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      <title-group>
        <article-title>A Teoria da Classificação Facetada na Construção de Taxonomias Facetadas</article-title>
      </title-group>
      <contrib-group>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Benildes Coura M. S. Maculan</string-name>
          <email>benildes@gmail.com</email>
          <xref ref-type="aff" rid="aff0">0</xref>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Elisângela Cristina Aganette</string-name>
          <email>elisangelaaganette@gmail.com</email>
          <xref ref-type="aff" rid="aff1">1</xref>
        </contrib>
        <aff id="aff0">
          <label>0</label>
          <institution>Grupo de Pesquisa Representação de Conhecimento e Recuperação da Informação (RECRI), Programa de Pós-Graduação em Gestão &amp; Organização do Conhecimento (PPGGOC), Escola de Ciência da Informação (ECI), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)</institution>
          ,
          <addr-line>Professora Adjunto, Doutora em Ciência da Informação, ORCID 0000-0003-4303-9071</addr-line>
        </aff>
        <aff id="aff1">
          <label>1</label>
          <institution>RECRI</institution>
          ,
          <addr-line>PPGGOC, ECI, UFMG, Professora Adjunto, Doutora em Ciência da Informação, ORCID 0000-0003-4357-8016</addr-line>
        </aff>
      </contrib-group>
      <pub-date>
        <year>2004</year>
      </pub-date>
      <abstract>
        <p>A taxonomy is a type of classificatory structure with terms organized in hierarchical form. It emerged as a dichotomous model in the Biology area (Taxonomy of Lineu), and later in the area of education, with the Bloom Taxonomy, which presented an educational goal classification, built in 1956. In the area of Information Science, Vickery (1960) was the first to define a taxonomy as an instrument to organize the set of entities of a domain. In the construction of ontologies and thesauri, taxonomies (hierarchical structures) are a backbone of these instruments, since they represent a primary data structure of a domain. It is assumed that the bases of Classification Theories, especially the Faceted Classification Theory developed by Ranganathan (1967) can contribute to the determination of classes and facets of subjects and entities in the construction of faceted taxonomies. In this perspective, this article presents subsidies for actions in construction of a facet taxonomy, mainly for a representation of classes and facets of the subject based on the Faceted Classification Theory principles. Resumo. Uma taxonomia é um tipo de estrutura classificatória, com termos organizados na forma hierárquica. Ela surgiu como sistema dicotômico, na área da Biologia (Taxonomia de Lineu), e, mais tarde, em 1956, na área da educação, com a Taxonomia de Bloom (1956), que apresentou uma classificação para objetivos educacionais. Na área da Ciência da Informação, Vickery (1960) foi o primeiro a definir a taxonomia como instrumento para organizar o conjunto de entidades de um domínio. Na construção de ontologias e tesauros, as taxonomias (estruturas hierárquicas) são consideradas a “espinha dorsal” desses instrumentos, pois representam a estrutura primária dos dados de um domínio. Considera-se que os fundamentos das Teorias da Classificação, sobretudo da Teoria da Classificação Facetada, desenvolvida por Ranganathan (1967) pode contribuir na determinação de classes e facetas de assuntos e entidades na construção de taxonomias facetadas. Nessa perspectiva, este artigo apresenta subsídios para os procedimentos envolvidos na construção de uma taxonomia facetada, sobretudo para a representação de classes e facetas de assunto, com base nos princípios da Teoria da Classificação Facetada. Palavras-chaves: Teoria da classificação facetada. Taxonomia facetada. Construção de taxonomia facetada.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd>Faceted Classification Theory</kwd>
        <kwd>Faceted taxonomy</kwd>
        <kwd>Faceted taxonomy construction</kwd>
      </kwd-group>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>1. Introdução</title>
      <p>Uma das principais competências da Ciência da Informação (CI) se refere à organização do
conhecimento e da informação. Com a realidade da web, a produção, armazenamento e
distribuição de informação precisa considerar a representação da informação de recursos digitais.
Nesse contexto, deve haver tratamento do recurso informacional de maneira que a heterogeneidade
de dados possa ser estruturada. Para tanto, os assuntos, tópicos, termos de índice e palavras-chave,
por exemplo, podem ser estruturados a partir de diferentes maneiras, seja com a arquitetura da
informação, a organização e gerenciamento de metadados ou classificações.</p>
      <p>
        Fazendo uma distinção entre sistema de categorização e sistema de classificação,
        <xref ref-type="bibr" rid="ref27">Silva
(2010</xref>
        ) estabelece que as classificações têm por características um arranjo sistemático de entidades,
em uma estrutura hierárquica de classes fixas, formadas para atender a propósitos e critérios
prédeterminados. A autora acresce que a estrutura possui limites rígidos (exclusão mútua), pois uma
subclasse pertence ou não a uma superclasse, e, caso positivo, todos os itens dessa classe possuem
as mesmas características essenciais, sendo todos igualmente representativos da classe (JACOB,
2004). Por sua vez, a categorização é flexível e dinâmica, sendo que a associação entre os itens da
subclasse não ocorre de forma rígida, podendo ser dependente de um contexto em particular.
      </p>
      <p>
        Uma taxonomia é uma estrutura classificatória, com termos organizados hierarquicamente.
