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      <title-group>
        <article-title>Desenvolvimento de Software para Auxiliar na Comunicação de Crianças Autistas do RN</article-title>
      </title-group>
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          <string-name>Elizeu Sandro da Silva</string-name>
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          <string-name>Andrezza Cristina da Silva Barros Souza</string-name>
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      <pub-date>
        <year>2017</year>
      </pub-date>
      <fpage>642</fpage>
      <lpage>648</lpage>
      <abstract>
        <p>Due to the necessity for social inclusion of people diagnosed with Autism Spectrum Disorder, this article shows that the application employs Assistive Technology using, for this, the Pictures Exchange Communication System. Visits were made to the Exceptional Parents and Friends Association in order to list the necessary requirements for the construction and validation of the application. For its development native android was used, as well as prototyping and elicitation techniques. Resumo. Devido à necessidade de inclusão social de pessoas diagnosticadas com o Transtorno do Espectro Autista, o presente artigo mostra que o aplicativo empregará a Tecnologia Assistiva recorrendo, para isso, ao Sistema de Comunicação através da Troca de Figuras. Foram realizadas visitas nas Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais para que fossem elencados os requisitos necessários para a construção e validação do aplicativo. Para o seu desenvolvimento foi utilizado o android nativo, bem como também técnicas de prototipagem e elicitação de requisitos.</p>
      </abstract>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>-</title>
      <p>1. Introdução</p>
      <p>Esse aplicativo tem por objetivo aprimorar e valorizar a comunicação social das
pessoas com autismo, utilizando, para isso, de Tecnologias Assistivas (TA), tendo em
vista independência que elas possibilitam na comunicação, baseado no Sistema de
Comunicação através da Troca de Figuras (PECS1). De acordo com Melo (2016) “PECS
contribuem para que a criança compreenda que através da comunicação ela pode
conseguir muito mais rapidamente as coisas que deseja, garantindo a elas poder de
escolha e satisfação”.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>2. Transtorno do Espectro Autista</title>
      <p>
        Em 1943, dr. Leo Kanner, revolucionou, significativamente, a história do autismo através
de seus estudos que indicavam como diagnosticar o TEA, a partir de alguns aspectos
básicos, como as limitações no contato afetivo com as outras pessoas, dificuldades
apresentadas em atividades rotineiras, afabilidade por algum objeto específico,
habilidades motoras limitadas, enorme aptidão para memorização mecânica, e oposto à
todas essas características, apresentavam dificuldade no aprendizado
        <xref ref-type="bibr" rid="ref13">(STRELHOW,
2016)</xref>
        .
      </p>
      <p>
        Posterior a isso, o dr. Asperger escreveu um artigo, intitulado de “Psicopatologia
Autística da Infância”, ao qual descrevia o comportamento de crianças, que eram
semelhantes às condutas enfatizadas por Kanner. Ambos os autores são reconhecidos
mundialmente, pois, através de suas obras foi possível identificar características inerentes
à crianças com autismo
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">(MELLO, 2016)</xref>
        .
      </p>
      <p>No Brasil a lei nº 12.764 de dezembro de 2012, estabelece que uma pessoa
portadora de TEA é caracterizada quando:</p>
      <p>Existe deficiência persistente e clinicamente significativa da comunicação e da
interação social, manifestada por deficiência marcada de comunicação verbal
e não verbal usada para interação social; ausência de reciprocidade social;
falência em desenvolver e manter relações apropriadas ao seu nível de
desenvolvimento, padrões restritivos e repetitivos de comportamentos,
interesses e atividades, manifestados por comportamentos motores ou verbais
estereotipados ou por comportamentos sensoriais incomuns; excessiva
aderência a rotinas e padrões de comportamento ritualizados; e interesses
restritos e fixos.</p>
      <p>Atualmente, com a amplitude e abordagem que essa temática evoluiu em todo o
mundo, bem como a inserção da sociedade na era da informação, sugiram maneiras de
minimizar as características desse transtorno, utilizando para isso, metodologias aplicadas
a sistemas computacionais, tais como a TA, objetivando o progresso e uma melhor
qualidade de vida ao autista.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>3. Tecnologia Assistiva</title>
      <p>Com o aparecimento de estudos cognitivos, as tecnologias assistivas contribuíram para
evidenciar a interação homem computador (BARBOSA e SILVA, 2011). Essa interação
surgiu significativamente para evoluir as relações no ambiente sócio-cultural, como
também minimizar as limitações de pessoas com distúrbios físicos e/ou de aprendizagem
(AVILAR; PASSERINO e TAUROCO; 2013).</p>
      <p>
        Para isso, emana a necessidade de utilização das TA, termo introduzido no Brasil
em 1988, e já apresentava algumas derivações semelhantes para esta abordagem, tais
1 Abreviação em inglês de Picture Exchange Communication System
como adaptações, ajudas técnicas, autoajudas e ajudas de apoio
        <xref ref-type="bibr" rid="ref8">(KLEINA, 2012)</xref>
        .
