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      <title-group>
        <article-title>Reducing Inequalities in STEM: The Girls in Computer Science Project, Paraíba, Northeast, Brazil</article-title>
      </title-group>
      <contrib-group>
        <aff id="aff0">
          <label>0</label>
          <institution>Universidade Federal da Paraíba, Centro de Informática</institution>
          ,
          <country country="BR">Brasil</country>
        </aff>
        <aff id="aff1">
          <label>1</label>
          <institution>Universidade da Beira Interior</institution>
          ,
          <addr-line>Covilhã</addr-line>
          ,
          <country country="PT">Portugal</country>
        </aff>
      </contrib-group>
      <fpage>0000</fpage>
      <lpage>0001</lpage>
      <abstract>
        <p>Although several initiatives are underway to stimulate the entry of women in STEM areas, they are still a minority in Brazil and worldwide. This paper presents data on inequalities in STEM around the world and the economic and social consequences for women, as well as various initiatives that are being conducted to combat them. It also presents a project currently developed in the Northeast of Brazil by the Group Girls in Computer Science from the Federal University of Paraíba (UFPB). The project currently works with students from five public high schools located in the state's capital and in the interior, developing strategies to raise awareness about gender inequalities in Computing and to reduce them through debates about professional choices, workshops and training courses in informatics and visits to laboratories and courses of UFPB. Since 2014, the group has worked with more than 900 students, expanding the range of career possibilities to be followed by girls and empowering them to act freely in areas of their choice, even facing barriers or prejudices.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd>Women in Computer science</kwd>
        <kwd>Women in STEM</kwd>
        <kwd>Gender equality in science and technology</kwd>
      </kwd-group>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>-</title>
      <p>
        Jovens adultos com bacharelado nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e
Matemática (STEM) tendem a obter rendimentos médios maiores do que aqueles em
áreas não-STEM [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">1</xref>
        ]. Em todos os países da OCDE (Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico), exceto a Estônia, adultos com educação superior em
STEM apresentam maiores taxas de empregabilidade do que aqueles com formação em
Artes, Humanidades, Ciências Sociais e Jornalismo; em média, a taxa de
empregabilidade para pessoas graduadas em STEM fica em torno de 86% [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2">2</xref>
        ].
Entretanto, as mulheres continuam sub-representadas nas carreiras de STEM, apesar
das inúmeras iniciativas para inseri-las nestas carreiras em todo o mundo.
      </p>
      <p>
        De acordo com [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">3</xref>
        ], “Nos países europeus a percentagem de mulheres que ingressam
nas universidades nas áreas de tecnologia, engenharia e ciência é baixa e,
consequentemente, a sua participação no mercado de trabalho nestas áreas é também
muito baixa”. Na União Europeia a percentagem de mulheres em setores de alta
tecnologia e serviços associados é de cerca de 32% apenas [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref4">4</xref>
        ]. O National Center for
Education Statistics, que coleta estatísticas educacionais nos Estados Unidos, mostra
que embora uma alta percentagem de mulheres tenha completado o grau de bacharelado
entre 2015 e 2016 (58%), apenas 36% dos diplomas de bacharelado em STEM foram
atribuídos a mulheres; sendo 64% atribuídos aos homens [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">1</xref>
        ]. No Japão, apenas 14,5%
dos estudantes das áreas de engenharia são mulheres; elas são a maioria em
humanidades (65,2%) e educação (59,1%) [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref5">5</xref>
        ], áreas de predominância feminina em
todo o mundo. No Canadá, elas são 22,3% dos profissionais de computação e sistemas
de informação e 13% dos engenheiros civis, mecânicos e químicos [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref6">6</xref>
        ]. Adicionalmente,
enquanto 25% dos homens completam o curso de engenharia (média entre os países da
OCDE), apenas 6% das mulheres obtém esse diploma [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2">2</xref>
        ]. Estas estatísticas comprovam
a baixa presença feminina em tecnologia, compreendendo as áreas de STEM.
