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      <title-group>
        <article-title>Uma proposta de Ontologia de Participac¸ a˜o Social</article-title>
      </title-group>
      <contrib-group>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Fernando William Cruz</string-name>
          <email>fwcruz@unb.br</email>
          <xref ref-type="aff" rid="aff1">1</xref>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Ricardo Poppi</string-name>
          <xref ref-type="aff" rid="aff0">0</xref>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Paulo Meirelles</string-name>
          <email>paulormm@unb.br</email>
        </contrib>
        <aff id="aff0">
          <label>0</label>
          <institution>Departamento de Cieˆncia Pol ́ıtica - Universidade de Bras ́ılia Campus Darcy Ribeiro</institution>
          ,
          <addr-line>Pre ́dio IPOL/IREL - IPOL - 70904-970 - Bras ́ılia - DF</addr-line>
        </aff>
        <aff id="aff1">
          <label>1</label>
          <institution>Faculdade de Cieˆncia da Informac ̧a ̃o - Universidade de Bras ́ılia Campus Darcy Ribeiro</institution>
          ,
          <addr-line>Entrada Leste - 70.910-900 - Bras ́ılia - DF</addr-line>
        </aff>
      </contrib-group>
      <abstract>
        <p>In Brazil there are social articulations to identify demands on different issues from the public interest and the State in general to propose public policies. In this scenario, we discuss the concepts related to the dynamics of social participation that involves formal and informal channels, in particular on the e-Participation. In this paper, it is proposed a Social Participation Ontology based on information collected from interviews with managers involved with the topic, analyzing IPEA documents on social participation in Brazil, studying conference reports, the contents from council sites and the contents of a digital platform for social participation provided by the Brazilian Federal Government. In this first version are described concepts about (i) design of social participation process, (ii) digital platforms of social participation (e-Participation), (iii) description of the involved democratic process, (iv) stakeholders and (v) social participation channels. Resumo. No Brasil existem articulac¸ o˜es sociais para a identificac¸ a˜o de demandas sobre diferentes temas de interesse p u´blico e tambe´m do Estado para elaborac¸ a˜o de pol´ıticas p u´blicas. Nesse cen a´rio, discutimos os conceitos relacionados a` din aˆmica da participac¸ a˜o social que envolvem canais formais e informais, em especial no contexto do e-Participation. Neste artigo, e´ proposta uma Ontologia de Participac¸ a˜o Social (OPS) baseada em informac¸ o˜es coletadas a partir de entrevistas com gestores p u´blicos envolvidos com a tem a´tica; consultas a` documentos do IPEA1 sobre a participac¸ a˜o social no Brasil; relat o´rios de confereˆncias, sites de conselhos; e os conte u´dos de uma plataforma digital de participac¸ a˜o social do Governo Federal. Nessa primeira vers a˜o s a˜o descritos conceitos sobre (i) projeto de processos de participac¸ a˜o social, (ii) plataformas digitais de partipac¸ a˜o social (e-Participation), (iii) descric¸ a˜o do processo democr a´tico envolvido, (iv) atores e (v) canais de participac¸ a˜o social.</p>
      </abstract>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>1. Introduc¸ a˜o</title>
      <p>
        A participac¸a˜o popular pode ser compreendida como um processo no qual os cidada˜os
sa˜o sujeitos pol´ıticos e exercem seus direitos dentro dessa esfera pol´ıtica. Nesse contexto,
percebe-se um interesse do Governo para a criac¸a˜o de novos mecanismos de concepc¸ a˜o,
execuc¸a˜o e manutenc¸a˜o de pol´ıticas pu´blicas com um maior envolvimento da sociedade
organizada [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">Almeida 2015</xref>
        ]. Uma das formas de participac¸a˜o previstas em lei e´ atrave´s
dos mecanismos formais de participac¸a˜o criados na Constituic¸a˜o de 1988, que alavancou
iniciativas anteriores e promoveu o surgimento de diversos canais de participac¸a˜o social,
como conselhos, confereˆncias e ouvidorias, dentre outros, os quais sa˜o normalmente
institu´ıdos por legislac¸o˜es espec´ıficas.
