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      <title-group>
        <article-title>A cronologia de radiocarbono para a Idade do Ferro Orientalizante no território português. Uma leitura crítica dos dados arqueométricos e arqueológicos.</article-title>
      </title-group>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>António M. Monge Soares e Ana Margarida Arruda</string-name>
          <email>a.m.arruda@letras.ulisboa.pt</email>
          <email>amsoares@ctn.tecnico.ulisboa.pt</email>
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        </contrib>
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          <label>0</label>
          <institution>(1) Centro de Ciências e Tecnologias Nucleares (C2TN), Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, (2) UNIARQ, Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa. Faculdade de Letras, Alameda da Universidade</institution>
          ,
          <addr-line>1</addr-line>
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      </contrib-group>
      <fpage>235</fpage>
      <lpage>259</lpage>
      <abstract>
        <p>An exhaustive survey of radiocarbon dates that have been published for the Orientalizing Iron Age archaeological contexts from the Portuguese territory allowed to build up a solid database, which can be analyzed not only in terms of these same contexts, but also in how the dated samples were made up. The set of selected dates namely those which, together with the respective contexts, have an acceptable reliability, has been the subject of a Bayesian statistical analysis in order to determine the temporal boundaries of the cultural period under consideration. It was concluded that the frequent presence of artifacts and consequently of populations with their origin in the Mediterranean are a reality from the IX century BC, most likely following the first Phoenician settlements or colonies in today's Portuguese territory. If we compare the data now presented with archaeological data and other absolute chronology that have been obtained to the southern and eastern Iberian Peninsula, it is possible to admit that the Portuguese Atlantic coast and some areas inland, in Alentejo, have started the process of orientalization in an old stage, but nevertheless several decades later than in Huelva and La Rebanadilla (Malaga) and in current Tunisian territory (Utica).</p>
      </abstract>
    </article-meta>
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    <sec id="sec-1">
      <title>-</title>
      <p>A data precisa da chegada, e da posterior instalação, das populações orientais que, no início da Idade do Ferro,
chegaram à Península Ibérica está ainda em grande parte por averiguar, especialmente no que ao território actualmente
português diz respeito. Desde o final do século passado, alguns investigadores têm questionado a não coincidência entre as
cronologias que através dos dados tipológicos são atribuídas às primeiras ocupações fenícias peninsulares e as que se iam
obtendo pelas análises radiométricas, designadamente pela datação pelo radiocarbono. Aquilo que ficou conhecido pela 2ª
Revolução do Radiocarbono, ou seja a calibração das datas convencionais de 14C, contribuiu decisivamente para que esse
debate fosse crescendo em alguns sectores da comunidade científica. Para o território actualmente português, os dados são
ainda muito escassos para que possamos avaliar a situação com a fiabilidade e precisão desejadas. E ainda que, nos últimos
anos, tenham sido aduzidos importantes dados para a resolução da questão cronológica, a verdade é que alguma opacidade
tem permanecido. O presente trabalho tem por detrás a existência de escavações recentes e amplas em sítios da Idade do
Ferro (Santarém, Almaraz, Castro Marim, Quinta do Marcelo, Santa Sofia, Ratinhos, entre outros), culturalmente filiados
nos (ou com contactos seguros com os) universos fenícios e/ou orientalizantes, e onde material de origem orgânica foi
recolhido, associado a estruturas construídas e/ou a espólios, e datado pelo radiocarbono. Essas datações poderão dar um
contributo importante para esclarecer a questão da cronologia da ocupação sidérica de matriz oriental no actual território
português. Diversos tipos de amostras – carvões e fauna mamalógica, da biosfera terrestre, e fauna malacológica, da
biosfera marinha – estreitamente associadas a contextos, estruturas e/ou espólios, que se julgaram, na altura, bem
caracterizados, foram objecto de datação pelo radiocarbono. A fiabilidade das datas de amostras de origem marinha é
similar à das datas de amostras terrestres, uma vez que a investigação já realizada, ao longo dos últimos trinta anos, sobre o
efeito de reservatório oceânico para as águas da costa atlântica da Península Ibérica e na qual foram datadas centenas de
amostras [Mar13, Soa05a, Soa05b, Soa06, Soa07, Soa09a, Soa09b, Soa11, Soa15, Soa16], permitem atestar essa
fiabilidade. Uma vez que a maior parte dos resultados deste trabalho sobre a Idade do Ferro Orientalizante irá cair no troço
da curva de calibração com um andamento sub-horizontal - a designada “catástrofe da Idade do Ferro” (Fig. 1) - a grande
incerteza associada às datas, que nunca poderá ser eliminada, poderá, no entanto, ser minimizada fazendo uso de uma
estatística bayesiana.</p>
      <p>Figura 1 - A curva de calibração para datas convencionais de radiocarbono de organismos terrestres no troço onde se
observa um andamento sub-horizontal, que se encontra assinalado, conhecido como "a catástrofe da Idade do Ferro",
segundo [Rei04].</p>
      <p>Será, assim, construida uma base de dados na qual as datas que a constituem serão avaliadas tendo em atenção não só a
fiabilidade dos contextos arqueológicos a que se encontram associadas, mas também critérios ligados ao método de
datação pelo radiocarbono, designadamente o tipo e composição isotópica da amostra datada, além de uma análise
bayesiana dos resultados obtidos quando associados a uma sequência estratigráfica. Deste modo, será possível obter
cronologias finas de elevada fiabilidade e resolver a eventual incompatibilidade existente entre a cronologia obtida pelo
radiocarbono e a dita cronologia tradicional ou histórica (também denominada egeia ou mediterrânea), incompatibilidade
essa cuja existência é, por definição, um absurdo.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>2 A Base de Dados</title>
      <p>A pesquisa bibliográfica, que procurámos que fosse o mais exaustiva possível, levou à obtenção de um conjunto de cento
e sete datas de radiocarbono (Quadro I) para contextos da Idade do Ferro Orientalizante que, numa primeira aproximação,
foram considerados como fiáveis. As amostras, de diversos tipos, como já atrás referido, foram datadas no Laboratório de
Datação pelo Radiocarbono do ex-ITN (actualmente, do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa) por
Espectrometria de Cintilação Líquida, com excepção de uma amostra de carvão datada no Laboratório Beta Analytic e de
duas outras amostras, também de carvão, datadas no Laboratório Godwin da Universidade de Cambridge, pela mesma
