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    <article-meta>
      <title-group>
        <article-title>Classificação automática via ontologias: um estudo preliminar sobre raciocínio humano e lógica descritiva</article-title>
      </title-group>
      <contrib-group>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Eduardo Ribeiro Felipe</string-name>
          <email>erfelipe@ufmg.br</email>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Mauricio Barcellos Almeida</string-name>
        </contrib>
      </contrib-group>
      <abstract>
        <p>This paper presents an ongoing PhD project, which will be submitted to the examination board in February 2020, whose research question involves automatic classification via ontologies and human reasoning in description logics. The present research aims to investigate the classification in reasoners and compare it, from an empirical perspective, to results of human classification still very common in Information Science. At this moment, we extract some fragments from the literature that lists common problems people confront in modeling with description logics, and the methodology we will use to test the problems and suggest improvements. Resumo. Esse artigo é resultado parcial de tese em andamento, com previsão de defesa em fevereiro de 2020, cujo problema de pesquisa envolve a classificação automática via ontologias. A presente pesquisa visa investigar a classificação em motores de inferência e compará-la de forma empírica com resultados de classificação manual, processo ainda comum em Ciência da Informação. Nesse momento, extraímos fragmentos da literatura que listam problemas comuns que as pessoas enfrentam ao modelar com lógica descritiva, além de apresentar a metodologia que deve ser aplicada para testar tais problemas e sugerir melhorias.</p>
      </abstract>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>1. Introdução</title>
      <sec id="sec-1-1">
        <title>As lógicas descritivas (LDs) têm sido as linguagens mais usadas para a</title>
        <p>construção de ontologias. O desenvolvimento dos padrões OWL (Web Ontology
Language) impulsionou ainda mais esse uso em função de razoável balanço que
oferecem entre capacidade de expressão e capacidade de computação. No entanto, LDs
são difíceis de compreender e trabalhar, especialmente, para usuários de ontologia que
não são cientistas da computação e que não possuem treinamento em lógica. A sintaxe
OWL Manchester foi desenvolvida para tornar as lógicas mais acessíveis ao adotar
palavras-chave em inglês no lugar de símbolos lógicos. Ainda assim, as LDs continuam
a apresentar dificuldades, mesmo quando representados na sintaxe de Manchester. A
literatura relata diversas investigações sobre quais características das LDs causam
dificuldades, como por exemplo, o contexto de entender como uma implicação decorre
de uma justificação (o subconjunto mínimo da ontologia suficiente para tal vinculação
se manter). No entanto, tem havido pouca pesquisa para relacionar essas dificuldades a
como as pessoas naturalmente raciocinam e usam a linguagem, para fins de modelagem.</p>
        <p>O presente trabalho se insere nesse contexto e é parte de uma pesquisa de
doutorado em andamento, com previsão de defesa para fevereiro de 2020, cujo objetivo
geral é entender as dificuldades que as pessoas experimentam ao usar LDs para criar,
editar e avaliar ontologias, de forma a mitigar tais dificuldades. Os objetivos específicos
são: a) construção de um software para interface com os motores de busca e inferência
automática, b) criação de questionários e questões para comparação, c) submissão da
mesma ontologia a estudantes de pós-graduação que trabalham com ontologias, d)
comparação de resultados na classificação automatizada versus manual.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>2. Classificação</title>
      <p>Classificar remete a identificar e discernir características que tornem a entidade
pertencente a determinado agrupamento. Este processo é feito de forma a permitir o
reconhecimento por meio de características essenciais, que possibilitem a criação de um
modelo descritivo das entidades ou conjunto delas.</p>
      <p>Assim, o processo de classificação resulta em grupos conceituais genericamente
denominados “classes”. Com as classes é possível organizar a informação de forma
hierárquica e permitir que a especificidade de suas características seja evidenciada em
