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      <title-group>
        <article-title>Percepção Inicial dos Discentes de Um Curso de Ciências Biológicas a Distância: Possibilidades e Dificuldades</article-title>
      </title-group>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Rayane de T. M. Ribeiro</string-name>
          <email>rayane.tasso@uece.br</email>
          <xref ref-type="aff" rid="aff0">0</xref>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Leilane K. B. Soares</string-name>
          <email>leilane.soares@uece.br</email>
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        </contrib>
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          <string-name>Francisco Bruno S. Lobo</string-name>
          <email>francisco.lobo@uece.br</email>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Jessica F. Pacheco</string-name>
          <email>jessica.pacheco@aluno.uece.br</email>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Vanessa A. Pereira</string-name>
          <email>van.pereira@uece.br</email>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Roselita M. de S. Mendes</string-name>
          <email>roselita.mendes@uece.br</email>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Lydia D. M. Pantoja</string-name>
          <email>lydia.pantoja@uece.br</email>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Germana C. Paixão</string-name>
          <email>germana.paixao@uece.br</email>
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        </contrib>
        <aff id="aff0">
          <label>0</label>
          <institution>Curso de Ciências Biológicas EAD/UAB - Universidade Estadual do Ceará (UECE/UAB)</institution>
          ,
          <addr-line>Av. Dr. Silas Munguba 1700, Itaperi, 60714-903 - Fortaleza - CE -</addr-line>
          <country country="BR">Brasil</country>
        </aff>
      </contrib-group>
      <fpage>192</fpage>
      <lpage>203</lpage>
      <abstract>
        <p>The objective was to identify the initial possibilities and difficulties verified by 50 students of a distance biological course, functioning at the Jaguaribe and São Gonçalo do Amarante-CE poles. The research is characterized as a quantitative-qualitative study and exploratory intervention, with the application of a semi-structured questionnaire. It was found that 76% of students attend higher education for the first time, 46% study 3 to 4 hours a day and report facing space difficulties because they are mostly residents of other municipalities and not the poles of the course. In general, the students were aware of the initial process of learning and adaptation to the teaching model. Resumo. Objetivou-se identificar as possibilidades e dificuldades iniciais verificadas por 50 alunos de um curso de Ciências Biológicas a distância, funcionando nos polos de Jaguaribe e São Gonçalo do Amarante-CE. A pesquisa caracteriza-se como um estudo quanti-qualitativo e de intervenção exploratória, com a aplicação de questionário semiestruturado. Constatou-se que 76% dos alunos cursam pela priveira vez o ensino superior, 46% estudam de 3 a 4 horas por dia e relatam enfrentar dificuldades espaciais por serem, em sua maioria, residentes de outros municípios e não dos polos do curso. No geral os alunos se mostravam conscientes frente ao processo inicial de aprendizagem e adaptação ao modelo de ensino.</p>
      </abstract>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>1. Introdução</title>
      <p>
        A EaD propicia, então, uma mudança pedagógica com a elaboração de novos
modelos educacionais e redefinição dos já existentes [Armengol apud Justifiniani 1994].
Nesta perspectiva de ensino, os conceitos de espaço, tempo e interatividade são
relativizados, culminando com o surgimento de um novo paradigma educacional
[
        <xref ref-type="bibr" rid="ref11">Machado 2005</xref>
        ;
        <xref ref-type="bibr" rid="ref26">Toschi 2008</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        Segundo
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2">Almeida (2015)</xref>
        , a EaD utiliza ferramentas interativas com o intuito de
facilitar o processo de ensino-aprendizagem e estimular a colaboração e interação entre
os participantes de um curso nessa modalidade. A EaD é marcada, portanto, por
otimizar as relações de espaço e tempo para o aprendizado, baseando-se na
autodeterminação e na autonomia dos alunos na busca de sua formação [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">Conde et al.
2017</xref>
        ; Maia e Vidal 2017].
