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  <front>
    <journal-meta />
    <article-meta>
      <title-group>
        <article-title>Investigando o Cyberbullying Entre Estudantes do Ensino Médio: Um Estudo no IFRN - Parelhas/RN</article-title>
      </title-group>
      <contrib-group>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Jaciane C. dos Santos</string-name>
          <email>jacianecristina125@gmail.com</email>
          <xref ref-type="aff" rid="aff0">0</xref>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Leticia M. da Silva</string-name>
          <email>leticia162337@gmail.com</email>
          <xref ref-type="aff" rid="aff0">0</xref>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Lidiane M. C. Queiróz</string-name>
          <xref ref-type="aff" rid="aff0">0</xref>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Francisco G. Silva</string-name>
          <xref ref-type="aff" rid="aff0">0</xref>
        </contrib>
        <aff id="aff0">
          <label>0</label>
          <institution>Instituto Federal de Educação</institution>
          ,
          <addr-line>Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) R. Dr. Mauro Duarte, s/n - José Clóvis, 59360-000 - Parelhas - RN</addr-line>
        </aff>
      </contrib-group>
      <fpage>249</fpage>
      <lpage>257</lpage>
      <abstract>
        <p>Cyberbullying is a subject of great relevance today and its practice among adolescents and young people tends to cause great inconvenience. Based on this statement, this work investigated among students of the IFRN campus Parelhas how much and how cyberbullying is present in their daily lives. This work also presents a proposal for a computational solution, a chatbot, as a channel to broaden discussions on the topic. The research is of the exploratory type and the data that support it were collected through an electronic questionnaire. We obtained answers from 80 students and as results, among others found, we identified that 71.6% of respondents have knowledge about cyberbullying and that 4 out of 10 students identify themselves as victims of this practice. Resumo. O cyberbullying é um assunto de grande relevância na atualidade e sua prática entre adolescentes e jovens tende a causar grandes transtornos às vítimas dessa ação. Partindo dessa afirmação, este trabalho investigou, entre estudantes do IFRN - campus Parelhas, o quanto e de que forma o cyberbullying se faz presente no cotidiano. Este trabalho apresenta ainda uma proposta de solução computacional, um chatbot, como canal para ampliar as discussões sobre o tema. A pesquisa é do tipo exploratória e os dados que a embasam foram coletados através de questionário eletrônico. Obtivemos respostas de 80 estudantes e, dentre outros resultados encontrados, identificamos que 71,6% dos respondentes têm conhecimento sobre o tema cyberbullying e que 4 entre 10 estudantes se identifica como vítima dessa prática.</p>
      </abstract>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>1. Introdução</title>
      <p>
        O desenvolvimento e o avanço das tecnologias da informação e comunicação
(TIC) faz com que esses meios possuam cada vez mais espaço na comunidade, o que
traz consigo aspectos promissores, como a facilidade e rapidez na comunicação e na
transmissão de informações. Esse fato levou
        <xref ref-type="bibr" rid="ref15">Ribeiro et al. (2011)</xref>
        a afirmarem que os
exponenciais aumentos do uso das TIC se repercutem em diversos fenômenos sociais
que acompanham essa evolução, pautados nas implicações do uso das tecnologias.
      </p>
      <p>Não obstante, esses constantes avanços podem, em contrapartida, proporcionar o
surgimento de aspectos comportamentais negativos em parte da população. Esses
aspectos estão intrinsicamente relacionados à sensação de liberdade desmedida que os
meios e aparatos tecnológico propiciam.</p>
      <p>
        É nesse cenário de novos fenômenos sociais, consequentes das implicações do
uso das tecnologias
        <xref ref-type="bibr" rid="ref18 ref22 ref8">(Martí-Vilar et al.,2013)</xref>
        , que contextualizamos o cyberbullying
como uma nova manifestação do bullying, ocorrendo por meio do uso de tecnologias
modernas, como dispositivos móveis e internet
        <xref ref-type="bibr" rid="ref19 ref20">(Slonje e Smith, 2008)</xref>
        .