      </p>
      <p>Em 2014, o governo brasileiro lanc¸ou a Pol´ıtica Nacional de Participac¸a˜o Social
(PNPS), institu´ıda pelo Decreto 8243/2014, que motiva a organizac¸a˜o de um Sistema
Nacional de Participac¸a˜o Social (SNPS), cuja premissa supo˜e a organizac¸a˜o dos conteu´dos
de informac¸a˜o sobre participac¸a˜o social. Embora exista uma quantidade enorme de
informac¸o˜es sobre esse tema, foi identificado que existem informac¸o˜es desatualizadas, em
especial as que esta˜o disponibilizadas em cata´logos impressos e em sites, como e´ o caso
do Conselho Nacional de Assisteˆncia Social2 e da Confereˆncia Nacional de Educac¸a˜o3.</p>
      <p>De fato, nos u´ltimos anos nota-se-se uma produc¸a˜o significativa de informac¸o˜es
sobre os arranjos participativos, em particular sobre os conselhos nacionais que sa˜o
constitu´ıdos para discutir aspectos variados, como sau´de, educac¸a˜o e justic¸a, dentre outros.
Em geral, eles sa˜o formados por entidades da sociedade civil e do Governo e teˆm como
finalidade a atuac¸a˜o nas pol´ıticas pu´blicas de determinado tema, sendo que as atribuic¸ o˜es
variam de acordo com os diversos contextos. Como suporte tecnolo´gico a essas
iniciativas pode-se elencar os portais espec´ıficos de confereˆncias e o portal Participa.br4, que
concentra ferramentas e metodologias de participac¸a˜o social5.</p>
      <p>Por outro lado, percebe-se ainda uma confusa˜o conceitual e terminolo´gica sobre
o tema, o que motivou a construc¸a˜o de uma Ontologia de Participac¸a˜o Social (OPS), a
fim de reduzir as dificuldades de interpretac¸a˜o dos processos democra´ticos tanto na sua
versa˜o tradicional quanto na versa˜o suportada por plataformas digitais ou e-Participation.</p>
      <p>
        A recente proliferac¸ a˜o de pesquisas em e-Participation e ontologias
relacionadas pode ser considerada como um reflexo da importaˆncia do assunto. Um exemplo e´ o
projeto Corais6, que propo˜e uma modelagem com um vie´s para as ac¸ o˜es envolvidas na
busca de soluc¸o˜es para problemas de participac¸a˜o social. Fora da Ame´rica Latina existem
muitos estudos sobre o tema, iniciados na de´cada de 1960, pore´m na˜o necessariamente
descritos na forma de uma ontologia. Uma s´ıntese dessas pesquisas pode ser encontrada
em [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref6">Porwol et al. 2013</xref>
        ], que apresenta um levantamento de artigos que abordam
perspectivas distintas sobre as relac¸o˜es entre Governo e sociedade civil.
      </p>
      <p>
        No passado, o Brasil se tornou uma refereˆncia na participac¸a˜o social em func¸a˜o
do sucesso do orc¸amento participativo, no in´ıcio dos anos 1990. Mais recentemente o
Pa´ıs volta a receber uma atenc¸a˜o maior em func¸a˜o das mudanc¸as importantes ocorridas
tanto no n´ıvel da participac¸ a˜o como da representac¸a˜o, em especial apo´s as manifestac¸ o˜es
sociais ocorridas em 2013 [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2">Avritzer 2017</xref>
        ].
      </p>
      <p>2http://mds.gov.br/cnas
3http://conae.mec.gov.br
4http://participa.br
5http://participa.br/participacaosocial/produtos/
consultor-fabricio-solagna
6http://corais.org/vocabulariodaparticipacao</p>
      <p>
        O estudo sobre mecanismos de participac¸a˜o social tem uma grande importaˆncia
para as discusso˜es sobre a sua efetividade e o seu significado na produc¸a˜o de pol´ıticas
pu´blicas. Ou seja, ainda que a proliferac¸ a˜o dos instrumentos ocorrida nos u´ltimos anos
atenda a uma necessidade de democratizac¸a˜o do Estado, setores dos movimentos sociais
e das organizac¸ o˜es da sociedade civil podem levantar questo˜es sobre (i) a importaˆncia
da participac¸ a˜o em confereˆncias e conselhos, ou (ii) se estes espac¸os de participac¸a˜o
realmente influenciam a ac¸a˜o do Governo [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref8">Roma˜o 2016</xref>
        ]. Dessa forma, ale´m de levantar
os primeiros conceitos e terminologias sobre esse tema, a ontologia proposta se inspira
na necessidade de compreensa˜o sobre funcionamento desses mecanismos, com vistas a
contribuir com essa discussa˜o.
