<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Archiving and Interchange DTD v1.0 20120330//EN" "JATS-archivearticle1.dtd">
<article xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink">
  <front>
    <journal-meta />
    <article-meta>
      <title-group>
        <article-title>Contagious: um Framework para Suporte à Difusão de Inovações em Sites de Redes Sociais</article-title>
      </title-group>
      <contrib-group>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Fernando Cesar Balbino</string-name>
          <email>fernando@unilins.edu.br</email>
          <email>fernando_balbino@dc.ufscar.br</email>
          <xref ref-type="aff" rid="aff0">0</xref>
          <xref ref-type="aff" rid="aff1">1</xref>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Junia Coutinho Anacleto</string-name>
          <email>junia@dc.ufscar.br</email>
          <xref ref-type="aff" rid="aff0">0</xref>
        </contrib>
        <aff id="aff0">
          <label>0</label>
          <institution>Laboratório de Interação Avançada (LIA) Departamento de Computação - Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Rodovia Washington Luis</institution>
          ,
          <addr-line>km 235 - 13565-905 - São Carlos - SP</addr-line>
          ,
          <country country="US">USA</country>
        </aff>
        <aff id="aff1">
          <label>1</label>
          <institution>Unilins - Centro Universitário de Lins Av. Nicolau Zarvos</institution>
          ,
          <addr-line>1925 - Jardim Aeroporto - 16401-371 - Lins - SP</addr-line>
        </aff>
      </contrib-group>
      <abstract>
        <p>RESUMO Este trabalho apresenta o framework Contagious, cujo propósito é estabelecer diretrizes que orientem a construção de sites de redes sociais com suporte à difusão de inovações. Uma síntese do referencial teórico sobre difusão de inovações é discutido com vistas à fundamentação de conceitos essenciais para a compreensão do framework. Alguns resultados obtidos e que provêem recursos computacionais a partir de elementos sócio-culturais também são comentados, com o objetivo de se registrar os avanços do projeto de pesquisa.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd>eol&gt;Redes Sociais</kwd>
        <kwd>Difusão de Inovações</kwd>
        <kwd>framework</kwd>
        <kwd>Software Social</kwd>
      </kwd-group>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>-</title>
      <p>
        INTRODUÇÃO
Com o avanço das tecnologias de informação e
comunicação e o advento da Web 2.0, conectividade e
compartilhamento passaram a refletir o atual contexto em
que as mídias sociais sobressaem-se na Internet. Dentro
desse contexto, pessoas comuns passaram do anonimato
para a evidência, ao divulgarem detalhes de sua vida, ao
publicarem vídeos engraçados e criativos, ao registrarem
opiniões expressivas sobre os mais diversos temas e
acontecimentos. Mais do que isso, os sites de redes sociais
têm sido um meio para a mobilização popular, o que
demonstra o aspecto relevante desse tipo de mídia social
para uma sociedade. Fatos como o comentado em [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">1</xref>
        ]
demonstram, assim, como as tecnologias podem dar
suporte ao desejo de transformação de uma sociedade, ou
seja, como o mundo virtual pode implicar na efetivação de
uma transformação real.
      </p>
      <p>
        Uma pesquisa recente [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2">2</xref>
        ] constatou que nos países
emergentes o uso da Internet, apesar de ser “novo” (em
relação aos países desenvolvidos), é mais impactante,
chegando mesmo a ter um caráter “transformacional”, ou
seja, há um forte sentimento positivo quanto às
possibilidades de expressão e de participação. Além disso,
a mesma pesquisa destaca o Brasil como o líder no uso de
quase todas as formas de mídias sociais, com destaques
para os sites de redes sociais, em especial o Orkut™
(www.orkut.com). Os brasileiros, aliás, destacam-se
porque, em nível mundial, são os que têm o maior número
médio de amigos nos sites de redes sociais [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2">2</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        Diante dessa realidade, nota-se o potencial dos sites de
redes sociais para a disseminação de informação e a
geração de conhecimento. Consequentemente, nota-se
também o potencial para o engajamento em torno de temas
relevantes que possam, inclusive, visar à transformação
pessoal de indivíduos e, em um nível macro, à
transformação social de um grupo ou comunidade. É dentro
desta perspectiva que as mídias sociais podem ser
consideradas um importante suporte tecnológico para a
difusão de inovações, ou seja, a disseminação de uma ideia,
prática ou objeto que é percebido como novo por um
indivíduo ou outra unidade de adoção [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">3</xref>
        ]. Nasce, daí, um
olhar sobre as mídias sociais para o desenvolvimento, em
que, no enfoque deste trabalho, deve-se compreender: a) as
mídias sociais como especificamente os sites de redes
sociais; b) o desenvolvimento como sendo quaisquer
benefícios sustentáveis promovidos a um indivíduo ou
comunidade através da difusão e adoção de inovações. Por
benefícios sustentáveis, por sua vez, deve-se compreender
toda e qualquer mudança positiva sólida e duradoura a uma
unidade de adoção (indivíduo ou comunidade) de uma
inovação, pelo menos durante o intervalo de tempo em que
esta inovação ainda fizer sentido.