subclasses. O ato de classificar, na CI, foi considerado por muitos anos um ato de
“arrumação sistemática” [Barbosa, 1969], ou seja, realizar “um processo mental pelo
qual coisas, são reunidas segundo as semelhanças ou diferenças que apresentam. Esta
definição corrobora com Vickery (1975) e Simões (2011) que destacam o agrupamento
por identificação de características comuns e sua separação por diferença.</p>
      <p>No contexto da Ciência da Informação, o processo de classificação está
diretamente ligado a organização de um acervo bibliográfico e sua recuperação. Com o
advento da digitalização, o acervo é hoje digital, o que demanda o aprimoramento de
recursos existentes, além do desenvolvimento de novas técnicas que permitam
classificar conteúdos eletrônicos de forma automatizada como tem demonstrado a
proposta do aprendizado de máquina.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>3. Mecanismos de inferência</title>
      <p>Na concepção da World Wide Web, o nível de representação permitiria que a
informação fosse interpretada por agentes computacionais (algoritmos) e possibilitasse
melhorias na recuperação da informação.</p>
      <sec id="sec-3-1">
        <title>A tecnologia RDF foi uma das primeiras respostas na busca por expressividade</title>
        <p>para a Web Semântica. Sua estrutura compreende em três componentes básicos: subject
(assunto), predicate (predicado) and object (objeto), formando o que se convencionou
chamar de tripla [Powers, 2003]. Uma tripla é um fato, uma declaração (assertion), e
pode ser conectada a outras triplas formando uma corrente de conexões, ampliando um
modelo de representação do conhecimento.</p>
        <p>O RDF Schema (RDFS), que consiste de um vocabulário de modelagem de
dados para dados em RDF” (W3C), fornece os recursos necessários para descrever
objetos e propriedades de um esquema de um domínio específico [Powers, 2003]. Em
seguida, a fim de permitir maior expressividade e suporte à inferência por reasoners, foi
criada a Web Ontology Language (OWL). OWL é uma lógica descritiva, subconjunto
da Lógica de Primeira Ordem. Nem tudo que é escrito em OWL é necessariamente uma
ontologia, e nem toda ontologia é representada em OWL [Rector, Sottara, 2014].</p>
      </sec>
      <sec id="sec-3-2">
        <title>Neste contexto, os reasoners realizam inferências sobre a estrutura da ontologia criada a fim de adicionar conhecimento novo à mesma [Motik et al., 2009]. Rector et al. (2004) relacionaram os principais problemas enfrentados por alunos ao se utilizar as LDs para modelagem:</title>
      </sec>
      <sec id="sec-3-3">
        <title>1. Tendência em assumir que “only” (universal) apenas implica “some”</title>
        <p>(existencial);</p>
      </sec>
      <sec id="sec-3-4">
        <title>2. Confusão entre “and” e “or”;</title>
      </sec>
      <sec id="sec-3-5">
        <title>3. A combinação de 1 e 2, com o uso de “and” entre a criação de classes disjuntas;</title>
      </sec>
      <sec id="sec-3-6">
        <title>4. Confusão entre “P some (not X)” e “not (P some X)”.</title>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-4">
      <title>4. Metodologia</title>
      <p>A metodologia de pesquisa envolve os seguintes passos: i) construção de um aplicativo
para processamento de inferências acessível a usuários não conhecedores de lógica; ii)
identificação de padrões de modelagem em LD e raciocínio associado; iii) aplicação de
questionários; iv) estudo dos resultados e propostas para mitigar os problemas
encontrados.
4.1 - Construção de software com interface gráfica, de alto nível para permitir a
execução do reasoner
Embora o reasoner possa funcionar em um editor de OWL como, por exemplo, o
Protégé, este trabalho pretende possibilitar seu funcionamento utilizando uma interface
web, para permitir o uso por não especialistas em ontologias, realidade comum na CI.</p>
      <p>Nesta etapa o algoritmo de reasoner deve realizar as inferências, gerando como
resultado uma ontologia acrescida de novos termos e/ou declarações. Uma camada
voltada para visualização também deve ser desenvolvida ou adequada ao projeto,
permitindo a navegação pelo usuário em classes e relações. Neste momento da pesquisa,
foi identificada a ferramenta WebVOWL [Lohmann, 2014] que apresenta a ontologia
em formato gráfico utilizando uma conversão do formato OWL em JSON.
