemas como a evasão.
</p>
      <p>Sobre os conteúdos e práticas que foram abordados durante o curso, três áreas
tecnológicas tiveram maior ênfase:
</p>
      <p>Tópicos introdutórios de informática e tecnologias (15 horas) – fundamentos básicos
de informática, conhecimento acerca do computador e seus componentes, reflexão
sobre os avanços das TIC e seu impacto social ao longo do tempo. Operação do
sistema operacional e resolução de problemas básicos no computador;
Internet e redes sociais (15 horas) – introdução a infraestrutura que compõe a internet,
navegação na internet e uso das ferramentas dos navegadores, serviços do Google e
seu uso como instrumento de pesquisa e aprendizagem, aplicações nas nuvens e
ferramentas de trabalho colaborativo, redes sociais e seu reflexo nas interações sociais
e econômicas, correio eletrônico e novas formas de comunicação e interação;
</p>
      <p>Programas Aplicativos (30 horas) – edição e manipulação de textos, planilhas
eletrônicas e contabilidade básica, edição de slides e boas práticas de apresentação e
comunicação.</p>
      <p>Em todas as ações desenvolvidas durante o projeto houve a busca pela articulação
entre as diversas dimensões institucionais, objetivando a construção de um processo
educativo, cultural e científico, que consubstancie a comunidade acadêmica e atenda as
demandas locais, representando a associação irrestrita entre teoria e prática.</p>
      <p>Os alunos tiveram seu desempenho avaliado segundo a perspectiva da avaliação
emancipatória, a qual tem como objetivo a libertação dos educandos, provocando-os à
crítica [IFRN 2012]. Nesse sentido, a avaliação da aprendizagem no curso concentrou
múltiplas funções: dialógica, diagnóstica, processual, formativa e somativa. Os
instrumentos de avaliação foram diversificados: atividades avaliativas, pesquisas
relatórios, trabalhos em grupo, participação efetiva em sala de aula, frequência. O
acompanhamento contínuo da aprendizagem pôde ser refletido em mudanças de
estratégias adotadas durante o projeto, servindo para reorientar o planejamento das aulas.
Além disso, a análise individual de rendimento dos participantes os ajudou a identificar
aspectos que poderiam ser mudados em seu itinerário educativo, resultando em um
constante processo de ação-reflexão-ação.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-4">
      <title>4. Resultados</title>
      <p>Diante da metodologia especificada, a execução do projeto pôde ser acompanhada e
avaliada através da coleta de dados provenientes de duas fontes: dados obtidos da
monitoração contínua de comportamento e aprendizado dos participantes; dados de
questionário aplicado ao final do curso. Além destes, o curso de formação básica teve sua
execução avaliada quanto ao percentual de aulas ministradas em acordo com o
cronograma estabelecido e o número real de desistências.</p>
      <p>Quanto a execução do curso, toda a carga horária previamente planejada foi
cumprida. A quantidade de alunos que concluiu o curso em relação a quantidade de
inscritos foi de 67% (40 inscritos e 27 concluintes), o que consideramos um número
positivo dada a natureza do curso e do público envolvido. Este número se mostra ainda
mais relevante quando considerada a previsão inicial de formação que era de 30 pessoas.
Embora o número de concluintes tenha sido considerado de bom tamanho, é importante
avaliar os motivos que levaram os demais participantes a abandonarem o curso. O
levantamento deste tipo de informação é, de certo modo, custoso, pois as desistências, em
sua maioria não são discutidas com a equipe e não é precedida de aviso. Mesmo assim,
através de contato direto com os desistentes, pudemos constatar as principais razões para
o abandono do curso, são elas: dificuldade de transporte para o local do curso, falta de
identificação com o curso e/ou turma, perda de interesse pelos conteúdos e surgimento de
outras atividades durante o horário das aulas. Foi possível também constatar uma relação
entre a idade dos alunos e seu sucesso no curso, dado que a média de idade dos concluintes
foi de 21 anos e a dos desistentes foi de 35. Esta relação demonstra a necessidade de
desenvolvimento de cursos que atendam melhor as diversas faixas etárias e ainda que se
faça um acompanhamento mais próximo dos alunos com idade mais elevada.</p>
      <p>No que diz respeito a avaliação do curso, um questionário no formato de
formulário eletrônico foi desenvolvido e respondido por 24 dos 27 concluintes. O
255
questionário foi aplicado no último dia de aula e três participantes não puderam
comparecer na data, porém não consideramos relevante investigar o motivo das
ausências. O questionário foi elaborado dividindo-se a avaliação do curso em três
dimensões: i) avaliação de satisfação com relação ao curso – com a intenção de medir a
percepção dos participantes quanto ao cumprimento dos objetivos definidos; ii) satisfação
com relação à equipe que executou o curso – professor e tutores; e iii) autoavaliação dos
