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        <journal-title>O anti-Édipo. Tradução Luis B. L. Orlandi. Rio de Janeiro: Editora</journal-title>
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        <article-title>Alinhamento entre as Semióticas de Peirce e de Deleuzi- Guattari na Geração de Significados</article-title>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Reinaldo de Figueirêdo Almeida</string-name>
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          <string-name>Eduardo David de Oliveira</string-name>
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          <string-name>e Laís do Nascimento Salvador</string-name>
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          <label>0</label>
          <institution>Universidade Federal da Bahia (UFBA) Salvador - BA -</institution>
          <country country="BR">Brazil</country>
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      <pub-date>
        <year>2010</year>
      </pub-date>
      <volume>34</volume>
      <issue>2010</issue>
      <abstract>
        <p>This article is part of the research conducted in DMMDC-UFBA, aiming the study of the process of knowledge acquisition for the production of computational ontologies. Among the various aspects related to the theme, this one brings a proposal based on the alignment of the semiotics defined by Peirce and by Deleuze and Guattari, through which one seeks to break with the classic process of assigning a meaning directly to a sign, adding to the universe of related discourse, other non-discursive elements, bringing the reality of the facts closer to the formalized reality in an ontology. Resumo. Este artigo faz parte da pesquisa conduzida no DMMDC-UFBA, objetivando o estudo do processo de aquisição de conhecimentos para a produção de ontologias computacionais. Dentre os vários aspectos relacionados ao tema, este traz uma proposta baseada no alinhamento das semióticas definidas por Peirce e por Deleuze e Guattari, através do qual se busca romper com o processo clássico de se atribuir um significado diretamente a um signo, agregando ao universo do discurso relacionado, outros elementos não discursivos, aproximando a realidade dos fatos à realidade formalizada em uma ontologia.</p>
      </abstract>
    </article-meta>
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    <sec id="sec-1">
      <title>1. Introdução</title>
      <p>Tomando-se Guarino, Orbele e Stabb (2003) no artigo What Is an Ontology? como
referência, tem-se que a realidade descrita por cinco momentos, inter-relacionados, onde o
primeiro diz respeito à realidade dos fatos, o segundo se refere à percepção da realidade ou de
uma porção da realidade a ser representada (realidade percebida), o terceiro trata da
conceitualização da realidade percebida, o quarto se refere à formalização dos conceitos
levantados na etapa anterior e suas relações, e por último, o momento em que a realidade é
tornada disponível através de uma ontologia computacional. Para os autores, a percepção e
conceitualização são os momentos mais críticos na representação da realidade, e aqueles
mesmos estudados.</p>
      <p>Assim, considerando que entendimento, cognição e semiótica, estão fundados sobre a
geração de significados, e que uma nova abordagem se faz necessária para atender a questão
colocada anteriormente, este artigo propõe que seja aplicada uma semiótica pós-estruturalista
junto ao processo para aquisição de conhecimentos, relativos à realidade dos fatos que irão
compor as bases de conhecimentos hospedadas em ontologias.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>2. Alinhamento entre as semióticas de Peirce e de Deleuze-Guattari</title>
      <p>Na perspectiva da semiótica aqui proposta, busca-se superar o perceber pelo entender,
composto de interpretação e compreensão, e o conceituar pelo significar, o que implica na
eliminação da relação direta entre signo (termo) e significado, saindo de um movimento
estruturalista para outra com um viés pós-estruturalista, ao incluir o contexto como elemento
fundamental na relação entre signo e significado.
2.1. A semiótica de Peirce
A semiótica formulada pelo americano Charles Sanders Peirce incorpora a superação da
semiótica primitiva aristotélica, proposta por Nietzsche (Martínez 2012), apresentada no
esquema: (Peirce 2010)
(objeto(n) ⇒ sistema de signos (representação) ⇒ compreensão e interpretação ⇒ objeto(m)),
onde objeto(n) ≈ objeto(m).</p>
      <p>Segundo a semiótica de Peirce, objeto(n) é representado pelo objeto(m), a partir
compreensão e da interpretação sobre objeto(n), o que implica dizer que não há uma
verossimilhança entre o objeto e o signo, como nos faz crer a semiótica primitiva.</p>
      <p>Para Peirce, há uma tricotomia universal constituída pelo signo (aquele que representa:
o significante), pelo interpretante (aquele que compreende e interpreta: o significado) e pelo
objeto (aquele é referenciado ou referido: o referente). Esta tricotomia é fundada numa lógica
de representação, que reflete, inicialmente, a ideia de que o signo não é necessariamente, a
representação exata de um objeto, mas aquilo que deste se percebe. (Peirce 2010)</p>
      <p>No contexto da lógica de representação, Peirce especula que a mente estabelece
relações entre o signo e o objeto e as define como sendo: a mente que atua junto a um signo
conectado a um objeto por meio de algumas qualidades deste; a mente que atua junto a um
signo, compreendendo ou interpretando um objeto através de outro signo conectado ao
mesmo; e, a mente que contata com um signo que equivale a um objeto que se encontra
conectado a outro signo por algumas de suas qualidades. (Eco e Sebeok 2008)
2.2 A Trans-Semiótica
A Trans-semiótica foi definida por Giles Deleuze e Félix Guattari no capítulo 7 da coletânea,
Mil Platôs, Ano Zero – Rostidade. (Deleuze e Guattari 1996) Nela, o signo não pode ser
significado apenas com base numa lógica de representação, mas, também, através de uma
lógica de não representação, ou uma lógica dos sentidos.</p>