      </p>
      <p>
        No Brasil, que segue a tendência global, embora as mulheres obtenham boas notas
em física e matemática durante o ensino médio, a taxa de feminização nos cursos de
tecnologia e engenharia é muito baixa, especialmente em engenharia elétrica,
engenharia mecânica e engenharia da computação. De acordo com o censo da educação
superior (2018), a maioria dos alunos matriculados no ensino superior no Brasil são
mulheres (55%). Elas superam os homens em número de matrículas na universidade
(57%) e número de graduados (61%). No entanto, quando olhamos para cursos e áreas
de entrada, encontramos uma polarização entre escolhas masculinas e femininas: as
mulheres predominam em áreas tipicamente ligadas ao cuidado, enquanto os homens
predominam em áreas tecnológicas. Entre os dez melhores cursos de graduação as
mulheres são maioria em Pedagogia, Enfermagem, Psicologia, Serviço Social,
Recursos Humanos, Fisioterapia e Arquitetura, enquanto os homens são a maioria em
Engenharia Civil, Engenharia Mecânica, Engenharia Industrial, Informática e
Engenharia Elétrica [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">7</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        A Universidade Federal da Paraíba (UFPB), maior universidade pública do estado,
localizada no Nordeste do Brasil, oferece três cursos de Ciência da Computação através
do seu Centro de Informática. As mulheres são minoria em todos eles: Bacharelado em
Ciência da Computação (10,4%), Engenharia da Computação (14%) e Inteligência
Artificial (16%). Um estudo recente que estima cenários futuros usando regressão
linear, com base no número histórico de alunos ingressantes desde 1985, mostra que o
número de estudantes do sexo feminino está diminuindo a uma taxa de 0,4% ao ano
para o curso de Bacharelado em Ciência da Computação [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref8">8</xref>
        ]. Ou seja, caso não haja
intervenção ou mudança de cenário, a tendência é que não haja mulheres neste curso
daqui a 20 anos. As mulheres também são sub-representadas nos escalões superiores
da ciência brasileira. Cientistas do sexo masculino são mais frequentemente
encontrados nos níveis mais altos de bolsas de produtividade na grande área de
"Engenharia, ciências exatas, ciências da terra". Além disso, eles obtêm
significativamente mais financiamento, o que contribui para a perpetuação da
desigualdade [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">9</xref>
        ].
      </p>
      <p>Diante deste quadro de disparidades, o Brasil tem lançado chamadas públicas através
do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) que
promovem especificamente a inserção de mulheres na tecnologia, visando mudar este
quadro. A primeira chamada pública, através do edital, “18/2013
MCTI/CNPq/SPMPR/Petrobras Meninas e jovens fazendo Ciências Exatas, Engenharias e Computação”,
foi lançado em 2013 e aprovou 325 projetos em todo o Brasil. A segunda edição do
edital, intitulada “CNPq/MCTIC Nº 31/2018 – Meninas nas Ciências Exatas,
Engenharias e Computação” foi lançada em 2018 e aprovou inicialmente 70 projetos
em todo o país. O projeto onde a pesquisa aqui descrita está inserida trabalha com
mulheres na Ciência da Computação e foi selecionado na primeira chamada do edital.
A partir de um grande número de ações de inclusão estabeleceu-se nacionalmente e
obteve aprovação também na segunda chamada. Atualmente trabalha com cinco escolas
públicas de ensino médio no estado da Paraíba, sendo três em João Pessoa (capital) e
duas no interior, a 130 km. Esta interiorização tem proporcionado o conhecimento de
novas realidades e necessidades, desafiando-nos a uma melhor compreensão das
dificuldades que as meninas enfrentam para que possam escolher uma carreira na área
de STEM.</p>
      <p>O presente artigo apresenta estatísticas globais sobre as desigualdades nas áreas de
ciência, tecnologia e, especificamente, STEM, quando disponível; aponta importantes
iniciativas que estão em desenvolvimento para promover o ingresso de mulheres nestas
áreas e conclui relatando as principais características de um projeto brasileiro de
incentivo ao ingresso de meninas e mulheres na ciência da computação, desenvolvido
pelo grupo Meninas na Computação, UFPB, Brasil.