      </p>
      <p>
        Segundo
        <xref ref-type="bibr" rid="ref20">Smith (2008)</xref>
        , o cyberbullying é “um comportamento agressivo e
deliberado, frequentemente repetido ao longo do tempo, realizado por um grupo ou por
apenas um indivíduo, que se utilizam de meios eletrônicos para fazer comentários
depreciativos a respeito de alguém – a vítima”. Devido à recente popularização dos
meios de comunicação, esse problema tem se evidenciado e é possível verificar também
um aumento significativo no número de casos.
      </p>
      <p>Dito isso, é preciso destacar que o cyberbullying é um campo de estudo muito
amplo e que está diretamente relacionado a áreas do conhecimento como a Psicologia,
que aborda o comportamento humano e suas emoções, a Sociologia, que estuda as
relações e os conflitos sociais entre os indivíduos, e as Ciências da Computação, quando
se trata do meio de difusão ao qual a questão está atrelada.</p>
      <p>
        Nesse sentido, alguns trabalhos têm verificado que o cyberbullying possui
reflexos, inicialmente, na qualidade da aprendizagem dos estudantes, trazendo
consequências à saúde psíquica e ao ajustamento psicológico
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1 ref11 ref4 ref6">(Hinduja e Patchin, 2010;
Molcho et al., 2009)</xref>
        , levando a angústia, depressão e baixa autoestima
        <xref ref-type="bibr" rid="ref10 ref13 ref16 ref23 ref24 ref9">(Mason, 2008;
Schenk e Fremouw, 2012; Ybarra e Mitchell, 2004; Ybarra et al., 2006)</xref>
        . Mesmo diante
de estudos que evidenciam as consequências do cyberbullying, há a percepção de
distanciamento entre esse saber científico e as reais personagens envolvidas em práticas
dessa natureza.
      </p>
      <p>A ausência de um processo de conscientização amplo e sistemático tem
colocado em xeque o conceito e a função social do espaço educativo que é a escola,
comprometendo o que deveria ser a identidade do ambiente educacional: um lugar de
sociabilidade positiva, de aprendizagem, de construção e de solidificação de valores
éticos, de formação de espíritos críticos, pautados no diálogo e no reconhecimento da
diversidade (Abromovay e Rua, 2002).</p>
      <p>Tendo em vista a carência de um levantamento de dados mais preciso sobre a
incidência do cyberbullying entre estudantes do ensino médio e sobre a falta de políticas
institucionais para o enfrentamento desse problema, este trabalho traz uma reflexão
fundamentada na literatura e na visão dos próprios estudantes acerca desse fenômeno
social.</p>
      <p>Assim, é preciso enfatizar que este trabalho não pretende fornecer um
instrumento para o tratamento psíquico nem almeja ser o único meio para o
enfrentamento do cyberbullying, pois, além disso estar fora do escopo planejado, existe
uma série de características que torna essa prática difícil de ser completamente
solucionada, principalmente se abordada de forma unidimensional.</p>
      <p>Uma das características que torna o cyberbullying uma prática difícil de ser
combatida está relacionada ao meio tecnológico em que se insere. A internet é um
“local” de difícil fiscalização das ações de seus usuários e os agressores arvoram-se na
(falsa) sensação de invisibilidade e de impunidade. Além desse fator, existe uma outra
complicação: a quantidade significativa de vítimas que prefere omitir informações, o
que torna o diagnóstico da situação complexo de ser efetuado e mensurado. Sendo esse
mapeamento situacional parte essencial para a implantação de métodos de combate e de
ajuda às vítimas, as soluções esbarram nesses empecilhos.</p>
      <p>Nesse sentido, buscamos desenvolver um trabalho cujo propósito
fundamental foi mapear o nível de conhecimento dos alunos sobre o tema e identificar
papéis desempenhados por eles, detalhando suas características, bem como as
