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        <article-title>Mapeamento de Iniciativas Brasileiras em STEM no Instagram: Uma Discussão Metodológica</article-title>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Ana Clara de Arruda Nunes</string-name>
          <email>anaclara.arruda.nunes@gmail.com</email>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Francielli Freitas Moro</string-name>
          <email>franfm.moro@gmail.com</email>
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          <string-name>Luciana Bolan Frigo</string-name>
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          <string-name>Raquel de</string-name>
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          <string-name>Barros Miguel</string-name>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Sílvia Amélia Bim</string-name>
          <email>sabim@utfpr.edu.br</email>
          <xref ref-type="aff" rid="aff3">3</xref>
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        <contrib contrib-type="editor">
          <string-name>Methodology, Instagram, Gender.</string-name>
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          <label>0</label>
          <institution>Universidade Federal de Santa Catarina</institution>
          ,
          <addr-line>Araranguá, Santa Catarina</addr-line>
          ,
          <country country="BR">Brasil</country>
        </aff>
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          <label>1</label>
          <institution>Universidade Federal de Santa Catarina</institution>
          ,
          <addr-line>Florianópolis, Santa Catarina</addr-line>
          ,
          <country country="BR">Brasil</country>
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          <label>2</label>
          <institution>Universidade Federal do Rio Grande do Sul</institution>
          ,
          <addr-line>Porto Alegre, Rio Grande do Sul</addr-line>
          ,
          <country country="BR">Brasil</country>
        </aff>
        <aff id="aff3">
          <label>3</label>
          <institution>Universidade Tecnológica Federal do Paraná</institution>
          ,
          <addr-line>Curitiba, Paraná</addr-line>
          ,
          <country country="BR">Brasil</country>
        </aff>
      </contrib-group>
      <pub-date>
        <year>2042</year>
      </pub-date>
      <fpage>0000</fpage>
      <lpage>0001</lpage>
      <abstract>
        <p>Social networks have been important sources of data for scientific research. However, social networks have different characteristics from traditional searches because they change from time to time. Therefore, the objective of this research is to present a methodology for searches on the social media Instagram, where traditional scientific-based searches are limited. Searches were carried out on Instagram about Brazilian initiatives that promote gender equality in STEM themes using the snowball method. As a result, 118 initiatives which encourage the inclusion of girls and women in STEM careers were found, while a previous systematic review of the literature, on the similar lines, found less than 20 initiatives. The methodology used showed promise for research on the social media Instagram, due to the characteristics of this network.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd>Esses dados evidenciam a grande relevância das redes sociais no país atualmente</kwd>
      </kwd-group>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>1. Introdução</title>
      <p>
        destacando-se seu uso como forma de divulgação científica e de disseminação de informações
para diversos públicos. Nesse contexto, ressalta-se que as redes sociais têm recebido um
crescimento potencial de mulheres e grande parte desta ocupação é marcada por discussões de
temáticas importantes, permitindo a promoção e propagação de diferentes discursos, podendo
contribuir para a divulgação de informações sobre exemplos de atuação de mulheres nas áreas
de Engenharia e Computação, e promoção de ações para aproximar meninas da ciência [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref5">6</xref>
        ]. No
contexto brasileiro e latino-americano, essa presença nas redes sociais é uma das características
da quarta onda do feminismo, também conhecida como ciberfeminismo [7]. Diversos
movimentos reconhecem o potencial de alcance dessas ferramentas de comunicação e sabem
utilizá-las para promover debates sobre diferentes pautas feministas, incluindo a equidade de
gênero em áreas STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics).