2
2.1</p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>Panorama das Desigualdades e Estratégias de Inclusão de</title>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>Mulheres em STEM</title>
      <sec id="sec-3-1">
        <title>Desigualdades no Mundo</title>
        <p>
          Aumentar a presença das mulheres no STEM é dar-lhes a oportunidade de ter melhor
renda e alcançar melhores condições sociais. De acordo com a Organização
Internacional do Trabalho, mantendo-se a tendência atual, levará 70 anos para que a
diferença salarial entre os sexos, que é estimada globalmente em 23%, seja eliminada;
além disso, as desigualdades de gênero no emprego e na qualidade do trabalho causam
acesso limitado à proteção social relacionada ao emprego. Como resultado, quase 65%
das pessoas que estão acima da idade de aposentadoria, mas não tem acesso a qualquer
aposentadoria regular, são mulheres. Isso significa que 200 milhões de mulheres na
velhice vivem sem qualquer aposentadoria regular, em comparação com 115 milhões
de homens [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref10">10</xref>
          ].
        </p>
        <p>
          Estudos recentes afirmam que, contraditoriamente, as meninas obtêm desempenho
semelhante ou melhor do que os meninos em testes genéricos de alfabetização científica
em todo o mundo; no entanto, as mulheres adquirem menos diplomas universitários em
áreas STEM do que os homens em todas as nações avaliadas, sugerindo a perda de
talentos femininos entre o ensino médio e superior na área de STEM [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref3">3</xref>
          ][
          <xref ref-type="bibr" rid="ref17">17</xref>
          ]. Além
disso, as mulheres têm piores resultados de emprego e renda, mesmo com melhor
desempenho na escola, segundo a OCDE [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref2">2</xref>
          ]. Em média, em todos os países da OCDE,
as mulheres com ensino superior ganham 26% menos do que os homens com ensino
superior. Este fato está diretamente relacionado às áreas e ocupações onde as mulheres
trabalham, as quais são mais mal remuneradas (Educação, Saúde e Áreas Sociais, as
áreas de cuidado) [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref2">2</xref>
          ]. Portanto, a seguinte questão emerge e continua a ser investigada:
"Se as mulheres tendem a ser prevalentes no sistema educacional que tipo de efeitos as
mantém afastadas das áreas de STEM?". Entre os países da OCDE em média apenas
6% das mulheres completam um diploma de engenharia em comparação com 25% dos
homens [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref2">2</xref>
          ].
        </p>
        <p>
          É possível constatar a prevalência masculina em STEM através de números mais
específicos. Tomando como exemplo um país europeu de língua portuguesa, temos que
Portugal apresenta uma taxa de estudantes mulheres/homens de 53,1% - 46,9%; no
entanto, na área de Engenharia, a taxa é de 3,2% -12,5% de mulheres/homens do total
de alunos [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref18">18</xref>
          ]. A Universidade da Beira Interior, situada no Centro de Portugal
(comparável assim à UFPB, da qual nosso projeto faz parte, devido às características
regionais) apresenta uma taxa de 52% - 48% de mulheres/homens entre todos os
estudantes matriculados. Entretanto, quando se considera estudantes de engenharia,
estes números mudam drasticamente para 35% - 65% mulheres/homens. A
desigualdade é mais acentuada em alguns cursos como Engenharia Elétrica (13%
87%), Engenharia Eletromecânica (10% - 90%), Engenharia Civil (32% - 68%),
Engenharia da Computação (9% - 91%) e Informática para Web (15% - 85%) [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref3">3</xref>
          ].
        </p>
        <p>
          Vários fatores têm sido citados pelos pesquisadores como causa da ausência de
mulheres em STEM, entre eles: (i) estereótipos de gênero associando mulheres e
feminilidade com determinadas esferas sociais e ocupações e homens a outros; (ii) a
falta de modelos de profissionais mulheres (role models) de sucesso, fazendo com que
as meninas tenham menos em quem se espelhar para seguir as profissões da área e (iii)
a importância da família e do processo de socialização, onde os jovens tendem a realizar
as expectativas dos pais e a reproduzir o modelo familiar contribuindo para a
manutenção do status quo [21][22]. Assim, nesse cenário, Sales [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref3">3</xref>
          ] afirma: "Ao mesmo
tempo em que é importante mudar as representações sociais sobre a existência de áreas
femininas e masculinas, também é obrigatório abrir o STEM para as meninas,
destacando a necessidade social de seu talento nessas áreas".
