=Paper= {{Paper |id=None |storemode=property |title=Ontologias no Suporte a Evolução de Conteúdos em Portais Semânticos |pdfUrl=https://ceur-ws.org/Vol-776/ontobras-most2011_paper12.pdf |volume=Vol-776 |dblpUrl=https://dblp.org/rec/conf/ontobras/CorreaCM11 }} ==Ontologias no Suporte a Evolução de Conteúdos em Portais Semânticos== https://ceur-ws.org/Vol-776/ontobras-most2011_paper12.pdf
    Ontologias no Suporte a Evolução de Conteúdos em Portais
                           Semânticos
          Débora Alvernaz Corrêa1, Maria Cláudia Cavalcanti1, Ana Maria de C. Moura2
                                      1
                                Departamento de Sistemas e Computação
                  Instituto Militar de Engenharia (IME) - Rio de Janeiro, RJ – Brasil
                                    2
                                     Extreme Data Lab (DEXL Lab)
           Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) - Petrópolis – RJ – Brasil
                   {deboradac,anamaria.moura}@gmail.com, yoko@ime.eb.br

         Abstract. In a semantic portal, contents are described and organized based on
         domain ontologies. However, with the increasing amount of information generated
         each day on the web, dynamic publishing in these portals, whose contents are
         obtained from a large and diversified number of sites, still represents a major
         challenge, since this task lacks mechanisms to update and integrate information
         automatically. This paper presents an architecture that facilitates the population of a
         domain ontology from web sites that have a certain semantic feature. These instances
         may be used later in the process of a semantic portal automatic updating.

         Resumo. Em um portal semântico, conteúdos são descritos e organizados com base
         em ontologias de domínio. Entretanto, com a quantidade crescente de informações
         geradas a cada dia na web, a publicação dinâmica nesses portais, cujos conteúdos
         são oriundos de um grande e diversificado número de sites, ainda representa um
         grande desafio, uma vez que essa tarefa carece de mecanismos para atualizar e
         integrar informações automaticamente. Este artigo apresenta uma arquitetura que
         facilita a população de uma ontologia de domínio a partir de sites que apresentam
         alguma característica semântica. As instâncias recuperadas destes sites podem ser
         utilizadas posteriormente no processo de atualização automática de um portal
         semântico.


1. Introdução
A Web Semântica surgiu com a finalidade de suprir as deficiências da web atual. De acordo com
[Berners-Lee et al., 2001], significa disponibilizar informações com significados adicionais, de
forma a contextualizá-los e torná-los interpretáveis por máquina, permitindo que agentes e
pessoas possam trabalhar em cooperação.
         Neste contexto surgiram os portais semânticos que, ao contrário dos portais tradicionais,
agregam valores semânticos que ajudam na classificação e organização dos seus conteúdos,
facilitando os mecanismos de busca a recuperarem informações mais úteis ao usuário final, isto é,
com maior precisão. Os portais semânticos utilizam-se de ontologias [Gruber, 1995] como
mecanismo básico para fornecer expressividade semântica a seu conteúdo. A tendência atual é
adicionar às suas funcionalidades a capacidade de realizar consultas aos conteúdos da ontologia
que embasam o portal via endpoints, utilizando a linguagem SPARQL1. No entanto, para
alimentar portais semânticos é preciso buscar formas automatizadas de modo a mantê-los sempre
atualizados. Muitos ainda contam com mecanismos manuais, como formulários.



1
    http://www.w3.org/TR/rdf-sparql-query/




                                                123
        Em [Latchim, 2008], é proposta uma arquitetura para recuperar informações da web
baseadas em ontologias de domínio. Com essas informações recuperadas, é possível integrar o
conteúdo do portal com as informações obtidas a partir de diferentes portais semânticos. No
entanto, já que boa parte da informação que se deseja recuperar encontra-se em portais
tradicionais ou simplesmente na web aberta, voltamos a enfrentar os problemas e limitações já
conhecidos. Cada página web tem sua estrutura própria, textos mal formatados e carentes de
metadados que possam descrevê-los, não havendo uma separação nítida entre o conteúdo e a
apresentação da informação, o que interfere sobremaneira na qualidade dos serviços de busca.
        Assim, o trabalho aqui proposto dá continuidade ao trabalho de [Latchim, 2008], tendo
como objetivo a especificação de uma arquitetura que permita coletar conteúdos a partir de
outros sites e/ou portais da web aberta, considerando um domínio específico, e instanciar à
ontologia já existente que serve de base para um portal semântico, desse mesmo domínio, com
tais conteúdos. Dessa forma, estaremos facilitando a alimentação deste portal semântico, e
ajudando-o a manter-se atualizado.
        O restante desse artigo está estruturado da seguinte forma. A seção 2 descreve alguns
trabalhos relacionados. Na seção 3 é descrita a arquitetura proposta para alimentar portais
semânticos através de sites e/ou portais web. A seção 4 apresenta um estudo de caso no qual,
conteúdos de portais no contexto educacional, servem de subsídio para atualizar e popular uma
ontologia nesse mesmo domínio. E por fim, a seção 5 conclui o artigo com alguns comentários e
sugestões para trabalhos futuros.