      </p>
      <p>As desigualdades de gênero nas áreas de STEM são notórias, e têm emergido debates em prol
de mudanças nesse cenário [8][9]. Projetos, iniciativas, pesquisas, entre outros, têm sido
desenvolvidos almejando a diminuição dessas desigualdades. Dentre elas destaca-se a Rede de
pesquisa ELLAS Network. Essa rede une pesquisadoras de três países da América Latina com
objetivos de: mapear, analisar e coletar fatores que influenciam na atuação de mulheres em
STEM, desenvolver e implementar plataforma que integre dados sobre a participação de
mulheres em STEM, gerar e usar dados abertos de países da América Latina, contribuir com
políticas públicas e com iniciativas que visam diminuir desigualdades de gênero em STEM1. O
presente estudo faz parte do projeto ELLAS.</p>
      <p>Para este trabalho, o foco está em buscar e analisar iniciativas que tenham como objetivo
promover a equidade de gênero em STEM. Nesse âmbito, iniciativas foram definidas como
ideias, planos, meios e ações que abordam e buscam soluções para a exígua presença de
mulheres em STEM, bem como para evitar a desistência das mulheres ao se depararem com
preconceitos e falta de oportunidades [8][9].</p>
      <p>
        Diante desse cenário, torna-se de suma importância mapear as iniciativas para a promoção
da equidade de gênero em STEM. Porém, estudos apontam a dificuldade de mapear tais
iniciativas em bases de dados científicas [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref15 ref6">10</xref>
        ]. Primeiramente, o fato de grandes bases de dados
publicarem estudos majoritariamente em língua inglesa e da falta de recursos das universidades
brasileiras para a tradução dos estudos realizados no Brasil, constituindo-se em desafios para a
presença de artigos brasileiros em bases de dados internacionais. Dessa forma, muitos grupos
de pesquisa brasileiros têm como alternativa publicar seus estudos em eventos nacionais, assim,
para localizá-los é necessário realizar buscas nos Anais destes eventos, dificultando-se o acesso
aos trabalhos, pois a busca nem sempre é automática. Outro ponto relevante é a existência de
pesquisas conduzidas por empresas e/ou outras instituições que não visam a publicação nas
bases de dados científicas, utilizando outras metodologias para tornar público seus resultados,
como no formato de relatórios, normalmente disponibilizados em sites ou revistas online.
Levando em consideração as barreiras aqui descritas, optou-se por desenvolver o mapeamento
das iniciativas na rede social Instagram. Segundo Comscore [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2">2</xref>
        ] o Instagram continua sendo a
plataforma com maior engajamento em comentários e ações, sendo a rede de maior volatilidade
em ações no Brasil. Por esse motivo optou-se pelo uso desta rede. O objetivo deste trabalho é
apresentar uma metodologia de pesquisa para buscas na rede social Instagram, em temáticas em
que as buscas em base científicas são limitadas.
      </p>
      <p>O trabalho está organizado da seguinte forma a partir desta introdução. Na Seção 2 é
apresentada a contextualização de pesquisas no Instagram, considerando trabalhos presentes na
literatura conforme as buscas realizadas e descritas. Na Seção 3 é apresentada a metodologia de
busca desenvolvida a partir de informações conhecidas. Na Seção 4 são apresentados os
resultados da metodologia e um breve panorama da coleta de dados que foi possível a partir
1 A sigla em português refere-se à Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.
dela. Na Seção 5 é realizada uma discussão com base na pesquisa realizada em comparação com
outros estudos literários focados na rede social Instagram. Por fim, é realizada a conclusão da
pesquisa com apontamentos para trabalhos futuros.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>2. Trabalhos Relacionados</title>
      <p>
        Para obter informações sobre referências relacionadas ao uso do Instagram como fonte de
pesquisa e confirmar qual a relevância deste trabalho, foram realizados dois tipos de buscas
exploratórias em base de dados. As bases de dados utilizadas foram: IEEE Xplore, Scielo e os
Anais do congresso Women in Information Technology (WIT2). O objetivo foi compreender como
diferentes grupos realizam pesquisas usando o Instagram como fonte de dados. Foram utilizados
os termos “Instagram” AND “methodology” e foram encontrados 41 resultados na Scielo. Na
IEEE Xplore utilizou-se os mesmos termos e foram encontrados 142 resultados. Após ler os
resumos e títulos dos trabalhos encontrados, foram selecionados 8 artigos de áreas diversas. Em
relação aos anais do WIT, foram localizados dois estudos [8][
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">11</xref>
        ] que contribuíram na discussão
da presente pesquisa. Entende-se, nesta pesquisa, que a metodologia é um conjunto de métodos
e procedimentos para a condução de uma pesquisa.
      </p>
      <p>
        As pesquisas foram realizadas com objetivos distintos e em diferentes países, entre eles Chile,
Brasil, Peru, Espanha, Canadá e Itália. Com os resultados encontrados, foi possível verificar que
o Instagram é fonte de dados de pesquisas em diversas áreas, com métodos de busca e análise a
partir da observação de diferentes recursos oferecidos pela rede social em combinação com
técnicas e ferramentas computacionais para análise das informações. Os recursos utilizados nas
pesquisas encontradas foram geotags3 [12][
        <xref ref-type="bibr" rid="ref11">13</xref>
        ], hashtags [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref11">13</xref>
        ][
        <xref ref-type="bibr" rid="ref13">14</xref>
        ][
        <xref ref-type="bibr" rid="ref14">15</xref>
        ], imagens [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref11">13</xref>
        ][
        <xref ref-type="bibr" rid="ref13">14</xref>
        ][
        <xref ref-type="bibr" rid="ref14">15</xref>
        ][16],
vídeos [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref14">15</xref>
        ] e comentários [17].