2.2
        </p>
      </sec>
      <sec id="sec-3-2">
        <title>Iniciativas no Mundo</title>
        <p>
          Alguns esforços importantes têm sido conduzidos a fim de eliminar as desigualdades
de gênero, incluindo aquelas na Ciência e Tecnologia. A Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável (ODS), em especial a Meta 5, "Alcançar a igualdade de
gênero e capacitar todas as mulheres e meninas" estabelece metas importantes para
promover melhores condições econômicas para as mulheres, tais como as metas 5.B,
"Aprimorar o uso de tecnologias, em particular da tecnologia da informação e
comunicação, para promover o empoderamento das mulheres" e 5.C, "Adotar e
fortalecer políticas sólidas e legislação impositiva para a promoção da igualdade de
gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas em todos os níveis" [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref11">11</xref>
          ].
        </p>
        <p>O equilíbrio de gênero em STEM pode ajudar a alcançar esse objetivo, e a educação
é uma pedra angular para mudar as condições sociais e econômicas das mulheres.
Assim, o Objetivo 5 dialoga com o Objetivo 4, "Garantir educação inclusiva e
equitativa de qualidade e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida
para todos", mais especificamente o 4.4, "Garantir o acesso igualitário para todas as
mulheres e homens para uma educação técnica, profissional e terciária acessível e de
qualidade, incluindo a universidade" e 4.5, "Eliminar as disparidades de gênero e
garantir acesso igualitário a todos os níveis de educação (...)".</p>
        <p>
          A ação-chave "Promovendo a igualdade de gênero em todos os níveis e tipos de
educação, inclusive em relação às escolhas de carreiras em relação aos gêneros", que
fez parte da iniciativa Engajamento estratégico para a igualdade de gênero 2016-2019
da União Europeia, afirma que a promoção da igualdade de gênero em STEM é uma
forma de reduzir as desigualdades salariais, melhorar a renda das mulheres e reduzir os
ganhos e as lacunas previdenciárias, combatendo a pobreza entre as mulheres. Estes
problemas representam uma séria preocupação em vários países europeus [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref12">12</xref>
          ]. Dada a
sua importância, a ação está sendo continuada no programa Estratégia europeia para a
igualdade de gênero 2020-2025, cujos principais objetivos incluem corrigir as
disparidades de gênero no mercado de trabalho, assegurar uma participação equitativa
em todos os setores da economia, reduzir as disparidades salariais e de pensões entre
homens e mulheres, bem como as disparidade de gênero no plano da prestação de
cuidados, e alcançar um equilíbrio entre homens e mulheres nos processos de tomada
de decisão.
        </p>
        <p>
          Embora a estratégia se centre sobretudo em ações a levar a cabo na UE, é igualmente
coerente com a política externa europeia em matéria de igualdade de gênero e de
empoderamento das mulheres. Em Portugal, a estratégia de igualdade e não
discriminação 2018-2030, "Plano de Ação pela Igualdade entre Mulheres e Homens",
recomenda garantir condições para a participação plena e igualitária de mulheres e
homens no mercado de trabalho e na atividade profissional, proporcionando uma
educação livre de estereótipos de gênero e promovendo a igualdade entre homens e
mulheres no desenvolvimento científico e tecnológico [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref13">13</xref>
          ].
        </p>
        <p>
          Além das entidades com abrangência global como a ONU com a Agenda para o
Desenvolvimento Sustentável, a Organização Internacional do Trabalho e o Fórum
Econômico Mundial, que possuem projetos para diminuir as desigualdades no campo
de trabalho, várias estratégias e programas não governamentais estão promovendo a
igualdade de gênero em ciência e tecnologia. Entre elas estão o IEEE Women in
Engineering [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref14">14</xref>
          ], Women's Engineering Society [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref15">15</xref>
          ] e ACM-W for Women in
Computing [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref16">16</xref>
          ].