      </p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>2. Descric¸a˜ o da ontologia de participac¸ a˜o social</title>
      <p>
        O modelo conceitual refere-se ao processo de participac¸a˜o social no Brasil e e´ fruto de
discusso˜es realizadas com os te´cnicos do IPEA (Instituto de Pesquisa Econoˆmica Aplicada)
e do extinto Departamento de Participac¸a˜o Social da Secretaria Nacional de Articulac¸ a˜o
Social - SNAS sobre (i) os aspectos de organizac¸a˜o da informac¸ a˜o/conhecimento na
perspectiva da web semaˆntica e, consequentemente, (ii) da utilizac¸a˜o de ontologias nesse
processo. Embora na˜o tenha havido reunio˜es sistema´ticas para identificac¸a˜o de conceitos, o
me´todo utilizado para a construc¸a˜o dessa ontologia estendida foi baseado na experieˆncia
de [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">Brusa et al. 2006</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        Dentre os pressupostos principais para o modelo conceitual apresentado esta´ a
Teoria da Estruturac¸a˜o de [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref4">Giddens 1986</xref>
        ,
        <xref ref-type="bibr" rid="ref5">O’Dwyer and Mattos 2010</xref>
        ], que tem sido
considerada por diversos autores para descric¸ a˜o dos processos sociais de participac¸ a˜o social.
Nessa perspectiva, os participantes da sociedade civil e do Governo sa˜o mobilizadores
em igual escala de importaˆncia para realizac¸ a˜o do processo democra´tico. Essa e´ uma
suposic¸ a˜o interessante que pode ser apropriada em ambientes virtuais de participac¸a˜o
social, uma vez que o n´ıvel de alcance dessas tecnologias e´ ilimitado e ja´ tem feito diferenc¸a
quando o assunto e´ mobilizac¸a˜o de massas.
      </p>
      <p>Apo´s algumas entrevistas e consultas feitas aos materiais dispon´ıveis sobre canais
formais e informais de participac¸a˜o social, chegou-se a um conjunto de conceitos
relacionados aos atores e canais de participac¸a˜o social, mais especificamente de conselhos
e confereˆncias. As fontes utilizadas para identificac¸a˜o desses conceitos foram
conferidas nos sites de conselhos e documentos de confereˆncias nacionais, ale´m do Vocabula´rio
Controlado do Governo Eletroˆnico (VCGE)7.</p>
      <p>Ale´m disso, foram investigadas outras refereˆncias para o tratamento de aspectos
relacionados (i) a` gesta˜o da participac¸a˜o, (ii) ao processo democra´tico em si e, finalmente,
(iii) de outras ontologias ja´ criadas sobre participac¸ a˜o social em ambientes virtuais. Em
func¸ a˜o dos elementos encontrados, foi feito um desenho esquema´tico da OPS, o qual
esta´ apresentado na Figura 1. Nesse caso, a participac¸a˜o social e´ um conceito central
que esta´ intimamente ligado a`s classes AtorPS, CanalPS, ProcessoDemocra´tico, Projeto
e Plataforma, os quais esta˜o descritas mais adiante.</p>
      <p>Na Figura 1, as classes sa˜o identificadas por retaˆngulos com fundo em cor mais
clara e as relac¸o˜es (object properties por retaˆngulos na cor preta; o range das relac¸o˜es e´
7http://governoeletronico.gov.br/biblioteca/arquivos/
vocabulario-controlado-do-governo-eletronico-vcge/download</p>
      <p>Figura 1. Ontologia ba´ sica de participa c¸a˜ o social.
representado por uma letra “r”, enquanto o domain e´ representado pela letra “d”. Os
elementos da classe ParticipacaoSocial sa˜o definidos por terem uma relac¸a˜o un´ıvoca (1:1,
i.e., um-para-um) com um elemento de cada uma das classes referentes a`s demais
classes apresentadas na Figura 1 e o detalhamento de cada uma delas esta´ apresentado nas
pr o´ximas sub-sec¸ o˜es.</p>
      <p>Na ontologia proposta, a principal classe chama-se ParticipacaoSocial e refere-se
a` descric¸a˜o gene´rica do que seja participac¸ a˜o social. Nesse caso, qualquer participac¸ a˜o
democra´tica, seja ela formal ou informal, e´ considerada uma instaˆncia da classe principal e,
por isso, pode ser descrita com base nos conceitos e relac¸ o˜es expostos neste documento.
Portanto, a participac¸a˜o social pode ser entendida como um conjunto de instaˆncias ou
eventos de participac¸ a˜o social que sa˜o caracterizados por terem um v´ınculo com um canal
de participac¸ a˜o e com atores de participac¸ a˜o (representantes do Governo e da sociedade
civil). Ao mesmo tempo, a participac¸a˜o social envolve um processo democra´tico,
calculado por um projeto e, no caso dos ambientes virtuais de participac¸a˜o, contemplam uma
plataforma de apoio ao processo como um todo.</p>
      <p>
        Nessa primeira versa˜o da ontologia, os conceitos relacionados a` gesta˜o da
participac¸a˜o e parte das especificac¸ o˜es das classes ProcessoDemocratico, Projeto e
Plataforma foram adaptados das ideias propostas por [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">Porwol et al. 2014</xref>
        ]. Essa soluc¸a˜o foi
adotada por serem compat´ıveis com as necessidades identificadas, embora essa seja uma
estrate´gia que necessite ser revista em vers o˜es futuras. Os detalhes de cada uma dessas
classes esta˜o apresentados nas subsec¸ o˜es a seguir.
