<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Archiving and Interchange DTD v1.0 20120330//EN" "JATS-archivearticle1.dtd">
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    <article-meta>
      <title-group>
        <article-title>Um estudo de caso para aquisição de conhecimento no domínio da hematologia</article-title>
      </title-group>
      <contrib-group>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Kátia C. Coelho</string-name>
          <xref ref-type="aff" rid="aff0">0</xref>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Mauricio B. Almeida</string-name>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Viviane Nogueira</string-name>
          <email>vivianenpo@yahoo.com.br</email>
        </contrib>
        <aff id="aff0">
          <label>0</label>
          <institution>Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia de Minas Gerais (Hemominas) R. Grão Pará</institution>
          ,
          <addr-line>882 - Santa Efigênia - 30130110 - Belo Horizonte -</addr-line>
          <country country="BR">Brasil</country>
        </aff>
      </contrib-group>
      <fpage>147</fpage>
      <lpage>152</lpage>
      <abstract>
        <p>Acquiring knowledge from experts has been a challenge within several research fields. There is no difference in the scope of Biomedicine, mainly because of the large amount of data. In this paper, we present an underway research being conducted in the domain of hematology, which investigates problems of the knowledge acquisition activity. A list of topics to carry out the knowledge acquisition was developed, which involve steps being applied in real world situations. The record of problems faced along the process aim to reach improvements in the best practices of the knowledge acquisition activity. In addition, we present and discuss partial results. Resumo. Obter conhecimento especializado a partir de especialistas tem sido um desafio em diversos campos de pesquisa. Isso é especialmente verdadeiro em Biomedicina em função do volume de dados produzidos. No presente artigo, descreve-se pesquisa em andamento sobre dificuldades para aquisição do conhecimento no domínio da hematologia. Um roteiro para aquisição de conhecimento foi desenvolvido e tem sido aplicado empiricamente. Os registros das dificuldades ao longo do processo objetivam propor melhores práticas para a atividade. Resultados parciais são relatados e discutidos.</p>
      </abstract>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>1. Introdução</title>
      <p>
        como por exemplo, a aquisição de conhecimento. Trata-se de uma atividade
sabidamente complexa em função das dificuldades de comunicação entre o engenheiro
do conhecimento e o especialista [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">Milton et al 2006</xref>
        ].
      </p>
      <p>O presente trabalho se insere nesse contexto, enfocando a atividade de Aquisição de
Conhecimento (AC) a partir de especialistas para o desenvolvimento de ontologias,
conduzida no escopo de projeto em andamento no âmbito da biomedicina. Descreve-se
a pesquisa que busca melhores práticas em atividades de AC, a partir da observação de
dificuldades na obtenção de conhecimento de pesquisadores na Hemominas, instituição
responsável pelo sistema hematológico e hemoterápico de Minas Gerais. A pesquisa
busca, em última instância, estudar soluções para problemas como: a distância entre o
conhecimento do especialista e o responsável pela AC - daqui em diante, “engenheiro”
e barreiras entre especialista e engenheiro, como dificuldades de se obter consenso. O
presente artigo apresenta o estágio atual da pesquisa: a metodologia utilizada para AC e
as observações realizadas ao longo do processo na busca por respostas às perguntas
citadas.</p>
      <p>O restante do presente trabalho está organizado como segue: a seção 2 apresenta uma
visão sobre AC. Cabe destacar que, por limitações de espaço, muitas questões são
apenas pontuadas. A seção 3 apresenta a metodologia de pesquisa e a seção 4 discute
resultados parciais. Finalmente, a seção 5 traz considerações e perspectivas futuras.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>2. Aquisição de Conhecimento</title>
      <p>
        A expressão AC é empregada desde a década de 1980 para se referir ao estudo da
obtenção de expertise para representação em sistemas especialistas [Boose and Gaines,
1989] [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">Milton et al, 2006</xref>
        ]. Diversas definições para AC são encontradas, mas é
consenso que a atividade inclui pelo menos etapas de coleta, análise, estruturação e
validação do conhecimento com finalidade de representação [Shadbolt and Burton,
1990].