4.2 - Identificação de padrões de modelagem em LD e raciocínio associado
Para identificar as dificuldades das pessoas em lidar com LDs, valeu-se de pesquisas já
realizadas e disponíveis na literatura. No presente momento da pesquisa, adota-se um
extrato da análise de padrões de conteúdo proposta por Khan e Blomqvist (2010). Os
autores identificaram padrões de conteúdo mais comuns. A tabela 1 inclui as
características encontradas nesses padrões (exceto de propriedades de dados e restrições
de cardinalidade).</p>
      <p>Tabela 1 – Características das LDs mais comuns</p>
      <sec id="sec-4-1">
        <title>Características de Classes</title>
      </sec>
      <sec id="sec-4-2">
        <title>Características de Propriedades</title>
      </sec>
      <sec id="sec-4-3">
        <title>Restrições</title>
        <p>Adaptado de Khan and Blomqvist (2010).</p>
        <p>Caraterística da linguagem
subsunção
equivalencia de classes
disjunção classes
asserção de classes
conjunção
disjunção
complemento
faixa
dominio
hieraquia
propriedades inversas
propriedades transitivas
propriedades funcionais</p>
      </sec>
      <sec id="sec-4-4">
        <title>Propriedades simétricas</title>
      </sec>
      <sec id="sec-4-5">
        <title>Restrição Universal</title>
      </sec>
      <sec id="sec-4-6">
        <title>Restrição Existencial</title>
        <sec id="sec-4-6-1">
          <title>Manchester OWL Syntax</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-2">
          <title>SubClassOf</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-3">
          <title>EquivalentTo</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-4">
          <title>DisjointWith</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-5">
          <title>Type and or not</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-6">
          <title>Range</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-7">
          <title>Domain</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-8">
          <title>SubPropertyOf</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-9">
          <title>InverseOf</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-10">
          <title>Characteristics: Transitive</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-11">
          <title>Characteristics: Functional</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-12">
          <title>Characteristics: Symmetric some only</title>
          <p>Tabela 2 – Padrões para componentes
component only Object</p>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-13">
          <title>SubClassOf is_component_of only Object</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-14">
          <title>Characteristics Transitive</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-15">
          <title>Characteristics Transitive</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-16">
          <title>SubPropertyOf has_part</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-17">
          <title>SubPropertyOf is_part_of</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-18">
          <title>InverseOf has_comp</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-19">
          <title>Class Object SubClassOf has</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-20">
          <title>Property has_part</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-21">
          <title>Property is_part_of</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-22">
          <title>InverseOf has_part</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-23">
          <title>Property has_component</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-6-24">
          <title>Property is_component_of</title>
          <p>A has_component B
B has_component C
⇒ A has_part C</p>
        </sec>
      </sec>
      <sec id="sec-4-7">
        <title>Passo número:</title>
        <p>Tabela 3 – Questões para raciocínio (padrão componentes)
Tabela 4 – Passos para o raciocínio (padrão componentes)
1
2
3</p>
      </sec>
      <sec id="sec-4-8">
        <title>Raciocínio</title>
      </sec>
      <sec id="sec-4-9">
        <title>A tem-component B;</title>
        <p>tem-componente SubPropertyOf has_part;
⇒ A has_part B</p>
      </sec>
      <sec id="sec-4-10">
        <title>B tem_componente C;</title>
        <p>tem-componente SubPropertyOf has_part
⇒ B has_part C
has_part Characteristics Transitive;</p>
      </sec>
      <sec id="sec-4-11">
        <title>A has_part B [1]; B has_part C [2]</title>
        <p>⇒ A has_part C</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-5">
      <title>4.3 Aplicação de questionários</title>
      <p>Os questionários estarão no próprio site junto ao mecanismo de inferência, e devem
conter pelo menos os seguintes dados:
§
§
§
§
§
§</p>
      <sec id="sec-5-1">
        <title>Tempo de resposta;</title>
      </sec>
      <sec id="sec-5-2">
        <title>Conhecimento de lógica;</title>
      </sec>
      <sec id="sec-5-3">
        <title>Número de passos de raciocínio;</title>
      </sec>
      <sec id="sec-5-4">
        <title>Validade e precisão;</title>
      </sec>
      <sec id="sec-5-5">
        <title>Dificuldades registradas;</title>
      </sec>
      <sec id="sec-5-6">
        <title>Comparação.</title>
      </sec>
      <sec id="sec-5-7">
        <title>Nesta etapa uma interface gráfica deve permitir que o usuário possa discernir a</title>
        <p>ontologia original, a fim de permitir comparações, análises e declarações. Esta interface
poderá utilizar outros softwares como, por exemplo, WebVOWL ou utilizar estruturas
hierárquicas como TreeView, viabilizando alternativas a uma representação puramente
textual.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-6">
      <title>4.4 Análise dos resultados</title>
      <p>Uma vez analisados os resultados obtidos nos passos anteriores por meio de um
procedimento de comparação entre os processos manuais e automatizados, passa-se a
uma avaliação do que pode ser feito no sentido de mitigar as dificuldades encontradas e
auxiliar usuários leigos na modelagem e consultas.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-7">
      <title>5. Considerações finais</title>
      <p>Neste momento da pesquisa, o software para submissão da ontologia em OWL para o
reasoner encontra-se em estágio funcional de desenvolvimento, apresentando como
resultado um novo arquivo OWL contendo as definições e inferências geradas pelo
algoritmo de reasoner.</p>
      <sec id="sec-7-1">
        <title>O software já aborda as seguintes funcionalidades e características: a) permite a</title>
        <p>manipulação de uma ontologia em OWL ou RDFS e exibe sua visualização textual; b)
realiza a validação da ontologia a fim de verificar o funcionamento do algoritmo do
reasoner; c) submete a ontologia ao reasoner e grava um novo arquivo contendo uma
nova ontologia, adicionada de suas inferências.</p>
      </sec>
      <sec id="sec-7-2">
        <title>Espera-se com este trabalho contribuir com o aprimoramento e disseminação das ontologias na CI, expandindo a utilização de reasoners para aplicações no âmbito da classificação automática e para o entendimento das dificuldades experimentadas pelas pessoas ao lidar com a modelagem em lógica descritiva.</title>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-8">
      <title>Referências</title>
      <sec id="sec-8-1">
        <title>BARBOSA, A. P. Teoria e prática dos sistemas de classificação bibliográfica. 1969.</title>
      </sec>
      <sec id="sec-8-2">
        <title>BERNERS-LEE, T.; HANDLER, J.; LASSILA, O. The Semantic Web. Disponível</title>
        <p>em:
&lt;http://linkgalegroup.ez27.periodicos.capes.gov.br/apps/doc/A147823458/AONE?sid=googleschol
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        <p>KHAN, M. T., BLOMQVIST, E. (2010). Ontology design pattern detection-initial
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Conference on Advances in Semantic Processing (pp. 19–24).</p>
        <p>LOHMANN, S. et al. WebVOWL: Web-based Visualization of Ontologies.</p>
      </sec>
      <sec id="sec-8-3">
        <title>Knowledge Engineering and Knowledge Management. Springer, Cham, 24 nov.</title>
        <p>2014 Disponível em:
&lt;https://link.springer.com/chapter/10.1007/978-3-319-179667_21&gt;. Acesso em: 9 abr. 2018
MOTIK, B., PATEL-SCHNEIDER, P.F., Parsia, B., 2009. OWL 2 Web Ontology</p>
      </sec>
      <sec id="sec-8-4">
        <title>Language Profiles. Available from: &lt;http://www.w3.org/TR/owl2-profiles/&gt;.</title>
        <p>POWERS, S. Practical RDF. Beijing ; Sebastopol: O’Reilly, 2003.</p>
        <p>RECTOR, A., DRUMMOND, N., HORRIDGE, M., ROGERS, J., KNUBLAUCH, H.,
Stevens, R., … WROE, C. (2004). OWL pizzas: Practical experience of teaching
OWL-DL: Common errors &amp; common patterns. In Engineering Knowledge in the
Age of the Semantic Web (pp.63–81). Springer.</p>
      </sec>
      <sec id="sec-8-5">
        <title>RECTOR, A.; SOTTARA, D. Formal Representations and Semantic</title>
      </sec>
      <sec id="sec-8-6">
        <title>Technologies. In: Clinical Decision Support. [s.l.] Elsevier, 2014. p. 551–598.</title>
        <p>Web
SIMÕES, M. DA G. Classificações bibliográficas: percurso de uma teoria. Coimbra:</p>
      </sec>
      <sec id="sec-8-7">
        <title>Almedina, 2011.</title>
      </sec>
    </sec>
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          <article-title>A Comparative Study of Inference Engines</article-title>
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