      </p>
      <sec id="sec-2-1">
        <title>2.1. Atores de participac¸ a˜o social</title>
        <p>A participac¸a˜o social e´ um processo que envolve atores com diferentes caracter´ısticas.
Em func¸ a˜o da sua importaˆncia, os atores foram detalhados em conceitos e propriedades
descritas na Figura 2.</p>
        <p>Nessa figura, o ator de participac¸a˜o social pode ser algue´m ligado ao processo
de gesta˜o do evento de participac¸a˜o ou ser um participante comum, que pode ou na˜o
estar identificado formalmente no evento. No caso dos conselhos, foram explicitadas os
pape´is do presidente, do vice-presidente e do secreta´rio executivo, enquanto que para as</p>
        <p>Figura 2. Classes sobre atores de participa c¸a˜ o social.
confereˆncias foram ressaltadas o coordenador da confereˆncia, o stakeholder e o mediador,
que articula e motiva os demais participantes a se engajarem no processo democra´tico.</p>
        <p>De fato, um evento de participac¸a˜o social pode contemplar, em alguns casos, a
presenc¸a de pessoas na˜o identificadas e, mesmo assim, terem algum n´ıvel de participac¸a˜o.
Por sua vez, os participantes identificados podem ser (i) um conselheiro, que compo˜e
formalmente um conselho (conselho nacional de sau´de, conselho nacional de educac¸a˜o
etc.), ou (ii) um conferencista, aquele que participa de confereˆncias tema´ticas (confereˆncia
de direitos humanos, confereˆncia de pol´ıtica para as mulheres etc.). Nesse u´ltimo caso,
e´ importante ressaltar que as confereˆncias possuem etapas que se iniciam no munic´ıpio e
va˜o ate´ a esfera federal. Assim, um conferencista pode assumir o papel de delegado, ou
seja, aquele que foi eleito para representar o grupo na etapa seguinte.</p>
        <p>Num processo conferencial e´ de praxe a existeˆncia de (i) uma comissa˜o
organizadora nacional que colabora na gesta˜o de todo o processo, e (ii) de comisso˜es organizadoras
nos estados e munic´ıpios, que fazem a gesta˜o local. Um representante de uma entidade
que faz parte dessa comissa˜o, ainda que na˜o ocupe um cargo de gestor, realiza o papel de
fiador do processo e e´ definido como um stakeholder. Ou seja, no seu espac¸o de atuac¸ a˜o,
o stakeholder e´ importante para o processo democra´tico e para a participac¸a˜o social como
um todo.</p>
        <p>Por sua vez, a figura de gestor contempla va´rios pape´is, alguns dos quais esta˜o
explicitados na figura e devem ser aplicados, em func¸a˜o do tipo de canal de participac¸ a˜o
social. O perfil do participante envolve Governo e sociedade, sendo que o participante
tem um perfil diverso e contempla um n´ıvel de engajamento.</p>
        <p>O perfil relacionado a`s classes Diversidade e Rac¸a, ilustradas na Figura 2, define
um cara´ter mais democra´tico ou na˜o para o processo participativo. Por sua vez, esses
elementos foram apresentados considerando comunidades variadas, partindo-se da
premissa de que a participac¸a˜o social e´ ta˜o mais prof´ıcua quanto mais diverso e´ o pu´blico
participante tanto no que se refere aos aspectos de rac¸a e geˆnero, quanto com relac¸a˜o a`s
entidades que esses participantes representam. Nesse caso, tanto a diversidade quanto a
rac¸a sa˜o consideradas em func¸a˜o daquilo que e´ declarado normalmente pelos
participantes.</p>
        <p>Na Figura 2 existem ainda diversas relac¸o˜ es que explicitam como os atores se
ligam a outros conceitos da ontologia. Por exemplo, EntidadeRepresentada e´ a relac¸ a˜o
entre os participantes e as entidades que elas representam (cidade, regia˜o, movimento
social etc.). Da mesma forma, temEngajamento define o n´ıvel de engajamento dos atores
de participac¸a˜o social.</p>
      </sec>
      <sec id="sec-2-2">
        <title>2.2. Canais de participac¸ a˜o social</title>
        <p>A participac¸a˜o social ocorre por canais apropriados e estes, por sua vez, podem ser
formais ou informais. A formalidade esta´ no fato de que o canal e´ reconhecido em instaˆncias