      </p>
      <p>
        O objetivo deste trabalho, portanto, é apresentar e discutir
um framework que forneça diretrizes para a instanciação
computacional de aspectos sociais em sites de redes sociais,
com vistas à promoção da difusão de inovações.
Dessa forma, endereça-se o desafio da
multidisciplinaridade entre uma ciência de caráter social – a
difusão de inovações – e uma ciência de caráter tecnológico
ou computacional, sob o olhar próprio da Interação
Humano-Computador. Endereça-se, ainda, o desafio 5,
“Acesso participativo e universal do cidadão brasileiro ao
conhecimento”, dentre os Grandes Desafios da Pesquisa em
Computação no Brasil [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref4">4</xref>
        ], ao se definir um framework com
vistas à difusão de “informação privilegiada” – a inovação,
no sentido de se promover meios para potencializar o
“contágio” de pessoas para a adoção de uma inovação e um
consequente engajamento para mudanças positivas e
significativas que proliferem e estabeleçam práticas
sustentáveis em uma comunidade, com vistas ao seu
desenvolvimento.
      </p>
      <p>
        Este trabalho está organizado da seguinte maneira: na
próxima seção são discutidos fundamentos essenciais dos
sites de redes sociais para os propósitos deste trabalho; na
seção “Difusão de Inovações”, são discutidos os principais
conceitos que estabelecem as bases teóricas dessa
disciplina; na seção “O framework Contagious” é
apresentado e discutido o foco principal deste trabalho,
ressaltando-se inclusive resultados preliminares já obtidos.
Por fim, são apresentadas as considerações finais.
SITES DE REDES SOCIAIS
Os sites de redes sociais podem ser definidos como
serviços baseados na Web em que indivíduos podem
controlar um perfil público ou semi-público dentro do
escopo do sistema, articular uma lista de outros usuários
com quem eles compartilham uma conexão, ver e “cruzar”
a sua lista própria de conexões com outras listas
pertencentes a outros membros do sistema [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref4">4</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        Os agrupamentos sociais formados através das conexões
entre os membros de uma rede social podem ser analisados
de um ponto de vista estrutural que leva à percepção de
topologias da rede. Redes são metáforas estruturais e,
portanto, as redes sociais na Internet também possuem
topologias que correspondem à estrutura constituída através
dos laços sociais estabelecidos pelos autores [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref5">5</xref>
        ]. Franco
[
        <xref ref-type="bibr" rid="ref6">6</xref>
        ], a partir de um memorando de Baran [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">7</xref>
        ], discute três
topologias possíveis para redes sociais, conforme ilustra a
Figura 1: distribuída, centralizada e descentralizada.
      </p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>Figura 1. Topologias para redes.</title>
      <p>
        Fonte: Baran [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">7</xref>
        ], p. 2.