      </p>
      <p>Outro recurso utilizado em metodologias de pesquisas no Instagram é a entrevista [18][19].
Neste método, é possível verificar a percepção de quem interage com a rede social acerca das
questões investigadas na pesquisa, focando-se em resultados subjetivos, que dizem respeito à
experiência das pessoas entrevistadas.</p>
      <p>
        Com relação aos trabalhos encontrados nos anais do WIT, identificam-se maiores
semelhanças com a temática e método desta pesquisa. O trabalho de [8] realizou estudos na
temática de equidade de gênero e STEM e/ou STEAM4 (Science, Technology, Engineering, Art and
Mathematics). O objetivo da pesquisa era mapear perfis no Instagram que atuavam na superação
da desigualdade de gênero nessas áreas. Neste contexto, o estudo de [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">11</xref>
        ] almejou investigar os
perfis brasileiros que tinham como propósito incentivar a inserção de mulheres na área de
Computação.
      </p>
      <p>
        A presente pesquisa teve semelhanças com a de [8] e [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">11</xref>
        ], dentre elas, as principais estão no
objetivo em comum: conhecer os perfis que promovem equidade de gênero nas ciências
tecnológicas e exatas. No entanto, há algumas diferenças: a pesquisa de [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">11</xref>
        ] foca na área da
Computação, a presente pesquisa foca em STEM e a de [8] considerou também as STEAM. A
pesquisa de Menezes [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">11</xref>
        ] utilizou método semelhante, por meio de um perfil conhecido da
autora, o perfil do Programa Meninas Digitais, da Sociedade Brasileira de Computação, foram
mapeados outros perfis. Menezes [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">11</xref>
        ] localizou 78 perfis que tinham como objetivo promover
a inserção feminina na computação. Com relação à pesquisa de [8] as diferenças concentram-se
2 Link dos anais do WIT: https://sol.sbc.org.br/index.php/wit
3 Geotags: é um recurso de inclusão de localização geográfica que possibilita o compartilhamento da localização
geográfica de determinado local em tempo real, utilizado em postagens em redes sociais.
4 A sigla em português refere-se à Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática
principalmente nos métodos utilizados e nos resultados encontrados. Assim, essas diferenças
são apresentadas na Tabela 1.
      </p>
      <p>Tabela 1
Diferenças entre as pesquisas encontradas no WIT e a atual pesquisa.</p>
      <sec id="sec-2-1">
        <title>Pesquisa</title>
      </sec>
      <sec id="sec-2-2">
        <title>Pereira et al. (2022) [8]</title>
      </sec>
      <sec id="sec-2-3">
        <title>Menezes (2021) [11]</title>
      </sec>
      <sec id="sec-2-4">
        <title>Presente pesquisa (2024)</title>
      </sec>
      <sec id="sec-2-5">
        <title>Temática de Foco</title>
      </sec>
      <sec id="sec-2-6">
        <title>Métodos</title>
      </sec>
      <sec id="sec-2-7">
        <title>Resultados</title>
      </sec>
      <sec id="sec-2-8">
        <title>Perfis de Iniciativas de mulheres para STEM e/ou STEAM</title>
      </sec>
      <sec id="sec-2-9">
        <title>Perfis de Iniciativas de mulheres na Ciência da Computação</title>
      </sec>
      <sec id="sec-2-10">
        <title>Perfis de iniciativas de mulheres para STEM</title>
      </sec>
      <sec id="sec-2-11">
        <title>Busca por palavra chave 45 perfis</title>
      </sec>
      <sec id="sec-2-12">
        <title>Mapeamento sistemático</title>
      </sec>
      <sec id="sec-2-13">
        <title>Busca por palavraschave e método Bola Neve. 78 perfis</title>
        <p>118 perfis</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>3. Metodologia de Busca de Iniciativas</title>
      <p>
        Inicialmente, na metodologia de busca pelas iniciativas que promovam equidade de gênero em
STEM, utilizou-se como método a revisão sistemática da literatura. Essa revisão teve como
resultado 11 artigos, número considerado limitado pela equipe de pesquisa, principalmente
relacionados às iniciativas brasileiras [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref15 ref6">10</xref>
        ]. Para contemplar as iniciativas brasileiras,
averiguouse se haviam outras iniciativas em outras ferramentas, como as redes sociais. Para a busca em
redes sociais, notou-se que não havia uma metodologia específica e que alguns métodos
encontrados na literatura alcançaram um número baixo de perfis resultantes. Houve então a
necessidade de explorar e descrever um método que permitisse alcançar um maior número de
perfis.