      </p>
      <p>
        Além do desenvolvimento da autonomia do estudante, a EaD permite uma maior
dinâmica de informações com uma gama de recursos audiovisuais disponíveis,
propiciando a adaptação do aluno ao uso das ferramentas tecnológicas [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref25">Simão Neto
2012</xref>
        ;
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">Conde et al. 2017</xref>
        ]. No entanto, um de seus obstáculos é a própria tecnologia, pois
muitos estudantes não têm conhecimentos mínimos para o uso das plataformas de
aprendizagem [Oliveira Filho e Silva 2007].
      </p>
      <p>Adicionalmente, o abandono dos estudos devido, principalmente, a problemas
no contexto pessoal e social dos alunos, como exemplo: ausência de pertencimento a
uma comunidade de aprendizagem, falta de confiança na capacidade de gerir os
diferentes caminhos virtuais, autoconfiança acadêmica, apoio da família ou no trabalho,
demandas familiares e profissionais permenece sendo um dos maiores desafios da
educação a distância [Mercado 2007; Oliveira 2007].</p>
      <p>
        Para
        <xref ref-type="bibr" rid="ref12">Mercado (2007)</xref>
        , as dificuldades no uso da plataforma e na relação com
professores e tutores podem causar desânimo dos alunos com o curso e, culminar com a
desistência do mesmo. Dentre as causas levantadas temos a ausência de ajuda ou
resposta imediata por parte de tutores ou colegas, instruções ambíguas para realização
de atividades, problemas técnicos, inadequação do modelo pedagógico aos estilos
cognitivos e características pessoais dos estudantes.
      </p>
      <p>Diante desse contexto, o presente artigo tem como objetivo conhecer os alunos
recém-ingressos no curso de Licenciatura em Ciências Biológicas na modalidade a
distância de uma universidade pública do Ceará para responder a seguinte pergunta:
Qual perfil, possibilidades e dificuldades iniciais verificadas por esses alunos?</p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>2. Metodologia</title>
      <p>
        Na presente pesquisa, foi avaliada a percepção dos alunos de um curso a distância de
Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Ceará- UECE/UAB, por meio de um
questionário semi-estruturado. Trata-se de uma pesquisa quanti-qualitativa aplicada e de
intervenção, segundo
        <xref ref-type="bibr" rid="ref14">Neves (1996)</xref>
        , Gil (2002) e
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">Appolinário (2004)</xref>
        .
      </p>
      <p>O presente estudo teve como público os alunos do primeiro semestre do Curso
de Ciências Biológicas EaD de uma Universidade pública cearense, em atuação nos
polos de Jaguaribe e São Gonçalo do Amarante. O questionário foi aplicado a 50
alunos, sendo 31 de Jaguaribe (62% do total de alunos consultados) e 19 de São
Gonçalo do Amarante (38% do total de alunos consultados).</p>
      <p>Os dados foram coletados por meio de questionários, que foram avaliados
qualitativa e quantitativamente. O questionário continha 31 questões, que foram
divididas em quatro blocos: bloco 1 - caracterização sociodemográfica e de formação,
para identificar aspectos pessoais dos alunos, conhecer a formação de cada um,
diferenciar aqueles já formados ou não e saber se os mesmos já fizeram curso de
graduação a distância; bloco 2 - caracterização da motivação e disponibilidade para o
curso; a fim de identificar os motivos dos alunos para fazerem curso a distância e
optarem pelo curso de ciências Biológicas, além de analisar o tempo que usam para os
estudos e se acham esse tempo adequado; bloco 3 - caracterização de habilidades para
EaD, buscando identificar onde os alunos residem, se os mesmos possuem acesso a
internet e de onde acessam a mesma; bloco 4- foi colocado aos alunos para identificar
em que medida eles concordam ou discordam com diversos aspectos abordados pela
educação a distância. Juntamente com os questionários foi repassado para os alunos o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).</p>
      <p>
        O uso de questionário torna-se metodologicamente vantajoso, pois traz questões
objetivas de fácil pontuação, possui uniformidade, deixa em aberto o tempo para as
pessoas responderem e pensarem nas respostas tem fácil entendimento dos dados e
possui custo razoável, tal como sustentado por
        <xref ref-type="bibr" rid="ref20">Ribeiro (2008)</xref>
        . Os dados foram
analisados no programa Microsoft Office Excel e expressos em porcentagem.