técnica. As amostras de fauna mamalógica, das quais foi extraído o colagénio para datação, não foram sujeitas a qualquer
análise prévia com o fim de identificar as espécies animais nelas representadas; igualmente no que se refere às amostras de
carvão, que não foram sujeitas a uma análise antracológica prévia, com excepção das amostras provenientes do Castelo de
Castro Marim [Arr13]. No que se refere às amostras de conchas marinhas, procurou-se que cada amostra fosse constituida
por conchas de uma única espécie, de preferência inteiras, o que se conseguiu na maior parte dos casos, de modo a
minimizar a possibilidade de eventuais misturas de conchas de idade diferente. O tratamento de descontaminação dos
diversos tipos de amostras encontra-se publicado [Soa93, Soa05a). Deverá ter-se em conta que algumas das datas de
conchas marinhas (18) foram obtidas com a fracção intermédia das conchas, datas essas que apenas nos servem para
avaliar da fiabilidade da data obtida com a fracção interna da mesma amostra. Datas estatisticamente não diferenciáveis
indicam uma boa fiabilidade para a data obtida com a fracção interna, como acontece com todos os pares assinalados no</p>
      <p>Quadro I, com excepção do par Sac-1626/Sac-1627. Por outro lado, o valor de δ13C dessas fracções constitui também
um indicador da fiabilidade das datas obtidas com as mesmas - um valor menor que -3‰ é indicativo da existência de
contaminação da fracção da amostra datada ou que as conchas provêm de um ecosistema de águas salobras (não totalmente
marinhas) [Kei63]. É o que acontece com o par Sac-2051/Sac-2052, proveniente do fosso da Quinta do Almaraz, não
sendo aceitável a calibração da data Sac-2052, uma vez que o valor do efeito de reservatório utilizado não é aceitável para
datas obtidas a partir de organismos marinhos provenientes de ecossistemas não francamente marinhos, como parece ser o
caso (ver [Mar08, Soa05a]). Por outro lado, além desta data, existem outras seis datas, também assinaladas no Quadro I,
cujos valores não são aceitáveis por serem demasiado altos (Sac-1363 e, também, Sac-1626, obtida com a fracção
intermédia) ou demasiado baixos (Sac-2310, Sac-2374, Sac-2444 e ICEN-231), correspondendo já à Segunda Idade do
Ferro, o que não é aceitável para os contextos arqueológicos em causa. Assim, no total, a base de dados fica reduzida a 83
datas de radiocarbono. Contudo, a análise dos contextos a que estas datas se associam, que será efectuada a seguir para
cada sítio arqueológico, poderá reduzir ainda mais este número.</p>
      <p>A calibração das datas convencionais de radiocarbono apresentadas no Quadro I e cujos resultados da calibração se
apresentam também no mesmo Quadro foi efectuada fazendo uso das curvas de calibração IntCal13 e Marine13 [Rei13] e
do programa CALIB [Stu93]. Utilizaram-se os seguintes valores do efeito de reservatório oceânicΔoR(): para a costa
ocidental portuguesa (com excepção das datas da Quinta do Marcelo) +95±15 anos de 14C [Soa06]; para a Quinta do
Marcelo +195±25 anos de 14C [Soa05a]; para o Barlavento algarvio +69±17 anos de 14C [Mar13]; para o Sotavento
algarvio -26±14 anos de 14C [Mar13].</p>
      <p>Vejamos, agora, a análise efectuada a cada uma destas datas, sítio a sítio (Fig. 2), tendo em atenção os dados
arqueológicos e a estatística associada a cada sequência estratigráfica (ou a cada "Sequência", em linguagem estatística
bayesiana - ver [Bro01, Bro08, Bro09]).</p>
      <p>ICEN-926
ICEN-913*
ICEN-914
-20,4
0,25
0,15</p>
      <sec id="sec-2-1">
        <title>Quadro I - Datas de radiocarbono para contextos orientalizantes no território portugués</title>
        <p>Sac-2859
Fernão Vaz
ICEN-601** 2530±45
ICEN-696** 2770±50
ICEN-697** 2640±80
Necrópole da Nora Velha 2
ICEN-1102** 2720±50
ICEN-1103 2540±90
Necrópole do Pego
Q-? 2425±40
Necrópole da Favela Nova
Q-? 2375±50
Castelo de Castro Marim</p>
        <p>Venerupis decussata
Venerupis decussata
" (f. interna)
Venerupis decussata
" (f. interna)
Ossos
Venerupis decussata
" (f. interna)
Ossos
Venerupis decussata
" (f. interna)
carvão
carvão
carvão
Ossos
Venerupis + Patella
carvão
Cerastoderma edule
Fémur direito (humano)
Amostra
Fémur + Úmero
(humanos)
Carvão
Carvão
Carvão
Carvão
Carvão
Sac-2453
Sac-2449
a Calibração efectuada fazendo uso do programa CALIB [Stu93] e das curvas IntCal13 e Marine13
[Rei13], consoante a amostra datada é proveniente da biosfera terrestre ou da biosfera marinha,
respectivamente. Foram utilizados os seguintes valores de ΔR com a curva Marine13: +95±15 anos 14C (para a
costa ocidental, com excepção das datas da Quinta do Marcelo; ver [Soa06]), +195±25 anos 14C (Quinta do
Marcelo; ver [Soa05a]), +69±17 anos 14C (Barlavento algarvio; ver [Mar13]) e -26±14 anos 14C (Sotavento
algarvio; ver [Mar13]).</p>
        <p>* Data da fracção intermédia da amostra de conchas, a qual não é considerada para a determinação dos
limites temporais (fronteiras) do período orientalizante.
** "Outlier" (ver texto).
*** Bronze Final.</p>
      </sec>
      <sec id="sec-2-2">
        <title>Figura 2 - Localização dos sítios com ocupação</title>
        <p>da Idade do Ferro Orientalizante datados pelo
radiocarbono:</p>
        <sec id="sec-2-2-1">
          <title>2.1 Quinta do Almaraz (Almada)</title>
          <p>Obtiveram-se 29 datas de radiocarbono para este sítio arqueológico, tendo sido eliminadas 9, assinaladas no Quadro I, por
motivos já atrás expostos. As amostras provêm de quatro loci: Quadrado U 45/3; Vala E Sondagem 6 (Fosso); Quadrado J
27/4 Sector 2 (Fosso) e Quadrados A12/B12 (Fosso). A relação estratigráfica entre estes loci é-nos desconhecida, pelo que
não se poderá aplicar no tratamento estatístico destas datas, para a determinação da cronologia específica (relativa) destes
loci, uma aproximação bayesiana. Por outro lado, os materiais contidos no fosso, apresentam cronologias diversas,
parecendo existirem algumas concentrações de artefactos com uma cronologia mais recuada do que aquela em que se teria
dado a colmatação da estrutura em causa (ver [Bar04]). No entanto, existe uma relação estratigráfica entre os planos
datados do Quadrado U 45/3 [Bar04: p. 339], que é a seguinte: o Plano 11 corresponde à ocupação mais antiga identificada
naquele quadrado; o Plano 12 é mais recente, uma vez que corresponde ao enchimento mais profundo de uma fossa de
detritos que cortou parte dos vestígios da ocupação atrás referida; e, por fim, o Plano 6 corresponde a uma unidade
estratigráfica ainda mais recente e donde provem um fragmento de cerâmica ática. Assim, poderemos aplicar uma
estatística bayesiana na análise deste conjunto de datas, fazendo uso dos modelos matemáticos utilizados pelo programa
OxCal [Bro01, Bro08, Bro09]. A estatística bayesiana permite reduzir a incerteza associada à calibração de datas de 14C
através da incorporação de informação relativa à sequência de eventos ou de contextos estratigráficos, aos quais as
amostras datadas se encontram associadas ou donde provêm. Assim, será possível determinar uma cronologia mais fina
para os contextos do Quadrado U 45/3, com os quais as amostras datadas se relacionam, e eliminar eventuais "outliers". Os
resultados finais apresentam-se no Quadro II e na Fig. 3.