      </p>
      <p>Desta forma, iniciou-se uma pesquisa no Instagram, usando strings compostas por
combinações de palavras-chave e os resultados que atendiam aos critérios de inclusão e exclusão
não foram satisfatórios. Por meio desta pesquisa, as autoras observaram que perfis de seu
conhecimento não foram encontrados, como o perfil do programa “Meninas Digitais” da
Sociedade Brasileira de Computação e o perfil de projetos parceiros desta comunidade. Os perfis
muitas vezes não utilizam palavras-chave em sua definição ou biografia, dificultando que essas
iniciativas sejam encontradas. Entendeu-se a necessidade da criação de um novo método com
alcance maior. Também é importante destacar a volatilidade da plataforma, logo, o processo
para buscar informações no Instagram é bastante manual e poluído. Diante da possibilidade de
instrumentos disponíveis nas redes, por meio dos quais pesquisas e redirecionamentos podem
ocorrer, foi então utilizado o método Bola de Neve (snowball) como recurso para
seleção/definição da amostra.</p>
      <p>De acordo com [20] e [21], Bola de Neve é um método de amostragem que não utiliza um
sistema de referências, mas, de uma rede de amizade entre participantes da amostra. Neste caso,
o método é baseado na indicação de uma ou mais pessoas sendo conhecido como uma cadeia de
referências, assim por meio de um participante se chega a outros. É um modo não probabilístico
e que tem se efetivado como uma estratégia para localizar grupos de difícil alcance, inclusive
por pesquisas em redes sociais.</p>
      <p>Ele é um processo constante de coleta de informação e, em suma, pode tirar proveito das
redes sociais para fornecer, a quem realiza a pesquisa, um conjunto cada vez maior de perfis
potenciais. Para esse processo ser finalizado, pode-se ter um critério de ponto de saturação [21].
Considerando a forma como o Instagram funciona, esta pesquisa utilizou esse método partindo
da ferramenta “sugestões para você”. Foi considerado como ponto de saturação desta pesquisa a
falta de indicações de novos perfis de iniciativas.</p>
      <p>Os passos metodológicos da pesquisa no Instagram, de acordo com o método Bola de Neve
e com os critérios de seleção para a coleta de iniciativas, foram: a) Identificação de um perfil
informante inicial; b) perfis indicados pelo "sugestões para você" por meio do perfil informante
inicial; c) cadeia de indicação através dos perfis: forma-se uma Bola de Neve à medida que novas
sugestões surgem; d) critérios de inclusão/exclusão a partir da análise dos perfis; e) coleta de
dados; f) análise de dados.</p>
      <p>A equipe que realizou o método na rede social era composta por três pesquisadoras,
estudantes de graduação e pós-graduação da área de Computação e Psicologia da Universidade
Federal de Santa Catarina. As pesquisadoras estavam em cidades diferentes, porém no mesmo
estado e utilizaram um perfil próprio criado exclusivamente para a pesquisa. O principal recurso
para a pesquisa foram as “sugestões para você”. Por meio desta funcionalidade foi possível ter
acesso a outros perfis semelhantes ao perfil consultado. O primeiro perfil utilizado para a
pesquisa foi o perfil do “Programa Meninas Digitais” [22] da Sociedade Brasileira de
Computação (SBC), pois é uma comunidade conhecida pelas pesquisadoras por sua abrangência
e ramificações com outras instituições para incentivar meninas a conhecer e atuar na área de
tecnologia.</p>
      <p>Descrevem-se os passos metodológicos, Figura 1, a partir de um exemplo:
1. Identificação de um perfil informante inicial: Consultou-se as “sugestões para você” do
perfil do “Programa Meninas Digitais (@meninasdigitaissbc)”.
2. Perfis indicados pelo "sugestões para você" por meio do perfil informante inicial: A partir
do perfil do Programa, foi possível ter acesso a perfis como: @elascodam, @gatorasdeti
e @guriastech.