        </p>
        <p>
          Outras organizações e projetos têm ainda trabalhado para reduzir as desigualdades
de gênero no campo acadêmico e profissional, incluindo [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref3">3</xref>
          ]:
• EGERA - Igualdade de Gênero Efetivo na Pesquisa e Academia [23], que visa
promover medidas para alcançar a igualdade e combater estereótipos de gênero na
pesquisa e na academia;
• PLOTINA - Promoção do equilíbrio de gênero e inclusão em pesquisa, inovação e
formação [24], com objetivo semelhante;
• WEPAN – Women in Engineering ProActive Network [25], que é uma rede de
estudantes de engenharia de mulheres norte-americanas que trabalha para
transformar a cultura na educação de engenharia para atrair, reter e se formar
mulheres, e
• MWM - Milhões de Mulheres Mentoras [26], um movimento norte-americano para
despertar o interesse e a confiança de meninas e mulheres para perseguir e ter sucesso
em estudos STEM, carreiras e oportunidades de liderança através do poder de
mentoria.
        </p>
        <p>
          Ainda no contexto de Portugal, há um projeto-piloto que visa mudar essa realidade,
intitulado "Mulheres engenheiras por um dia" [27]; é desenvolvida sob a "Agenda de
igualdade no mercado de trabalho e nas empresas", enquadrada na "Estratégia Nacional
de Igualdade e Não Discriminação 2018-2030". O projeto "visa combater e prevenir a
intensificação da segregação de ocupações profissionais, com foco em especial na
ausência de meninas nas áreas de engenharia e tecnologias". Os parceiros do projeto
incluem 25 escolas, 20 empresas e 10 universidades, incluindo a Universidade da Beira
Interior (UBI) [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref3">3</xref>
          ].
        </p>
        <p>Esta universidade distingue-se por ter criado em 2011 um Plano de Igualdade de
Gênero (GEP), que fez dela a pioneira na Academia Portuguesa em ações de igualdade.
As ações do GEP levaram à criação do Comitê de Igualdade de Gênero da UBI em
2013, com o objetivo de promover e monitorar as desigualdades de gênero na
instituição, assim como reunir e analisar dados quantitativos e qualitativos de gênero
[28]. Além de monitorar as desigualdades, o comitê também lançou outras iniciativas
como a formação "Gênero, Igualdade e Cidadania" para educadores e professores da
educação infantil, ensino médio e superior, para conscientizar sobre a perspectiva de
gênero em ambientes acadêmicos, de pesquisa e de carreira. O comitê também participa
ativamente no já citado projeto português "Mulheres engenheiras por um dia", levando
alunas de cursos da área de STEM para as escolas de ensino médio, a fim de dialogarem
sobre as suas dificuldades e superações ao ingressarem em cursos predominantemente
masculinos.</p>
        <p>Estes são alguns exemplos de iniciativas ao redor do mundo. No entanto, mesmo
com tais esforços, a diferença de gênero na ciência e tecnologia persiste.
2.3</p>
      </sec>
      <sec id="sec-3-3">
        <title>Desigualdades e Iniciativas no Brasil e no Estado da Paraíba</title>
        <p>Tabela 1. Estudantes mulheres em cursos de tecnologia na UFPB [20].</p>
        <p>Graduação</p>
        <p>Mestrado</p>
        <p>
          Doutorado
Curso
Engenharia mecânica
Engenharia civil
Física
Matemática
Bacharelado em computação
Engenharia da Computação
11%
28%
11%
21%
10%
No Brasil as mulheres representam 55% dos estudantes ingressantes no ensino superior,
sendo 57% dos alunos matriculados e 61% dos graduados sendo, portanto, a maioria
nestes três segmentos de estudantes. No entanto a taxa muda para 29,3% - 70,7%
(mulheres/homens) na área de engenharia [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref19">19</xref>
          ]. O panorama STEM da UFPB, na qual
nosso projeto de incentivo ao ingresso de mulheres na computação tem sido conduzido,
é apresentado na Tabela 1.