consequências emocionais relatadas pelos participantes. Como consequência da
realização deste trabalho, houve também um processo de conscientização de estudantes
e de sensibilização da instituição de ensino.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>2. Referencial Teórico</title>
      <p>Devido ao grande crescimento do uso das tecnologias da informação e
comunicação (TIC), o estudo do cyberbullying vem ganhando destaque no meio
acadêmico. Acredita-se que o termo foi inicialmente mencionado por Bill Belsey,
educador canadense, que definiu o fenômeno como o uso das TIC, seja por uma pessoa
ou um grupo, de forma deliberada, repetitiva e hostil, com a intenção de prejudicar uma
pessoa ou um grupo (Belsey, 2005).</p>
      <p>
        Para
        <xref ref-type="bibr" rid="ref12">Novo (2009)</xref>
        , o fenômeno é caracterizado como todas as ações intencionais
e repetidas, levadas a cabo por terceiros, para molestar, humilhar, denegrir ou assediar
um indivíduo usando recursos tecnológicos. As ações podem manifestar-se das mais
variadas formas, sobretudo através de imagens, textos verbais ou mesmo áudio e/ou
vídeo. “Os efeitos que produzem vão desde o isolamento social, insucesso escolar,
perturbações do sono, na alimentação, às tentativas de suicídio ou suicídio propriamente
consumado”
        <xref ref-type="bibr" rid="ref21">(Souza, 2011, p. 7)</xref>
        .
      </p>
      <p>
        Todavia, segundo
        <xref ref-type="bibr" rid="ref5">Langos (2012)</xref>
        , ainda não se chegou a um consenso com
relação aos aspectos teóricos e conceituais que estão compreendidos por esse fenômeno
em sua complexidade.
      </p>
      <p>
        Em termos de incidência, podemos afirmar, de acordo com estudos realizados,
que essa prática está presente em todos os contextos e culturas, afetando de forma
transversal todos os níveis de escolaridade. Apesar dessa amplitude do fenômeno,
        <xref ref-type="bibr" rid="ref18">Shetgiri et al. (2013)</xref>
        salientam uma significativa mudança na prevalência do
cyberbullying relativa a sua forma de manifestação e ao tipo de envolvimento,
verificando-se uma maior prevalência do bullying/cyberbullying nos anos de transição
escolar
        <xref ref-type="bibr" rid="ref21">(Castillo, 2010; Souza, 2011)</xref>
        .
      </p>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>2.1. Enfrentamento do cyberbullying</title>
      <p>Os questionamentos e as propostas de intervenção acerca do cyberbullying
concentram-se, principalmente, em como intervir no ambiente em que acontece: a
internet. A natureza descentralizada e vasta da internet acaba por deixar a tarefa de
combater práticas de cyberbullying expressivamente complexa. Conforme afirma
Clemente (2010), os ataques dessa natureza têm maior repercussão devido à rapidez
com que as mensagens de espalham, tornando os efeitos ainda mais devastadores e
duradouros.</p>
      <p>O crescente número de crianças e de adolescentes que utilizam a internet
diariamente é mais um ponto que merece atenção e que tem grande importância quando
se pretende listar os fatores que influenciam as práticas de cyberbullying. Levando em
consideração que, quanto mais jovem iniciarem suas atividades no vasto ambiente
virtual e menos informados estiverem sobre os possíveis desafios que irão encontrar,
maiores serão as chances de que os jovens tenham experiências desagradáveis e que
essas tragam mais malefícios que benefícios.</p>
      <p>
        As práticas recomendadas por profissionais que lidam com essa temática
sugerem a utilização do conhecimento atrelado ao acompanhamento atento dos pais, “o
que inclui a elaboração de normas, restrições, orientações e táticas sociais, bem como de
supervisão ou monitoramento”.
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">(Maidel, 2015, p. 295)</xref>
        .