      <p>Para a lógica dos sentidos, o signo não deve ser estático, mas sim, dinâmico. O signo
deve ser um significante capaz de conduzir à compreensão e à interpretação, dizendo como é
o objeto, como ele funciona e como ele se transforma. (Deleuze e Guattari 1996) A
Transsemiótica, então, junta as duas lógicas, definindo o significado do signo através da função
f(significância, subjetivação), onde significância é a relação entre objeto referente e signo
significante (aquele que contem elementos da realidade, explícitos e não explícitos), e
subjetivação (o entendimento dado pelo sujeito). (Deleuze e Guattari 1996)</p>
      <p>Deste modo, a Trans-semiótica substitui o conjunto (representação, identificação
(identidade estática), universal e Corpo com Órgãos) por outro, formado por: subjetivação,
significância, particular e Corpo sem Órgão (CSO). (Deleuze e Guattari 2010)
2.3. Alinhamento entre as Semióticas
A partir das referências estabelecidas entre a semiótica concebida por Peirce e a
Transsemiótica proposta por Deleuze e Guattari, o alinhamento das duas semióticas ocorre por
meio daquilo que os filósofos franceses chamam de Cartografia do Pensamento.</p>
      <p>Na semiótica peirceana, a cartografia se dá através do caminho a ser percorrido pelo
signo, indo do referente, passando pelo significante, seguindo até o significado, ou como
temos em uma ontologia, a tríade: signo, interpretante e objeto. (Peirce 2010) Já na
Transsemiótica, a cartografia se expressa através dos registros dos movimentos do signo, por meio
de mudanças ocorridas nos territórios mentais do sujeito, em alterações de estados ou regimes,
chamados de territorialização, desterritorialização e reterritorialização.</p>
      <p>Portanto, ao se alinhar as semióticas aqui citadas, é possível tomar o triângulo
semiótico inicial de Peirce e o reconfigurar, tornando explícitas as subjetivações discursivas e
não discursivas junto à significância do signo, conforme observado na figura 1.</p>
      <p>Figura 1. Triângulo semiótico para agenciamentos junto à relação sujeito-objeto.
Fonte: Baseada em Peirce (2010, p. 32) e em Deleuze e Guattari (2010, p. 120).</p>
      <p>A figura 1, titulada como Triângulo semiótico para agenciamentos junto à relação
sujeito-objeto, representa as subjetivações, discursiva e não discursiva, na construção da
significância, a qual atua como base para a geração de significados.</p>
      <p>Ao analisar o Triângulo se tem uma forma pontilhada, indicando que o signo não é
estático. O mesmo ocorre com o arco formado pelos elementos, referente, significante e
significado, o qual denota: a inexistência de um sentido direcional, a composição de uma
escala contendo valores infinitos, e a existência do significante como elemento de ligação
entre o referente e o significado.</p>
      <p>Nele, os elementos que compõem o signo (referente, significante e significado) são
projeções da experiência do real ou do possível (Deleuze 1963 apud Deleuze 2005). Esta
experiência, representada na figura pelo objeto referido, sujeito enunciador e máquina
semiótica, projeta-se sobre o signo através da mediação dada pelos elementos, Ser1,
espaçoinformação2 e capital3, respectivamente.</p>
      <p>Os elementos que mediam estas projeções exercem papel fundamental no processo de
geração do significado. O Ser representa todas as tentativas em se efetuar um entendimento
(compreensão e interpretação) sobre o objeto referente. O capital é responsável pelos limites
observados pelo conceito (significado do signo), na medida em que atua sobre este, tomando
como base as subjetivações, discursivas e não discursivas, e, particularizando-o, através do
entendimento sobre o plano de significância trazido pelo significante. (Deleuze e Guattari
2010) Por fim, a projeção mediada pelo espaço-informação entre o sujeito enunciador e o
significante se expressa pela territorialização do desejo, que em última instância, é resultante
da relação sujeito-objeto.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>3. Conclusão</title>
      <p>Ao propor um novo esquema para a geração do significado de um signo, expresso na figura 1
e intitulado de Triângulo semiótico para agenciamentos junto à relação sujeito-objeto, este
trabalho busca estabelecer que as subjetivações, discursivas e não discursivas, sejam
adicionadas à significância necessária à geração do significado. Na abordagem proposta, fica
claro que o significado de um signo que expressa um objeto referente, é gerado pela presença
ativa de um sujeito enunciador, onde este e o ambiente devem se combinar para que o
significado seja determinado.</p>
      <p>Assim, obtêm-se uma abordagem pós-estruturalista voltada a incorporar no significado
dos signos, elementos, tanto do universo do discurso relativo à realidade a que se pretende
formalizar e disponibilizar, como elementos não discursivos. Isto permite incorporar nas
estruturas de uma ontologia computacional, elementos polifônicos, subjetivos e heterogêneos.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-4">
      <title>Referências</title>
      <p>DELEUZE, G. A imagem-tempo: cinema. Tradução Eloísa de Araújo Ribeiro. São Paulo:</p>
      <p>Brasiliense, 2005. 170 p.</p>
      <p>DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Tradução Aurélio</p>
      <p>Guerra Neto et al. Rio de Janeiro: Editora 34, 1996. 110 p.
1 Ser, com S maiúsculo, como quer Guattari, para significar uma entidade ontológica. (Deleuze e Guattari 2010)
2 Espaço-informação é uma expressão cunhada pelo escritor norte-americano Steven Johnson (2001), para
expressar uma ideia através de uma interface. O sentido buscado, segundo o escritor, é similar àquele que era
dado pelos retóricos clássicos ao se referirem às epigramas do poeta grego Simônides (556 a.C. – 468 a.C.) como
palácios de memória. (Johnson 2001)
3 Capital, para Deleuze e Guattari (2010), é o resultante da territorialização, desterritorialização e
reterritorialização.</p>
    </sec>
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