3. Cadeia de indicação através dos perfis: A partir dos perfis acessados como o
“@elascodam”, foi possível acessar mais perfis a partir de consultas ao “sugestões para
você”, e assim por diante, criando uma Bola de Neve.
4. Critérios de inclusão a partir da análise dos perfis: Para selecionar os perfis que seriam
analisados em profundidade foi necessário definir critérios de inclusão e exclusão. Os
seguintes critérios de inclusão foram definidos: a) ser um perfil público; b) ser um perfil
brasileiro; c) ser um perfil sobre a inserção e/ou permanência de mulheres e/ou meninas
em carreira de STEM. Os critérios de exclusão dos perfis foram: a) ter menos de 100
seguidores e b) ser um perfil sem qualquer publicação.
5. Coleta de dados: A partir dos critérios definidos foi possível selecionar os perfis das
iniciativas a serem consideradas nesta pesquisa para posterior análise de dados. Para
isso, foi desenvolvida uma planilha reunindo as informações coletadas sobre cada um
dos perfis como: tipo de ação, objetivos, número de seguidores, público-alvo, escopo da
iniciativa (municipal, estadual, nacional, internacional), existência de financiamento,
instituição responsável (quando aplicável), data de início da iniciativa.
6. Análise de dados: A partir da amostra recolhida, foi iniciada a análise dos dados obtidos,
que será explanada na próxima seção. Ressalta-se que nem todas as informações
estavam disponíveis nos perfis analisados.</p>
      <p>Figura 1. Passos metodológicos utilizados na pesquisa. Imagem de autoria própria.</p>
      <p>Para demonstrar as etapas do método utilizado nesta pesquisa, um vídeo foi desenvolvido e
pode ser acessado no link: https://www.youtube.com/shorts/rXtoD1vXCVw.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-4">
      <title>4. Análise e Resultados</title>
      <p>Foram encontrados 117 perfis na busca no Instagram, tendo sido analisados 118, pois, o perfil
informante inicial foi somado aos perfis encontrados. No que diz respeito aos tipos de ações,
quatro perfis eram do terceiro setor, um coletivo, 31 comunidades, um evento de mulheres, 19
páginas pessoais, nove páginas de informações, um curso, um perfil destinado a educação e
tecnologia - edtech, um evento de mulheres na computação, uma mentoria tech, um perfil de
oportunidade, duas organizações, um programa, dois projetos que não são do meio acadêmico
e 33 projetos de extensão. Nos outros 10 perfis não foi possível obter essa informação.</p>
      <p>Foram obtidas informações a partir dos dados coletados, referentes à região do Brasil em que
as iniciativas se encontram, à quantidade de iniciativas acadêmicas, à quantidade de iniciativas
realizadas por comunidade, se existem mais iniciativas individuais ou de comunidade e qual o
tipo de ação realizada pela iniciativa.</p>
      <p>Quanto ao vínculo, 16 pertencem a universidades ou institutos de ensino federais, enquanto
um perfil consta como vinculado à Sociedade Brasileira de Computação, dois são independentes
e 99 não informados. É possível notar que os perfis vinculados à institutos de ensino foram
predominantes nos perfis em que era possível a obtenção de dados, sendo todos eles
pertencentes a instituições públicas. A região Sul do Brasil obteve maior número de iniciativas,
seguida da região Sudeste; as regiões Centro-Oeste e Nordeste obtiveram a mesma porcentagem,
seguidos da região Norte. Todavia, notou-se que a maioria das iniciativas, nas quais constavam
esses dados, possuem abrangência nacional.</p>
      <p>Em relação ao público-alvo das iniciativas, foram encontrados perfis direcionados a crianças,
adolescentes e adultos, não constando iniciativas para pessoas idosas. Pode-se identificar que
dentre as iniciativas nas quais constam informações no perfil, a maior parte é coletivo realizado
por comunidades, projetos ou programas. Foi possível verificar também que um total de 43
iniciativas, entre as encontradas, são coordenadas ou lideradas por mulheres. Em relação ao
formato de aplicação destas iniciativas, uma é realizada em formato presencial, 18 são em
formato virtual e nove são híbridas. Não foi possível coletar essa informação em 90 perfis.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-5">
      <title>5. Discussões e Limitações da Pesquisa</title>
      <p>Uma das limitações encontradas pela metodologia é a dificuldade de obtenção de dados em
perfis, uma vez que nem todos os perfis utilizam legendas e biografias que auxiliam na
localização e categorização dos dados. Algumas pesquisas levantam o questionamento de como
garantir que a informação que consta nas redes seja verídica e debatem a respeito desse aspecto
das redes sociais, bem como a ampla disseminação de um conteúdo muitas vezes impreciso [23].</p>
      <p>
        No entanto, como observado na pesquisa de [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref14">15</xref>
        ], ao trabalhar com pesquisas em redes sociais
é importante considerar o que está posto, analisando deste modo, o que é encontrado na rede
social. Assim, é importante compreender que a coleta de dados é diferente da coleta em outras
fontes, como os artigos acadêmicos revisados e validados por pares. Contudo, as informações
coletadas nas redes sociais, sejam elas falsas ou verídicas, dizem sobre um dado concreto: estão
sendo veiculadas nas redes, tendo acessos, ocorrendo circulação e alcance destes dados. O
presente estudo, segue nesta direção: considerar as informações postadas nas redes, sem uma
busca externa averiguando se são verídicas ou não. Todavia, como a maioria das iniciativas
encontradas são organizacionais e acadêmicas, pressupõe-se que existe uma pesquisa e uma
discussão sobre os conteúdos postados antes de chegarem ao grande público.