      </p>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>3. Resultado e discussão</title>
    </sec>
    <sec id="sec-4">
      <title>3.1. Caracterização sociodemografica e de formação acadêmica</title>
      <p>A tabela 01 apresenta uma caracterização geral do perfil dos alunos entrevistados,
abrange aspectos sociodemograficos e de formação, tais como: idade, sexo, estado civil,
renda familiar, quantidade de membros na família e o nível da formação acadêmica.</p>
      <p>Tabela 1. Perfil geral dos alunos entrevistados: aspectos sociodemográficos,
socioeconômicos e de formação acadêmica</p>
      <p>VARIÁVEL
Sexo
Feminino
Masculino
Idade (anos)
17 a 25
26 a 35
Acima de 35
Estado Civil
Solteiro(a)
Casado(a)/União Estável
Divorciado(a) ou Viúvo(a)
Atividade Remunerada
Sim
Não
Sem resposta
Renda familiar
menor ou igual a1 salário
1,2 a 2 salários
Acima de 3 salários
Sem resposta
Membros na residência
1 ou 2 membros
3 a 4 membros
5 ou mais membros
Formação superior
Não</p>
      <p>FREQ.</p>
      <p>Sim 12
FREQ: frequência; %: porcentagem</p>
      <p>
        Evidencia-se que a maioria dos alunos é do sexo feminino, corroborando com os
resultados obtidos por Ferreira e Mendonça (2007) e
        <xref ref-type="bibr" rid="ref17">Paixão et al. (2016)</xref>
        , que ressaltam
essa modalidade de ensino como facilitadora da vida de milhares de mulheres que, na
maioria das vezes, segue uma jornada dupla ou tripla, de tarefas e atividades
relacionadas a família e trabalho. Também, é possível observar que a faixa etária dos
entrevistados de 17 a 25 anos predomina com 50%, validando os dados do censo
realizado pela ABED em 2012, indicando que os alunos de EaD, possuem na maioria,
idade entre 18 e 30 anos
        <xref ref-type="bibr" rid="ref6">(CENSO EAD BR, 2012)</xref>
        .
      </p>
      <p>
        Além disso, observou-se que 54% dos alunos são casados ou em união estável,
confirmando o que foi exposto anteriormente sobre a relação família e estudo. Pode-se
observar ainda que a maioria dos alunos exerce atividades remuneradas, tal como
verificado por
        <xref ref-type="bibr" rid="ref10">Gilbert (2001)</xref>
        e
        <xref ref-type="bibr" rid="ref23">Schlickmann (2008)</xref>
        .
      </p>
      <p>
        A maioria dos entrevistados, 58%, conta com renda mensal de até 2 salários
mínimos, enquanto 20% não se sentiram confortáveis em informar sua renda, e torna-se
necessário ressaltar que 26% vivem com renda menor ou igual a 1 salário mínimo
mensal. Este fato pode ser uma das motivações para que o aluno busque na EaD um
caminho para melhoria de condições de vida. Ressalta-se que a família da maioria dos
alunos de EaD é numerosa. Os resultados mostram que 52% dos alunos vivem com 3 a
4 membros em suas unidades familiares. Dessa forma, pode-se levar em consideração
que o estudante de EaD, precisa de tempo para disponibilizar à família, ao estudo e ao
trabalho.