      </p>
      <p>Com isso, percebe-se que, quanto mais informados sobre um problema e maior
for o acompanhamento dos pais, menor é o risco de que a criança ou o adolescente
venha a praticar/participar de algum ato repreensível.</p>
      <p>Tratando-se de iniciativas que visam ao desenvolvimento de mecanismos
eficazes para o combate ao cyberbullying, podemos afirmar que a maioria delas tem sua
origem nos Estados Unidos e em países europeus. Uma dessas iniciativas teve início em
2008 e tem gerado, ao longo dos anos, ferramentas como o CyberTraining, que resultou
no desenvolvimento de um Manual em múltiplos idiomas para formadores na área do
cyberbullying. (Pessoa et al, 2011)</p>
      <p>Um projeto como o CyberTraining tem grande relevância para a temática, uma
vez que são poucas as iniciativas conhecidas capazes de surtir um efeito duradouro e
bem embasado diante da complexidade do cyberbullying. Treinar profissionais de
educação para lidar com esse problema desde os primeiros anos de ensino mostra-se
uma intervenção inteligente e promissora para fortalecer o combate a situações dessa
natureza, mas deve-se, principalmente, preveni-las e, posteriormente, os danos que
viriam a ser causados pelo cyberbullying.</p>
      <p>
        Ao mesmo tempo, começam a surgir estudos com o objetivo de identificar os
fatores de risco e de proteção que estão associados ao cyberbullying
        <xref ref-type="bibr" rid="ref10 ref13 ref16 ref16 ref18 ref2 ref2 ref22 ref3 ref3">(Fanti et al., 2012;
García-Maldonado et al., 2012; Menesini e Spiel, 2012; Sticca et al., 2013)</xref>
        . Um dos
aspectos relevantes comuns em parte desses estudos diz respeito à abordagem ecológica
do cyberbullying, demonstrando que o meio ambiente social, incluindo a escola, é um
fator relevante a ser estudado e que se relaciona com o risco de ocorrência e com a
solução do problema.
      </p>
      <p>
        Nesse sentido, as instituições de ensino precisam articular políticas de prevenção
e de intervenção de uma forma consciente, responsável e democrática, para que, quando
ocorram casos graves de bullying/cyberbullying, todos estejam preparados para atuar
com responsabilidade social e de forma segura
        <xref ref-type="bibr" rid="ref10 ref13 ref16">(Oliveira e Gomes, 2012)</xref>
        .
      </p>
    </sec>
    <sec id="sec-4">
      <title>3. Metodologia</title>
      <p>A primeira etapa do nosso trabalho foi o aprofundamento dos conceitos ligados à
temática através de uma revisão da literatura, a qual forneceu o embasamento conceitual
necessário ao desenvolvimento das fases seguintes. Para tanto, foram realizadas
pesquisas em periódicos e em anais de eventos da área de informática e de outras áreas
que englobam o assunto, como psicologia e sociologia. Feito isso, foi possível conhecer
conceitos-chave, além de podermos ter contato com formas de abordagem do tema, algo
necessário para que pudéssemos pensar em como nosso trabalho poderia contribuir para
o desenvolvimento de soluções na área.</p>
      <p>Após a revisão, elaboramos e aplicamos um questionário com os alunos dos
cursos integrados do Campus do IFRN de Parelhas. Esse instrumento foi desenvolvido
para responder a três grandes questões quanto ao cyberbullying: i) o que sabem e
pensam os estudantes do ensino médio acerca da temática; ii) quais são os perfis
representados por eles (vítimas, agressores, espectadores); e iii) como o cyberbullying
tem afetado suas vidas. O questionário foi elaborado com base nas teorias identificadas
na etapa anterior e foi explicado e disponibilizado aos estudantes via e-mail e
presencialmente em cada sala de aula. Por se tratar de uma temática sensível, o
questionário não exigia identificação dos estudantes, de modo que pudessem se sentir
confortáveis quanto aos dados que estavam fornecendo. Dos cerca de 270 discentes que