      </p>
      <p>Apesar da volatilidade da plataforma, e do processo de busca ser manual envolvendo muitas
etapas e esforços, a metodologia descrita se mostrou satisfatória. Possibilitou acessar diversos
perfis, com características e requisitos que se adequam ao presente estudo, os quais são difíceis
de serem obtidos com pesquisas em outras bases.</p>
      <p>Há diferenças desta pesquisa com relação aos estudos encontrados na literatura que
utilizam o Instagram como fonte de busca. Neste caso, pode-se comparar alguns resultados
obtidos utilizando-se diferentes metodologias na plataforma. Por exemplo, nas pesquisas de [18]
e [19], ressalta-se que o foco não é o tamanho da amostra, mas a riqueza de informações
fornecidas pelos participantes a partir da metodologia aplicada e a observação de quem pesquisa,
além das habilidades de análise. Neste sentido, a pesquisa diferencia-se deste estudo em relação
às expectativas de resultado, uma vez que o mais importante na investigação em tela é a
quantidade de iniciativas encontradas para que se tenha um parâmetro inicial em futuras
pesquisas relacionadas ao tema.</p>
      <p>Os resultados da pesquisa de [19], revelaram que influenciadores fitness atuam como
facilitadores da credibilidade da marca. Ao discorrerem sobre isso, as pessoas autoras atribuem
à confiança dos usuários nos perfis que seguem como influenciadores que promovem o
fortalecimento de ideias de rotinas saudáveis e do consumo de determinadas marcas. Ao analisar
este ponto, pode-se em um trabalho futuro estender a atual pesquisa para a percepção de como
as iniciativas aqui encontradas, podem ou não, influenciar mulheres na área de STEM e quais
conteúdos contribuem para isto. A presente pesquisa foi um meio de encontrar as iniciativas e
ações, o que pode ser feito com essas informações é um caminho posterior a ser seguido.</p>
      <p>Observa-se principalmente três categorias nos estudos, conforme Figura 2:
1) Relação Instagram-Sociedade: Neste contexto, são as pesquisas que têm como objetivo
compreender a relação das pessoas com as redes sociais e como elas afetam a sociedade
contribuindo para a construção de estereótipos, de perspectivas e concepções. Destaca-se neste
ponto, os estudos de [18] e [19] em que ambos utilizaram entrevistas com usuários do Instagram
para compreender a relação das pessoas com a rede, sendo este o método para coleta de dados.</p>
      <p>
        2) Coleta de Informações: Estas são pesquisas que utilizam o Instagram como fonte de dados,
como um espaço para coleta de informações para obtenção de resultados, como as pesquisas de
[8][
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">11</xref>
        ][12][
        <xref ref-type="bibr" rid="ref11">13</xref>
        ][
        <xref ref-type="bibr" rid="ref13">14</xref>
        ][
        <xref ref-type="bibr" rid="ref14">15</xref>
        ][17]. Estas pesquisas elucidam as potencialidades do Instagram como
recurso valioso para o conhecimento de uma série de informações e articulações, assim como a
pesquisa aqui apresentada.