participantes quanto ao seu desempenho e capacidade de aplicar os conhecimentos
adquiridos fora do ambiente do curso.</p>
      <p>O questionário aplicado utilizou a escala Likert, cujo fundamento é medir o nível
de concordância dos participantes com relação a uma afirmação. No questionário
aplicado, os itens possuem valores que vão de 1 até 5, sendo 1 o valor mais “negativo”,
representando discordância total da afirmação e 5 o valor mais positivo, concordância
total com a afirmação. Este tipo de escala é muito comum em pesquisas de opinião e
consideramos adequada ao questionário aplicado. Além disso, para garantir que houvesse
entendimento do preenchimento do formulário, foi realizada uma explicação do
significado dos valores da escala antes de sua aplicação.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-5">
      <title>4.1. Avaliação da satisfação com relação ao curso</title>
      <p>No que se refere a avaliação dos participantes quanto a execução do curso, buscou-se a
utilização de um conjunto de afirmações em que fosse possível extrair informações que
pudessem expressar seu nível de satisfação a respeito de diversos fatores da estrutura do
curso e de sua fundamentação, bem como com relação ao cumprimento dos objetivos
definidos no projeto. A tabela 1 apresenta as afirmações presentes nesta parte da
avaliação.</p>
      <p>Tabela 1 - Avaliação do curso</p>
      <sec id="sec-5-1">
        <title>Afirmação apresentada</title>
        <p>Os objetivos do curso foram bem
definidos e explicados.</p>
        <p>O número de horas utilizadas foi
suficiente para apreender o conteúdo
do curso.</p>
        <p>A ordem de apresentação dos
conteúdos se deu em uma sequência
que facilitou o aprendizado
O nível de dificuldade dos exercícios
foi adequado ao curso
O conteúdo ministrado no curso pode
ser aplicado no seu trabalho/escola
O local e a infraestrutura foram
adequados para o bom
desenvolvimento do curso?</p>
        <p>1
0,0%</p>
        <p>Dentre os dados obtidos, podemos ressaltar o alto índice de concordância (75%)
com os itens que avaliam o cumprimento dos objetivos e a aplicação dos conteúdos fora
em ambientes externos ao curso. Pode-se inferir destes números, que há uma percepção
positiva dos participantes com relação ao curso de maneira geral, com o cumprimento dos
seus objetivos e sua estrutura pedagógica.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-6">
      <title>4.2. Avaliação dos participantes quanto a equipe</title>
      <p>Neste item foi avaliada a equipe que executou o projeto, isto é, quem ministrou aulas e
acompanhou os alunos durante o curso. Foram definidos quais aspectos qualificam a
equipe de trabalho e que, portanto, deveriam ser avaliados pelos participantes. As
afirmações avaliadas, bem como o percentual de respostas de cada uma podem ser
visualizados na tabela 2.</p>
      <p>Tabela 2 - Avaliação da equipe de trabalho</p>
      <sec id="sec-6-1">
        <title>Afirmação apresentada</title>
        <p>Domina o conteúdo trabalhado em sala de
aula
Se mostra atenciosa às dificuldades dos
alunos
Foi clara nas explicações
Incentivou a participação dos alunos
Foi pontual, cumpriu com os horários
previstos
Foi assídua, compareceu às aulas
integralmente
Possui domínio de sala de aula
Manteve um ritmo adequado na condução
das aulas</p>
        <p>Destacamos alguns dados significativos com relação a esta etapa da avaliação,
como o item que trata da atenção dada aos participantes. Neste item, 23 respondentes
(95,8%) concordaram totalmente com a afirmação “a equipe se mostrou atenciosa as
dificuldades apresentadas pelos alunos”. Além deste valor, 83,3% concordam totalmente
que a equipe manteve o ritmo adequado na condução das aulas.</p>
        <p>Estes números demonstram que a equipe de trabalho e os participantes
mantiveram uma relação equilibrada de respeito e cordialidade e que as diferenças de
aprendizado de cada um foram, sempre que possível, levadas em consideração.</p>
        <p>O respeito às diferenças individuais e aos diferentes ritmos de aprendizado, além
da busca pela sintonia entre equipe e alunos são características fundamentais para o
efetivo cumprimento dos objetivos pedagógicos definidos durante o planejamento deste
tipo de projeto. Esta dimensão de avaliação ajuda, não somente na elucidação de questões
relativas a este curso em particular, mas também na construção e melhoria de modelos de
projetos voltados para inclusão e letramento digital.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-7">
      <title>4.3. Autoavaliação dos participantes</title>
      <p>Nos itens relacionados a autoavaliação, os participantes puderam avaliar o quanto se
dedicaram ao curso, assim como qual sua percepção acerca de seu aprendizado e de sua
aplicação fora do ambiente de sala de aula. A tabela 3 detalha as afirmações que compõem
a avaliação sob esta perspectiva:</p>
      <p>Tabela 3 - Autoavaliação dos participantes</p>
      <sec id="sec-7-1">
        <title>Afirmação apresentada</title>