        <xref ref-type="bibr" rid="ref8">Ferreira (2007)</xref>
        afirma que a EaD possibilita que o aluno realize seu curso,
acessando-o de sua própria residência, e dedique tempo a sua família.
      </p>
      <p>
        A maioria dos pesquisados, 76%, não possui nenhuma formação superior. Um
dos motivos para este resultado pode ser inferido pelo fato de que muitos jovens
ingressaram na EaD recentemente. Do total entrevistado, apenas 24% já possuem outra
formação de nível superior e buscam novas possibilidades de aprendizado diferentes das
que exercem atualmente no âmbito professional, destes, 58,33% não tiveram contato
com outras atividades na modalidade EaD. Isso caracteriza uma maior parcela de alunos
com pouca ou nenhuma experiência com a referida modalidade. Este pode ser um fator
de susceptibilidade a evasão, tendo em vista que autores como
        <xref ref-type="bibr" rid="ref13">(Netto, Guidotti e
Santos, 2012)</xref>
        afirmam que, no âmbito da modalidade EaD, a não adaptação ao método
pode levar o aluno a desistir do curso.
      </p>
    </sec>
    <sec id="sec-5">
      <title>3.2. Caracterização da motivação e disponibilidade para o curso</title>
      <p>A tabela 02, exibe um resumo acerca principais motivos que levaram os alunos a
escolher o curso de Ciências Biológicas na modalidade EaD, o tempo que os mesmos
utilizam para o estudo e a conciliação deste com o trabalho, haja vista a maioria exercer
atividade remunerada.</p>
      <p>Tabela 2. Motivos que levaram os alunos a escolherem o curso de Ciências
Biológica-EAD e tempo dedicado aos estudos</p>
      <p>VARIÁVEL
Opção de um curso na modalidade EaD
Falta de tempo para cursar o ensino presencial
Falta de outras opções em minha região
FREQ.</p>
      <p>%
Domínio no uso de novas tecnologias
Outros motivos não listados
Motivo para escolha de Ciências Biológicas
Interesse em concluir um curso de nível superior
Familiarização com a matéria
Ampliar oportunidade de conseguir emprego
Atuação como professor na diciplina de Ciências ou afins
Falta de opções de outros cursos em minha região
Outros motivos não listados
Tempo de estudo diário
1 a 2 horas
3 a 4 horas
5 ou mais horas
Sem resposta
Tempo para concililar trabalho e estudo
Menos do que o necessário para um curso presencial
O mesmo necessário para um curso presencial
Mais do que o necessário para o curso presencial
FREQ: frequência; %: porcentagem</p>
      <p>
        Pode-se observar que muitos alunos (52%) optam pelo curso a distância por falta
de tempo para cursar a modalidade presencial. Isto denota a falsa ideia de que a
dedicação de tempo para o cumprimento de um curso a distância é menor.
        <xref ref-type="bibr" rid="ref23">Schlickmann
(2008)</xref>
        verificou que a flexibilidade proporcionada pela modalidade é um dos fatores
determinantes na opção do estudante. Belloni (2006) defende que as características
fundamentais do aluno, e consequentemente do futuro profissional moderno são, a
inovação, criatividade, com maior mobilidade, exigindo um trabalhador
multicompetente, multiqualificado, capaz de administrar atividades em equipe, de se
adaptar a situações novas, sempre prontas a aprender. Os alunos, em geral, não estão
acostumados a manterem hábitos disciplinados em relação a administração de seus
horários da forma que o curso a distância requer, e isso pode levar a desistência. De
acordo com
        <xref ref-type="bibr" rid="ref21">Ribeiro (2014)</xref>
        , o aluno se desestimula quando não consegue desenvolver
autonomia para aprendizagem do conteúdo de forma crítica e independente
aproveitando bem o seu tempo de permanência no Ambiente de Virtual de
Aprendizagem (AVA).