      </p>
      <p>3) Relação Instagram-Sociedade e Coleta de Informações: Esta categoria é referente às
pesquisas que utilizam a rede social para a coleta de informações tendo o Instagram como fonte,
e também analisam a percepção de outras pessoas sobre os dados coletados na rede. Como a
pesquisa de [16] que entrevistou também profissionais da área, analisando suas percepções
sobre os dados coletados, realizando a pesquisa em duas etapas.</p>
      <p>Figura 2: Categorias dos estudos. Imagem de autoria própria.</p>
      <p>Outrossim, o nível de dificuldade de uma pesquisa pode representar decisões importantes
para a equipe de pesquisa e impactos diretos nos resultados obtidos e no entendimento de quem
acessa os resultados, de acordo com a área de conhecimento. Pesquisas com o objetivo
interdisciplinar, como a descrita neste trabalho, podem atingir não apenas um público-alvo com
conhecimentos complexos, como também profissionais iniciantes na pesquisa ou com pouco
conhecimento em áreas computacionais.</p>
      <p>
        As pesquisas de [12], [16] e [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref11">13</xref>
        ] são exemplos que se utilizam de conhecimentos específicos
nas áreas computacionais como metodologia de busca. A primeira teve como objetivo mapear a
mobilidade de participantes de um evento alimentício na Itália, enquanto a segunda utilizou de
API (Application Programming Interface) para coletar os dados e de software para fazer a análise
primária deles, a terceira teve como propósito filtrar as hashtags no Instagram a partir de crowd
tagging e algoritmos de HITS. Para que os objetivos relacionados à coleta de dados fossem
atendidos, houve a necessidade de utilizar algoritmos computacionais complexos. Esse tipo de
metodologia difere da presente pesquisa em nível de aplicação, pois neste caso ela só pode ser
utilizada e replicada por pessoas com conhecimentos avançados em computação, podendo ser
classificada como difícil. As autoras acreditam que a classificação de uma pesquisa em níveis de
dificuldade, considerando a interdisciplinaridade, é importante para que a mesma seja
posteriormente referência em outras pesquisas na temática.
      </p>
      <p>
        Outro ponto importante a considerar nas pesquisas no Instagram foi a quantidade de
pesquisadores envolvidos nos estudos. Somente quatro estudos contaram com mais de dois
pesquisadores: o [8] com quatro, o de [12] e o de [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref14">15</xref>
        ] com oito e cinco pessoas na equipe de
pesquisa, respectivamente, e o estudo de [16], com três pesquisadores. Dentre a coleta de dados
dos três estudos, somente o de [8] foi realizado de modo manual, o restante utilizou algoritmos
e API para isso, coletando uma quantidade maior de dados do que as demais pesquisas. Assim,
o fato de contar com uma equipe de pesquisa maior pode ter auxiliado a executar uma pesquisa
com grau de dificuldade elevado, coletando e analisando mais dados. No entanto, para realizar
grandes pesquisas é necessário investimentos, principalmente no âmbito tecnológico, onde os
equipamentos geralmente são onerosos, indo além das pessoas, engendrando aspectos políticos
e econômicos dos ambientes nos quais as pesquisas se localizam. Ademais, os estudos com o uso
de conhecimentos tecnológicos realizaram a coleta em um tempo menor dos que utilizaram o
modo manual para a coleta. Contudo, este dado isolado não diz sobre a qualidade das
informações apreendidas em si, é necessário que seja preconizada também a qualidade das
análises.
      </p>
      <p>Outrossim, adentrando nas distinções entre a presente pesquisa e a de [8], os principais
pontos de divergência encontram-se no método utilizado. Este estudo utilizou o método Bola de
Neve e a busca por palavras-chave, enquanto o estudo de [8] aplicou apenas a busca por
palavras-chave na ferramenta de pesquisa do Instagram. Nos resultados de busca realizados pela
equipe de pesquisa de [8] não foram encontrados perfis previamente conhecidos, com relação a
STEM e tecnologia. Destacando-se que neste caso foi atribuído como critério de inclusão a
necessidade dos perfis conter as palavras-chave STEM e/ou STEAM. Assim, perfis que se
relacionam ao tema, mas não colocam essas informações como destaque não foram
contemplados, prejudicando o método de busca utilizado.</p>
      <p>O uso de métodos distintos possibilitou também encontrar resultados diferentes. Assim,
nesta pesquisa, 118 perfis foram encontrados, enquanto com o método utilizado na pesquisa de
[8] foi possível localizar 45 perfis. No entanto, em ambos os casos, o levantamento não teve o
objetivo de esgotar a busca e alcançou o objetivo do estudo, mapeando perfis que promovam a
inserção e permanência de mulheres em carreiras tecnológicas. Nessa direção, evidencia-se a
relevância das pesquisas supracitadas, notando-se a necessidade de diferentes metodologias
para encontrar perfis no Instagram.</p>
      <p>
        Com relação ao estudo de [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">11</xref>
        ] os pontos de divergências encontram-se nas áreas
selecionadas para a busca, uma vez que a presente pesquisa abarcou as áreas de STEM e a de
Menezes centrou-se apenas na Computação. Assim, apesar da pesquisa também utilizar o
método semelhante em que a partir de um perfil conhecido mapeou-se outros, no entanto, a
autora utilizou a lista de seguidores de um perfil inicial para alcançar outros [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">11</xref>
        ]. Além disso,
como as áreas eram diferentes os resultados também foram distintos. Nessa direção, o estudo de
[
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">11</xref>
        ] localizou 78 perfis e o atual estudo 118, sendo o campo de STEM mais amplo. Contudo,
assim como a pesquisa de [8] a autora não almejou esgotar todos os perfis relacionados à
temática na área da Computação.
