<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Archiving and Interchange DTD v1.0 20120330//EN" "JATS-archivearticle1.dtd">
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  <front>
    <journal-meta />
    <article-meta>
      <title-group>
        <article-title>Interoperabilidade e portabilidade de documentos digitais usando ontologias</article-title>
      </title-group>
      <contrib-group>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Erika Guetti Suca</string-name>
          <email>eguetti@ime.usp.br</email>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Fla´vio Soares Correˆa da Silva</string-name>
        </contrib>
      </contrib-group>
      <fpage>117</fpage>
      <lpage>122</lpage>
      <abstract>
        <p>Our purpose is to enable interoperability of documents and achieve portability of digital documents through the reuse of content and format in different plausible combinations. We propose the characterization of digital documents using ontologies as a solution to the problem of lack of interoperability in the implementations of document formats. As proof of concept we consider the portability between ODF (Open Document Format) and OOXML (Office Open XML) document formats. Resumo. Nosso objetivo e´ possibilitar a interoperabilidade de documentos e atingir a portabilidade simples e confia´vel de documentos digitais atrave´s da reutilizac¸a˜o de formatos e conteu´dos, em diferentes combinac¸o˜es plaus´ıveis. Propomos a caracterizac¸a˜o de documentos digitais usando ontologias como soluc¸a˜o ao problema da falta de interoperabilidade nas implementac¸o˜es de formatos de documentos. Como prova de conceito, sera´ considerada a portabilidade entre os formatos de documentos ODF (Open Document Format) e OOXML (Office Open XML) .</p>
      </abstract>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>-</title>
      <p>documentos digitais criados a partir de aplicac¸ o˜es de escrit o´rio. As aplicac¸ o˜es de
escrit o´rio sa˜o aplicativos voltados para as tarefas de escrit o´rio e geralmente esta˜o agrupadas
em interfaces de usua´rio conhecidas como su´ıtes de escrit o´rio.</p>
      <p>
        Cada documento digital possui um formato de arquivo. O formato
de arquivo especifica a estrutura em que os co´digos digitais esta˜o organizados
[
        <xref ref-type="bibr" rid="ref14">Shepard and MacCarn 2008</xref>
        ]. A codificac¸a˜o do formato de arquivo esta´ profundamente
relacionada ao programa que o criou. A`s vezes, ap o´s um per´ıodo de tempo, se torna
extremamente dif´ıcil a leitura do documento sem perda significativa da informac¸ a˜o. Assim, os
documentos podem existir por dezenas de anos, mas a vida u´til de uma su´ıte de escrit o´rio
na˜o e´ sempre garantida. Diante disso, as organizac¸ o˜es teˆm que garantir a integridade e
perpetuidade dos documentos, mesmo ap o´s o software que os criou ter desaparecido do
mercado [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref10">Ngo 2008</xref>
        ,
        <xref ref-type="bibr" rid="ref15">Taurion 2009</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        Na preservac¸a˜o de documentos e´ importante provar sua autenticidade. A
autenticidade e´ a capacidade de demostrar que um documento digital e´ aquilo que se prop o˜e ser.
E´ fundamental provar que existe um conjunto de propriedades significativas que foram
corretamente preservadas ao longo do tempo. Quanto maior for o n u´mero dessas
propriedades, maiores sera˜o os requisitos relativos a` infraestrutura tecnol o´gica para dar suporte a`
sua preservac¸a˜o. Torna-se necessa´ria a criac¸a˜o de pol´ıticas de preservac¸ a˜o que exprimam,
para cada classe de objetos digitais, o conjunto de propriedades significativas que sera˜o
asseguradas pelo reposit o´rio [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref5">Ferreira 2006</xref>
        ,
        <xref ref-type="bibr" rid="ref11">Rusbridge 2003</xref>
        ].
      </p>
      <p>Este trabalho concentra-se na preservac¸a˜o da autenticidade dos documento
digitais, mais do que na preservac¸a˜o das caracter´ısticas est e´ticas do documento.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>3. Interoperabilidade e portabilidade de documentos</title>
      <p>
        Interoperabilidade1 e´ a habilidade de transferir e utilizar informac¸ o˜es de maneira
uniforme e eficiente entre va´rias organizac¸ o˜es e sistemas de informac¸a˜o. A
interoperabilidade de documentos e´ a habilidade das aplicac¸ o˜es de documentos de extrair
dados de diferentes tipos de documentos e transforma´-los em estruturas padronizadas.