2. Trabalhos Relacionados
Algumas alternativas de solução para o problema de interoperabilidade de informações entre
portais e instanciação automática de conteúdo têm sido alvo de pesquisa há alguns anos. A
literatura apresenta alguns trabalhos, tais como [Lachtim, 2008], [Lachtim et al., 2009],
[Suominem et al., 2009], [Yvon et al., 2009] e [Castaño, 2008].
        Esses trabalhos apresentam como característica comum o uso de tecnologias da WS,
porém utilizados em contextos diferentes. Lachtim [Lachtim, 2008] integra e instancia
informações a partir de portais semânticos. Em [Castaño, 2008] a população da ontologia é feita
através de páginas HTML de currículos, mas com o objetivo de gerar relatórios. Já em [Suo
minem et al., 2009] metadados e documentos são recuperados de conteúdos publicados nos
Sistemas de Gerenciamento de Conteúdos (Content Management Systems) ou por conteúdos
anotados manualmente, através do editor de metadados SAHA [Kurki et al., 2010].
Posteriormente, estes metadados são conectados aos serviços da ontologia ONKI [Viljanen et al.,
2010] para serem validados. Os metadados validados com sucesso são então publicados no
portal. O portal apresentado por [Hyvönen et al., 2009] utiliza como processo de criação de
conteúdos uma variedade de esquemas de metadados, ferramentas como ONKI, SAHA, POKA
[Poka, 2011] e VERA [Vera, 2011], além de serviços da Web 2.0, como Wikipedia e
Panoramio. Esse processo permite a produção e recuperação de conteúdos relacionados a
museus, bibliotecas, arquivos e outras organizações, cidadãos individuais e de fontes nacionais e
internacionais da Web 2.0.
        O grande diferencial do trabalho aqui proposto em relação aos demais está na atualização
de portais semânticos a partir de conteúdos de sites e/ou portais da web aberta, considerando
apenas a estrutura de apresentação e a estrutura navegacional dos portais, como links, listas e
tabelas. Dessa forma, as atualizações destes portais são feitas de forma simples, permitindo
assim que estes deixem de ser simples páginas voltadas somente para usuários, e tornem-se
capazes de integrar e instanciar informações a partir do uso de ontologias.

3. Arquitetura Proposta para Alimentar Portais Semânticos




                                            124
No escopo desse trabalho, o termo portal com potencial semântico é designado a todo aquele que
se beneficie de uma das seguintes características: (i) tenha algum tipo de organização e hierarquia
em sua estrutura; e/ou (ii) parte de seu conteúdo seja apresentado na forma de uma taxonomia,
isto é, bastando que algumas de suas páginas apresentem tais características.
        A figura 1 apresenta a arquitetura proposta por esse trabalho. É constituída de vários
componentes que, em termos gerais, contribuem para alimentar uma ontologia a partir de portais
da web aberta. A estratégia adotada por esta arquitetura segue os seguintes passos: a partir de
uma navegação realizada em portais web com potencial semântico (lista de portais definida
previamente pelo usuário), tendo como base uma ontologia de domínio (OB), informações
consideradas úteis são extraídas para enriquecer esta ontologia com novas instâncias. Lembrando
que este artigo não contempla a construção de uma nova ontologia, mas sim uma extensão da
mesma. A seguir é apresentada uma nova versão da ontologia inicial, aqui denominada OB’, com
as novas informações ali encontradas em formato de triplas RDF2. Essa nova versão da ontologia
OB’ servirá como entrada para o alinhamento com as informações do portal semântico em
questão. Dessa forma, as categorias existentes no portal semântico considerado serão atualizadas,
tendo como base os novos conteúdos adicionados à OB’.