de Governo e geralmente ha´ uma norma legal que o define, ao contra´rio do que ocorre
com o canal informal. Atores de participac¸a˜o social se vinculam a canais de participac¸ a˜o
social atuando de acordo com a caracter´ıstica desse meio de dia´logo democra´tico. Em
geral, os canais de participac¸ a˜o sa˜o associadas a uma determinada a´rea pol´ıtica e sa˜o o
elo do Governo com a sociedade civil. Como exemplo de a´reas pol´ıticas, pode-se citar
as relacionadas a desenvolvimento econ oˆmico, pol´ıtica social, garantia de direitos, entre
outras.</p>
        <p>Essas a´reas pol´ıticas sa˜o uma tentativa de categorizar as demandas sociais para
facilitar a sua identificac¸a˜o e, por consequeˆncia, melhorar a qualidade do dia´logo entre
as partes. Percebe-se que os canais de participac¸a˜o sa˜o separados por a´rea pol´ıtica e
esses podem ter cara´ter presencial ou virtual (no caso do e-Participation). Independente
do tipo de canal, em geral existe um processo de gesta˜o estabelecido e que cicla em
per´ıodos definidos. No caso da ontologia proposta, essa gesta˜o esta´ ligada a conselhos
e confereˆncias, embora existam diversos outros canais de participac¸a˜o que podem ser
inclu´ıdos nessa abordagem.</p>
        <p>Figura 3. Classes sobre canais de participa c¸ a˜o social.</p>
        <p>Canais formais, geralmente, sa˜o ligados a o´rga˜os espec´ıficos de governo, tais
como ministe´rios e secretarias da Administrac¸a˜o Pu´ blica Federal. Na Figura 3 esta˜o
representados os conceitos ligados aos canais de participac¸ a˜o, considerando apenas as
instaˆncias federais de participac¸a˜o social. A classe CanalPS e´ a mais gene´rica que
representa os canais de participac¸a˜o social, que podem ser formais ou informais. Por exemplo,
a classe Confereˆncia e´ uma classe que descreve um canal formal tempora´rio que e´ ligado
a um o´rga˜o de Governo e, eventualmente a um determinado conselho nacional. Por outro
lado, a classe GestaoConselho refere-se aos diversos ciclos de gesta˜o de um determinado
conselho. Por sua vez, o conceito de AreaPol´ıtica refere-se a uma forma de caracterizar
os canais de participac¸a˜o social para fins de acompanhamento das pol´ıticas em discussa˜o.
A´ reas pol´ıticas referem-se, portanto, a` subclasses ligadas ao desenvolvimento econ oˆmico,
recursos naturais e outros conceitos que organizam canais, temas e o´ rga˜os de Governo.</p>
      </sec>
      <sec id="sec-2-3">
        <title>2.3. Processo democr a´tico de participac¸a˜ o social</title>
        <p>
          O processo democra´tico impulsiona toda a iniciativa de participac¸a˜o social e e´ o cerne
de tudo o que se discute neste artigo. Em func¸ a˜o de sua importaˆncia, a especificac¸a˜o
feita aqui partiu das reflexo˜ es sobre a realidade local e, ale´m disso, baseou-se na teoria da
estruturac¸a˜o de [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref4">Giddens 1986</xref>
          ]. Nessa abordagem, assume-se que o agente participante
e´ limitado pela estrutura estabelecida, mas pode agir e altera´-la em func¸a˜o de sua
autonomia. Ao mesmo tempo, o Governo, enquanto representante da estrutura pode ser um
catalisador do processo de participac¸a˜o, realizando convocac¸ o˜es e organizando a dinaˆmica
no processo participativo.
        </p>
        <p>
          Ale´m da teoria da estrutura, as definic¸ o˜es apresentadas foram retiradas das
recomendac¸ o˜es de ontologia feitas por [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref7">Porwol et al. 2014</xref>
          ], considerando as devidas
adaptac¸ o˜es para os processos participativos em discussa˜o no Brasil. Nessa linha de
racioc´ınio, cabe ao processo democra´tico a definic¸a˜o da missa˜o maior envolvida. Nesse
caso, a missa˜o se refere ao tratamento e a formulac¸a˜o de pol´ıticas p u´blicas, bem como,
aos atores principais responsa´veis por essas pol´ıticas, chamados aqui de stakeholders.