      </p>
      <p>
        O Instagram propicia uma série de possibilidades para as coletas de dados, conforme
ilustrado na Figura 3. Observa-se que somente a presente pesquisa, a de [8] e a de [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">11</xref>
        ] utilizaram
perfis como coletas de dados, as demais utilizaram outros recursos: tais como hashtags, geotags,
imagens, vídeos e comentários etc. Assim, ao considerar a coleta de perfis, nota-se as próprias
dinâmicas do Instagram, o modo como seu algoritmo funciona, como a apreensão por meio do
método Bola de Neve pode ser mais eficiente para a coleta do que a busca por palavras-chave.
      </p>
      <sec id="sec-5-1">
        <title>Figura 3: Métodos de busca. Imagem de autoria própria.</title>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-6">
      <title>6. Considerações Finais</title>
      <p>A presente pesquisa teve como objetivo apresentar uma metodologia de pesquisa para
realização de estudos relacionados a STEM e gênero na rede social Instagram, considerando-a
enquanto fonte de dados, entendendo a volatilidade e plasticidade da rede social e utilizando
suas dinâmicas a favor dos objetivos da pesquisa. Assim, por meio da metodologia e da discussão
acerca dela, foi possível alcançar os objetivos do estudo. Ademais, destaca-se que as
transformações no mundo digital são constantes, deste modo, pode ser que no futuro novas
redes sociais ascendam e configurem como possibilidades de estudo para outras pesquisas,
sendo necessário se atentar para as mudanças digitais. Não há método exclusivo e único para
fazer pesquisas online, sendo diversos em suas propostas e contribuições para as suas áreas. São
necessários cuidados para identificar qual método se aplica de modo eficiente para cada temática
e objetivo de estudos.</p>
      <p>Para trabalhos futuros propõe-se a utilização de outros métodos complementares de coleta
de informações e da relação do Instagram com a sociedade, como entrevistas em conjunto do
método Bola de Neve. Assim, pode-se alcançar informações que não são acessadas por métodos
isolados. Outra proposta futura é analisar de forma ampla, contextualizando aspectos
psicológicos e sociais às questões de gênero abordadas pelos perfis. Ainda, é possível em uma
próxima etapa analisar as iniciativas obtidas como resultado da metodologia aplicada neste
trabalho, de maneira mais profunda e como forma de verificar como funcionam as ações
disponibilizadas por cada uma delas. Uma outra sugestão de trabalho futuro é realizar um
aprofundamento de como esse tipo de pesquisa pode contribuir com a área de STEM. Por
exemplo, com dedução ou inferência de tendências na área. Quanto à metodologia de aplicação
na rede social Instagram, permite-se destacar que a replicabilidade é parcial por ser um
algoritmo volátil e flexível, em que pessoas de regiões diferentes em momentos distintos e
utilizando dispositivos em versões não correspondentes possivelmente terão outros resultados,
mas, pode-se utilizar da metodologia descrita para se obter novos resultados que contribuam
em diversas áreas e contextos, sendo recomendada pelas autoras essa prospecção.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-7">
      <title>Agradecimentos</title>
      <p>Agradecemos ao International Development Research Centre (IDRC), a rede de pesquisa ELLAS
Network e a Fundação Uniselva por viabilizar o desenvolvimento da pesquisa. Agradecemos
também as voluntárias que participaram da coleta de dados.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-8">
      <title>Referências</title>
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