compõem o ensino médio integrado do campus, alcançamos ao todo 80 respondentes, o
que corresponde a 30% do total.</p>
      <p>Assim, a terceira etapa do projeto consistiu na tabulação e na aplicação de
estatística descritiva sobre os dados para serem analisados em seguida.</p>
      <p>A etapa seguinte consistirá na criação de uma solução computacional para ajudar
no enfrentamento ao cyberbullying na escola, um chatbot1. Essa etapa do trabalho ainda
está em desenvolvimento e com ela pretendemos criar um meio mais interativo e
dinâmico para que adolescentes e jovens possam obter informações a respeito da
temática.</p>
      <p>Como etapa final do projeto, pretendemos realizar um estudo através do qual
estudantes testarão as funcionalidades e as características do chatbot desenvolvido. Para
tanto, será levantado um conjunto de métricas que permitirão avaliar a efetividade, a
aceitabilidade e a usabilidade da ferramenta desenvolvida.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-5">
      <title>4. Resultados e Discussão</title>
      <p>Os resultados já encontrados em nossa pesquisa dizem respeito aos dados
coletados com a aplicação do questionário, os quais servem para verificar o perfil dos
estudantes do campus de Parelhas, seja com relação ao nível de conhecimento da
temática, seja para a identificação do número de possíveis vítimas e agressores.</p>
      <p>Verificou-se que a média de idade dos respondentes é 16 anos e a análise dos
dados coletados permitiu responder às três questões levantadas. A primeira delas diz
respeito ao grau de informação dos alunos com relação à temática: 71,6% dos
respondentes sabem do que se trata. Dessa forma, fica claro que o cyberbullying é uma</p>
      <p>
        um sistema de software que interage ou conversa (chat) com humanos em linguagem natural,
como o português
        <xref ref-type="bibr" rid="ref17">(Shawar e Atwell, 2007)</xref>
        .
prática reconhecida entre os respondentes. Esse número, apesar de alto, ainda é menor
que o de estudantes que afirmam saber apenas o que é bullying: 97,7%. Esses
percentuais permitem conjecturar que os estudantes podem não reconhecer as práticas
do cyberbullying como atos de violência equivalentes ao bullying “tradicional”. Sobre
os conceitos que tangenciam a prática do cyberbullying, 33,3% afirmam não conhecer
os termos hater ou stalker, o que demonstra a necessidade de trazer mais informações
sobre conceitos adjacentes ao tema principal.
      </p>
      <p>
        O segundo questionamento diz respeito aos papéis desempenhados pelos
estudantes, ou seja, se eles se consideram vítimas, agressores ou espectadores frente ao
bullying. Quanto a esse tópico, a pergunta a respeito de se já presenciaram ou se
conhecem alguém que já foi vítima de comportamentos e atos ofensivos em meio
digital, 87,7% afirmaram que sim. O percentual daqueles que afirmaram com certeza já
terem sido vítimas das práticas características do cyberbullying chegou a 39,5%; outros
30,9% consideram que, talvez, possam ter sido vítimas. Entre esses dois grupos, 41,1%
alegam ter passado por isso mais de uma vez. Desse modo, embora não seja possível
afirmar que todos os que dizem ter sido vítimas sofreram efetivamente cyberbullying, os
números chamam a atenção por serem consideravelmente altos e por estarem acima do
percentual identificado em pesquisas realizadas na Europa
        <xref ref-type="bibr" rid="ref15 ref2 ref6">(Livingstone et al 2011)</xref>
        e na
América do Norte
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1 ref17 ref25">(Englander, 2010; Ybarra, Diener-West e Leaf, 2007)</xref>
        , que foi de
10%. Mesmo no Brasil, em pesquisa realizada pela Intel (Intel, 2015), esse número
chegou a “apenas” 21%, consideravelmente abaixo dos quase 40% levantados aqui.
