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    <article-meta>
      <title-group>
        <article-title>WebMBO: Uma Ontologia para Comportamento de Malware Web</article-title>
      </title-group>
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          <string-name>Alann Perini</string-name>
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          <string-name>Rodrigo Bonacin</string-name>
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        </aff>
      </contrib-group>
      <abstract>
        <p>Malicious software (malware) is a major threat to information security and it is largely associated with attacks to the Web. Knowledge about how malicious software behave is the basis to develop and maintain more secure information systems. However, current web malware has complex behavior, which cannot be represented by the traditional labeling system based on classes, which defines discrete types of malware. In this paper, we propose the use of ontologies to represent suspicious behavior on the web, since ontologies can provide formal and computer-interpretable models capable of representing complex behaviors. To this end, this paper presents the modeling process of the WebMBO, an ontology representing suspect behavior using OWL and SWRL. Resumo. Programas maliciosos (malware) são uma grande ameaça à segurança de informação, sendo associados à maioria dos ataques presentes na Web. O conhecimento sobre o comportamento malicioso desses programas constitui a base para construir sistemas de informação mais seguros. Entretanto, malwares web atuais apresentam comportamentos complexos que não podem ser precisamente representados pela rotulação tradicional baseada em classes que definem tipos distintos. Neste artigo, é proposto o uso de ontologias para representar comportamentos suspeitos de malware Web, uma vez que elas podem prover um modelo formal e interpretável por computador capaz de representar comportamentos complexos. Para tanto, este artigo apresenta o processo de modelagem da WebMBO, uma ontologia que representa comportamentos suspeitos usando OWL e SWRL.</p>
      </abstract>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>1. Introdução</title>
      <p>Desde seus primeiros anos, a Internet atraiu diversos ataques promovidos por entidades
criminosas. Um malware é um programa que é executado em um sistema como
qualquer outro, sendo que as intenções de um criminoso são traduzidas em instruções.
Exemplares de malware Web são construídos para executar vários crimes virtuais, como
tomar controle do sistema da vítima, roubar informações privadas, lançar ataques de
negação de serviço e spams. Quando um malware não tem uma assinatura conhecida, se
Copyright © 2019 for this paper by its authors. Use permitted under Creative Commons License Attribution 4.0 International (CC BY 4.0).
torna mais difícil a sua detecção por ferramentas convencionais, sendo necessária a
análise do comportamento de execução. Torna-se também necessária a formalização do
conhecimento sobre o comportamento de malware, para fomentar a construção de
sistemas de informação mais seguros. A análise de comportamento de malware é um
passo importante para auxiliar na descoberta de padrões suspeitos, mas ao mesmo
tempo uma tarefa difícil, pois depende do monitoramento do sistema da vítima durante
a infecção [Grégio, Bonacin e Nabuco 2014].</p>
      <p>O objetivo desse artigo é apresentar o processo de modelagem e descrição inicial
de uma ontologia para representar os comportamentos de malware Web, visando a
construção de sistemas mais seguros e mecanismos de detecção, bem como facilitar o
entendimento comum de profissionais da área. Espera-se contribuir como ferramenta
conceitual para tornar sistemas Web mais seguros; ao identificar em eventos coletados e
representar de maneira formal comportamentos de malware Web.</p>
      <p>Neste artigo, é apresentada a modelagem da WebMBO (Web Malware Behavior
Ontology) por meio da análise de comportamento de malware coletados com o uso de
um honeypot, estudo de relatórios e bibliografia da área e a consulta à especialistas. Por
fim, é apresentada a análise prelimitar da representatividade da ontologia utilizando um
dataset de comportamento de malware Web.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>2. Trabalhos Relacionados</title>
      <p>Com o objetivo de investigar o problema foram realizadas pesquisas nas seguintes
bases: ieeexplore1, acmdl2, google scholar3, e science direct4, em agosto de 2016. Para
tanto, foram utilizadas combinações das seguintes palavras-chave: analysis, malware,
ontology e “semantic web”. De um total de 31 artigos relacionados, oito (8) foram
selecionados para serem apresentados nesta seção, de acordo a contribuição e foco.</p>
      <p>
        <xref ref-type="bibr" rid="ref6">Karande et al. (2015)</xref>
        apresentam um sistema de segurança baseado em
ontologia que prevê e classifica ataques em aplicações Web, bem como dá sugestões
para detectar e prevenir ataques. Já a proposta de
        <xref ref-type="bibr" rid="ref8">Razzaq et al. (2014)</xref>
        inclui um método
de detecção e classificação de ataques contra aplicações Web. Nesse método, as
ameaças são especificadas usando regras semânticas que estabelecem consequências de
ataque comuns. Enquanto Moheeb et al. (2011) apresentam uma análise de dados
recolhidos no período de quatro anos usando ferramentas para detecção de malware
Web. Os resultados obtidos apontam limitações do uso de ferramentas para detecta-los.