De acordo com
        <xref ref-type="bibr" rid="ref21 ref22">Novo (2007</xref>
        ), o conceito de taxonomia é resultado de um longo processo histórico
construído por meio de estudos que culminaram em uma evolução não linear, e nem tampouco
ocorreu em um mesmo momento histórico. Um sistema dicotômico originou a taxonomia, na
Biologia, com Linnaeus, no século XVIII, que criou um sistema hierárquico dos seres vivos. Mais
de dois séculos após, o termo foi utilizado com objetivos pedagógicos, a Taxonomia de Bloom,
que apresentou a classificação dos objetivos educacionais em seis níveis: avaliação, síntese,
análise, aplicação, compreensão e conhecimento (
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">AGANETTE; ALVARENGA; ROCHA, 2010</xref>
        ).
No âmbito da CI,
        <xref ref-type="bibr" rid="ref31">Vickery (1960</xref>
        ) foi o primeiro a definir a taxonomia como instrumento para
organizar o conjunto de entidades de um domínio em uma simples hierarquia.
      </p>
      <p>
        Desde então, o conceito de taxonomia sofreu transformações, e, como um sistema de
organização do conhecimento (SOC), as taxonomias desempenham um papel importante no
esclarecimento de tópicos complexos e para facilitar a compreensão de um domínio (HEDDEN,
2010). Ela é usada para estruturação de informações e considerada uma importante ferramenta
para o entendimento de como uma área de conhecimento é organizada e, principalmente, como
essa área se relaciona e interage com outras (
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">AGANETTE; ALVARENGA; ROCHA, 2010</xref>
        ). São
características de uma taxonomia: a) lista estruturada de termos; b) termos organizados
hierarquicamente; c) permite a navegação através de seus termos estruturados; d) aceita agregação
de dados; e) explicita o modelo conceitual do domínio que representa; f) mecanismo de busca e
recuperação de informações (CAMPOS; GOMES, 2008).
      </p>
      <p>
        As taxonomias podem ser, segundo Conway et al. (2002): descritivas, para navegação e
para gerenciamento de dados: i) taxonomia descritiva: consiste em vocabulários controlados
construídos a partir de tesauros, e adiciona diversos tipos de palavras, ortografias, formas e dialetos
variantes, para que o usuário tenha maior liberdade na hora de buscar um assunto; ii) taxonomia
para navegação: envolve agrupamentos apropriados das informações, e pretende descobrir
informações por meio do comportamento do usuário mediante a utilização de navegadores
(browsing), baseando-se nos modelos mentais dos trabalhadores; iii) taxonomia para
gerenciamento de dados: contém um pequeno conjunto de termos controlados, com significância
particular e específica. As taxonomias construídas para agregar dados, permitem organizar itens de
informação em banco de dados. Os metadados são considerados pontos de referência que
descrevem e estruturam dados de informação, de maneira estável e uniforme, sob distintas formas
(suportes e tipologias)
        <xref ref-type="bibr" rid="ref29">(TAYLOR, 2003)</xref>
        . Nessa perspectiva, os metadados são resumos da
informação disponibilizada e facilitam o acesso à informação, sua extração e compreensão, e, na
atualidade, são empregados em serviços de informação online para armazenamento, autenticação,
direitos de autor e busca de informação (
        <xref ref-type="bibr" rid="ref11">CRUZ; DORNELES; GALANTE, 2010</xref>
        ). Dessa maneira,
elas funcionam como mapas conceituais para os recursos de informação de um domínio, utilizadas
como orientação permitida pela estrutura de termos que dão acesso aos tópicos, para exploração
(navegação) em um serviço de recuperação (CAMPOS; GOMES, 2008).
      </p>
      <p>Nesses serviços, por vezes encontramos uma taxonomia facetada, na qual um conteúdo
não está restrito a uma única dimensão, oferecendo diferentes opções de busca ao usuário, na qual
cada termo está em uma ou mais relação tipo pai/filho (geral/específico) em relação a outro termo,
conectados em hierarquia ou poli-hierarquia. Com essa característica, ela é uma estrutura composta
por um conjunto de taxonomias, e cada taxonomia descreve o conteúdo do banco de dados sob um
aspecto (dimensão/perspectiva) diferente, podendo ser usada para a navegação. Assim, em vez de
usar os rótulos de uma taxonomia tradicional (constituída por uma única faceta ou filtro) como
ponto de partida para encontrar o conteúdo desejado, os rótulos da taxonomia facetada são usados,
em especial, para restringir ou filtrar os resultados de uma busca.</p>
      <p>O uso de diferentes atributos para limitar os resultados de busca é uma maneira já bastante
comum em distintas implementações, tais como em sistemas de pesquisa corporativa (documentos
corporativos internos), de sites de comércio eletrônico (seleção de produtos) ou de bancos de dados
de bibliotecas (seleção de artigos). Nesses últimos, é essencial haver uma classe para representar os
assuntos, visando a recuperação do conteúdo temático de uma coleção. Essa atividade específica,
de representação de classes de assuntos, não é corriqueira.</p>
      <p>
        Considera-se que os fundamentos advindos das Teorias da Classificação, sobretudo da
Teoria da Classificação Facetada (TCF), desenvolvida por
        <xref ref-type="bibr" rid="ref25">Ranganathan (1967</xref>
        ), que dá subsídios
para a classificação sistemática e ordenação de termos e assuntos, tem uma importante
contribuição na determinação de classes e subclasses de assunto na construção de taxonomias,
tornando-as facetadas. Acredita-se que na construção de tesauros, em geral, e de ontologias que
determinam relações do tipo &lt;Is-a&gt;, as taxonomias (estruturas hierárquicas) são consideradas a sua
“espinha dorsal”, pois representam a estrutura primária dos dados de um domínio. Sendo assim, as
taxonomias facetadas poderiam oferecer uma estrutura ainda mais formalizada para reúso na
construção de tesauros e ontologias. Discorrendo sobre o reúso de ontologias biomédicas,
        <xref ref-type="bibr" rid="ref6">Campos,
Campos e Campos (2010</xref>
        , n.p.) afirmam que a sua precisão pode ser aumentada por meio “da
adoção de diretrizes para a definição de recorte de domínio” e que a TCF pode auxiliar nesse
sentido, pois, a “perspectiva classificatória estabelece uma forma sistemática de alto nível para se
definir e classificar o conhecimento de um domínio” (idem, idem).