Quadro II - Datas de radiocarbono calibradas para o Quadrado U 45/3 da Quinta do Almaraz,</p>
          <p>fazendo uso de um modelo bayesiano.</p>
          <p>Eliminou-se a data ICEN-918 (3130±45 BP), uma vez que o índice de concordância individual (A) era de 58% (menor,
portanto, que 60%), o que indica que o valor da data não está em concordância com o modelo cronológico imposto a
priori. Por isso, esta data não será considerada no modelo cronológico proposto para a sequência do Quadrado U 45/3,
nem na construção do modelo global para a cronologia do Orientalizante no território português. A concordância (Amodel)
atribuida à Sequência Almaraz Q U 45/3 (ver Fig. 2) é de 100%, o que indicia uma boa fiabilidade para o modelo
utilizado.</p>
          <p>Têm sido referidas as dificuldades de que se reveste a análise dos contextos arqueológicos de Almaraz publicados,
dificuldades que se agravam quando se pretende avaliá-los em função das datas de radiocarbono obtidas [Arr99, Arr05a,
Arr05b].</p>
          <p>De facto, do Plano 11, o mais antigo, foram publicados materiais arqueológicos que podem ser facilmente integráveis
no século V a.C., como se pode deduzir pela ânfora nº 2 da Fig. 3 do artigo onde se publicaram as primeiras datações de
radiocarbono deste sítio [Bar04: p. 345]. A forma cabe no tipo II da tipologia elaborada para o vale do Tejo [Sou14b], que
foi datada entre o século V e o II a.C., e está ausente dos contextos antigos da Estremadura portuguesa, como é o caso de
Lisboa, onde não está presente nem na Sé [Arr99], nem na Rua de S. Mamede ao Caldas [Pim14], nem sequer na cavidade
cársica da Rua da Judiaria [Cal13]. Porém, este tipo de ânfora documentou-se na Rua dos Correeiros [Sou14a], em
ambientes bem datados do século V a.C.</p>
          <p>Os restantes materiais deste mesmo plano não são incompatíveis com uma cronologia situada em meados do 1º milénio
a.C., muito pelo contrário. É o caso da ânfora nº 1 da mesma figura do artigo já referido [Bar04: p. 345], que cabe no tipo
IV da tipologia de Sousa e Pimenta [Sou14b], tipo cujo fabrico se terá iniciado apenas no século V a.C. A ânfora nº 4,
integrável no tipo 10.1.2.1. de Ramón Torres [Ram95] não recua para trás do final do século VI a.C., ainda que, se se tratar
de uma produção local, a cronologia da sua produção deva avançar também para o século V a.C.</p>
          <p>A morfologia da taça carenada de engobe vermelho deste Plano 11 não destoa igualmente de uma cronologia tardia,
pouco se podendo dizer da pequena panela encontrada no mesmo contexto.</p>
          <p>Relativamente ao Plano 12, cujas análises de radiocarbono indicam uma cronologia um pouco mais avançada que a do
anterior, os espólios recuperados e publicados levantam outros problemas interpretativos, sobretudo porque os materiais
cerâmicos indiciam a situação inversa. Uma das ânforas associada a este contexto, concretamente a nº 2 da Fig. 4 do
trabalho que temos vindo a citar [Bar04: p. 346], cabe no tipo 10.1.1.1. de Ramón Torres [Ram95], o que pode indicar uma
cronologia mais recuada, do século VII a.C. e mesmo dos finais do VIII a.C., se se tratar de uma importação da área de
Málaga, facto que desconhecemos. A morfologia da taça de cerâmica de engobe vermelho e a da tigela de cerâmica
cinzenta não inviabilizam uma datação ainda da primeira metade do 1º milénio. Contudo, o pote de cerâmica cinzenta
[Bar04: p. 346, fig. 4, nº 5] e a própria ânfora nº 1 da mesma figura têm características que permitem a sua inserção numa
cronologia idêntica à do Plano anterior.</p>
          <p>O Plano 6 é aparentemente mais simples de avaliar, uma vez que as datas de radiocarbono indiciam um contexto de
cronologia mais recente que a dos anteriores, eventualmente compaginável com os espólios nele recolhidos. A ânfora nº 2
[Bar04: p. 346, fig. 5] integra-se facilmente no tipo VII de Sousa e Pimenta [Sou14b], tipo com uma cronologia difícil de
precisar, mas cujo início da produção se pode localizar em meados do século IV a.C. [Sou14b: p. 275]. Esta mesma
datação está confirmada pela presença de um fragmento de cerâmica ática, já atrás referido, encontrado neste mesmo
plano. Com os dados arqueográficos disponíveis (note-se que os dados que já foram publicados são escassos e terão de ser
considerados como preliminares) verifica-se uma incompatibilidade entre esses dados e o modelo cronológico obtido para
o Quadrado U 45/3, no qual ao Plano 6 corresponderia uma cronologia do séc. V ou anterior (ver Quadro II).</p>
          <p>A questão da cronologia de ocupação de Almaraz é, pois, difícil, o que, no entanto, não retira importância ao sítio no
quadro da Idade do Ferro de matriz oriental. De facto, este sítio da margem esquerda do Tejo é muito rico em achados
arqueológicos, alguns raros e mesmo únicos em território português, como é o caso dos vasos de alabastro [Card95]. O
próprio escaravelho [Alm09], datado entre os séculos VII e VI a.C., é de reter nesta análise, uma vez que estes artefactos
não são particularmente comuns em sítios de habitat, parecendo ainda obrigatório fazer referência à cerâmica do coríntio
médio, datada entre 600 e 575 a.C. [Card95], também recuperada no sítio, uma vez que as importações gregas de época
arcaica são muito escassas nos sítios portugueses [Arr07a].</p>
          <p>Por outro lado, há efectivamente materiais em Almaraz que podem recuar até ao início do século VIII a.C., como é o
caso, por exemplo, da ânfora nº 2 da Fig. 4, já anteriormente citada [Bar04], bem como de outras de idêntica tipologia
(10.1.1.1.), uma delas seguramente importada ([Ola15]: Estampa III, nº 121), que infelizmente não possuem contexto
seguro. Ao conjunto de materiais arcaicos poder-se-iam somar alguns pratos de engobe vermelho de bordo aplanado e de
escassa largura [Bar93].</p>
          <p>Assim, a antiguidade da ocupação sidérica de Almaraz pode ser defendida, parecendo certo que as cronologias
radiométricas terão de ser aceites com reservas, uma vez que os contextos que datam não são seguros no que à sua
formação diz respeito. Trata-se, certamente, de um problema relacionado com a deficiente publicação do registo de campo,
situação que poderá ser colmatada no futuro, não só com a publicação devida, mas também com novas intervenções no
terreno.</p>
        </sec>
        <sec id="sec-2-2-2">
          <title>2.2 Quinta do Marcelo (Almada)</title>
          <p>A inclusão da Quinta do Marcelo neste trabalho revestiu-se de algumas dificuldades, mas foi decidida como um primeiro
passo, tendo em consideração, sobretudo, algumas datações radiométricas que permitem eventualmente incluir o sítio neste
período. Contudo, não podemos deixar de referir que os espólios conhecidos até ao momento [Bar98, Card99]