      </p>
      <p>
        A AC compreende um conjunto de tarefas que empregam teorias e métodos
provenientes de campos diversos. Dentre essas disciplinas, cabe destacar a Ciência da
Computação [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref8">Newell and Simon, 1975</xref>
        ]; a Ciência Cognitiva [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">Hawkins, 1983</xref>
        ]; a
Linguística [Zellig Harris, 1976]; a Semiótica [Campbell, 1998] e a Psicologia [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref5">Kelly,
1955</xref>
        ]. Cada um desses campos tem contribuído para a compreensão da atividade de
AC.
      </p>
      <sec id="sec-2-1">
        <title>2.1. Aquisição de Conhecimento: uma proposta de classificação das técnicas</title>
        <p>
          Não há consenso sobre a classificação das técnicas de AC e diferentes propostas são
encontradas na literatura, a saber: i) sob o ponto de vista do instrumento de aplicação:
manual ou baseadas em computador (automáticas e interativas) [Boose and Gaines,
1989]; ii) em relação ao tipo de conhecimento obtido: procedural, conceitual, explícito,
[
          <xref ref-type="bibr" rid="ref11">Shadbolt, 2005</xref>
          ] [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref7">Milton et al., 2006</xref>
          ]; iii) do ponto de vista dos métodos [Shadbolt and
Swallow, 1993]; e iv) dos métodos aplicados à biomedicina [Payne et al, 2007], esses
últimos, relevantes no contexto desse trabalho.
        </p>
        <p>
          As técnicas manuais, como a Grade de Repertórios, têm raiz na Psicologia [Boose and
Gaines, 1989]. As técnicas interativas fazem uso de algum tipo de ferramenta para a
interação do engenheiro com o especialista. Exemplos de técnicas automatizadas, como
o aprendizado da máquina, são apresentados no Projeto Neon1 [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref6">Maynard and Nioche,
2006</xref>
          ] [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref4">Gomez-Perez, Erdmann and Greaves, 2007</xref>
          ]
As técnicas para AC orientadas para os métodos de aplicação podem variar de acordo
com o tipo de conhecimento que se objetiva eliciar. Exemplos de tais técnicas são: a)
geração de protocolos, entrevistas e observação; b) técnicas baseadas em matriz; c)
técnicas de ordenamento e; d) técnicas de limitação e restrição de informação
[Shadbolt and Swallow, 1993].
        </p>
      </sec>
      <sec id="sec-2-2">
        <title>2.2. Aquisição de conhecimento em Biomedicina</title>
        <p>
          A organização de terminologias na área biomédica é um desafio constante, em função
da amplitude do assunto e da multiplicidade de interpretações para os dados e suas
formas de obtê-los [
          <xref ref-type="bibr" rid="ref12">Smith, 2008</xref>
          ]. A literatura AC em biomedicina apresenta diferentes
propostas para representação do conhecimento médico e biológico.
        </p>
        <p>
          <xref ref-type="bibr" rid="ref15">Vita et al (2006</xref>
          ) descrevem a curadoria, parte do processo de anotação automatizado,
quase uma exigência face à quantidade de artigos científicos produzidos. As anotações
geradas exigem análise e validação por especialistas. Um exemplo é a extração de dados
imunológicos que exigem alto nível de especialização.
          <xref ref-type="bibr" rid="ref13">Stehr et al (2010</xref>
          ) descrevem
curadoria em redes colaborativas.
          <xref ref-type="bibr" rid="ref2">Hoehndorf et al (2009</xref>
          ) também se valem de uma
interface wiki baseada em ontologias para aquisição semi-automática de conhecimento.