Quanto aos prováveis agressores, isto é, àqueles que afirmam já terem cometido alguma
ação que possa ter incomodado ou chateado alguém, o percentual foi de 28%.
      </p>
      <p>O terceiro e último aspecto está relacionado às possíveis implicações para os
agressores: 44,2% afirmam não saber que existem leis para punir esse tipo de atitude ou
quais medidas devem ser tomadas diante dele. Essa falta de informação quanto às
consequências penais para agressores pode contribuir para o crescimento da sensação de
impunidade e, assim, para a perpetuação da violência. Os números apresentados
reforçam o que foi levantado na literatura: aumento no número de casos, difícil
identificação de vítimas e de agressores, desinformação.</p>
      <p>Uma outra fase, ainda não concluída, da pesquisa é a criação de um chatbot para
discussão do tema. Esse artefato ainda está em fase de desenvolvimento e, por essa
razão, ainda não é possível apresentar resultados quanto à sua efetividade.
5. Considerações Finais</p>
      <p>O cyberbullying é um problema complexo presente na atual sociedade, mas que,
muitas vezes, passa despercebido devido à desinformação e à dificuldade na
identificação de casos e de vítimas. Na tentativa de contribuir para a resolução do
problema do cyberbullying, levantamos dados que ajudaram a desenhar um perfil atual
dos estudantes a respeito do assunto. Ações institucionais podem ser planejadas com
base nos dados apresentados, o que aumenta as chances de serem realizadas com
sucesso.</p>
      <p>Desse modo, a realização deste estudo serviu também como um instrumento
para a disseminação de informações visando à conscientização sobre a importância do
debate e da necessidade da criação de projetos que capacitem gestores e educadores
acerca do tema.</p>
      <p>Quando concluído, o chatbot será uma ferramenta projetada para o mesmo meio
em que essa prática acontece, a internet. Como isso, tencionamos propor uma solução
tecnológica capaz de criar um canal de comunicação dinâmico para interagir com os
usuários a fim de esclarecer dúvidas das comunidades acadêmica e externa sobre o
cyberbullying.</p>
      <p>A proposta deste trabalho foi explorar e trazer dados que demonstram e que
apresentam a realidade vivenciada no ambiente escolar, de modo particular no IFRN. A
este ponto, ponderamos que, embora não seja possível generalizar os resultados
encontrados aqui, estes não tendem a destoar de outras escolas ou de outras cidades do
Brasil.</p>
      <p>Dada as implicações e o alcance dessa modalidade de violência, é oportuno
afirmar que também se faz primordial uma ação sistemática e prolongada de toda a
sociedade para oportunizar a mudança de conceitos e aspectos culturais intimamente
relacionados à aceitação e ao respeito que se deve ter com relação a todo e qualquer tipo
de diversidade humana. Partimos, assim, da premissa de que o melhor meio de evitar
comportamentos como o cyberbullying é estimular a conscientização e o respeito
incondicional às diferenças em todos os ambientes e desde os primeiros anos da
infância.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-6">
      <title>Referências</title>
      <p>Abromovay, M.; Rua, M. D. G. (2002) Violências nas escolas. UNESCO. Brasília.
Belsey, B. (2005) “Cyberbullying: An emerging threat to the always on generation”.</p>
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em 15 de março de 2018.</p>
      <p>Castillo, A. E. (2010) “Estudio descriptivo de las estrategias de afrontamiento del
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Psychology. p. 353-372.</p>
      <p>Clemente, L. V. (2010) Cyberbullying. 44 f. Monografia – Centro Universitário de</p>
      <p>Brasília. Faculdade de Tecnologia e Ciências Sociais Aplicadas – FATECS.
Intel. (2015) Realidade cibernética: O que os pré-adolescentes e adolescentes estão
fazendo online.</p>
    </sec>
  </body>
  <back>
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