correspondem, fundamentalmente, a materiais incluíveis no Bronze Final, nomeadamente cerâmicas com decoração
brunida nas superfícies interna e externa, uma fíbula de arco multi-curvilíneo e outra de dupla mola e uma navalha de
barba. Além destes artefactos metálicos foram registadas três facas em ferro e duas contas tubulares (pesos de rede ?) em
chumbo. As três facas de ferro não são também incompatíveis com uma cronologia do Bronze Final, uma vez que sabemos
hoje que vários artefactos de ferro, concretamente facas, incorporam os conteúdos dos inventários de vários sítios
peninsulares desse momento [Alm93, Sen00, Vil06].</p>
          <p>Por outro lado, ao contrário do que acontecia com a estratigrafia datada do Quadrado U 45/3 da Quinta do Almaraz,
não se conhece com precisão e em pormenor a relação estratigráfica entre os planos donde provêm as amostras datadas da
Quinta do Marcelo. Julga-se que este sítio teria tido ocupações sazonais, curtas no tempo. Além disso, a "Bolsa 1"
(Quadrado E12.2, Plano 9) seria mais antiga que a "Bolsa 2" e, nesta, a Fogueira 1 (Quadrado E12.4, Plano 8) precederia a
2 (Quadrado E12.3, Planos 10 e 12) (Luis Barros, comunicação pessoal). As quatro datas obtidas com amostras da biosfera
terrestre não diferem estatisticamente entre si (t=4,0χ51; 2:0,05=7,81). No entanto, admitindo aquela relação
cronoestratigráfica, tem mais razão de ser uma aproximação bayesiana ao tratamento estatístico do conjunto destas datas. O
resultado obtido com esse tratamento apresenta-se no Quadro III e na Fig. 4.</p>
          <p>Torna-se evidente que a "Bolsa 1" e a Fogueira 1 da "Bolsa 2" terão de ser atribuídas a uma ocupação do Bronze Final,
numa altura em que os primeiros estabelecimentos fenícios ainda não existiriam nas costas da Península Ibérica ou
existindo não parece provável que a sua influência atingisse a região de Almada. Já a Fogueira 2 pode ser contemporânea
dos primeiros contactos fenícios no estuário do Tejo e, dada a existência de artefactos de ferro e chumbo, poderão, pelo
menos alguns deles, resultar da interacção com os novos colonizadores. Por isso, manteremos apenas as datas
correspondentes à Fogueira 2 na nossa base de dados.</p>
        </sec>
        <sec id="sec-2-2-3">
          <title>2.3 Jardim das Portas do Sol (Santarém)</title>
          <p>Para este sítio obtiveram-se três datas de radiocarbono sobre amostras de madeira carbonizada, as quais estão de acordo
com a estratigrafia (como sugerem os valores médios), embora sejam estatisticamente não diferenciáveis (t=4,599;
χ2:0,05=5,99). Poderão corresponder, muito provavelmente, a momentos distintos no tempo, mas integrados num intervalo
temporal que as datas de radiocarbono obtidas não conseguem diferenciar.</p>
          <p>Quadro III - Datas de radiocarbono calibradas para os contextos datados da Quinta do Marcelo,</p>
          <p>fazendo uso de um modelo bayesiano.</p>
          <p>ICEN-943
ICEN-947*
ICEN-945*
ICEN- 924
ICEN-920*
ICEN-923
ICEN-927
ICEN-922*</p>
          <p>A ocupação da Idade do Ferro da Alcáçova de Santarém é já bem conhecida, sendo evidente a sua matriz oriental
[Arr93, Arr99], materializada sobretudo em materiais arqueológicos, mas também na própria arquitectura (edifícios de
plantas rectangulares) e nas técnicas construtivas (utilização de adobes; pisos de argila).</p>
          <p>Esta ocupação, que se desenvolveu sobre uma outra, mais antiga, do Bronze Final [Arr15], pode ser atribuída a um
momento consideravelmente antigo, do século VIII a.C., se tivermos em consideração o conjunto do espólio recuperado
nos níveis arqueológicos mais inferiores. De facto, este último engloba vários fragmentos de ânforas classificados como
10.1.1.1., e que correspondem a importações, especificamente da área de Málaga [Arr99: p. 206, Fig. 141, nº 1 e 2], bem
como vasos de engobe vermelho, pratos e taças carenadas, de morfologias arcaicas [Arr99: p. 185, Fig. 117: p. 187, Fig.
119]. A própria cerâmica pintada em bandas está representada por vasos com características que não desmentem essa
antiguidade, concretamente pithoi de colo alto e tronco-cónico [Arr99: p. 191, Fig. 122, nº 3 e 4] e ainda outras formas
menos comuns, como é o caso do “jarro de ombro carenado”, com bons paralelos nos níveis antigos do tophet de Cartago
[Arr99: p. 189, nº 3.</p>
        </sec>
        <sec id="sec-2-2-4">
          <title>2.4 Santa Sofia (Vila Franca de Xira)</title>
          <p>Para o sítio protohistórico de Santa Sofia foram obtidas várias datas de radiocarbono de conchas marinhas e uma de ossos
de fauna mamalógica terrestre, a qual é um "outlier" como assinalado no Quadro I. O tratamento estatístico bayesiano
deste conjunto de datas foi realizado aquando da publicação sobre este sítio [Pim13] e os resultados obtidos reproduzem-se
no Quadro IV e na Fig. 5. As datas calibradas assim obtidas apontam para os finais do séc. VIII ou para o séc. VII como
cronologia a atribuir à ocupação protohistórica de Santa Sofia.</p>
          <p>Quadro IV - Datas de radiocarbono calibradas para a ocupação proto-histórica de Santa Sofia,</p>
          <p>fazendo uso de um modelo bayesiano.</p>
          <p>Sac-2296*
Sac-2295*</p>
          <p>O sítio, situado num vale, apresenta uma componente indígena acentuada, ainda que evidencie uma orientalização
clara, com materiais a torno que cabem nas categorias habituais destas ocupações, nomeadamente ânforas, cerâmica
cinzenta fina polida e cerâmica de engobe vermelho [Pim07, Pim08, Pim13]. As morfologias e as características físicas
destas cerâmicas permitem avançar uma cronologia do século VII a.C., ainda que não seja improvável que a ocupação
humana do local se possa ter prolongado até meados do século seguinte.</p>
        </sec>
        <sec id="sec-2-2-5">
          <title>2.5 Casal dos Pegos (Vila Franca de Xira)</title>
          <p>Este sítio não foi ainda sujeito a qualquer escavação arqueológica, sendo as amostras datadas resultado de recolhas
superficiais. Verifica-se, com as datas obtidas, que a amostra datada de Venerupis decussata não é contemporânea da
amostra de ossos (ver Quadro I), sendo apenas esta passível de ser associada aos artefactos recolhidos atribuíveis a uma
ocupação da Idade do Ferro Orientalizante.</p>
          <p>À superfície, os materiais arqueológicos datáveis da Idade do Ferro abundam [Pim15]. As características morfológicas
do vasto conjunto artefactual recuperado nos trabalhos de prospecção evidenciam a matriz orientalizante do povoamento
neste local, que, a avaliar pela tipologia das ânforas (10.1.21.1.), algumas importadas da área de Cádis, pode datar-se entre
o final do século VII e o V a.C. [Pim15: p. 42, Fig. 26]. A baliza inferior é admissível pela presença de exemplares de