        </p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>3. Metodologia de pesquisa</title>
      <p>Os entrevistados para AC são especialistas do grupo de pesquisa sobre HTLV (vírus
linfotrópico de células T humanas) em Minas Gerais. Um roteiro experimental para AC
foi proposto, como forma de realizar a pesquisa fim: identificar dificuldades ao longo da
atividade de AC em biomedicina. O roteiro foi elaborado a partir da revisão de
literatura. Ao realizar uma AC real, o pesquisador vem registrando problemas de forma
a propor melhorias. O roteiro de tarefas para AC contempla três fases: i)
Levantamentos; ii) Contatos; 3) Validação.</p>
      <p>A fase de levantamentos compreende atividades anteriores ao contato direto com
especialistas. A primeira tarefa é conhecer o escopo da ontologia de domínio, conhecer
a que fim a se destina, quem vai utilizá-la e com que propósitos, além de dados sobre a
ontologia de alto nível. Além disso, é necessário identificar os especialistas, bem como
o conhecimento que produzem e registram em fontes. Exemplos de levantamento dos
especialistas e expertise são apresentados na Tabela 1.</p>
      <p>Tabela 1. Extrato do levantamento de especialistas para atividade de AC
Experts (*) A. B.C.F. M.A R.</p>
      <p>Formação Médico Médico
Atuação Pesquisa PMeseqduicisinaae</p>
      <p>LPienshqausisdae EHpVeidmieramotloioolgoliogagiaia EIpnifdeecmt-oiloolgoigaia
(*) os especialistas são aqui identificados por códigos
D.U.G.</p>
      <p>Médico
Pesquisa e</p>
      <p>Ensino
Otoneurologia
Infectologia</p>
      <p>E.F.B.</p>
      <p>Veterinário
Pesquisa e
ensino
Virologia</p>
      <p>M.S.N.</p>
      <p>Médico</p>
      <sec id="sec-3-1">
        <title>Pesquisa</title>
      </sec>
      <sec id="sec-3-2">
        <title>Clinica médica Hematologia</title>
        <p>1 Disponível na internet em: http://www.neon-project.org/ Acesso: 21 julho de 2011
(1)
Levantamento</p>
        <p>(2)
Contato</p>
        <p>(3)
Validação
1.1 conhecer o
contexto
1.2 conhecer
fundamentos
1.3 identificar
expertise
2.1 obter
conhecimento
2.2 conhecer
terminologia
2.3 ver organização
ad-hoc
3.1 validar
conhecimento
3.2 manter
conhecimento</p>
      </sec>
      <sec id="sec-3-3">
        <title>Conhecer escopo da ontologia em desenvolvimento</title>
      </sec>
      <sec id="sec-3-4">
        <title>Conhecer conceitos básicos do domínio em questão</title>
      </sec>
      <sec id="sec-3-5">
        <title>Identificar expertise dos</title>
        <p>especialistas envolvidos</p>
      </sec>
      <sec id="sec-3-6">
        <title>Entrevistas realizadas com especialistas</title>
      </sec>
      <sec id="sec-3-7">
        <title>Identificar problemas para organização da informação</title>
      </sec>
      <sec id="sec-3-8">
        <title>Entender como especialistas ordenam conceitos</title>
      </sec>
      <sec id="sec-3-9">
        <title>Obter aprovação sobre termos</title>
        <p>adquiridos e suas definições</p>
      </sec>
      <sec id="sec-3-10">
        <title>Atualizar dados após cada validação</title>
        <p>Instrumento</p>
      </sec>
      <sec id="sec-3-11">
        <title>Dados do projeto</title>
      </sec>
      <sec id="sec-3-12">
        <title>Literatura básica da área</title>
      </sec>
      <sec id="sec-3-13">
        <title>Diretórios de pesquisadores</title>
        <p>Template
ProtegeFrames</p>
      </sec>
      <sec id="sec-3-14">
        <title>Técnicas de Matriz</title>
      </sec>
      <sec id="sec-3-15">
        <title>Técnicas de ordenamento</title>
      </sec>
      <sec id="sec-3-16">
        <title>Página Wiki</title>
      </sec>
      <sec id="sec-3-17">
        <title>Página Wiki</title>
        <p>
          A fase de contatos consiste no encontro com especialistas e realização de atividades que
permitam obter e registrar conhecimento. Exemplos de técnicas utilizadas são: i)
entrevistas, baseadas em template no Protegé-Frames baseado em
          <xref ref-type="bibr" rid="ref10">Scheuermann et al
(2009</xref>
          ); ii) técnicas baseadas em matriz; iii) técnica de ordenamento,. A fase de
validação faz uso de ferramentas wiki para colaboração na análise de termos candidatos
a ontologia, bem como de suas definições. A partir do conhecimento obtido na AC,
termos candidatos a ontologia são transpostos para uma wiki, onde em seguida são
validados pelos especialistas via internet.