      </p>
      <p>Nessa perspectiva, este artigo problematiza a construção de uma taxonomia facetada para a
representação de classes e subclasses de assuntos/conceitos/entidades, com base nos princípios da
TCF, como subsídios restritivos para a estruturação de entidades em um modelo da realidade. Para
isso, depois da introdução, este artigo está organizado como segue: a seção 2 apresenta os
princípios da TCF; a seção 3 discorre sobre o uso da TCF na construção de taxonomias facetadas e
algumas de suas aplicações; e, finalmente, a seção 4 apresenta as considerações finais.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>2. Princípios da Teoria da Classificação Facetada (TCF)</title>
      <p>
        Considera-se que
        <xref ref-type="bibr" rid="ref25">Ranganathan (1967</xref>
        ) contribuiu com o maior avanço na área de classificação no
séc. XX, desenvolvendo os princípios analítico-sintéticos da TCF, possibilitando uma visão
multidimensional e ilimitada do conhecimento. Nesse sentido, a classificação facetada (ou uma
taxonomia facetada) deixa a subdivisão unidimensional para apresentar o conhecimento em
ramificações, em características que obedecem a postulados pré-determinados.
      </p>
      <p>
        O preceito multidimensional contesta o princípio dicotômico-binário de Porfírio,
denominado Árvore de Porfírio, que reduziu as relações a apenas pai/filho, característicos das
taxonomias tradicionais, sistematizando a noção de ideias gerais até alcançar as mais específicas.
Examinando o modelo da dicotomia,
        <xref ref-type="bibr" rid="ref25">Ranganathan (1967</xref>
        ) concluiu que o conhecimento é prolífico
e multidimensional e sugeriu um padrão para mapear o conhecimento com uma policotomia
ilimitada (ilimitadas subdivisões da ciência).
        <xref ref-type="bibr" rid="ref25">Ranganathan (1967</xref>
        ) usou a ideia da Árvore Baniana,
um tipo de figueira indiana, que se espalha por uma grande área, enviando galhos para o solo. Os
galhos criam raízes e formam vários troncos. Essas raízes são aéreas e crescem do tronco principal,
tornando-se novos troncos adicionais. Nesse tipo de representação, não há apenas relacionamentos
hierárquicos, pois, essa árvore sugere a ideia de que os assuntos (classes mais abstratas) podem ser
relacionados uns aos outros de diferentes, complexas e imprevistas maneiras, gerando novas
classes, em um sentido multidimensional. Desse modo, esse modelo configura uma representação
simbólica para o domínio, como um organismo vivo, no qual o conhecimento está em constante
transformação, sofrendo ramificações e desenvolvimento ao longo do tempo. No contexto dos
estudos sobre a TCF, há distintos conceitos que devem ser entendidos, tais como:
      </p>
      <sec id="sec-2-1">
        <title>QUADRO 1 – Conceitos relacionados à TCF</title>
        <sec id="sec-2-1-1">
          <title>Conceito Definição</title>
          <p>Categorias São as grandes classes, as classes com conceitos mais gerais ou mais abstratos,
fundamentais que podem ser utilizadas para reunir outros conceitos. Ex.: PMEST
Manifestações das categorias fundamentais, em aspectos exaustivos, reunindo
conceitos que têm determinada característica em comum; a soma dos isolados
Faceta/Classe resultantes da divisão de um assunto por uma característica; também entendida
como um ponto de vista ou atributo usado para agrupar conceitos em uma área de
assunto (domínio). Ex.: Coisa, Processo, Instrumento, Período, entre outros.</p>
          <p>Subfacetas/ Grupos de termos coordenados, obtidos com a divisão de um assunto por meio
Subclasses de um mesmo princípio, mutuamente exclusivos. Ex.: Instrumento (bateria,
(ou arrays) baixo, guitarra, entre outros).</p>
          <p>Isolado sCeardemacroemunpiodnoesnetemofuacinetdaisvíedsuuob,foabcteitdaos.aEpxa.r:tgiruditaardriav.isão de uma faceta, antes de</p>
          <p>Foco sÉoubmre iasorelaladçoãojáqauceomteomdacdoomnoauetrsotrsuctuorma pfaocneetnatdeas,(pteorrmémo/,insedmivípdrueoo)cudpaaeçsãtorutura.