produção local que cabem nos tipos III e IV do Estuário do Tejo [Sou14b], cuja produção foi colocada no século V a.C.</p>
          <p>Tudo indica que o Casal dos Pegos se insere na mesma malha de povoamento que Santa Sofia e outros sítios que não
foram alvo de quaisquer datações radiométricas, como é o caso, por exemplo, do Castro do Amaral e da Quinta da
Marqueza [Pim10], e que se deve relacionar com a presença de populações orientais no vale do Tejo.</p>
          <p>Figura 5 - Representação gráfica da sequência estatística para a ocupação proto-histórica de Santa Sofia.</p>
        </sec>
        <sec id="sec-2-2-6">
          <title>2.6 Rua da Judiaria (Lisboa)</title>
          <p>Da escavação arqueológica realizada foram datadas três amostras de madeira carbonizada [Cal13], duas delas provenientes
de unidades estratigráficas contemporâneas (UE 24 e UE 25), cujas datas não diferem estatisticamente entre si. A outra
amostra era proveniente de uma unidade estratigráfica que lhes está subjacente e cuja data de radiocarbono sugere uma
cronologia mais antiga para essa unidade.</p>
          <p>A cavidade cárssica da Rua da Judiaria, em Lisboa, está implantada em área onde a densidade de ocupação da Idade do
Ferro de tipo habitacional é muito elevada, sendo os espólios variados, quer na morfologia quer, naturalmente, na
funcionalidade. Estes [Cal13: fig. 8, nº 57 e 92] são compatíveis com a antiguidade relativa do enchimento desta estrutura,
cuja função já mereceu uma discussão relativamente aprofundada [Arrnp].</p>
        </sec>
        <sec id="sec-2-2-7">
          <title>2.7 Miroiço (Cascais)</title>
          <p>Com uma ocupação de longa duração (desde o calcolítico à época romana), o sítio de Miroiço revelou dados sobre a Idade
do Ferro, que, no entanto, se mantêm praticamente inéditos [Car13]. A existência de um forno de produção cerâmica ficou
provada [Car13: p. 173, 176, Fig. 82], mas sobre espólios arqueológicos associados a essa ocupação sidérica
desconhecemos quase tudo, havendo apenas referência a “...cerâmicas cinzentas e de cor de avelã mas sem grande
significado, bem como carvões e conchas de bivalves e de lapas...” [Car13: p. 173].</p>
          <p>Assim, um povoamento orientalizante associado a este sítio é apenas presumido com base na datação pelo
radiocarbono da amostra de ossos, enquanto a outra data sobre uma amostra de ameijoas e lapas poderá indiciar a
existência de uma ocupação da Segunda Idade do Ferro (ver Quadro I).</p>
        </sec>
        <sec id="sec-2-2-8">
          <title>2.8 Santa Olaia (Figueira da Foz)</title>
          <p>As datas das duas amostras provenientes de Santa Olaia sugerem uma contemporaneidade entre elas, o que era expectável,
uma vez que as conchas marinhas constituintes de uma das amostras assentavam num pavimento, no qual, na sua
superfície, se encontravam embebidos os pequenos fragmentos de carvão que constituiram a outra amostra datada, de
muito pequena dimensão. Daí o elevado desvio padrão da data desta amostra de carvão, o que lhe dá um peso muito
diminuto na análise global que faremos do conjunto de datas de contextos orientalizantes.</p>
          <p>Santa Olaia pode ter correspondido a um sítio de fundação exógena, concretamente fenícia [Roc905, Per97, Arr99].
Esta hipótese é sustentável pelas próprias características topográficas e geográficas do sítio, mas também pela própria
cronologia da sua ocupação, que se insere, exclusivamente, na Idade do Ferro. De facto, o sítio foi abandonado ainda
durante a primeira metade do século IV a.C., não havendo registo de quaisquer níveis da Idade do Bronze. A arquitectura,
com construção em terra [Roc905], é também de registar neste contexto. A tipologia dos espólios e as suas características
gerais indiciam uma ocupação que se pode ter iniciado no século VII a.C., e que ganha dimensão e espessura ao longo do
VI a.C.</p>
        </sec>
        <sec id="sec-2-2-9">
          <title>2.9 Montinhos 6 (Serpa)</title>
          <p>O enterramento feminino de Montinhos 6, numa fossa atípica de planta sub-rectangular alongada, apresentava um espólio
constituído exclusivamente por artefactos de adorno de características orientalizantes [Soar16]. Trata-se de um colar
constituído por pequenas contas discoides de faiança egípcia e de outras, tubulares, de pasta vítrea, bem como de um
pendente em forma de gota da mesma matéria prima que as duas últimas [Soar16: p. 132; Fig. 3; p. 133]. A cronologia que
se poderia deduzir destes materiais sugere o século VI, se se tomassem como paralelos as necrópoles sidéricas que têm
aparecido recentemente na região de Beja. No entanto, contas de faiança, vidro e casca de ovo de avestruz foram
registadas numa necrópole do Bronze Final no Monte da Ramada 1 (Aljustrel), com contextos seguramente datados dos
sécs. X e IX a.C. [Bapnp], o que torna aceitável uma cronologia anterior para esta sepultura de Montinhos 6. A data de
radiocarbono obtida (Quadro I) indicia os sécs. VIII ou VII como os mais prováveis para uma cronologia atribuível a este
enterramento.</p>
        </sec>
        <sec id="sec-2-2-10">
          <title>2.10 Monte da Lage (Serpa)</title>
          <p>Em Monte da Lage foi escavada uma sepultura de inumação, de planta sub-rectangular, que, possivelmente, estaria
enquadrada num recinto delimitado por fossos escavados no substracto rochoso [Soar16: p. 133], formando assim parte de
uma necrópole idêntica às identificadas sobretudo na área de Beringel (Beja). O espólio associado inclui uma faca
afalcatada e uma tigela de fundo plano e pé indicado, de produção local. A tipologia da sepultura e a sua provável
integração numa necrópole de recintos, bem como os materiais recuperados são compatíveis com uma datação do século
VI a.C., o que, aliás, também é compaginável com a data obtida pelo radiocarbono.</p>
        </sec>
        <sec id="sec-2-2-11">
          <title>2.11 Fernão Vaz (Ourique)</title>
          <p>O sítio da Idade do Ferro de Fernão Vaz é, entre os vários conhecidos no Baixo Alentejo, o que foi escavado em maior
extensão [Bei80, Bei86, Bei91, Bei94]. Por isso mesmo há para ele dados, arqueológicos e radiométricos, suficientes para
discutir a sua cronologia (ibidem). No que diz respeito aos espólios, o que existe permite colocar a sua ocupação num
momento balizado entre o século VI e o final do V a.C. [Arr01], ao contrário do que foi defendido pelos autores
anteriormente citados que recuam o seu início para o começo do século VII a.C. Esta proposta teve sobretudo em
consideração a data de radiocarbono ICEN-696 [Bei91, Bei94]. Contudo, esta data (ver Quadro I) aponta para uma
cronologia do séc. IX ou anterior (ver Quadro I). As datas de radiocarbono para este sítio foram obtidas a partir de restos