      </p>
      <p>
        As motivações identificadas, dentre os alunos, para a escolha do curso de
Ciências Biológicas apresentaram valores similares entre as alternativas. Nesse sentido,
28,71% afirmaram que optaram por este curso a fim de concluir o nível superior,
26,73% por possuírem familiarização com a matéria e 23,76% por buscarem ampliar as
oportunidades no mercado de trabalho. Sondermann e Baldo (2013) ressaltam que a
motivação para escolha do curso é de extrema relevância para considerar o sucesso da
modalidade. Para
        <xref ref-type="bibr" rid="ref18">Palloff e Pratt (2004</xref>
        ), a maioria dos alunos precisa de forte motivo,
geralmente profissional, para concluir seus cursos, caso contrário o abandona antes do
término.
      </p>
      <p>
        Investigou-se a quantidade de horas que os alunos disponibilizam para estudos
diários, constatando-se que 46% dos alunos estudam de 3 a 4 horas por dia. Sendo esta
uma quantidade considerada satisfatória, uma vez que ele pode desempenhar as
diferentes atividades propostas pelo curso, assimilando melhor o conteúdo visto em sala
de aula. Comparado-se com o tempo de permanência na sala de aula convencional, a
maioria dos alunos cumpre a carga horária estudando sozinho, o que mostra mais uma
característica do aluno EaD, o compromisso. Comparando o tempo que aluno gastaria
em sala de aula presencial, verificou-se, que 58,85% acredita que a dedicação é menor
do que precisaria para um curso presencial. Isto é um fato preocupante, uma vez que,
para
        <xref ref-type="bibr" rid="ref5">Bergamin (2012)</xref>
        , a autodisciplina no seguimento de cronogramas estabelecidos
para o desenvolvimento de ações educacionais, prazos para entrega de tarefas,
frequência nos fóruns de aprendizagem e estabelecimento de períodos de estudo são
fundamentais.
      </p>
    </sec>
    <sec id="sec-6">
      <title>3.3. Caracterização de Habilidades para EaD</title>
      <p>A tabela 03, aborda alguns farores que são preponderantes para a permanência no curso
e assiduidade na entrega e elaboração das diversas atividades propostas no curso. Nas
variáveis abaixo, os alunos puderam assinalar mais de uma opção.</p>
      <p>Tabela 3. Fatores prepoderantes para permanência no curso</p>
      <p>Cerca de metade dos alunos (55%) não reside no polo de apoio do curso.
Podemos presumir que a realização de encontros para tirar dúvidas ou reuniões de
grupos de estudo tornam-se difíceis, em virtude da distância da residência. Quando
indagados sobre as vantagens de residirem no mesmo município do polo de apoio,
95,92% demonstram acreditar ser esta uma grande vantagem de acesso ao polo, uma
vez que isso facilita em diversas atividades.</p>
      <p>Verificou-se também as condições de acesso à internet no município de origem
dos estudantes. A maioria, 96%, dos estudantes afirmam ter facilidade com o acesso à
internet, o que permite o desenvolvimento das atividades propostas no curso.
Dificuldades no acesso a essa importante ferramenta são fatores que podem levar a
possível desistência do curso, uma vez que a internet é aliada número 1 do aprendizado
à distância, senso seu acesso condição preponderante para o aprendizado à distância.</p>
      <p>
        Em relação ao local de acesso dos estudantes contatou-se que 60,5% dos
entrevistados o faz em suas próprias residências, confirmando o que afirma
        <xref ref-type="bibr" rid="ref19">Passos,
Sondermann e Baldo (2013</xref>
        ) sobre o local em que os alunos estudam com maior
frequência. Podemos inferior que estes fatores colaboram para uma maior dedicação ao
curso por parte do aluno.