Ale´m disso, o processo inclui conceitos sobre a execuc¸a˜o em si e dos instrumentos
democra´ticos dispon´ıveis. No caso do e-Participation, esses instrumentos sa˜o, em geral,
software que implementam um dinamismo e uma organicidade ao processo participativo,
como e´ caso das trilhas de participac¸a˜o do portal Participa.br.
        </p>
        <p>O escopo (domain), os resultados esperados e o objetivo do processo democra´tico
baseiam-se no fato de que esse precisa ter um gatilho que dispara um in´ıcio e que evoluira´
ate´ que um fim seja alcanc¸ado. A definic¸a˜o formal desse processo e´ usada para gerar um
projeto de participac¸a˜o relevante (discutido mais adiante). Nessa perspectiva, entram
elementos relacionados a custo e recursos financeiros e essa atividade, geralmente, e´ objeto
de trabalho do stakeholder do processo democra´tico.</p>
        <p>A Figura 4 apresenta as classes e as relac¸ o˜es que caracterizam toda a dinaˆmica
do processo democra´tico. Por exemplo, a classe InstrumentoDemocratico descreve
formas de fazer acontecer o processo participativo. Nesse caso, independente de ser
presencial ou na˜o, esse processo necessita de estrate´gias que devem ser propostas para os
participantes a fim de que exerc¸am a participac¸a˜o prof´ıcua no debate. Dentre os
diversos instrumentos dispon´ıveis, esta˜o os grupos de trabalho, oficinas e palestras para
formac¸a˜o de senso cr´ıtico, ale´m de softwares especiais e outros voltados para incrementar</p>
        <p>Figura 4. Classes sobre o processo democra´ tico.
o debate democra´tico. Por outro lado, a classe PoliticaPublica descreve que todo
processo democra´tico, dentro da perspectiva estabelecida de participac¸ a˜o social envolve uma
execuc¸a˜o e, geralmente, uma descric¸ a˜o ou acompanhamento de pol´ıtica pu´blica. Nesse
caso, assume-se que o processo democra´tico pode ser algo instanciado pelo pro´prio
Governo a fim de delimitar uma pol´ıtica pu´blica e garantir a sua execuc¸a˜o.</p>
      </sec>
      <sec id="sec-2-4">
        <title>2.4. Projeto de participac¸a˜o social</title>
        <p>
          A participac¸ a˜o social exige um projeto formalizado ou na˜o para garantir o seu sucesso,
dentro das condic¸ o˜es estabelecidas pelos fatores que influenciam o processo, tais como
recursos materiais e financeiros. A ana´lise da participac¸a˜o social e´ incompleta se esses
elementos na˜o forem considerados para garantir o efeito desejado [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref7">Porwol et al. 2014</xref>
          ].
Nessa perspectiva, tanto membros da sociedade quanto do Governo podem iniciar um
projeto de participac¸a˜o social e, em qualquer dos casos, deve-se ter em mente os objetivos,
resultados desejados, tempo estimado para in´ıcio e fim do processo e uma visa˜o conta´bil
e gerencial de toda a dinaˆmica de participac¸a˜o social.
        </p>
        <p>
          A OPS contempla classes e propriedades de gesta˜o que, de acordo com a Teoria
das Capacidades Dinaˆmicas discutida em [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref9">Wang and Ahmed 2007</xref>
          ], justifica as vantagens
competitivas que possuem inovac¸ a˜o tecnolo´gica, como e´ o caso dos ambientes virtuais
de participac¸a˜o social. De fato, a abordagem teo´rica das Capacidades Dinaˆmicas faz
parte do campo da Gesta˜o Estrate´gica na Administrac¸a˜o e procura explicar a maneira
como as empresas atingem e manteˆm vantagem competitiva frente a`s adversa´rias de modo
sustenta´vel, sobretudo em ambientes caracterizados pela inovac¸a˜o tecnolo´gica8. Como a
OPS e´ voltada para ambientes virtuais ou plataformas de participac¸a˜o social, a estrate´gia
de [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref7">Porwol et al. 2014</xref>
          ] foi absorvida sem modificac¸o˜es nessa ontologia proposta. Nesse
8http://pt.wikipedia.org/wiki/Capacidades_dinamicas
caso, defende-se a suficiente divulgac¸a˜o do processo participativo dentro das restric¸ o˜es
definidas a fim de maximizar o impacto do projeto. Aqui, o impacto esperado tem de ser
definido como uma medida de avaliac¸a˜o e alinhado com o objetivo definido. Por sua vez,
esse sera´, finalmente, expresso atrave´s de uma medida de desempenho. O projeto utiliza
os recursos atribu´ıdos para participac¸a˜o (virtual ou presencial) e esses sa˜o facilitados pela
equipe de gerenciamento de projetos.