de traves de madeira da construção [Bei91, Bei94]. "Uma trave, ou mesmo um poste, podem ser facilmente
reaproveitados de edifícios anteriores, ou terem sido obtidos de madeiras cortadas vários anos antes. Também deve
recordar-se, tal como, aliás, Beirão e Correia também o fazem, que “...nas traves que sustentariam a cobertura seriam
certamente utilizadas árvores adultas” (Beirão e Correia, 1991, 1994)” [Arr01]. Na realidade, tudo indica que estaremos
perante um caso de "madeira antiga", que ocorre muitas vezes em datação pelo radiocarbono, quando não se utilizam para
datação materiais de vida curta. Assim, as datas que foram obtidas para o edifício de Fernão Vaz não são aceitáveis e
foram, por conseguinte, descartadas na construção da nossa base de dados.</p>
        </sec>
        <sec id="sec-2-2-12">
          <title>2.12 Necrópole da Nora Velha 2 (Ourique)</title>
          <p>A arquitectura e os materiais recuperados na necrópole da Nora Velha deixam clara a sua inserção no grupo dos cemitérios
da Idade do Ferro do Baixo Alentejo, que tem no concelho de Ourique a sua maior expressão [Arn94, Soar13]. Uma
cronologia balizada entre os séculos VII e V a.C. foi já defendida [Soar13: p. 665], cronologia que parece a mais
defensável, tendo em consideração os espólios cerâmicos (manuais e a torno), vítreos (contas de colar) e metálicos
(adornos e armas). Uma maior precisão torna-se difícil, apesar de haver indícios que o século VI a.C. terá correspondido à
utilização preferencial daquele local como espaço funerário, o que não significa que não se possa recuar até ao final do VII
e avançar até aos inícios do V, mas, dificilmente, mais do que isso. Por isso, a data ICEN-1102 foi descartada. Foi
determinada a partir de uma amostra de carvão e o valor obtido sugere que estamos, tal como acontece com as datas de
Fernão Vaz, perante mais um caso de "madeira antiga".</p>
        </sec>
        <sec id="sec-2-2-13">
          <title>2.13 Necrópole do Pego (Ourique)</title>
          <p>Das 38 sepulturas da necrópole da Herdade do Pego foram escavadas apenas seis, cuja arquitectura funerária e os
materiais, de características orientalizantes, permitem integrá-los no mundo funerário dessa época do Baixo Alentejo
[Dia70, Bei96, Cor93, Gam91, Arr01]. Uma vez mais, uma cronologia centrada no século VI a.C., compatível com a data
de radiocarbono obtida, é admissível (com possíveis recuos para o final do VII a.C. e avanços para o início do V a.C.),
tendo em consideração os espólios recolhidos.</p>
        </sec>
        <sec id="sec-2-2-14">
          <title>2.14 Necrópole da Favela Nova (Ourique)</title>
          <p>A necrópole da Favela Nova era constituída por sepulturas rectangulares, integráveis em estruturas tumulares que se
adequam às Fases II e III da arquitectura funerária da região [Cor93]. A totalidade do espólio recuperado corresponde a
artefactos de adorno, nomeadamente anéis, de prata e bronze, contas de colar, de pasta vítrea (oculadas ou não), de âmbar
e de prata [Dia83, Bei86, Cor93, Arr01]. A ausência de material cerâmico e metálico utilitário dificulta uma apreciação
cronológica, mas a arquitectura (Fases II e III) permite avançar, com as necessárias reservas, o século VI a.C. para a sua
utilização. Esta cronologia é compatível com a data obtida pelo radiocarbono, a qual aponta também para o séc. V a.C.
como possível para a cronologia a atribuir à sepultura intervencionada.</p>
        </sec>
        <sec id="sec-2-2-15">
          <title>2.15 Castelo de Castro Marim</title>
          <p>O conjunto de datas de radiocarbono para este sítio arqueológico foi já objecto de uma análise estatística bayesiana para
um trabalho sobre a cronologia atribuível às suas diversas fases de ocupação [Arr13]. A análise agora efectuada segue o
mesmo caminho da anterior, apenas com ligeiras alterações, designadamente a utilização da curva IntCal13 [Rei13] e a
eliminação da data Sac-2664 (ver Quadro I), uma vez que valor da concordância (A) com o modelo que é atribuida a esta
data é de 28%. Os resultados obtidos com esta análise encontram-se representados no Quadro V e na Fig. 6.</p>
          <p>Apesar do bom conjunto de datas obtidas para este sítio, mesmo a análise bayesiana do mesmo não consegue elaborar
uma cronologia fina para as diversas fases de ocupação, devido à já mencionada "catástrofe da Idade do Ferro" presente na
curva de calibração. Assim, temos de recorrer necessariamente aos dados arqueológicos para diferenciar cronologicamente
as diversas fases. Os resultados dos trabalhos arqueológicos levados a efeito no Castelo de Castro Marim nas últimas
décadas do século XX e primeira do XXI são já bem conhecidos na generalidade e em várias especificidades concretas
(entre outros [Arr97, Arr99, Arr00, Arr03, Arr06, Arr07b, Arr08, Arr09]). Ainda assim, parece importante recordar aqui
que a uma ocupação do Bronze Final [Oli06, Oli12] se sobrepuseram outras, da Idade do Ferro e da época romana. Para a
primeira destas últimas, tendo por base as datas de radiocarbono e os dados arqueológicos, verifica-se uma coerência das
fases arquitectónicas e da sua sucessão crono-estratigráfica. Por outro lado, fica claro que a ocupação de matriz oriental
está presente no sítio desde o século VII a.C., tendo os últimos contextos datados, atribuíveis à fase V, uma cronologia da
segunda metade do séc. V a.C. (para uma discussão pormenorizada da análise cronológica ver [Arr13]).</p>
          <p>Quadro V - Datas de radiocarbono calibradas modeladas para as fases sidéricas orientalizantes</p>
          <p>do Castelo de Castro Marim.
2.16 Rocha Branca (Silves)
Das oito datas de radiocarbono obtidas para o sítio da Rocha Branca (Silves), uma delas (a determinada com uma amostra
de Ostrea sp.) é um "outlier", como são geralmente as datas obtidas com esta espécie de bivalve [Soa05a]. Com as
restantes, provenientes de contextos cuja relação estratigráfica é conhecida [Gom93], foi construido um modelo
cronológico bayesiano de boa fiabilidade (Amodel = 107), cujos resultados se apresentam no Quadro VI e na Fig. 7.</p>
          <p>Os materiais arqueológicos publicados da Rocha Branca datam, sobretudo, da II Idade do Ferro [Gom93], que, no
Algarve, se relaciona preferencialmente com o chamado mundo turdetano. Neste grupo cabe bem a cerâmica ática (bolsais,
kilikes, e páteras das formas 21 e 22, as cerâmicas de Kuass, os “lebrillos” e as ânforas, maioritariamente dos tipos C e D
de Pellicer, Carmona e Tiñosa [Gom93: Figs. 14, 15 e 16]. Ainda assim, alguns escassos materiais poderiam recuar para a
1ª metade do 1º milénio a.C., finais do século VI a.C., como é concretamente o caso de um prato de peixe [Gom93: Fig.