      </p>
      <p>
        De acordo com o Comitê de Ajudas Técnicas
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">(BRASIL, 2009)</xref>
        , “a TA é uma área
do conhecimento, de característica interdisciplinar, cujo objetivo é promover a
funcionalidade relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, visando
sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social”.
      </p>
      <p>
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">Bersch (2013)</xref>
        classifica a TA em doze categorias, conforme são elencados no
quadro 1. É importante notar que as diversas modalidades de categorias apontam para os
mais variados enfoques, dentre eles, auxílios, comunicação, sistemas, projetos,
mobilidade e esporte.
      </p>
      <p>Quadro 1. Categoria da Tecnologia Assistiva e seus respectivos exemplos</p>
      <p>Categoria
Auxílios para a vida diária e vida prática</p>
      <p>Exemplo
Fixador de talher à mão
Comunicação aumentativa e alternativa
Prancha de comunicação digital
Recursos de acessibilidade ao computador</p>
      <p>Mapa tátil, com impressão em relevo
Sistemas de controle de ambiente
Automação residencial
Projetos arquitetônicos para acessibilidade</p>
      <p>Projeto de acessibilidade do banheiro
Órteses e próteses</p>
      <p>Adequação postural</p>
      <p>Auxílios de mobilidade</p>
      <p>Auxílios para qualificação da habilidade
visual e recursos que ampliam a informação a</p>
      <p>pessoas com baixa visão ou cegas.</p>
      <p>Auxílios para pessoas com surdez ou com</p>
      <p>déficit auditivo
Mobilidade em veículos</p>
      <p>Esporte e lazer
Órteses de membro inferiores</p>
      <p>Poltrona postural
Cadeira de roda motorizada</p>
      <p>Lupas manuais</p>
      <p>Aparelho auditivo
Elevador para cadeira de rodas</p>
      <p>Bola sonora</p>
      <p>Fonte: Bersch, 2013</p>
      <p>Com base nas diversas possibilidades de TA, o presente projeto aplicará a
categoria de comunicação aumentativa e alternativa, fazendo uso, singularmente, das
PECS.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-4">
      <title>4. Sistema de Comunicação Através de Troca de Figura</title>
      <p>O PECS foi desenvolvido em 1985, por Bondy e Frost. O método consiste em uma
intervenção aumentativa/alternativa de comunicação excepcionalmente para pessoas com
transtorno do espectro do autismo e relacionadas às doenças do desenvolvimento,
aplicando troca de figuras.</p>
      <p>
        Para implementação do PECS é importante entender uma sequência de seis passos
essenciais. Inicialmente, a comunicação deve ser priorizada, em virtude de enfatizar como
o indivíduo faz a relação de uma figura a uma determinada atividade que deve ser
realizada. À distância e a persistência, são habilidades adquiridas e que devem ser
utilizadas em lugares diferentes, com as mais diversas pessoas e em espaços variados. A
diferenciação das figuras, é considerada importante para a implementação de outras
figuras e posteriormente, as relações que possuem com outras atividades.
Sequencialmente, a ênfase é na estruturação de sentenças, cujo indivíduo é capaz de
construir frases, como por exemplo, “eu quero”. Posteriormente, o mesmo consegue
responder perguntas, tais como “O que você quer?”. Após todas essas fases, é possível
que seja capaz de expressar desejos, como: “eu gosto”, “eu quero”, “eu vejo”
        <xref ref-type="bibr" rid="ref11">(PEREIRA,
2014)</xref>
        .
      </p>
      <p>
        Em
        <xref ref-type="bibr" rid="ref14">Walter (2000)</xref>
        , o panorama é voltado para a realidade brasileira, sendo
descritas figuras culturais, como por exemplo, pamonha, guaraná, feijoada e cactos, e
foram nomeadas de PECS Adaptado.