        </p>
        <p>Figura 5. Classes de projeto.</p>
        <p>No caso da e-Participation, e´ preciso prever gastos com a plataforma de
participac¸a˜o com a contratac¸a˜o de agentes externos ou mesmo resoluc¸a˜o de problemas
com infraestrutura local ao ambiente de gesta˜o da plataforma. Essa e´, de fato, uma
preocupac¸ a˜o que deve estar constantemente no radar dos envolvidos com a gesta˜o dos
ambientes virtuais de participac¸a˜o social. Uma visa˜o geral dos conceitos e relac¸ o˜es
apresentados, ale´m de outros relacionados a` etapa de projeto num evento de participac¸a˜o social
esta˜o apresentados na Figura 5, cujas classes podem ser identificadas nos mo´dulos
relacionados ao processo democra´tico e a` plataforma de e-Participation. O que muda em relac¸a˜o
aos usos dessas classes nos demais mo´dulos e´ a perspectiva de resultados esperados, de
acordo com o vie´s de cada um deles.</p>
        <p>A t´ıtulo de exemplo, o conceito Gerenciamento refere-se aos aspectos procedurais
assumidos para garantir que o processo participativo acontec¸a de acordo com o planejado,
enquanto que a classe Disseminacao representa a preocupac¸a˜o do stakeholder em divulgar
o processo participativo para alcanc¸ar bons resultados.</p>
      </sec>
      <sec id="sec-2-5">
        <title>2.5. Participac¸a˜o social em ambientes virtuais</title>
        <p>A plataforma de e-Participation, deve ser concebida para contemplar ferramentas que
permitam rapidez e facilidade para a comunicac¸a˜o dos cidada˜os entre si e com os tomadores
de decisa˜o. Os envolvidos no dia´logo sa˜o elencados em func¸a˜o do sentido estabelecido:
do cidada˜o para o Governo ou do Governo para o cidada˜o. Em qualquer dos casos, e´
preciso ter um retorno (feedback) para os envolvidos no debate virtual. Por sua vez, a
eParticipation acontece por meio de anotac¸ o˜es e atribuic¸a˜o de tags a documentos textuais
e na˜o textuais disponibilizados pelos stakeholders. Ale´m dessa te´cnica, existem outras
que viabilizam a comunicac¸ a˜o de forma mais ou menos estruturada, de acordo com a
ferramenta dispon´ıvel. Por exemplo, as discusso˜ es tendem a ser mais organizadas do que os
fo´ runs ja´ que no primeiro e´ poss´ıvel estabelecer um ranking de t o´picos mais comentados.
De qualquer modo, o tipo de comunicac¸a˜o fornecido para o participante pode ser s´ıncrono
como um live-chat ou ass´ıncrono como um f o´rum ou blog.</p>
        <p>Mesmo em ambientes virtuais, o processo democra´tico deve ser balizado por uma
iniciativa ou dom´ınio e por um escopo. Ale´m disso, a discussa˜o que ocorre na plataforma
deve ser estendida para outros espac¸os externos ao ambiente virtual, possivelmente com
deliberac¸o˜ es sendo decididas a partir de divulgac¸a˜o em redes sociais. Da mesma forma,
preveˆ-se, em func¸a˜o desse grau de abertura, que as redes sociais sejam monitoradas ate´
mesmo para se ter uma ideia dos resultados provenientes de espac¸os que fogem ao
controle dos administradores do ambiente virtual.</p>
        <p>Assim como em ambientes na˜o virtuais deseja-se manter um controle sobre o
desempenho do processo participativo, o ambiente virtual deve prover mecanismos de
avaliac¸a˜o e utiliza´-los de acordo com medidas de desempenho te´cnico definidos na fase
de projeto do processo participativo.</p>
        <p>Em ambientes virtuais e´ comum ocorrerem sobrecargas de informac¸ o˜es em func¸ a˜o
da capilaridade de uso e do alcance do ambiente virtual. Para facilitar a explorac¸a˜o das
informac¸ o˜es envolvidas nas discuss o˜es, sugere-se que sejam realizados resumos de forma
automa´tica ou manual para estarem dispon´ıveis aos interessados. De fato, em debates
bem divulgados na Internet, e´ comum serem recuperadas algumas centenas de milhares
de comenta´rios e opini o˜es dos participantes. Sem uma estrate´gia de s´ıntese, esses dados
ficam perdidos.</p>
        <p>A plataforma virtual deve tambe´m prover resultados para os participantes, dado
que esta´ previsto tambe´m um ranking de satisfac¸ a˜o do usua´rio com relac¸a˜o ao
eParticipation. Portanto, o resultado de um debate em conjunto com o ranking de
satisfac¸a˜o do usua´rio e um valor de desempenho te´cnico sa˜o elementos importantes para