16, nº 24]. Contudo, este surge nos mesmos níveis que ofereceram também os espólios datados dos séculos V e IV a.C.
atrás referidos, o que dificulta a interpretação, tendo apenas como base os artefactos até agora publicados. Contudo, deverá
ser tomado em conta que as amostras datadas do Quad. D3, provêm de uma estrutura de combustão assente no substracto
rochoso que, segundo Mário Varela Gomes ([Gom93]: pp. 84, 98) é atribuível à primeira ocupação, ao "primeiro
assentamento", no local, que será datável dos séculos VIII-VII a.C. [Gom93: p. 79]. Aqui, tal como para Almaraz, os
materiais publicados parecem-nos provir de contextos muito mais recentes do que os responsáveis pelas intervenções de
campo afirmam, mas cujas datações por radiocarbono não invalidam essas afirmações, isto é, as datas de radiocarbono são
compatíveis com a antiguidade dos contextos que lhe é atribuida por esses responsáveis.</p>
          <p>Figura 6 - Representação gráfica da sequência estatística para a ocupação da Idade do Ferro Orientalizante
do Castelo de Castro Marim.
Quadro VI - Datas de radiocarbono calibradas para os contextos datados da Rocha Branca,</p>
          <p>fazendo uso de um modelo bayesiano.</p>
          <p>Fronteira Inicial
ICEN-853
ICEN-852*
Fronteira QD3 c2/QG3 c3
ICEN- 201
Fronteira QG3 c3/QE3 c2
* Amostras de conchas marinhas (ver Quadro I)</p>
          <p>Data Calibrada (2σ) (cal
BC)</p>
        </sec>
      </sec>
      <sec id="sec-2-3">
        <title>Figura. 7 - Representação gráfica da sequência estatística para a Rocha Branca.</title>
        <sec id="sec-2-3-1">
          <title>2.17 Ratinhos (Moura)</title>
          <p>Também para o sítio dos Ratinhos elaborámos um modelo cronológico bayesiano, tendo em conta o conjunto de datas de
radiocarbono obtidas e a estratigrafia registada. Já na primeira publicação sobre essas datas foi utilizado um modelo
bayesiano [Soa10], voltando-se agora a recorrer ao mesmo tipo de estatística, embora com algumas ligeiras modificações.
Também, agora, para a elaboração do modelo, tivémos em conta a data obtida para um contexto do Bronze Final (ver
Quadro I e Fig. 8), o que permite uma maior precisão e fiabilidade para a fronteira inicial das fases sidéricas. Os resultados
obtidos com o modelo estão representados na Fig. 8 e numericamente no Quadro VII.</p>
          <p>Verifica-se que essa fronteira aponta para um início da primeira ocupação sidérica (Fase Ib) no séc. IX a.C., enquanto a
Fase Ia, que se lhe segue, é atribuível ao séc. VIII a.C. Assim, neste sítio do interior alentejano parecem registar-se as
influências fenícias (arquitectura e importação de cerâmica, ver [Ber10]) de cronologia mais antiga no território português.</p>
          <p>Se parece evidente o carácter exógeno da construção de planta rectangular, dividida em três células, que foi
identificada na chamada “Acrópole”, já as entidades artefactuais com ela relacionada são mais complexas de abordar no
que à sua matriz cultural diz respeito. O edifício apresenta uma planta estruturada que responde a um plano arquitectónico
prévio [Pra10: 260], tendo-se usado o “módulo fenício”, de 52 cm, com os seus múltiplos a serem empregues de forma
canónica [Pra10: 267]. Este edifício foi planificado e construído no decorrer da Fase 1b, datado do final do século IX a.C.,
e teve um traçado definido com Langbau ou de “tipo siríaco”, com origem no norte da Síria e no sul da Anatólia [Pra10].
A sua interpretação como santuário [Ber10: 135, Pra10: 209-276] não oferece dúvidas, mas importa não esquecer que
“convivia” com estruturas habitacionais de planta circular. Sabe-se, por outro lado, que este edifício sobreviveu na fase 1a,
ainda que provavelmente com uma função distinta [Ber10, Pra10]. A cerâmica manual domina de forma muito
significativa na primeira destas fases, com cerca de 80% [Ber10: 278], situação que não difere substancialmente da
verificada no estuário do Tejo, onde esta categoria cerâmica atinge percentagens idênticas em Santarém [Arr99] e em
Santa Sofia [Pim10, Pim13]. O que sim diferencia o Castro dos Ratinhos dos restantes sítios orientalizantes peninsulares,
quer do litoral quer mesmo do interior, como é o caso, em Portugal, de S. Gens, no Alentejo central [Mat04], é o espólio
cerâmico que foi considerado de importação [Ber10: 279]. A ausência de ânforas, de cerâmica pintada em bandas e de
engobe vermelho é de destacar na fase 1b, mesmo que se refira que alguns vasos “... receberam um engobe obtido com um
pigmento vermelho, de escassa qualidade...” (ibidem).</p>
        </sec>
      </sec>
      <sec id="sec-2-4">
        <title>Quadro VII - Datas de radiocarbono calibradas para a ocupação sidérica dos Ratinhos, fazendo uso de um modelo bayesiano.</title>
        <p>O culto nos Ratinhos a uma entidade religiosa oriental, provavelmente Asherah, com origem em Canaã, foi defendida
[Pra10: p. 273], realidade que implicaria a presença física de grupos humanos com origem no Mediterrâneo Oriental,
grupos esses que estariam em “convivência pacífica” com a comunidade indígena, que desde há longos anos habitava no
local, o que não parece ratificar-se através do conjunto do espólio [Pra10: p. 276].</p>
        <p>Ainda assim, e apesar de haver outras explicações possíveis para as características orientais de que se reveste o
santuário dos Ratinhos [Arr14: 527], a verdade é que o contacto entre as comunidades indígenas e as orientais se
estabeleceu em momento consideravelmente antigo, em modalidades que, contudo, são difíceis de interpretar, uma vez que
apenas os modelos cultuais parecem ter sido adoptados.</p>
        <p>Figura 8 - Representação gráfica da sequência estatística para o povoado proto-histórico dos Ratinhos.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>3 Discussão. Conclusões</title>
      <p>Após a análise efectuada e descrita nos parágrafos anteriores, a nossa base de dados ficou constituida por 70 datas, as
quais, pelo menos nesta primeira aproximação, oferecem uma fiabilidade razoável, não só de associação aos respectivos
contextos arqueológicos, mas também no que se refere aos valores que tomam. Com estas 70 datas construiu-se um
modelo bayesiano (Fig. 9) constituído pela "Sequência Orientalizante", na qual existe a "Fase Orientalizante Portug[uesa]."
que, por sua vez abarca diversas "Sequências", designadamente "Almaraz Q U45/3", "Santa Sofia", "Castro Marim" e
"Rocha Branca", além de todas as datas de radiocarbono aceitáveis não englobadas naquelas "Sequências". A
representação gráfica parcial dos resultados obtidos com este modelo encontra-se na Fig. 9, enquanto que no Quadro VIII
se apresentam os valores das "Fronteiras", quer da sequência global, quer das sequências parcelares referentes aos sítios
analisados. Refira-se que o valor da concordância global associada ao modelo (Amodel) é de 123, o que indica uma muito
boa fiabilidade para o mesmo.