Divisão eOstpilrooc(ebsasroropceol,opqóusa-mluomdearnfaoc)e;tpaeslea dfoercmoma(prõeedoenmdod,ifteriraenngteuslafro)c.os. Ex.: pelo</p>
          <p>Divisão feita a partir de apenas uma característica, em uma série horizontal de
Renques conceitos. Ex.: genéricos (itens específicos da classe maior); partitivos (itens que
representam partes específicas da classe maior).</p>
          <p>
            Cadeias EDxiv.:isgõeensésriuccaess(stiivpaos ddee);upmarmtietisvmaso(apsasrutentdoe,)e;mÁruvmoraes-éÁrrievovreertfircuatlífdeerac-oMnacceiietoirsa.
Fonte: adaptado de
            <xref ref-type="bibr" rid="ref25">Ranganathan (1967</xref>
            ).
          </p>
          <p>
            Para
            <xref ref-type="bibr" rid="ref31">Vickery (1960</xref>
            ), a essência da TCF é a ordenação de conceitos em um dado domínio,
em facetas homogêneas, mutuamente exclusivas, todas derivadas do universo pai por uma única
característica de divisão. Segundo o autor, o método da teoria é análogo às regras de divisão lógica,
pois as facetas são grupos de conceitos derivados a partir de suas definições reais (gênero,
granulação, relações com outros elementos, entre outros). Assim, a TCF respalda a formação de
conjuntos de informação que vão desde ideias ou conceitos mais abrangentes (classes básicas) até
aos conceitos mais específicos (focos). Em sua origem, esses conjuntos representam a classificação
dos assuntos dos documentos, pois são classes de termos agrupados em conformidade com o
conteúdo temático dos documentos tratados em uma unidade de informação.
          </p>
          <p>
            <xref ref-type="bibr" rid="ref25">Ranganathan (1967</xref>
            ) reelaborou a ideia inicial de Kaiser, criando cinco categorias
fundamentais para pensar o domínio, o PMEST: Personalidade (assunto; entidade), Matéria
(composição do assunto ou objeto), Energia (ação ou processo em relação ao assunto ou objeto),
Espaço (localização geográfica do assunto ou objeto) e Tempo (período). Esse conjunto de
categorias vem sendo empregado no mapeamento de entidades de um domínio e, conforme
            <xref ref-type="bibr" rid="ref6">Campos, Campos e Campos (2010</xref>
            , n.p.), esse procedimento se assemelha ao empregado na
construção de ontologias, pois, as “ontologias de topo como a BFO [continuantes e ocorrentes] e a
DOLCE [endurantes e perdurantes] distinguem a natureza das entidades do mundo através de
categorias que são independentes de domínio”. Para as autoras, no PMEST os “endurantes
corresponderiam à categoria de Personalidade, enquanto que perdurantes corresponderiam à
categoria de Energia” (idem, idem).
          </p>
          <p>
            <xref ref-type="bibr" rid="ref25">Ranganathan (1967</xref>
            ) também indicou três níveis distintos de trabalho: 1) plano das ideias:
análise conceitual; 2) plano verbal: expressão verbal (termo; signo) dos conceitos; 3) plano
notacional: códigos para a localização dos termos e sinais que podem sugerir as relações entre os
conceitos tratados nos documentos.
            <xref ref-type="bibr" rid="ref12">Dahlberg (1979</xref>
            ) salienta que os processos de Ranganathan
distinguiu, em níveis, o princípio de escolha das facetas e a sua ordem de citação, facilitando a
compreensão daquilo que está sendo descrito e representado. Analisando o Prolegomena de
            <xref ref-type="bibr" rid="ref25">Ranganathan (1967</xref>
            ), percebe-se a seguinte síntese sobre os três planos de trabalho (Quadro 2):
          </p>
          <p>QUADRO 2 – Síntese dos planos e princípios de trabalho com a TCF</p>
        </sec>
        <sec id="sec-2-1-2">
          <title>Planos/Princípios</title>
          <p>Plano das ideias
Plano verbal
Plano notacional</p>
        </sec>
        <sec id="sec-2-1-3">
          <title>Descrição</title>
          <p>a) Diferenciação: distinção de critério de divisão. Ex.: Tinta: (pelo
brilho) Tinta fosca-Tinta brilhosa; (pelo componente) Tinta a óleo;
Tinta à base de resina.
b) Relevância: características adequadas ao objetivo proposto. Ex.: no
Colon Classification, Ranganathan determinou as características:
Língua, Gênero, Autor e Obra.
c) Verificação: uso de facetas definitivas e que possam ter seu uso
validado na literatura ou pelos especialistas do domínio (compromisso
ontológico);
d) Permanência: a escolha das facetas deve obedecer ao critério de ter
um sentido estável dentro do domínio;
e) Homogeneidade: ser coeso, com facetas divididas apenas sob um
critério (Ranganathan estabelece a “exclusão mútua”, que parece
reafirmar o caráter de homogeneidade).