      </p>
      <p>Em geral, PECS são de fácil adequação, custo relativamente baixo e não necessita
de treinamento específico para a sua utilização, o que o torna altamente eficaz, tanto social
como economicamente, na inclusão de pessoas diagnosticadas com TEA.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-5">
      <title>5. Metodologia</title>
    </sec>
    <sec id="sec-6">
      <title>5.1. Escolha das Ferramentas</title>
      <p>Hoje se tem uma maior liberdade quando se falar de metodologia de desenvolvimento de
softwares. Com a competitividade do mercado, vão surgindo novas ferramentas e novos
métodos com o objetivo de auxiliar o avanço e o aperfeiçoamento de uma nova
tecnologia, independentemente de sua plataforma de origem.</p>
      <p>
        Segundo
        <xref ref-type="bibr" rid="ref5">Corral, Sillitti e Succi (2012</xref>
        ), essa variedade representa um desafio para
os desenvolvedores de software. Entretanto, o desenvolvimento de um produto de
software independente para cada plataforma, requer que o ciclo de vida do software seja
executado várias vezes, para cada aplicação liberada, fazendo assim, que esse processo
se torne redundante e caro.
      </p>
      <p>Para selecionar as ferramentas é necessário, primeiramente, definir qual tipo de
tecnologia será utilizada durante o desenvolvimento: se a aplicação será nativa ou se usará
tecnologias web (sites móveis).</p>
      <p>Basílio da Silva, Pires e Carvalho Neto (2015) definem aplicativos nativos como
soluções que são desenvolvidas para um delimitado dispositivo móvel e sistema
operacional. Já aplicativos que utilizam tecnologias web são soluções feitas para web e
formatadas para serem acessadas através do browser dos dispositivos móveis.</p>
      <p>
        <xref ref-type="bibr" rid="ref5">Corral L, Sillitti A e Succi G. (2012</xref>
        ) mostram um estudo onde foi observado que
em sete (7) de oito (8) testes de rotinas de avaliação de desempenho, as tecnologias web
se mostraram mais lentas que as nativas.
      </p>
      <p>Por serem otimizados para o sistema operacional, aplicativos nativos podem
oferecer uma experiência de usuário mais agradável, e também garante a capacidade de
comunicação com os dispositivos do aparelho, como câmera, acelerômetro, GPS, entre
outros. Isso gera uma aplicação mais completa.</p>
      <p>Considerando os pontos apresentados e ainda a experiência da equipe de
desenvolvimento, optou-se por desenvolver um aplicativo nativo para a plataforma
Android, sistema de código aberto da Google, que é o mais difundido atualmente. O
software de desenvolvimento usado, chamado Integrated Development Environment
(IDE), será o Android Studio, fornecido gratuitamente pela Google.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-7">
      <title>5.1. Elicitação dos Requisitos</title>
      <p>Todo processo de construção de software, tem como atividade fundamental a elicitação e
a documentação de requisitos. A elicitação de requisitos é descrita como um conjunto de
técnicas de levantamento de dados, com o objetivo de esclarecer as necessidades dos
Stakeholders2. É a escolha e aplicação correta dessas técnicas, que definem o sucesso ou
fracasso de um projeto de software.</p>
      <p>
        Segundo
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">Hickey e Davis (2003</xref>
        ), as técnicas de elicitação têm a finalidade de
identificar os requisitos conscientes, inconscientes e subconscientes dos Stakeholders.
Eles destacam que não existe somente um método universal para realizar esse processo.
      </p>
      <p>
        <xref ref-type="bibr" rid="ref12">Pohl e Rupp (2011</xref>
        ) enfatiza que as técnicas de pesquisa têm como objetivo elicitar
as necessidades precisas e imparciais dos stakeholders, e cita a entrevista e o questionário
como as técnicas mais utilizadas.