        </p>
        <p>No Brasil, uma ação diferenciada para a inclusão das mulheres na ciência e
tecnologia foi iniciada pelo governo federal em 2005, por meio do "Plano Político para
as Mulheres": o programa "Mulheres e Ciência". Esta ação fez parte da "Estratégia
Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2016 - 2019" (Ministério da Ciência,
Tecnologia, Inovações e Comunicações - MCTIC), que tem como objetivo combater as
desigualdades, implementar uma política de gênero e promover a paridade nas
instituições científicas [29][30]. Este programa tem sido continuado a partir de 2020;
entretanto, desenvolve apenas ações isoladas que não são capazes de mudar a realidade
para o país.</p>
        <p>O referido programa Mulheres e Ciência lança anualmente o prêmio "Construindo a
Igualdade de Gênero" sendo um dos seus objetivos "Promover a participação das
mulheres no campo da ciência e das carreiras acadêmicas". Como parte de suas ações,
em 2013 foi lançada uma chamada pública intitulada "Meninas e jovens fazendo
ciências exatas, engenharia e computação”, financiada conjuntamente pelo CNPq
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, pelo MCTIC e pela
Secretaria Política da Mulher (SPM), com apoio da Petrobras. Foram selecionados 325
projetos em todo o país, 170 coordenados por mulheres e 155 por homens; no entanto,
na região Nordeste do país, onde prevalece o sexismo, a maioria dos projetos foi
coordenada por homens (55 contra 38). No estado da Paraíba, foram selecionados dez
projetos; a partir dessa iniciativa foi criado o grupo "Meninas na Computação",
permanecendo até os dias atuais e sendo reconhecido nacionalmente [31].</p>
        <p>Em 2018, foi lançada a segunda edição desta chamada pública com orçamento menor
para o período 2019-2020 (cerca de 70 projetos selecionados no Brasil); o referido
projeto obteve aprovação de uma proposta novamente e atualmente está trabalhando
em cinco escolas públicas de ensino médio do estado da Paraíba [32].</p>
        <p>A Sociedade Brasileira de Ciência da Computação – SBC incentiva e indexa
diversas iniciativas para a inserção feminina na Computação, através do programa
Meninas Digitais. Muitos dos projetos que surgiram através dos editais lançados pelo
CNPq hoje integram a iniciativa e promovem ações em todo o país na temática da
promoção da igualdade em STEM, especificamente em computação. As ações do
Meninas Digitais incluem a criação e manutenção de um portal que agrega todos os
projetos vinculados ao programa, um evento anual “WIT - Women in Technology",
com publicações referentes à temática e um fórum anual para apresentar e discutir os
projetos integrantes, intitulado Fórum Meninas Digitais [33].</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-4">
      <title>Estratégias para Redução das Desigualdades de Gênero na</title>
    </sec>
    <sec id="sec-5">
      <title>Ciência da Computação no Nordeste do Brasil: o caso do grupo Meninas na Computação</title>
      <p>3.1</p>
      <sec id="sec-5-1">
        <title>O Grupo</title>
        <p>O grupo Meninas na Computação, responsável pelo relato de experiência aqui
apresentado, tem desenvolvido projetos na área de inserção feminina na Computação
desde 2014, quando da aprovação de uma proposta na chamada pública 18/2013
MCTI/CNPq/SPM-PR/Petrobras Meninas e jovens fazendo Ciências Exatas,
Engenharias e Computação. Desde então tem desenvolvido ininterruptamente diversas
iniciativas de extensão e pesquisa que reproduzem e aperfeiçoam a sistemática da
primeira proposta implantada. A atuação inclui pesquisa e extensão na forma de
PROBEX (projetos de extensão da própria universidade, 2014 a 2020) PROEXT
(projeto a nível nacional apoiado pelo Ministério da Educação, 2016) e PIBIC
(iniciação científica do CNPq, 2014 a 2019). Atualmente conduz a proposta aprovada
na chamada pública “CNPq/MCTIC Nº 31/2018 – Meninas nas Ciências Exatas,