1) Contexto: o significado de todo termo na classificação deve ser
determinado em razão da classe à qual pertence, pois é preciso que
todos os termos da classe denotem um só sentido em completude.
2) Aceitabilidade: o termo usado para a faceta ou isolado deve ser
aceito no contexto de uso. Caso o termo escolhido se torne obsoleto, o
mesmo deve ser trocado por outro mais adequado.
3) Restrição ou Reticência: o termo utilizado não deve ser escolhido na
acepção pessoal do classificador.
1) Sinônimo: havendo mais de um termo representando um mesmo
conceito, ainda assim haverá, apenas, um número para ilustrar esse
conceito, sejam quantos forem os sinônimos;
2) Homônimo: nenhum número poderá representar mais de um
conceito, ainda que sejam homônimos (mesma grafia ou pronúncia e
significados diferentes);
3) Hospitalidade: ser flexível, sempre permitindo a inclusão de novos
termos, pois o sistema notacional deve acomodar mudanças,
atualizações e adições de novos termos;
4) Arquivamento: respeitar a ordem estabelecida pela política utilizada
pelo sistema.</p>
          <p>Princípios para a
escolha da sequência
das classes e
subclasses
Princípios para a
formação de renques e
cadeias
Princípios para a
formação de assuntos
1) Sucessão relevante ou útil: a sequência dos assuntos deve ser útil e
adequado ao objetivo proposto. Ex.: do complexo ao simples, do
simples ao complexo, contiguidade espacial ou geométrica, ordem
convencional ou canônica, garantia literária, ordem evolucionária,
posterior no tempo, cronológica, ordem crescente ou decrescente,
quantidade crescente ou decrescente, alfabética.
2) Sucessão consistente: para classes semelhantes, de preferência, usar
uma mesma sequência de assuntos.
3) Concomitância: duas características não devem dar origem ao
mesmo renque de conceitos. Ex.: as características idade e data de
nascimento não devem ser usadas para classificar um mesmo conjunto
de indivíduos, pois formariam dois renques com mesmo conjunto de
conceitos.
1) Exaustividade: todos os elementos (conceitos, entidades, objetos,
assuntos) possíveis de uma classe devem fazer parte dela. Ex.:
PlanetaMercúrio-Vênus-Terra-Marte-Júpter-Saturno-Urano-Netuno
2) Mútua exclusão: os itens de uma classe não devem constituir outra
classe (renques mutuamente exclusivos). Ex.: no campo da Economia,
o termo Exportação: 1) processo de venda (Processo) e 2) quantidade
ou valor de produtos e serviços vendidos (Entidade), não pode ser
utilizado com as duas definições; a solução poderia ser usar o termo
Exportação para Processo e o termo Exportações para Entidade.
3) Extensão decrescente: na cadeia a hierarquia deve respeitar a ordem
do mais geral para os mais específicos. Ex.:
Vertebrado-MamíferoFelino-Tigre.
4) Modulação: termos organizados em módulos, formando uma cadeia
(uma classe para cada natureza de subdivisão). Ex.: Instituição
Cultural-Biblioteca-Biblioteca Pública-Biblioteca Pública Estadual.
1) Dissecação: divisão do domínio de entidades em partes coordenadas
entre si, ou seja, de mesmo nível;
2) Laminação: construção de camadas de assuntos básicos e ideias
isoladas, com a superposição de faceta sobre faceta;
3) Desnudação: segmentação dos recursos informacionais do domínio
para obter maior especificidade nos assuntos;
4) Reunião: combinação de assuntos básicos ou compostos,
originando a representação de um assunto complexo;
5) Superposição: ligação de assuntos isolados com características,
atributos e propriedades distintos, formando isolados de universos
diferentes.</p>
          <p>
            Fonte:
            <xref ref-type="bibr" rid="ref25">Ranganathan (1967</xref>
            ); Spiteri (1998),
            <xref ref-type="bibr" rid="ref7">Campos (2001</xref>
            ),
            <xref ref-type="bibr" rid="ref19">Lima (2004</xref>
            ) e Maculan (2011).