        </p>
        <p>Tabela 2. roteiro de AC utilizado na pesquisa
Fase</p>
        <p>Objetivo da tarefa</p>
        <p>Descrição da Tarefa</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-4">
      <title>4. Resultados parciais</title>
      <p>Conforme já mencionado, a pesquisa tem sido realizada no contexto de projeto de
organização da informação sobre biomedicina. Ao longo da atividade de AC têm sido
observadas e registradas problemas relativos aos especialistas e aos engenheiros. As
principais observações são descritas brevemente à seguir. Os resultados parciais foram
obtidos através de observação ao processo de AC em questão e, no atual estágio de
pesquisa, não representam amostra quantitativa significativa.</p>
      <p>Especialistas:
 O especialista tem pouco tempo disponível por acumular outras atividades como:
ensino, coordenação, atendimento clínico entre outras;
 O especialista tem dificuldade de explicitar o que sabe e desconhece ontologias;
 Existe super-especialização no âmbito da própria especialidade, o que resulta em
narrativas com diferentes níveis de granularidade e formas de organizar a
informação;
 O especialista sugere fontes adicionais de conhecimento como complemento ao seu
relato na AC, tendo em vista que suas inúmeras publicações;
 O uso de entidades provenientes de ontologias de alto nível, de forma a apresentar a
organização hierárquica preliminar, acaba por confundir o especialista;
Engenheiro</p>
      <p>A curva de aprendizado no domínio da biomedicina é longa e complexa;
O vocabulário especializado dificulta a compreensão das terminologias;
O assunto é multidisciplinar e os especialistas atuam em sub-domínios: existem
poucos especialistas para consulta e eles são super-especializados;
Entidades de provenientes do alto nível usadas para orientar o engenheiro, nem
sempre encontram respaldo no dia a dia do especialista, o que dificulta o diálogo.
As observações registradas até o momento resultam em recomendações: a) o uso de
fermenta de apoio como Protegé-Frames para organizar as entrevistas de acordo com
princípios ontológicos sistemáticos; b) a consideração de AC semi-automática pelo
grande volume de publicações; c) a imersão da literatura é acompanhada de técnicas
como análise de assunto, análise conceitual, dentre outras; d) a realização da AC tem
lugar ao longo das atividades rotineiras do especialista; e) uso de ferramentas interativas
para que o especialista registre, ele mesmo, o que sabe, sem intervenção do engenheiro.</p>
      <sec id="sec-4-1">
        <title>5. Considerações finais</title>
        <p>Este artigo apresentou pesquisa em andamento que busca por melhorias nas práticas de
AC. Para tal, descreveu-se literatura sobre AC (inclusive no âmbito da biomedicina),
apresentou-se um roteiro para a AC, e discutiu-se resultados parciais através da
identificação de dificuldades na comunicação.</p>
        <p>A continuidade da pesquisa abordará questões ainda em aberto e buscará a confirmação
de resultados parciais ,na busca por respostas à questões mencionadas na introdução do
presente artigo, a saber: como lidar com barreiras no processo de AC como: a formação
de consenso; o desconhecimento sobre o trabalho do engenheiro; a falta de tempo do
especialista? Que favorecem o consenso em ambientes colaborativos? Como lidar com
diferenças terminológicas entre os próprios especialistas em ambientes colaborativos?</p>
      </sec>
      <sec id="sec-4-2">
        <title>Agradecimentos</title>
      </sec>
      <sec id="sec-4-3">
        <title>Referências</title>
        <p>Este trabalho conta com apoio da Fundação Hemominas–e da FAPEMIG
Boose, J. H., and Gaines, B. R. (1989) “Knowledge Acquisition for Knowledge-Based</p>
        <p>Systems: Notes on the State-of-the-Art”. http://www.springerlink.com/
Campbell, K. E. et al. (1998) “Representing thoughts, words, and things in the UMLS”.</p>
        <p>http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9760390, October.</p>
        <p>Fernandez, M., Gomez-Perez, A. and Juristo, H. (1997) “Methontology: From
Ontological Art Towards Ontological Engineering”,
http://www.aaai.org/Papers/Symposia/Spring/1997/SS-97-06/SS97-06-005.pdf
Fonseca, F. (2007) “The Double Role of Ontologies in Information Science Research”.</p>
        <p>http://citeseerx.ist.psu.edu/, April.</p>
        <p>Harris, Z. (1976) “On a theory of Language”. http://www.jstor.org/stable/2025530,
May.
brief</p>
      </sec>
    </sec>
  </body>
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