Esta informac¸a˜o pode ser trocada entre va´rios sistemas e posteriormente ser processada
[
        <xref ref-type="bibr" rid="ref12">Schmidt et al. 2006</xref>
        ]. Com a interoperabilidade de documentos baseada principalmente
na tecnologia XML, as aplicac¸ o˜es podem comunicar-se diretamente com servic¸os do
governo eletr oˆnico.
      </p>
      <p>
        Por outro lado, a portabilidade de documentos e´ a troca de documentos com
todas as informac¸ o˜es que eles conteˆm, principalmente suas configurac¸o˜es de formato
[
        <xref ref-type="bibr" rid="ref12">Schmidt et al. 2006</xref>
        ]. Na portabilidade de documentos e´ importante a fidelidade do
formato do documento. A fidelidade de formato e´ a capacidade de manter o formato
do documento e seu sentido associado, apesar de ser editado em m u´ltiplas aplicac¸ o˜es
[
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2">Ditch 2007</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        Ao contra´rio da portabilidade, a interoperabilidade de documentos esta´
exclusivamente preocupada com a troca da dados corporativos contidos nos documentos e na˜o
faz exigeˆncias sobre requisitos em termos de apareˆncia, elementos estil´ısticos, formato ou
quest o˜es semelhantes [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref12">Schmidt et al. 2006</xref>
        ].
      </p>
      <p>1http://www.governoeletronico.gov.br/acoes-e-projetos/e-ping-padroes-de-interoperabilidade/o-que-einteroperabilidade
3.1. Office Open XML (OOXML) e OpenDocument Format (ODF)
OOXML e ODF sa˜o os principais padro˜es abertos de formatos de documentos baseados
em XML. No entanto, os dois padro˜es sa˜o incompat´ıveis e rivais no mercado,
provocando a guerra dos formatos abertos, gerando discusso˜es te´cnicas sobre as vantagens e
desvantagens de cada um deles.</p>
      <p>O OOXML foi desenvolvido pela Microsoft em 2008 e tornou-se um padra˜o
aberto ISO (ISO/IEC 29500:2008). OOXML foi projetado para representar o corpus
preexistente de documentos de processamento de texto, apresentac¸o˜es e planilhas que
sa˜o codificados pela Microsoft. A especificac¸a˜o OOXML conte´m material normativo e
informativo estruturado em aproximadamente 6546 pa´ginas.</p>
      <p>
        O ODF foi desenvolvido pela Sun Microsystems em 2002 e seu processo de
padronizac¸a˜o foi iniciado pela OASIS2. O ODF foi projetado para ser uma especificac¸a˜o
de formato de documentos independente de fornecedor ou de software. Embora a
especificac¸a˜o ODF (aproximadamente 700 pa´ginas) seja complexa para os padro˜es
normais, a reutilizac¸a˜o de padro˜es abertos existentes reduz consideravelmente a
complexidade da especificac¸a˜o [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">Eckert et al. 2009</xref>
        ,
        <xref ref-type="bibr" rid="ref10">Ngo 2008</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        O estudo de [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref13">Shah and Kesan 2009</xref>
        ] demonstrou que na˜o existem implementac¸o˜es
que oferec¸am 100% de compatibilidade (avaliac¸ a˜o da leitura dos documentos) dentro das
implementac¸o˜es de OOXML e ODF.
      </p>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>4. Ontologias</title>
      <p>
        Na cieˆncia da computac¸a˜o, a definic¸a˜o mais citada de ontologia na literatura e´ de
[
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">Gruber 1993</xref>
        ]: uma ontologia e´ uma especificac¸a˜o expl´ıcita de uma conceitualizac¸ a˜o.