          </p>
          <p>Ranganathan também utiliza a noção de classe básica para a análise de assuntos dos
conteúdos de documentos e para a organização desses assuntos (isolados) em uma estrutura
conceitual, quando cria as facetas. Isto se dá em dois momentos: na Formação de Assuntos e na
Formação de Categorias. Para a formação de assuntos, propõe cinco métodos: Dissecação,
Laminação, Desnudação, Reunião/Agregação e Superposição. Já na formação de classes básicas,
são avaliadas as características comuns de cada conceito, analisados e definidos os termos isolados,
conforme suas características comuns, para o procedimento de categorização e a definição das
facetas. A partir disso, a análise dos conceitos e a relação entre eles servem como base para a
estruturação do sistema facetado.</p>
        </sec>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>3. Procedimentos da TCF na construção de taxonomias facetadas</title>
      <p>Quando se trata de construir taxonomias facetadas, os rótulos das facetas que representam o
conteúdo do recurso informacional podem parecer óbvios: Tipo de Documento, Tipo de Conteúdo,
Local, Público, Propósito, Produto, entre outros. O problema aparece quando se vai determinar
uma faceta para Assunto. Em geral, as taxonomias facetadas para a representação de produto,
como em sites de comércio eletrônico, por exemplo, não têm assuntos, mas, sim, classes de
produtos. Também nas taxonomias corporativas, utilizadas para o gerenciamento de documentos,
em geral, não há uma faceta para Assunto, podendo ter facetas para Tipo de Documento,
Atividades de Negócios, Linhas de Negócio e/ou Departamentos.</p>
      <p>Contudo, para recursos de informação de biblioteca, base dados ou repositório de artigos,
nos quais haverá relatórios de pesquisa, manuais, apresentações, materiais instrucionais e de
treinamento, imagens, vídeos, entre outros, é importante haver uma faceta para Assunto, visando a
recuperação do conteúdo de uma coleção. Quando a abrangência de assuntos é ampla, é necessário
criar um número de facetas e subfacetas suficientes para cobrir adequadamente a amplitude e a
profundidade do conteúdo.</p>
      <p>Uma taxonomia facetada é construída com uma combinação de mapeamento top-down
(identificando facetas e principais termos) e botton-up (identificando os termos individuais
necessários para representar o conteúdo informacional). A abordagem top-down de determinação
dos assuntos começa com a identificação do domínio e do escopo do assunto e, em seguida, de
quaisquer divisões principais nesse domínio, com base nos princípios do PMEST. A abordagem
botton-up envolve a pesquisa de vários itens de conteúdo individuais para determinar os principais
tópicos sobre os quais os recursos informacionais tratam, visando identificar termos para
representar esses tópicos.</p>
      <p>Determinar quais são os itens de conteúdo e quais termos descrevem esses conteúdos se
assemelha à atividade de indexação, pois é uma tarefa analítico-sintética, cujos princípios estão
estabelecidos na TCF. Para manter o número de termos mais gerenciável para análise, é necessário
revisar e editar os termos, testando-os e validando-os continuamente.</p>
      <p>
        Para aplicar a TCF na construção de taxonomias facetadas sugerem-se os seguintes
procedimentos, adaptados dos princípios de
        <xref ref-type="bibr" rid="ref25">Ranganathan (1967</xref>
        ) e do detalhamento elaborado por
        <xref ref-type="bibr" rid="ref23">Oliveira (2018</xref>
        ):
(a) examinar recurso informacional para identificar o domínio – seus conceitos, termos e
atributos –, o propósito e o público-alvo;
(b) definir a linguagem que será utilizada, assim como o nível de especificidade dos
assuntos apresentados e o tipo de navegação que será disponibilizado;
(c) estabelecer as características e/ou atributos do conteúdo – dos recursos de informação
–, para a formação de facetas;
(d) analisar e distribuir os rótulos específicos nas diferentes facetas, sem que eles se
sobreponham (mutuamente exclusivos);
(e) utilizar o método da análise facetada para a formação de assuntos e determinação de
rótulos, atendo-se aos princípios de Dissecação, Desnudação e Laminação;
(f) estabelecer relacionamentos de hierarquia (instância, todo-parte, gênero-espécie), a
partir da representação &lt;isA&gt; (é um), incluindo os poli-hierárquicos, conforme norma
ISO 25964-1 (2011): aplicação de outras características divisionais do 1) Plano das
Ideias: Cânone das Características: Diferenciação, Relevância, Verificação,
Permanência, Homogeneidade, Mútua Exclusão; e do 2) Plano Verbal: Cânones do
Contexto, da Enumeração (ordem sequencial do assunto), da Atualidade (terminologia
atual) e da Restrição (conceito/assunto/atributo aceito no domínio);
(g) ordenar e agrupar os assuntos e levantamento das facetas dando origem às subfacetas,
observando os princípios de Ranganathan: utilizar as Categorias Fundamentais do
PMEST e os Cânones do Plano das Ideias: Formação de Arrays: Exaustividade;
Formação de Cadeias; Modulação;
(h) determinar a ordem de apresentação no sistema de classificação facetado, para a
organização da estrutura hierárquica (das facetas e subfacetas), observar os princípios
de Sucessão relevante, Sucessão consistente e Sequência útil;
(i) validar a estrutura e fazer a readequação quando e onde necessário.
      </p>
      <p>O desenvolvimento de uma taxonomia facetada é um processo tanto interativo quanto
contínuo e, provavelmente, serão observados tendências e padrões. Ademais, classes e subclasses
podem emergir à medida que as características, atributos e propriedades vão sendo mapeados.