serem acompanhados em plataformas virtuais. Ale´m disso, e´ interessante prover
relat o´rios com os principais resultados de projeto de participac¸ a˜o social, formando uma
memo´ ria de processos ocorridos, a fim de se criar indicadores para novas investidas no
contexto da participac¸a˜o virtual.</p>
        <p>Na Figura 6 constam classes e propriedades relacionadas a essas e outras
caracter´ısticas ontol o´gicas de e-Participation. Por exemplo, a classe Ferramenta e´ a classe que
representa as ferramentas de participac¸a˜o social dispon´ıveis aos usua´rios, enquanto que a
classe Monitoramento refere-se ao processo de monitoramento das discuss o˜es que podem
ser captados por ambientes virtuais sobre resultados provenientes de usua´rios que esta˜o
registrados ou na˜o na plataforma. Essa classe esta´ relacionada a` preocupac¸ a˜o em
monitorar informac¸ o˜es das redes sociais sobre temas no contexto das discusso˜ es de participac¸a˜o
social.</p>
        <p>Figura 6. Classes do e-Participation.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>3. Considerac¸o˜ es finais</title>
      <p>Este artigo apresentou os resultados de especificac¸a˜o de um modelo conceitual sobre
participac¸a˜o social que fez parte de um projeto de pesquisa constru´ıdo, em 2014, no
aˆmbito da do extinto departamento de participac¸ a˜o social da Secretaria Nacional de
Articulac¸a˜o Social da Presideˆncia da Repu´blica9 e que versa sobre processos
participativos envolvendo canais formais e informais interagindo em ambientes virtuais
(eParticipation). Ale´m de auxiliar no processo de triplificac¸a˜o dos dados dispon´ıveis sobre
conselhos e confereˆncias do portal Participa.br, a ontologia proposta serviu para expandir
a visa˜o sobre conceitos e relac¸o˜es inerentes aos processos participativos no Brasil.</p>
      <p>Tambe´m foi uma importante tentativa para enderec¸ar uma das fragilidades da
pol´ıtica, no tocante a` articulac¸a˜o das plataformas virtuais de participac¸a˜o social com os
mecanismos ja´ consolidados como conselhos e confereˆncias nacionais. A busca por uma
ontologia comum tambe´m foi a busca por um fo´rum integrado entre os mecanismos, de
forma que as tecnologias digitais pudessem servir e aprimorar os mecanismos
tradicionais. Certamente essas contribuic¸ o˜es sera˜o u´teis quando a normalidade democra´tica for
retomada no Brasil e a agenda da Participac¸a˜o Social voltar a ter importaˆncia estrate´gica.</p>
      <p>
        Ale´m disso, diante da grande atualidade das reflexo˜es sobre a efetividade da
participac¸a˜o social, a ontologia proposta pode contribuir para um programa de
pesquisas sobre como se implementa uma pol´ıtica de participac¸a˜o. Um programa desse tipo
pode ajudar em respostas sobre os fundamentos pol´ıticos, administrativos da participac¸a˜o
9Em func¸a˜o do espac¸o, apenas alguns conceitos foram comentados. Se o leitor quiser saber mais
sobre essa ontologia, pode consultar no enderec¸o http://participa.br/participacaosocial/
produtos/consultor-paulo-roberto-miranda-meirelles.
institucional, incluindo suas lacunas e potencialidades. Espera-se que esse tipo de
resposta possa ajudar na compreensa˜o do fenoˆ meno pol´ıtico da participac¸a˜o (e uma ontologia
tambe´m se presta a isso) ale´m de colaborar para melhorar a democracia no Brasil [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref8">Roma˜o
2016</xref>
        ].
      </p>
      <p>Os resultados criam um contexto para a discussa˜o sobre instrumentos
alternativos para ana´lises e infereˆncias sobre a base hist o´rica de participac¸ a˜o social e para a
homogeneizac¸a˜o conceitual e de terminologia de participac¸ a˜o social entre as esferas de
Governo. Do ponto de vista pra´tico, percebe-se a necessidade de sensibilizac¸a˜o de outras
a´reas concernentes para conceber ontologias que considerem aspectos como as etapas de
participac¸a˜o social de estados e munic´ıpios, a legislac¸a˜o concernente e a incorporac¸ a˜o
de conceitos sobre outros canais de participac¸a˜o social tais como ouvidorias, consultas
p u´blicas e mesas de dia´logo. Esses pontos ja´ esta˜o sendo considerados para vers o˜es
futuras do modelo conceitual proposto.</p>
    </sec>
  </body>
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