      </p>
    </sec>
    <sec id="sec-7">
      <title>3.4. Realidade atual: percepção e expectativas sobre o curso</title>
      <p>As percepções dos alunos, bem como suas perspectivas e expectativas em relação ao
curso, foram analisadas sobre o grau de concordância ou não e dispostos nas figuras 1,2
e 3.</p>
      <p>
        A maioria concorda parcialmente (42,86%), concordam totalmente (40,82%),
discordam parcialmente (14,28%) e discordam totalmente (2,04%), quanto a facilidade
em usar o computador (Figura 1). Isso se mostra um ponto positivo para o
desenvolvimento das atividades do aluno no curso, pois o computador é uma ferramenta
fundamental de apoio dos atuais cursos na modalidade EaD. Conforme
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">Almeida (2005)</xref>
        ,
essa falta de familiaridade com as novas e diversas tecnologias reflete a exclusão digital
que persiste no nosso cenário, mesmo nos dias atuais, e que tem se tornado uma
realidade pouco conhecida. Já em relação ao uso e grau de familiaridade com a internet,
51,03% consideram concordar totalmente, outros 36,73% parcialmente, 10,20%
discordam parcialmente e uma percentage inexpressiva de 2,04% não possuem uma
opinião formada sobre o tema. Isso pode se dever ao fato da disseminação do uso de
smartphone cada mais propagado em nossa realidade. O que se confirma com a
afirmação sobre o conhecimento de redes sociais e a facilidade de acesso, na qual
65,32% concordam completamente com a afirmativa, outros 28,57% concordam
parcialmente e apenas 6,11% discordam parcialmente com ela.
      </p>
      <p>Figura 1. Opinião dos alunos sobre o uso e facilidade das tecnologias</p>
      <p>O desenvolvimento e aperfeiçoamento de diversas habilidades são
indispensáveis para a permanência dos alunos nos cursos na modalidade EaD.
Apontuou-se algumas delas na Figura 2.
Figura 2. Opinião dos alunos sobre a habilidades indispensáveis para</p>
      <p>permanência dos alunos na modalidade de Ensino a distância
É notório que a organização do tempo para os estudos em cursos na modalidade
a distância é um ponto essencial para o sucesso e permanência dos alunos nesses cursos.
Netto, Guidotti e Santos (2012), traçam uma visão muito precisa sobre esse tema “Se
uma grande vantagem do aluno EaD é ter livre arbítrio para escolher a hora e o local
para estudar, pode ser uma desvantagem para quem não consegue estabelecer horários
de estudo e regras que estabeleçam uma organização para dedicação ao curso”. Na
pesquisa, foi detectado que 44,90% concordam parcialmente em conseguir dividir seu
tempo com as atividades diárias; 32,65% concordam totalmente que existe organização
e divisão do tempo entre estudo e atividades diárias; 14,29% discordam parcialmente
em relação a sua organizaçõa do tempo; 6,12% não possuem opinoão fomrada sobre o
tema e 2,04% discordam totalmente da afirmativa. Percebe-se que ainda existem alunos,
mesmo que um pequeno percentual, que precisam desenvolver a habilidade de
organizaçõa do tempo para conseguir consiliar todas as atividades diárias com os
estudos.</p>
      <p>
        Expressar as ideias de forma escrita nos cursos na modalidade EaD pode ser um
grande desafio para os alunos. Contudo, esse estudo mostra que esse não é um problema
para os pesquisados, já que 48,98% concordam parcialmente com a afirmação exposta
“sei expressar minhas ideias e pontos de vista utilizando a linguagem escrita
corretamente”; 26,53% concordam completamente com essa afirmação, 18,37%
discordam parcialmente, 4,08% não possuem opinião formada sobre o tema em tela e
2,04% discrodam completamente. Observando que a grande maioria das pessoas
pesquisadas consegue expressar em palavras suas ideias traz um ponto positivo para o
curso em questão. De acordo com
        <xref ref-type="bibr" rid="ref16">Paiva (2016)</xref>
        , “quando adquire a habilidade de leitura,
o indivíduo passa a ter acesso a uma infinita gama de informações decodificadas em
letras e algarismos”.