        Figura 1. Arquitetura Proposta                          Figura 2. Módulo de Extração de Informações

         O principal módulo dessa arquitetura diz respeito à Extração de Informações, que dará
subsídios para a população de portais. Esse módulo, ilustrado na Figura 2, é composto por outros
submódulos, cada um apresentando funcionalidades bem específicas, cujas características são
descritas a seguir.
i. Recorte da OB. Esta etapa carrega uma lista de classes, instâncias e propriedades de
relacionamentos existentes na Ontologia Base (OB) que servirão de base para a pesquisa de
instâncias em cada página web visitada referente aos portais com potencial semântico. Os
relacionamentos entre as classes são considerados para estabelecer a ordem de navegação pelas
classes da ontologia. Além disso, é levado em consideração o nome real de cada classe (sempre
começando pela classe mais abrangente definida pelo usuário), o label e as classes equivalentes
para a navegação nas páginas (processo iii) dos portais. As instâncias de cada classe, bem como
as instâncias equivalentes (definidas pela cláusula same as) às instâncias principais;
ii. Pré-categorização e identificação de página de início. Uma pré-categorização com base no
título será efetuada para limitar a navegação estabelecida por (i). Caso a página inicial contenha
no título um nome similar a uma instância de alguma classe da OB, a navegação se dará a partir
da próxima classe a ser pesquisada. Caso contrário, a navegação se dará a partir da primeira
classe. A identificação da página de início serve para definir a página a partir da qual será
iniciada a navegação (processo iii). Se esta não for informada a navegação se inicia pela página
principal do portal;
iii. Navegação pelas páginas. Este módulo realiza a navegação pelas páginas (de cada portal
definido pelo usuário) a procura de links, que servirão para recuperar classes e instâncias. É



2
  RDF é uma linguagem ontológica. Triplas são declarações com a seguinte estrutura: "sujeito, predicado e objeto". Descreve a relação
de um objeto a outro objeto ou literal através de um predicado. [RDF – W3C, 2011]




                                                            125
composto pelos subprocessos de Recuperação de Classes, de Instâncias, de Pares de Instâncias
e Análise de Hierarquia, descritos a seguir.
       A. Recuperação de classes. A navegação começa pela página de início pré-definida
          anteriormente pelo usuário no início do processo. O sistema deverá primeiramente ler a
          página a procura de links e labels que apresentem um grau de similaridade com a classe
          da OB procurada (definida no processo i). Estes links serão considerados prioritários
          para a navegação e deverão ser internos, i.e., do mesmo domínio de navegação. Quando
          um link que satisfizer as condições descritas anteriormente for encontrado, o sistema
          deverá verificar se este já foi visitado. Em caso afirmativo, irá para o próximo link, e em
          caso negativo, este deverá ser visitado e as instâncias recuperadas conforme o passo B;
       B. Recuperação de instâncias. Para que instâncias sejam consideradas candidatas à
          alimentação de um portal semântico, estas deverão estar em tags3 (links, listas e/ou
          tabelas). Além disso, devem ter o título com alguma similaridade (palavras semelhantes)
          com as instâncias existentes na OB (definida em i). Durante a navegação, as informações
          extraídas são recuperadas para posterior validação do usuário (processo iv), incluindo as
          triplas e os sites candidatos a portais com potencial semântico;
       C. Análise de hierarquia. De modo a evitar a repetição de triplas na OB’, as informações
          deverão estar compatíveis com a hierarquia definida pela OB. Por exemplo, uma
          instância de uma subclasse pode ser listada duas vezes, visto que é a mesma instância
          para superclasse;
       D. Recuperação de Relacionamentos. Pares de instâncias em conformidade com os
          relacionamentos presentes na OB. Assim, por exemplo, na ontologia da Figura 3, as
          instâncias    de     “Education_Program”       se    relacionam   com   as     de
          “Academic_Research_Institution” através da propriedade “provided_By_Program”.
          Estes pares são então recuperados e armazenados como triplas RDF.




                                               Figura 3. Recorte da OBEDU
iv. Validação. O usuário realiza a validação das informações extraídas. As que forem
consideradas inválidas deverão ser armazenadas, para que posteriormente sirvam como uma pré-
validação para as próximas informações recuperadas;
v. Transformação em triplas RDF. Este processo realiza a transformação das informações
válidas em triplas RDF, que deverão ser adicionadas à nova ontologia, i.e., a OB’. Esta
corresponde a um recorte vazio da OB (sem instâncias), que vai sendo atualizada com as novas
instâncias recuperadas. Posteriormente a OB’ deverá passar por um processo de alinhamento de
ontologias com a OB, e suas instâncias poderão ser usadas para a população de um portal
semântico cuja base seja a OB.