Engenharias e Computação” e um projeto de extensão (PROBEX 2020). A Tabela 2
apresenta as escolas participantes desde o início da atuação do grupo, que já interagiu
e capacitou mais de 900 alunas.</p>
        <p>Tabela 2. Escolas participantes. Fonte: Elaborada pelo autor (2020).</p>
        <p>Escola
Escola Matheus Augusto de Oliveira – Bairro dos Estados
Escola Estadual Rebeca Simões - Mangabeira
Escola Técnica Estadual João Pereira Gomes Filho - Mangabeira 2016, 2018
Escola Liliosa Paiva - Cristo
Escola Municipal Paulino Siqueira - Cabedelo
Escola Frei Orlando - Itambé
Escola Técnica Estadual João Pereira Gomes – Mangabeira
Escola Estadual Professor Celestin Malzac - Valentina
Escola Estadual José Rocha Sobrinho - Bananeiras</p>
        <p>Escola Estadual Márcia Guedes Alcoforado - Belém
3.2</p>
      </sec>
      <sec id="sec-5-2">
        <title>O Projeto</title>
        <p>O projeto tem como principal objetivo despertar a vocação das meninas para a área de
Ciência da Computação através da capacitação em Tecnologias da Informação e
Comunicação. A capacitação para lidar com os artefatos tecnológicos desperta
vocações para a área de computação, além de empoderá-las, aumentando a percepção
de autoeficácia e o background para ingressarem em cursos de computação
posteriormente. No período de 2019 a 2020 o projeto está sendo desenvolvido em cinco
Período
2014
escolas de ensino médio do estado da Paraíba, sendo três na capital e duas no interior.
Financiado pelo CNPq, oferece uma estrutura que conta com um professor e três alunas
bolsistas em cada escola pública e três alunas bolsistas no ensino superior, além da
coordenação que conta com duas professoras da UFPB. As principais estratégias
utilizadas são:
─ Ministração de palestras sobre as desigualdades de gênero na ciência e tecnologia,
principalmente na Ciência da Computação. Estas palestras são seguidas por debates
onde as alunas expõem suas experiências sobre discriminações ou diferenças de
tratamento já vivenciadas devido ao gênero.
─ Rodas de conversa com as alunas do ensino superior (bolsistas e voluntárias) em
Computação da UFPB. Nestas rodas de conversa as alunas apresentam as suas
experiências ao ingressarem nos cursos majoritariamente masculinos, o que motiva
geralmente intensos debates e perguntas sobre como superar as dificuldades
enfrentadas. Também são debatidos os problemas encontrados para aprender
programação, o que estimula as alunas do ensino médio a ingressarem nas oficinas
que são oferecidas pelo projeto.
─ Oficinas de capacitação em tecnologia. As alunas são capacitadas no uso das
tecnologias digitais utilizando diferentes estratégias e softwares, entre eles: (a)
oficinas de programação em C; (b) minicursos de desenvolvimento de aplicativos
usando o App Inventor (disponibilizado gratuitamente pelo MIT); (c) oficinas de
desenvolvimento de jogos com o Construct 2; (d) oficinas de desenvolvimento de
blogs com temas de interesse das alunas das escolas, e (e) minicurso de robótica. Os
cursos são sempre adaptados a cada escola, disponibilidade de laboratórios, internet
e softwares. Geralmente é necessário promover encontros e cursos nos laboratórios
da Universidade, uma vez que as escolas são carentes de recursos.
─ Visitas técnicas aos laboratórios e cursos de Computação da UFPB, incluindo
laboratórios de Inteligência Artificial, Robótica, Drones e Desenvolvimento de
Software, entre outros. As visitas são extremamente importantes e ressaltadas pelas
alunas do ensino médio como um estímulo para o objetivo de ingressar em um curso
superior.
─ Os professores das escolas parceiras integram os treinamentos, para que tenham uma
participação ativa e possam dar continuidade às oficinas e minicursos, além de
poderem colaborar na instrução das alunas do ensino médio durante as ações
desenvolvidas ao longo do ano. As redes sociais são atualizadas pelas alunas do
ensino superior para dar visibilidade às ações realizadas durante todo o projeto.