      </p>
      <p>Conforme já citado, a organização do tempo para os estudos de EaD é de suma
importância para o sucesso dos alunos. Para Petri (2018), a principal característica da
EaD e que a distingue das outras modalidades é a possibilidade de o alunos poderem
melhor se adequar e organizar para a construção da sua autoformação e da sua
autonomia no processo de aprender. Referente à proposição exposta em relação a
consciência que eles são os responsáveis por seu aprendizado, obteve-se que a maioria,
36,73%, concorda parcialmente com o afirmado, 34,70% concorda totalmente,
perfazendo a maioria, 24,49% discordam parcialmente e 4,08% não possuem uma
opinião formada a respeito do questionamento feito. Corroborando com a ideia que o
aluno de EaD deve saber que ele é o principal responsável por sua aprendizagem.</p>
      <p>Apesar da maioria possuir essa visão, ainda consideram os momentos
presenciais valiosos para o desenvolvimento da aprendizagem, conforme pode ser
visualizado na Figura 3.</p>
      <p>Nesse sentido, 61,23% dos participantes da pesquisa concordam totalmente que
o debate realizado em sala de aula é fundamental para a aprendizagem e outros 26,53%
também concordam totalmente que os encontros presencias ajudam os alunos na
realização das atividades propostas à distância (Figura 3). 12,24% não possuem opinião
formada sobre o tema. Isso confirma que a cultura do ensino presencial ainda é muito
marcante em nossa sociedade.</p>
      <p>Para os entrevistados a presença do tutor durante as atividades torna-se
indispensável para o aprendizado, já que 69,39% concordam totalmente com essa
afirmação; 24,49% concordam parcialmente; 4,08% não possuem uma opinião formada
e 2,04% discordam parcialmente sobre o tema em questão (Figura 3). Esse resultado
apoia o que foi dito anteriormente sobre o ensino presencial, ainda ser marcante na
cultura atual, bem como a relevância da presencialidade de um agente disseminador e
facilitador do conhecimento, no caso o tutor presencial.</p>
      <p>Figura 3. Opinião dos alunos sobre as características da Educação a Distância</p>
    </sec>
    <sec id="sec-8">
      <title>4. Conclusões</title>
      <p>No que diz respeito à trajetória educacional desses estudantes no momento em que
iniciam o curso em questão, a pesquisa mostrou que esta é para a grande maioria a
primeira oportunidade de acesso ao ensino superior, sendo também o primeiro momento
de contato direto com atividades na modalidade EaD.</p>
      <p>A escolha pelo curso de Ciências Biológicas foi um ponto que ao ser
pesquisado, mostrou que a maioria dos alunos a fez com o intuito principal de concluir
um curso superior. A maior parcela dos alunos participantes da pesquisa afirmou que
destina um considerável espaço de tempo de seu dia para a realização das atividades e
estudos e que considera que a EaD demanda uma maior necessidade de dedicação aos
estudos quando comparada a educação convencional. Em relação aos aspectos
territoriais, os alunos participantes da pesquisa enfrentam dificuldades por serem, em
sua maioria, residentes de outros municípios e não daqueles em que se localizam os
polos presenciais do curso.</p>
      <p>Do ponto de vista das TDIC, neste estudo observamos que os alunos conseguem
fazer uso do computador e apresentam facilidade de acesso em suas residências ou
outros pontos de acesso. Portanto, o domínio dos aspectos tecnológicos e o acesso a
internet não é tido como uma dificuldade no desenvolvimento do curso.</p>
      <p>Destacamos que os aspectos considerados, pelos alunos, mais importantes e
positivos para o desenvolvimento do curso foram a realização de encontros presenciais
com o intuito de sanar dúvidas remanescentes, bem como as atividades de tutoria.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-9">
      <title>Referências</title>
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