      </p>
      <p>
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">Huang et al. (2010)</xref>
        propõem o desenvolvimento de um sistema inteligente para
análise do comportamento de malware. Posteriormente,
        <xref ref-type="bibr" rid="ref4">Huang et al. (2013)</xref>
        apresentam
a Taiwan Malware Análise Net (Twman), um sistema baseado em ontologia para análise
de malware por comportamento. Em
        <xref ref-type="bibr" rid="ref5">Jasiul et al. (2014)</xref>
        é descrito um método de
identificação de comportamento de malware chamado PRONTO, que usa ontologia e
SWRL em seu mecanismo de detecção. Já
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">Shoaib e Farooq (2015</xref>
        ) propõem um sistema
baseado em ontologias para classificar spams. O projeto visa diminuir a alta taxa de
mensagens verdadeiras e legítimas enviadas indevidamente para caixas de lixo
1 http://ieeexplore.ieee.org/Xplore/home.jsp
2 http://dl.acm.org/
3 https://scholar.google.com.br/
4 http://www.sciencedirect.com/
eletrônico. Chang et al. (2014) apresentam um mecanismo baseado em representações
por meio de ontologia para análise de comportamentos de malware. O trabalho busca
expandir o modelo de análise ITFS (Interval Type Fuzzy Logic System) ao incluir a
coleta de registros e um modelo para criar uma ontologia de comportamento.
      </p>
      <p>
        Nosso artigo, está baseado em trabalhos anteriores de
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">Grégio et al. (2016)</xref>
        , que
propõe ontologia para comportamento de malware. Entretanto, aquela ontologia não
representa as especificidades do comportamento de malware Web, estando restrita ao
comportamento de malware em MS-Windows.
      </p>
      <p>Conforme apresentado, os trabalhos mais próximos a este artigo investigam
comportamento de malware com o uso de Ontologias. Tais trabalhos apresentam
soluções e clarificam desafios a serem abordados em cada caso. Outros artigos
analisados na revisão bibliográfica também apontam a limitação da abordagem baseada
em análise de código. Entretanto, não foram encontrados trabalhos que detalhem de
maneira abrangente o comportamento de malware Web fazendo uso de ontologias e
regras, bem como uma implementação que permita uma validação experimental.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>3. Modelagem da WebMBO</title>
      <p>
        A WebMBO é baseada nos aspectos conceituais e reuso da MBO (Malware Behavior
Ontology) [Grégio et al. 2016]. Com esta estratégia, é possível partir de um modelo
préexistente e validado, para a sua extensão com foco em representar comportamento de
malware web. O processo de modelagem da WebMBO também faz uso de
comportamentos relatados em pesquisa na literatura e relatório do TOP10
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">OWASP
[Owasp 2017</xref>
        ]. Tais fontes visam dar fundamentação inicial ao modelo, podendo este
ser expandido para considerar outras fontes de conhecimento. Além disso, a modelagem
da ontologia também considera estudo com logs extraídos um honeypot. Por meio de
seus históricos de ataques, é possível extrair padrões de comportamento que servem de
base para a modelagem da ontologia. Conforme ilustra a Figura 1, a modelagem seguiu
as seguintes etapas: (1) estudo e reuso da MBO, (2) análise de modelos e
comportamentos de malware publicados na literatura, (3) instalação e uso de honeypots
para extrair informações sobre comportamento de malwares, (4) modelagem da
ontologia e (5) refinamento da modelagem com base em análises.