Destaca-se que uma taxonomia deve continuar a ser atualizada mesmo após ter sido
implementada, sobretudo para as facetas de assunto, pois um novo conteúdo poderá introduzir
novos tópicos que ainda não haviam sido incluídos na estrutura. Para tanto, é necessário a criação
de uma política para inserção de rótulos e/ou assuntos na estrutura da taxonomia. As ações de
manutenção de uma taxonomia devem prever ações que possam gerar modificações nos referidos
instrumentos de gestão terminológica, tais como: exclusão ou inclusão de termos; surgimento de
novos processos de negócio; ineficiência na recuperação de informações; tratamento de exceções.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-4">
      <title>3.1 Aplicações da TCF na construção de taxonomias facetadas</title>
      <p>
        Na contemporaneidade o conceito de taxonomia tem sentido abrangente, e é utilizada em meio
digital para criar estruturas de um domínio nos quais são aplicadas, como, por exemplo, para:
definir conflitos semânticos em bancos de dados corporativos
        <xref ref-type="bibr" rid="ref17">(KASHYAP; SHETH, 1996)</xref>
        ;
classificar doenças (BURGUN; BODENREIDER, 2001); gerenciar construção (
        <xref ref-type="bibr" rid="ref15">EL-DIRABY;
LIMA; FEIS, 2005</xref>
        ); classificar os erros humanos em acidentes de trem
        <xref ref-type="bibr" rid="ref26">(REINACH; VIALE,
2006)</xref>
        ; cobrir causas de mudança e efeitos de mudança em projetos de construção (SUN; MENG,
2008); facilitar a interoperabilidade e a recuperação da informação (CHENG et al., 2010), entre
outros. É nos ambientes digitais da atualidade que o aparecimento e uso das taxonomias se
relacionam com as formas automatizadas de criação da informação, tornando-as um foco de
estudos, principalmente na CI
        <xref ref-type="bibr" rid="ref14">(EDOLS, 2001)</xref>
        . Assim, na CI, alguns estudos elaboram estruturas
facetadas para representar uma área do conhecimento (
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">ARAÚJO, 2005</xref>
        ;
        <xref ref-type="bibr" rid="ref30">TRISTÃO, 2005</xref>
        ;
        <xref ref-type="bibr" rid="ref21 ref22">NOVO,
2007</xref>
        ;
        <xref ref-type="bibr" rid="ref10">COSTA; RAMOS, 2008</xref>
        ) ou para aplicações práticas de organização do conhecimento em
sistemas de recuperação de informações – SRI
        <xref ref-type="bibr" rid="ref20">(CAFÉ; BRATFISCH, 2007; MACULAN, 2011)</xref>
        .
Nesta seção serão apresentados alguns trabalhos que desenvolveram sistemas de classificação e/ou
taxonomias facetadas para aplicações práticas de organização e acesso a informações em SRI
especializados, a saber:
      </p>
      <p>
        1) FilmFinder (&lt;http://www.film-finder.com/&gt;): protótipo criado por
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2">Ahlberg e
Shneiderman (1994</xref>
        ), da área da Ciência da Computação e Informática, e aprimorado por
        <xref ref-type="bibr" rid="ref13">Doan, Plaisant e Shneiderman (1995</xref>
        ); possui uma modelagem em facetas, implementado no
portal da National Aeronautics and Space Administration (NASA).
      </p>
      <p>
        2) HIBROWSE (High resolution Interface for BROWsing and SEarching): projeto
criado por
        <xref ref-type="bibr" rid="ref24">Pollitt et al. (1996</xref>
        ) e desenvolvido a partir de um tesauro facetado que foi
construído com base nas recomendações de Ranganathan e do Classification Research
Group (CRG); apesar de algumas limitações no mecanismo de busca, mostrou o potencial
das classificações facetadas para a estruturação do conteúdo de documentos.
      </p>
      <p>
        3) Flexible information Access using Metadata in Novel Combinations –
FLAMENCO (&lt;http://sourceforge.net/projects/flamenco&gt;): desenvolvido de 1990 a 2000
por uma equipe interdisciplinar
        <xref ref-type="bibr" rid="ref16">(HEARST, 2000)</xref>
        , é o projeto de navegação e busca facetada
em coleções de documentos mais recorrentemente citado; possui seu recurso informacional
estruturado em diferentes classes básicas e multi-hierarquias, que pode ser navegado por
uma interface baseada em metadados facetados, denominada MatrixView.
      </p>
      <p>4) Relation Browser ou RAVE (&lt;http://idl89.ils.unc.edu/rb07&gt;): desenvolvido em
uma Escola de Biblioteconomia e Ciência da Informação, iniciado em 1998-1999 e em
constante evolução; parte do portal governamental que oferece informações estatísticas de
agências americanas; em 2008 estava na versão RB07, quando foi adicionado um
mecanismo que exibe múltiplas facetas.</p>
      <p>
        5) Mapa hipertextual (MHTX): protótipo criado por
        <xref ref-type="bibr" rid="ref19">Lima (2004</xref>
        ), da área da CI, para
a organização hipertextual de teses e dissertações, empregando os princípios da TCF para a
modelagem conceitual dos documentos, desde a identificação dos termos relevantes até a
formação das classes básicas, para uma Biblioteca Digital de Teses e Dissertações.
      </p>
      <p>
        6) Portal Semântico Educacional (POSEDU): mecanismo de busca e navegação
facetada para portais semânticos, criado por
        <xref ref-type="bibr" rid="ref18">Lachtim (2008</xref>
        ), da área de Sistemas e Ciência
da Computação, com princípios baseados na TCF, oferecendo informações estruturadas em
facetas, por meio de regras formais estipuladas em uma ontologia.