Os principais resultados tanto do projeto como do grupo vão além de incentivá-las a
ingressar em cursos de tecnologia e computação. Podemos elencar alguns, colhidos
através de declarações das alunas:
• O empoderamento das meninas do ensino médio, que passam a acreditam que são
capazes de atuar na área de tecnologia, pois aprendem na prática a lidar com
diferentes áreas da computação;
• O conhecimento em áreas de computação, ampliando as opções de escolha das
meninas do ensino médio para futuras carreiras, pois normalmente as meninas
permanecem em áreas onde sentem-se mais confortáveis, como cuidado, saúde e
educação;
• Quebra de paradigmas quanto à impossibilidade de adentrar em uma Universidade
pois, ao conhecer alunas também de escolas públicas que conseguiram alcançar este
objetivo, as estudantes sentem-se mais fortalecidas para buscar este novo objetivo
de vida;
• Melhoria da autoestima e autoconfiança, uma vez que as alunas do ensino médio
passam a sentir-se mais seguras ao lidar com artefatos tecnológicos através do
conhecimento em oficinas práticas de curta duração, e
• Um sentimento de pertencimento das meninas dos cursos superiores, uma vez que
passam a apoiar umas às outras quando ingressam em um dos projetos do grupo. As
alunas do ensino superior, por serem sempre minoria nos cursos e nas turmas,
sentem-se isoladas, tendo dificuldade de integrar-se tanto acadêmica como
socialmente na Universidade. De acordo com o testemunho de várias delas, a
participação no projeto exerce o papel de mantê-las integradas e ajudando a que não
desistam durante as dificuldades encontradas, sejam acadêmicas ou de ordem
psicológica.
4</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-6">
      <title>Comentários Finais</title>
      <p>As áreas de STEM são predominantemente masculinas: na União Europeia, apenas 6%
das mulheres obtém diplomas de engenharia, contra 25% dos homens; no Japão elas
são apenas 14,5% dos estudantes de engenharia e, no Brasil elas também são minoria
dos ingressantes em engenharia, apenas 29,3%. Este quadro global pode ser modificado
através da educação. Iniciativas em todo o mundo procuram incentivar as mulheres a
ingressarem em tecnologia, pois assim poderão obter melhores empregos e renda,
melhorando suas perspectivas econômicas e sociais: a taxa de empregabilidade de
pessoas graduadas em STEM é de 86% na União Europeia.</p>
      <p>Iniciativas em todo o mundo têm sido conduzidas a fim de promover a inclusão
feminina na ciência e tecnologia. Estas iniciativas vão desde a Agenda para o
Desenvolvimento Sustentável da ONU, que estabelece metas para aprimorar o uso de
tecnologias por parte das mulheres e a adoção de políticas para a promoção da igualdade
de gênero e o empoderamento econômico e social das mulheres e meninas, perpassam
por iniciativas da Organização Internacional do Trabalho e do Fórum Econômico
Mundial, que objetivam melhorar as condições econômicas e oportunidades de
emprego para as mulheres, chegando até iniciativas no nosso país, o Brasil, através do
Programa Mulher e Ciência, que lança editais visando a igualdade na Ciência e
Tecnologia.</p>
      <p>O projeto de que trata este relato, coordenado pelo grupo Meninas na Computação
da UFPB, situado na região Nordeste do Brasil, é fruto de um destes editais. O projeto
tem desenvolvido ações a nível de escolas estaduais do ensino médio, a fim de capacitar
e incentivar mulheres a ingressarem na tecnologia, reduzindo assim as desigualdades.
Os principais resultados têm sido acompanhar o crescimento do conhecimento
tecnológico, a melhoria do senso de autoeficácia e o empoderamento das meninas, que
passam a acreditar que são capazes de atuar nas carreiras que decidirem escolher,
inclusive naquelas que envolvem a tecnologia e a computação.</p>
      <sec id="sec-6-1">
        <title>Agradecimentos</title>
        <p>Agradecemos ao CNPq e MCTIC o financiamento desta pesquisa.</p>
      </sec>
      <sec id="sec-6-2">
        <title>Referências</title>
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