      </p>
      <p>Figura 1 – Modelagem da WebMBO</p>
    </sec>
    <sec id="sec-4">
      <title>3.1 Reuso da MBO</title>
      <p>A Figura 2 apresenta as classes e relacionamentos de níveis hierárquicos mais altos da
MBO, que representam respectivamente: SuspiciousSoftware que são execuções de
programas suspeitos em um sistema hospedeiro (System). A classe SuspiciousExecution
representa execuções suspeitas. Action são ações/eventos que estão relacionados a um
objeto de origem (SourceObject) e outro que sofre essas ações (TargetObject).
ProcessAction é uma ação de um processo, identificada por um nome e é associada à
medida de tempo. SuspiciousBehaviour representa que, quando aplicável, um processo
pode ser associado com uma execução suspeita.</p>
      <p>Figura 2 – Classes principais da MBO</p>
    </sec>
    <sec id="sec-5">
      <title>3.2 Coleta com Honeypot e Validação</title>
      <p>Foi instalado o honeypot KFSensor Versão Professional 3.4.2 com o objetivo de coletar
logs para análise do comportamento para a modelagem da ontologia, bem como para
posterior validação da proposta. Foram objetos de monitoramento os serviços IIS
HTTPS, POP3, SMTP, NNTP, ISSPROXY, IDS, entre outros. Ao analisar os arquivos
de log é possível saber as portas, protocolos e dados usados pelo invasor, além de outras
informações, tal como o seu IP, conteúdo enviado/recebido e as ações do malware.</p>
      <p>
        No total 307.570 eventos foram coletados de 15 de fevereiro até 25 de julho de
2017. Para manipulação e análise, estes arquivos foram organizados em formato
independente de honeypot. Estes arquivos possuem os campos propostos por
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2">Grégio et
al. (2014)</xref>
        , que inclui: tempo/data do evento, SourceObject, ProcessActionName,
TargetObject e TargetIdentifier. Foi adicionado o campo ReceivedData que é utilizado
para identificar e caracterizar tentativas de ataques Web. Em seguida foi realizada a
análise dos logs, por exemplo, ao considerar a frequência, conteúdo dos dados, tipos de
ações, entre outros fatores. O logs coletados também foram utilizados na etapa 5, para
validação e aprimoramento da ontologia. Para tanto, foram utilizadas as ferramentas
propostas em
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">Grégio et al. (2016)</xref>
        : a Ferramenta Carregadora de Logs (LLT - Log
Loader Tool); a Ferramenta de Extração de Comportamento (BET - Behavior
Extraction Tool); e a Ferramenta de Análise de Risco (RAT – Risk Analysis Tool).
      </p>
    </sec>
    <sec id="sec-6">
      <title>4. Descrição da ontologia WebMBO</title>
      <p>As principais classes da WebMBO (como extensão da MBO) incluem: WebClient
representa situações em que o objeto de origem (SouceObject) é um cliente Web;
WebTargetObject contém objetos (TargetObject) que podem receber ações de malware
Web; WebEventAction representa ações (Action) associadas a programas Web que
podem resultar (ou não) em eventos suspeitos; WebSuspiciousBehaviourEvent
representa classes de comportamentos suspeitos de ações provenientes da Web.</p>
      <p>
        A Figura 3 ilustra a hierarquia de subclasses expandida da classe
WebSuspiciousBehaviourEvent. Este conjunto pode ser atualizado conforme novos
comportamentos são analisados ou surjam pela evolução de malware na Web. São
exemplos de classes de eventos (para citar algumas): DenialofServicesEvent evento de
ataque de negação de serviço, SessionFixationEvent evento de ataque que permite que
um invasor sequestre uma sessão de usuário e TrojanExploitEvent evento de ataque por
no qual o usuário frequentemente usa um javascript malicioso, que se hospeda em sites
e após ser executado faz download de outros exemplares de malware. Já as subclasses
de WebTargetObject contém portas que recebem ataques (e.g., HTTP, SMTP, UDP,
POP3), conforme registro de ataques pelo relatório TOP10
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">OWASP [Owasp 2017</xref>
        ] e os
registros de logs gravados pelo Honeypot.