      </p>
      <p>7) TAFNAVEGA: taxonomia facetada navegacional criada por Maculan (2011), da
área da CI, para a organização da informação e padronização dos conteúdos informacionais
de teses e dissertações para uma Biblioteca Digital de Teses e Dissertações que adotou a
estrutura textual do documento e os princípios da TCF como subsídio à sua construção.</p>
      <p>Destaca-se o tesauro facetado da Arte e Arquitetura (AAT), desenvolvido pelo Getty
Institute, em 1994, disponibilizado online, acoplado a um SRI, que foi construído tendo por base
os princípios da TAF e a partir de uma classificação facetada, onde as hierarquias são compostas
por facetas e subfacetas, sendo que cada faceta contém uma classe homogênea de conceitos, cujos
itens compartilham características que os distinguem dos itens de outras classes. Como exemplo,
cita-se o conceito &lt;mármore&gt; (substância usada na criação de arte e arquitetura) que pertence à
classe &lt;Materiais&gt;; e o conceito &lt;impressionista&gt; (estilo de arte) que pertence à classe &lt;Estilos e
Períodos&gt; (BROUGHTON, 2005). Segundo Broughton (2005), a classificação facetada é ideal
para a construção de tesauros, uma vez que a formação de classes (facetas) no esquema facetado
significa que todos os itens em uma faceta devem ter o mesmo “valor” (ou seja, todos devem ser
processos ou todos devem ser agentes, por exemplo). Dessa forma, a autora afirma que, por padrão
e essência, as únicas relações exibidas dentro de cada faceta são as hierárquicas, conforme
mostrado no Quadro 3.</p>
      <sec id="sec-4-1">
        <title>QUADRO 3 – Formas de organização dentro dos arrays</title>
        <sec id="sec-4-1-1">
          <title>Mostrar múltiplos princípios de divisão dentro de um array</title>
        </sec>
        <sec id="sec-4-1-2">
          <title>Esclarecer as relações dentro de um array</title>
          <p>Sapatos
(por temporada)</p>
          <p>Inverno</p>
          <p>Primavera
(por função)</p>
          <p>Caminhada</p>
          <p>Corrida
(por estilo)</p>
          <p>Chuteiras</p>
          <p>Sandálias
(por recurso)</p>
          <p>Tirinhas</p>
          <p>Mary Janes (boneca)
(por tipo de salto)</p>
          <p>Mobília
(por material)</p>
          <p>Móveis de madeira</p>
          <p>Móveis de plástico
(por estilo)</p>
          <p>Móveis rococo</p>
          <p>Mobília moderna
(por quarto)</p>
          <p>Mobília de quarto</p>
          <p>Móveis de escritório
(por função)</p>
          <p>Mobília de armazenamento
(por forma)</p>
          <p>Estantes
Anabelas Mesas</p>
          <p>Meia Pata Roupeiros
(pela altura do salto) Agências</p>
          <p>Salto alto Mobília de dormir</p>
          <p>Salto baixo
Fonte: elaborado pelas autoras (2018)</p>
          <p>Assim, há duas formas de organização dentro dos arrays: a) mostrar a relação entre um
conceito superordenado com um subordinado, em especial, quando é necessário usar múltiplos
princípios de divisão; b) esclarecer a relação de coordenação para estabelecer relacionamentos
entre conceitos de mesmo nível dentro de um array.</p>
          <p>
            Em relação à construção de ontologias,
            <xref ref-type="bibr" rid="ref6">Campos, Campos e Campos (2010</xref>
            , n.p.) afirmam
que os princípios da TCF podem “ajudar na formação mais sistemática de renques e cadeias, com
o foco da sua compreensão e manipulação por pessoas, sem o prejuízo do seu tratamento pela
máquina”, sobretudo no que se refere aos Cânones da: Modulação, Concomitância, Diferenciação,
Exclusividade e Sucessão de Classes e Subclasses.
          </p>
        </sec>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-5">
      <title>4. Considerações finais</title>
      <p>No contexto da CI, a taxonomia facetada constitui um importante instrumento no campo da
Organização da Informação e do Conhecimento. Assim, acredita-se que estudos teóricos e
conceituais sobre os princípios, métodos, aplicações e a concepção de sistemas de classificação
facetada são pertinentes e atuais, considerando o contexto informacional ao qual se está inserido e
a utilização de soluções web, aplicativos, entre outros, que demandam uma estrutura de conteúdos
que possibilite a representação da informação de modo sistematizado. Considera-se que este artigo
evidencia que a TCF é um importante insumo para o mapeamento de um domínio para a
construção de estruturas hierárquicas ou taxonomias facetadas.</p>
      <p>Nota-se a habilidade da TCF em estabelecer uma ordem ou organização de coisas (objetos;
entidades), mostrando um mapeamento do conhecimento ou dos recursos informacionais de um
dado domínio. Considera-se que essa teoria é um aporte teórico importante na contemporaneidade,
pois fornece uma abordagem estruturada, que pode ser utilizada como ponto de partida na
modelagem de uma estrutura cognitiva adequada ao usuário, para navegação em sistema de
recuperação da informação, assim como para reúso na construção de tesauros e ontologias.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-6">
      <title>5. Referências</title>
      <p>INFORMATION SYSTEMS, 2001 (FOIS '01), ACM, New York, NY, USA. Proceedings…
New York, NY: FOIS, 2001. p. 222-233.</p>
    </sec>
  </body>
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