        <p>O curso despertou ou aumentou meu
interesse pela informática
O curso satisfez minhas necessidades de
aprendizagem sobre o assunto
Consegui apreender os conteúdos
ministrados no curso
Conseguirei aplicar os conhecimentos
apreendidos no curso no meu trabalho ou
escola
Os conhecimentos apreendidos me
ajudarão a conseguir um emprego
Sou capaz de aplicar os conhecimentos
ensinados no curso em diferentes situações
Considero que minha frequência e
pontualidade foram adequados a exigência
do curso
Consegui me integrar aos meus colegas de
curso
Voltarei a participar de um projeto
semelhante a este que concluí</p>
        <p>Podemos depreender destes números algumas considerações relevantes: os
participantes consideram que alcançaram o nível de aprendizagem inicialmente
pretendido por eles e também o que foi exigido durante o curso. Isto é, há um elevado
grau de confiança nos conhecimentos que foram adquiridos, dado que os alunos acreditam
ter ultrapassado o que consideravam apenas o desejável, alcançando o nível de
aprendizado demandado.</p>
        <p>Há, no entanto, alguns números, que apontam problemas pontuais, como, por
exemplo, o grau de percepção de integração de cada aluno com a turma. Embora este
número não seja completamente negativo (33%), faz-se importante ponderar alguns
motivos para que o aluno não considere que tenha se integrado. Um dos fatores que,
possivelmente, explica essa dificuldade é a diferença de idades entre os participantes, uma
vez que o curso atendeu tanto adultos (membros das entidades rurais) quanto crianças e
adolescentes (filhos e sobrinhos dos associados). Além da avaliação de integração, outro
item que possui baixo grau de concordância foi a afirmação relativa a contribuição do
curso para obtenção de emprego. Acreditamos que este baixo valor se dá pela natureza
introdutória do curso e também pelo fato de que uma parte significativa dos participantes
já possuem uma atividade laboral, não almejando, após o curso, uma colocação no
mercado de trabalho.</p>
        <p>Em suma, os respondentes consideram que sua participação durante o curso foi
positiva e que conseguiram adquirir o conhecimento necessário para conclusão exitosa.
Apesar disso foi possível detectar resquícios de problemas de integração entre os alunos,
o que pode ter sido reflexo de falha na execução do curso.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-8">
      <title>5. Conclusões</title>
      <p>Mediante a efetivação deste projeto acreditamos que seus participantes tenham sido
capacitados para o uso básico das tecnologias da informação e comunicação. A partir dos
conteúdos, das discussões e das práticas efetivadas durante o curso, buscamos estimular
ações multiplicadoras do conhecimento fazendo com que as competências e habilidades
assimiladas por eles possam ser espelhadas para outros familiares e comunidade local,
ampliando significativamente o alcance dos resultados. Além do quê, esta ação
multiplicadora ajudará a concretizar os saberes recém descobertos.</p>
      <p>Pode-se destacar ainda a contribuição do projeto para o incremento da formação
integral dos tutores, pois como eram alunos do primeiro ano do curso técnico de
informática, este foi seu primeiro contato com uma ação desta natureza. Assim,
acreditamos que a participação no projeto tenha despertado nos alunos bolsistas práticas
extensionistas e de pesquisa, de modo que sua qualificação profissional tenha sido
aperfeiçoada através da interação com a sociedade e da integração entre o fazer acadêmico
e os saberes científico e populares.</p>
      <p>Acreditamos, também que a informática aliada a educação trará grande impacto
para a inclusão digital e social dos participantes, sendo refletida em muitos aspectos na
comunidade acadêmica local.</p>
      <p>Dentre as lições aprendidas, evidenciamos a importância de considerar no
planejamento deste tipo de projeto o conjunto de demandas e particularidades da
população atendida. Apenas a repetição e generalização de conteúdos e atividades não é
capaz de garantir o sucesso pleno de ações de extensão como o projeto que concluímos.
A partir de um processo de ação-reflexão-ação, professor e equipe devem ser capazes de,
através do senso crítico, adaptarem os métodos aplicados conforme a situação exige.</p>
      <p>Por fim, apontamos como sugestão de pesquisa futura a avaliação do impacto
dessas ações de inclusão digital nas comunidades atendidas. Vislumbramos também a
possibilidade de execução de projetos semelhantes em outros nichos populacionais ou
ainda a ampliação e diversificação para outros conteúdos e práticas. Dentre os cenários
que podem ser considerados, acreditamos que o ensino de programação e de robótica a
crianças do ensino fundamental seja bem promissor e se encaixa na próxima etapa do
processo de inclusão digital local o qual este projeto fez parte.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-9">
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