4. Estudo de Caso
A OB tem um papel muito importante na estratégia proposta para a alimentação de portais
semânticos. Embora a arquitetura proposta tenha como foco uma aplicação genérica, essa seção
apresenta um estudo de caso voltado para o domínio educacional, cuja ontologia base utilizada é

3
    Tão significa etiqueta e são utilizadas como breves instruções em linguagens de marcação.




                                                               126
a OBEDU [Lachtim et al., 2009], que serviu de ontologia base para a criação do portal semântico
POSEDU4.
        A estratégia proposta na seção anterior foi adaptada para o contexto educacional. Nesta
seção, foi utilizada apenas uma visão parcial da ontologia OBEDU, como mostrada na Figura 3.
O recorte da OBEDU fornece classes e instâncias (recuperadas em i) para auxiliar a pesquisa nos
portais com potencial semântico definidos pelo usuário. Inicialmente, o usuário realiza uma pré-
categorização da página principal do portal (conforme mencionado anteriormente em ii), onde
definirá a classe inicial de onde começará a navegação em busca de instâncias. As instâncias
procuradas têm sempre como base as classes da ontologia. Assim, a página inicial é percorrida e
seus links são extraídos começando pelos de maior prioridade em relação à OB (processo i). Os
não prioritários deverão ser visitados posteriormente, até que as opções de extração de instâncias
tenham sido esgotadas para uma determinada página. Um exemplo de navegação por um portal
com potencial semântico é mostrado a seguir.
         Neste exemplo, o portal do Instituto Militar de Engenharia - IME5 foi escolhido como
modelo para o estudo de caso (Figura 4). Na pré-categorização (processo ii), é verificado se o
título da página principal do portal é similar a alguma instância da classe
“Academic_Research_Institution”. Com isso é possível verificar que este portal é restrito e
fornece apenas informações específicas de uma única instituição (IME), o que torna
desnecessária a navegação e a procura de instâncias desta classe. Assim, a navegação deverá ser
iniciada pela próxima classe, ou seja, “Institution_Units”. Para esta classe o portal IME não
apresenta links com alguma similaridade (subprocesso A), i.e, não apresenta links prioritários, e
por isso, os demais deverão ser visitados. Durante a navegação pelas páginas destes links é
verificado se estas contêm tabelas, listas e outros links, com alguma similaridade às instâncias da
classe “Institution_Units”. A página referente ao primeiro link (não prioritário) visitado é
ilustrada na Figura 5 (a). Nesta figura, o primeiro item com maior prioridade encontrado (Ensino
de Pós-Graduação – SD/1) é comparado às instâncias da classe. Ao constatar tal similaridade,
este deverá ser extraído e armazenado (subprocesso B). Esse processo é realizado para todos os
itens (links, listas e tabelas) da página visitada.




                                                                    (a)                    (b)
Figura 4. Página Inicial para a Navegação            Figura 5. Páginas com Instâncias
        Como a navegação pelas páginas do portal é feita de acordo com a OBEDU, após a
extração das instâncias da classe “Institution_Units”, a próxima classe a ter suas instâncias
pesquisadas é a “Education_Program” e todas as suas subclasses. E por fim, a próxima classe
é “Research_Program” (Figura 3), repetindo o processo para todas as classes da ontologia até
que se esgotem todas as possibilidades de instâncias e o portal tenha sido totalmente visitado.
Durante a navegação, a análise da hierarquia (subprocesso C) e a recuperação de pares de
instâncias (subprocesso D) também deverão ser efetuadas. São analisadas primeiramente as
instâncias das subclasses em relação às instâncias das suas superclasses para eliminar as
instâncias repetidas. Como exemplo, podemos citar o programa de Sistemas e Computação, que
por ser uma instância da Classe “Graduation_Program”, também é uma instância da classe
“Education_Program”. Assim, a instância da classe mais específica é armazenada e a instância

4
    http://www.comp.ime.eb.br/~posedu
5
    http://www.ime.eb.br/




                                             127
da classe mais abrangente é descartada. Na recuperação de pares de instâncias, são verificados os
relacionamentos entre as instâncias de acordo com as propriedades do objeto. Como observado na
Figura 5(b), pode-se dizer que Sistemas e Computação (instância da classe
“Education_Program”) é “provided_By_Program”, SD/1, que é uma instância da classe
“Institution_Units”. Após esse processo, o usuário fará uma validação (processo iv) dessas
informações obtidas e as informações válidas são transformadas em triplas RDF (processo v).

5. Conclusão
Este trabalho apresentou uma arquitetura genérica para a população de uma ontologia de domínio
necessária para a atualização automática de um portal semântico. Dentre os módulos
constituintes dessa arquitetura, foi dada ênfase ao módulo de Extração de Informações,
componente fundamental no processo de atualização de portais. Um estudo de caso no domínio de
educação permitiu ilustrar como conteúdos de um portal acadêmico na web aberta podem ser
recuperados e integrados a uma ontologia básica de domínio, de modo a prover subsídios para
posteriormente popular um portal semântico. Como etapa adicional desse trabalho, pretendemos
especificar algumas métricas para validar os resultados obtidos, bem como realizar uma
avaliação de usabilidade da ferramenta para identificar possíveis melhorias.

6. Referências
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   Magazine.
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Viljanen, K.; Tuominen, J.; Hyvönen, E. (2010) “A Network of Ontology Repositories”.
   Submitted for review.




                                            128