Quadro VIII - Limites temporais (fronteiras) para as sequências que fazem parte dos modelos bayesianos referentes às
diversas ocupações sidéricas orientalizantes, bem como para a Idade do Ferro Orientalizante, na sua globalidade,
do território português.</p>
      <p>Sequência (Sítio/Contexto Arqueológico)</p>
      <p>Fronteira
Almaraz Q U45/3
Almaraz Q U45/3
Quinta do Marcelo (Bolsa 2, Fogueira 2)
Quinta do Marcelo (Bolsa 2, Fogueira 2)
Santa Sofia
Santa Sofia
Castro Marim
Castro Marim
Rocha Branca
Rocha Branca
Ratinhos
Ratinhos
Orientalizante Portugal
Orientalizante Portugal</p>
      <p>Inicial
Final
Inicial
Final</p>
      <p>Data Calibrada Modelada
(cal BC)</p>
      <p>1σ 2σ
895 - 795
692 - 330
893 - 806
816 - 700
Figura 9 - Representação gráfica parcial do modelo bayesiano construido para a Idade do Ferro Orientalizante do
território português.</p>
      <p>Os dados cronométricos absolutos indicam, por conseguinte, um início da Idade do Ferro Orientalizante no território
português no séc. IX a.C., o que necessita de ser validado tendo em atenção os dados arqueológicos. Observando o Quadro
VIII e a Fig. 9, torna-se evidente que esse facto se deve a se terem aceite as datas de radiocarbono mais antigas pelos
motivos atrás expostos, designadamente as determinadas para Almaraz Q U45/3, Quinta do Marcelo (Fogueira 2), Jardim
das Portas do Sol (Santarém) e Ratinhos.</p>
      <p>Não se vêm razões concretas para rejeitar estas datações, apesar da incompatibilidade aparente que se regista entre elas
e as obtidas através da análise tipológica dos espólios cerâmicos. Como já houve oportunidade de comentar em outros
locais [Arr99: 16, Arr05b], a cronologia que o radiocarbono indica é, no caso da Idade do Ferro orientalizante, na maior
parte das vezes, divergente da egeia, chamada também “Cronologia Mediterrânea”, e que foi construída com base “...en
una particular interpretación histórica de la evidéncia arqueológica de Palestina...” [Nun15: 28]. O grande problema reside,
justamente, na utilização indiferenciada das três principais bases de informação cronológica, concretamente os textos
bíblicos, a evolução da cultura material e as análises de radiocarbono, que aparentemente não são compatíveis, como, uma
vez mais, chamou a atenção Francisco Nuñez, recentemente [Nun15]. Também, muito recentemente, numa publicação
sobre os novos dados, incluindo os cronológicos, obtidos para Útica, os autores [Lop16] se interrogam sobre essa
incompatibilidade e apontam para a necessidade de rever a cronologia que tem sido atribuida à cerâmica do Geométrico
Médio no Mediterrâneo e na qual se tem ancorado cronologicamente a evolução tipológica da cerâmica fenícia.</p>
      <p>As datações de 14C para o início do contacto dos colonizadores orientais com o território actualmente português
deverão também ser analisadas tendo em consideração outras datações de 14C obtidas na Península Ibérica e em outros
locais do Mediterrâneo.</p>
      <p>Assim, não restam dúvidas sobre o facto de a Plaza de las Monjas, em Huelva, se constituir como um dos mais antigos
sítios peninsulares com contactos directos com o Próximo Oriente [Gon04a, Gon04b, Gon06a, Gon06b, Gon08],
apontando para uma cronologia do radiocarbono entre o último quartel do século X e o terceiro quartel do IX a.C.
(2775±25 BP; 2745±25 BP; 2740±25 BP) para a ocorrência desses contactos. Parece importante registar, neste contexto,
que esta cronologia avançaria para o final do 3º quartel do século IX a.C. se tivéssemos em consideração apenas os
materiais arqueológicos recolhidos, que são paralelizáveis aos recolhidos no estrato IV de Tell Rehov (Palestina), que a
cronologia bíblica integraria em cerca de 830 a.C. [Nun15: 29].</p>
      <p>Sensivelmente do mesmo momento, é o início da ocupação de Útica, com datas de 14C de 2795±35 BP, 2790±35 BP e
2760±35 BP, cujos materiais, contudo, nomeadamente a cerâmica do Geométrico Médio II, indicariam 820 a.C. [Lop16].
Curiosamente, estes dois contextos apresentam grandes similitudes entre si, quer na cronologia de radiocarbono, quer na
tradicional, ficando uma vez mais demonstrada a incompatibilidade entre as duas metodologias, se se aceitar a cronologia
que tem sido seguida para o Geométrico Médio II.</p>
      <p>Igualmente antiga é a ocupação, ainda em território peninsular, de La Rebanadilla, Málaga [Ara11: 137], com datas de
2810±40 BP e 2780±40 BP (Fase IV).</p>
      <p>Um pouco mais avançadas são as datações de Mezquitilla B1, que, contudo, forneceu para o mesmo contexto valores
contraditórios, concretamente 2750±50 BP e 2570±50 BP [Sch83: 130], e Alcorrín, também em Málaga, onde se
obtiveram cinco datas (2711±42 BP; 2684±42 BP; 2676±42 BP; 2674±43 BP; 2635±42 BP), que não se diferenciam
substancialmente das de Cartago (2710±30 BP; 2660±30 BP; 2650±30 BP; 2640±30 BP) [Doc05, Doc08]. Uma vez mais,
importa deixar aqui referido que as datas de Cartago permitiram também colocar em dúvida a cronologia egeia, uma vez
que a presença, nos níveis datados, de cerâmicas do Geométrico Tardio indiciaria para estas mesmas ocupações uma
datação da segunda metade do séc. VIII a.C.</p>
      <p>Outras datações peninsulares com valores altos para esta fase ligeiramente mais avançada, já conhecidas há muito, e,
por isso mesmo, também muito discutidas, são as de Acinipo 2770±90 BP [Agu91: 311, Carr92: 136] e do Cerro de La
Mora 2740±90 BP [Cas94], sendo aqui os intervalos de tempo excessivamente amplos, para garantir o arcaísmo dos
contextos datados, apesar da coerência da sequência de datas obtida no primeiro dos sítios, como já foi chamada a
necessária atenção [Tor98].</p>
      <p>As datas portuguesas, mesmo as mais antigas (Ratinhos, Almaraz e Santarém), são, assim, compatíveis com a
“cronologia do radiocarbono” que foi definida para o Mediterrâneo Central e Ocidental, parecendo possível admitir que o
litoral atlântico português e alguns territórios do interior alentejano tenham iniciado o processo de orientalização numa
fase antiga, mas ainda assim várias décadas mais tarde do que nas regiões de Huelva e Málaga e do actual território
tunisino (Útica). A ausência de algumas das importações mediterrâneas, designadamente das cerâmicas gregas, sardas e
villanovianas, típicas dos sítios fenícios arcaicos, é uma constante nos contextos orientalizantes mais antigos do território
português. Esta fase, que pode ser definida como a “terceira vaga” da colonização, corresponde também à fundação de
Cartago e de outras colónias do litoral da Península Ibérica, concretamente Toscanos e Cerro del Villar e será atribuível ao
séc. IX a.C.
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