      </p>
      <p>Figura 3 – Visão ampliada de eventos web suspeitos definidos, seus</p>
      <p>comportamentos associados e atividades suspeitas.</p>
      <p>A ontologia possui um conjunto de regras associadas às classes de
comportamentos suspeitos. No total, foram modeladas 30 regras. Para a modelagem e
validação, foi criado um conjunto de tabelas com o formato apresentado na Tabela 1.
Em uma análise preliminar utilizando 34.164 eventos, em um conjunto inicial de regras,
mostra que as classes de eventos suspeitos mais frequentes foram CookieAttackEvent
com 11,38% e SessionFixationEvent com 10,05%.</p>
      <p>Esta análise inicial não é suficiente para determinar medidas de precisão e
cobertura, em função do seu tamanho e abrangência. É importante ressaltar que não
existe base padrão para tal finalidade, e criar tal base requer esforço em longo prazo.
Entretanto, tal validação foi importante para verificar a pertinência das regras, erros
conceituais e consistência.</p>
      <p>Tabela 1. Exemplo de regra modelada
Log:
&lt;event sensorid="Admin" id="237301" type="Connection" action="SimStdServer"
name="Blaster, Trojan" simname="Command console" protocol="HTTP" severity=" High"&gt;
&lt;start&gt;2017-06-19 17:26:35:469&lt;/start&gt; &lt;end&gt;2017-06-19 17:26:35:749&lt;/end&gt;
&lt;client domain="ip-195-182-138-178.clients.cmk.ru" ip="195.182.138.178" port="80" /&gt;
&lt;host ip="172.16.1.250" bindip="" port="4444" /&gt;
&lt;connection closedby="Server" /&gt;
&lt;recBytes&gt;43&lt;/recBytes&gt;
&lt;received size="43" coding="kf"&gt;&lt;![CDATA[%03%00%00+&amp;%E0%00%00%00%00%00Cookie:
mstshash=hello%0D%0A
Command: QUERY "select shell("C:\\ProgramData\\Microsoft\\Windows\\Start
Menu\\Programs\\Startup\\yizai4.exe")"%0D%0A %01%00%08%00%03%00%00%00]]&gt;
&lt;/received&gt;
Regra:
Service_Port(?y), WebEventAction(?x), hasTarget(?x, ?y), processActionName(?x, ?n),
contains(?n, "CONNECTION"), receivedData(?x, ?w), contains(?w, ".exe"), targetName(?y,
?z), contains(?z, "4444") -&gt; TrojanExploitEvent(?x), riskLevel(?x, "3")
Explicação:
(Service_Port(?y)) é uma porta de serviço E é WebEventAction(?x) uma ação
correspondente a um evento Web E ?x tem como alvo a porta de serviço ?y (hasTarget(?x,
?y)) E nome desta ação contem “CONNECTION” (processActionName(?x, ?n), contains(?n,
"CONNECTION")) E os dados recebidos contém “.exe” (receivedData(?x, ?w), contains(?w,
".exe")) E o nome do alvo contém (targetName(?y, ?z), contains(?z, "4444")) -&gt; Então
este será um evento que pode estar associada a exploração de Trojans que possui o
nível de risco 4 (TrojanExploitEvent(?x), riskLevel(?x, "3"))</p>
    </sec>
    <sec id="sec-7">
      <title>5. Considerações Finais e Trabalhos Futuros</title>
      <p>Programas maliciosos tornaram mais complexos e capazes de explorar vulnerabilidades,
resultando na necessidade de entender e representar o conhecimento sobre malware web
de maneira explícita e formal. Para tanto, este artigo propôs a WebMBO, uma ontologia
para representar comportamentos suspeitos exibidos por malware web. Por meio de um
método de modelagem baseado em dados empíricos, análise de publicações e o reuso da
MBO, foi defino um modelo OWL que compõem eventos suspeitos e seus
comportamentos associados; bem como, foi descrito um conjunto de regras SWRL para
definir o comportamento. Análise preliminares com logs mostram a consistência do
modelo e a incidência dos comportamentos modelados.</p>
      <p>Como próximos passos desta pesquisa, é proposta a análise extensiva do modelo
e expansão da ontologia para um conjunto maior de comportamentos de malware web.
Além disso, é proposto estender a ontologia para representar malware em sistemas
móveis.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-8">
      <title>Referências</title>
    </sec>
  </body>
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