Em 1997,
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">Borst [Borst 1997</xref>
        ] ligeiramente modifica a definica¸˜o de Gruber, afirmando que:
uma ontologia e´ uma especificac¸a˜o formal de uma conceitualizac¸a˜o compartilhada. A
formalizac¸a˜o de uma ontologia esta´ definida em cinco componentes: conceitos, relac¸o˜es,
func¸o˜es, axiomas e instaˆncias [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">Gruber 1993</xref>
        ]. As ontologias, dependendo do seu grau de
formalidade, podem ser modeladas baseadas em te´cnicas de modelagem de inteligeˆncia
artificial, engenharia desoftware e bancos de dados [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">Go´mez-Pe´rez et al. 2005</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        A ontologia explicita a informac¸a˜o independentemente das estruturas de dados
que sa˜o usadas para armazenar a informac¸a˜o. Ale´m disso, a conceitualizac¸a˜o de uma
ontologia pode ser expressa em va´rias linguagens [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref8">Guimara˜es 2008</xref>
        ]. Elas sa˜o projetadas
para que a informac¸a˜o seja compartilhada entre agentes que garantam compromissos
ontolo´gicos. Desse modo, as ontologias viabilizam soluc¸o˜es para problemas como a falta de
padronizac¸a˜o, falta de interoperabilidade, problemas com a recuperac¸a˜o da informac¸a˜o,
falta de reuso, confuso˜es terminolo´gicas, problemas de troca de informac¸o˜es entre agentes
de software, dentre muitos outros [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref16">Uschold and Gruninger 1996</xref>
        ].
      </p>
      <p>Este trabalho propo˜e o uso das ontologias para a modelagem das caracter´ısticas
da estrutura de formato e do conteu´do corporativo dos documentos digitais.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-4">
      <title>5. Trabalhos Relacionados</title>
      <p>
        No trabalho de [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">Eckert et al. 2009</xref>
        ] e´ analisado como os formatos OOXML e ODF
especificam as caracte r´ısticas mais importantes dos documentos e como essas caracter ´ısticas
      </p>
      <p>Tradutor
OOXML</p>
      <p>Ontologia</p>
      <p>de
Formato</p>
      <p>Figura 1. Ontologia como interınl´gua.
podem ser traduzidas entre os dois formatos. Esse trabalho concentra-se mais na definic¸a˜o
de orientac¸ o˜es para a traduc¸a˜o da estrutura da apresentac¸a˜o do documento do que
sobre a preservac¸a˜o da este´tica do documento. Os autores conclu´ıram que a separac¸ a˜o
da apresentac¸a˜o do documento do seu conte u´do corporativo oferece mais facilidade na
manipulac¸a˜o de documentos. Assim, editar os componentes de apresentac¸a˜o e dados do
conte u´do corporativo de forma independente confere flexibilidade consider a´vel na criac¸a˜o
e edic¸a˜o de documentos.</p>
      <p>
        Outro trabalho e´ de [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref4">Eriksson 2007</xref>
        ]. O trabalho dele explica como a combinac¸a˜o
de ontologias e documentos cria novas possibilidades para melhorar a gesta˜o do
conhecimento nas organizac¸ o˜es, isso atrave´s dos documentos semaˆnticos. Os
documentos semaˆnticos sa˜o as integrac¸ o˜es dos documentos com as ontologias. O trabalho de
[
        <xref ref-type="bibr" rid="ref4">Eriksson 2007</xref>
        ] integrou documentos no formato PDF com treˆs ontologias: ontologia de
anotac¸a˜o, ontologia do documento e uma ontologia do dom´ınio. Essas ontologias ajudam
na explicac¸a˜o do conte u´do do documento e facilitam sua busca. As m u´ltiplas ontologias
permitiram ter conceitualizac¸ o˜es com diferentes intenc¸ o˜es habilitando seu re u´so.