      </p>
      <p>Na entrevista, as perguntas são previamente definidas e as respostas são
documentadas. Esta técnica se torna essencial quando a equipe de desenvolvimento não
tem nenhum tipo de conhecimento das necessidades dos usuários, podendo ser utilizada
para coletar uma grande quantidade de detalhes que não seriam obtidas unicamente pelo
uso de outras técnicas.</p>
      <p>O questionário possui uma série de questões abertas e/ou fechadas. Essa
abordagem possibilita coletar informações de grandes quantidades de stakeholders e um
curto espaço de tempo. O uso isolado desta técnica se torna coerente em casos que a
equipe já tenha um conhecimento aprofundado das necessidades do público alvo do
sistema.</p>
      <p>Existe também, a técnica da etnografia, que visa observar e compreender
requisitos sociais e organizacionais de um grupo de pessoas, detalhando assim, algumas
particularidades que outras técnicas não conseguem atingir satisfatoriamente.</p>
      <p>Dentre as mais diversas técnicas de elicitação existentes, a prototipagem é
bastante difundida, como sendo uma maneira de auxiliar os stakeholders na coleta de
requisitos, e será discutida na próxima seção.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-8">
      <title>5.3. Prototipagem</title>
      <p>
        2 Stakerholders em Engenharia de Software é qualquer pessoa ou organização que tenha interesse, ou
podem ser afetado por um projeto, de forma direta ou indiretamente. Eles são essenciais para o
planejamento do projeto
De acordo com
        <xref ref-type="bibr" rid="ref4">Braude e Bernstein (2010</xref>
        ), a prototipagem faz parte de um conjunto de
técnicas da engenharia de requisitos, que tem como objetivo tratar de problemas de
relacionamento humano que podem vir a aparecer entre desenvolvedores e usuários,
quando se trata de definição de requisitos, sendo importante para se obter ideias sobre as
necessidades dos clientes. Sua aplicação minimiza o tempo gasto na coleta de requisitos,
promovendo também uma participação ativa de todas as partes interessadas.
      </p>
      <p>
        De acordo com
        <xref ref-type="bibr" rid="ref10">Paula Filho (2009</xref>
        ), existem dois tipos de protótipos: o descartável,
e o evolutivo.
      </p>
    </sec>
    <sec id="sec-9">
      <title>6. Desenvolvimento</title>
      <p>Para desenvolvimento do aplicativo, foram realizadas visitas de reconhecimento as
Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAES), para uma análise inicial da
vivência das crianças autistas, que nesse caso é o público alvo do aplicativo. Para isso,
foram aplicadas técnicas de elicitação de requisitos, baseadas na triangulação, que usa
paralelamente diversas técnicas de elicitação, dentre elas, a etnografia, a prototipagem, as
entrevistas e os questionários.</p>
      <p>A triangulação é uma estratégia de utilizar mais do que uma técnica de coleta
ou análise de dados para obter diferentes perspectivas e confirmar as
descobertas, permitindo obter resultados mais rigorosos e válidos (BARBOSA
e SILVA, 2011, p.133).</p>
      <p>Será realizado um levantamento de dados demográficos, experiência com
computadores, expectativas de usuários, e tarefas, tipo: “quais são as tarefas do usuário
que precisam ser apoiadas? Quais dessas são consideradas primárias? Quais são
secundárias? Há quanto tempo realiza essas tarefas? São tarefas frequentes ou não? São
tarefas inovadoras? Que experiência ele possui em tarefas semelhantes?” (BARBOSA e
SILVA, 2011).</p>
      <p>Aplicando a metodologia de prototipagem evolutiva, a equipe disponibilizará um
protótipo inicial do sistema, com as funcionalidades reduzidas, com o objetivo que, com
o tempo de estudo e coleta de dados, esse protótipo inicial seja aprimorado e por fim
chegue ao produto completo com todas as funcionalidades desejadas para o usuário
autista.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-10">
      <title>7. Expectativas Futuras</title>
      <p>Levando-se em consideração todos os aspectos apresentados, os anseios são direcionados
para que, a partir da abordagem dos conceitos e técnicas de elicitação de requisitos, bem
como, a aplicação de protótipos e todos os conhecimentos obtidos no estudo de caso, seja
possível levantar todas as informações pertinentes para se elaborar um produto de
software completo, e assim, consiga a partir de suas funcionalidades ajudarem as crianças
portadoras do TEA a desenvolverem as suas habilidades de comunicação e suas
capacidades cognitivas sejam estimuladas.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-11">
      <title>Referência</title>
      <p>Avilar, B. G.; Passerino, L. M., e Tarouco, L. M. R (2013). “Usabilidade em tecnologia
assistiva: estudo de caso num sistema de comunicação alternativa para crianças com
autismo”, In Revista Latinoamericana de Tecnologia Educativa (RELATEC), v. 12, p.
115-129.</p>
      <p>Barbosa, S. D. J. e SILVA, B. S.(2011) “Interação Humano-Computador”, Rio de Janeiro:</p>
      <p>ELSEVIER.</p>
    </sec>
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