      </p>
    </sec>
    <sec id="sec-5">
      <title>6. Caracterizac¸ a˜o de documentos digitais usando ontologias</title>
      <p>Propomos a construc¸a˜o de um modelo que considere as qualidades essenciais de formato
de um documento digital. Um documento digital criado com o padra˜o OOXML ou ODF
podera´ ser caracterizado nesse modelo.</p>
      <p>Nosso modelo sera´ caracterizado a partir de ontologias. Uma ontologia do
formato especializada em caracterizar a estrutura da apresentac¸a˜o do documento
(para´grafos, tabelas, listas, enumerac¸ o˜es, etc.), ela apresenta a informac¸a˜o da ontologia
de conte u´do. Outra ontologia de conte u´do que caracteriza a informac¸a˜o dos dados
corporativos contidos no documento (dados do paciente, estudante, vendas, etc.).</p>
      <p>A Figura 1 ilustra a interac¸a˜o da ontologia de formato e o documento final. Os
documentos digitais sera˜o recriados atrave´s de tradutores. Os tradutores sa˜o mediadores
entre a ontologia de formato e um formato especifico.</p>
      <p>A ontologia de formato e´ criada baseada em um conjunto de propriedades
significativas a serem preservadas de uma classe espe c´ıfica de documentos. O objetivo da
criac¸a˜o da ontologia de formato e´ atingir a portabilidade simples do documento, isto e´,
preservar a estrutura da organizac¸a˜o da apresentac¸a˜o do documento, a Figura 2 ilustra os
conceitos principais desta ontologia. Por outro lado, o objetivo da criac¸a˜o da ontologia de
conte u´do e´ possibilitar a interoperabilidade de documentos, isto e´, habilitar o intercaˆmbio
coerente de informac¸ o˜es corporativas espec´ıficas sobre um contexto.</p>
      <p>A ontologia de formato pode ser modificada independentemente da ontologia de</p>
      <p>Class
EstiloTabela
- borda
- bgColor
- outros</p>
      <p>range
Class
Corpo
Class</p>
      <p>Estilo
SubClassOf</p>
      <p>Class
EstiloTexto
- tamanho
- outros</p>
      <p>Class</p>
      <p>Parágrafo
conte u´do e vice-versa. Os documentos digitais sera˜o recriados atrave´s de tradutores entre
a ontologia de formato e um formato espec´ıfico. Um novo documento pode ser
constru´ıdo com a mesma informac¸ a˜o contextual, mas agora num formato apropriado a seus
prop o´sitos, bem como um novo documento pode ter a mesma informac¸a˜o contextual, mas
com uma apresentac¸a˜o distinta.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-6">
      <title>6.1. Avaliac¸ a˜o dos resultados</title>
      <p>
        No trabalho de [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref13">Shah and Kesan 2009</xref>
        ] e´ apresentado um exemplo de avaliac¸a˜o de
interoperabilidade e portabilidade de documentos. Eles testaram um conjunto de su´ıtes de
escrit o´rio que implementam os formatos de documentos ODF e OOXML. Os resultados
do estudo esta˜o baseados em pontuac¸ o˜es de qua˜o bem as implementac¸ o˜es podem ler e
escrever documentos. A parte final da pontuac¸a˜o esta´ focado na capacidade de preservac¸a˜o
dos metadados dos documentos, isto e´, atributos de estilos, n u´meros de pa´ginas, tabelas
de conte u´dos ou cabec¸alhos, informac¸ o˜es do documento (tempo, ou o n u´mero de palavras
em documentos), e controle de alterac¸ o˜es.
      </p>
      <p>A avaliac¸a˜o dos resultados do nosso trabalho seguira´ essa metodologia de
avaliac¸a˜o, no entanto com adaptac¸ o˜es. Neste caso os documentos sera˜o traduzidos para
diferentes formatos, julgando que cada documento pode ser traduzido seguindo va´rios
graus de fidelidade. Para cada documento recriado a partir da ontologia de formato, sera´
quantificada qualquer modificaca¸˜o ao conte u´do original.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-7">
      <title>7. Considerac¸ o˜es finais</title>
      <p>A interoperabilidade e´ um ponto cr´ıtico nas quest o˜es de governo eletr oˆnico. O
presente artigo apresenta a problema´tica na preservac¸a˜o de documentos digitais e destaca
a importaˆncia da interoperabilidade e portabilidade nos formatos de documentos digitais.
Propomos o uso de ontologias para garantir a integridade e perpetuidade dos
documentos digitais, priorizando a preservac¸a˜o das caracter´ısticas da estrutura da apresentac¸ a˜o e
conte u´do corporativo (os elementos importantes para provar sua autenticidade) sobre a
preservac¸a˜o das caracter´ısticas de est e´tica do documento.</p>
      <p>Como trabalho futuro sera´ desenvolvido um caso de uso de interoperabilidade de
documentos aplicada ao governo eletr oˆnico, em que as ontologias de formato e conte u´do</p>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <ref-list>
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