      </p>
      <p>
        Em outro momento, Franco [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref8">8</xref>
        ] chama a atenção para um
aspecto muito interessante: observando-se os 3 diagramas,
pode-se verificar que cada um dos nodos (os pontos) está
alocado em um mesmo lugar; o que muda são as arestas (as
conexões) entre os nodos. Considerando-se que os nodos
representam pessoas, no caso de uma rede social, pode-se
afirmar que, com as mesmas pessoas, é possível
“configurar” uma comunidade de maneiras diferentes,
dependendo das formas de conexão entre elas. Esta
constatação leva a uma outra reflexão: se há significativa
colaboração entre as pessoas que compõem uma rede
social, tem-se uma forte tendência para que redes
distribuídas se formem. Portanto, fomentar a colaboração
entre membros de uma rede social corresponde a fomentar
a formação de redes sociais coesas. Em sentido inverso,
pode-se fomentar a formação de redes sociais em torno de
um interesse comum a fim de se criar um ambiente propício
para fomentar a colaboração.
      </p>
      <p>No foco deste trabalho, a difusão de inovações destaca-se
como a ação fomentadora da colaboração, no sentido de
envolver os membros de uma rede social na discussão e
quiçá na adoção de uma inovação com o objetivo de
promover o bem estar comum de pessoas e,
consequentemente, de uma comunidade.</p>
      <p>
        DIFUSÃO DE INOVAÇÕES
De acordo com Rogers [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">3</xref>
        ], difusão é o processo pelo qual
uma inovação é comunicada através de certos canais ao
longo do tempo entre os membros de um sistema social.
Uma inovação, por sua vez, é uma ideia, prática ou objeto
que é percebido como novo por um indivíduo ou outra
unidade de adoção (todo um bairro, por exemplo). A
percepção da inovação não implica na questão “tempo”, ou
seja, não importa se a ideia, prática ou objeto já existe há
um longo período de tempo; o que importa é se o indivíduo
percebe a “novidade” como algo de fato novo e que, para
ele, era anteriormente desconhecido.
      </p>
      <p>Os atributos de uma inovação – vantagem relativa,
compatibilidade, nível de complexidade, possibilidade de
experimentação e possibilidade de observação1 – podem
influenciar fortemente a respectiva taxa de adoção pelos
membros de um sistema social. Em resumo, é preciso que
indivíduos percebam uma relativa vantagem em adotar uma
inovação, que a inovação seja compatível com valores
culturais e necessidades, que seja fácil de compreender, que
possa ser experimentada antes da adoção e que os
resultados obtidos com a adoção da inovação sejam visíveis
ou observáveis por outros indivíduos que, nesse caso,
podem aproveitar a experiência do outro para decidir pela
adoção da inovação. Conforme é discutido na próxima
seção, os atributos compatibilidade e nível de
complexidade são endereçados por trabalhos já
desenvolvidos pelo LIA.</p>
      <p>
        Em relação às redes de difusão, Rogers [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">3</xref>
        ] afirma que a
homofilia, ou seja, o grau de similaridade entre um par de
indivíduos, favorece a comunicação entre eles, pois esta
1
      </p>
      <p>
        Em inglês, respectivamente, relative advantage,
compatibility, complexity, trialability e observability [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">3</xref>
        ].
tende a ser mais efetiva entre indivíduos homofílicos. Essa
similaridade pode se dar em atributos como status
socioeconômico, crenças, valores culturais, educação, etc.
A formação de comunidades homofilicas também tem sido
objeto de estudo de trabalho desenvolvido no LIA.
Vale a pena frisar que a heterofilia também pode ser
significativa para a difusão de inovações, pois ela é
caracterizada por laços fracos em uma rede social, ou seja,
por conexões representadas por indivíduos que “ligam”
grupos ou comunidades de indivíduos entre si. Exemplos
de laços fracos são comuns em redes descentralizadas
(Figura 1-B), em que indivíduos servem de “ponte” entre
um e outro grupos (clusters) sociais. Por isso, identificar
indivíduos responsáveis por essas “pontes” pode ser muito
significativo no sentido de fazer fluir uma inovação de uma
comunidade homofílica para outra, por meio desses “elos
de ligação”.
      </p>
      <p>
        Líderes de opinião também cumprem um papel expressivo
no processo de difusão de inovações. Normalmente, são
eles os responsáveis por influenciar outras pessoas na
adoção de inovações. Portanto, disponibilizar meios para a
identificação de líderes de opinião em um site de rede
social pode ser fundamental para começar o processo de
difusão justamente por eles. Assim, uma vez que optem
pela adoção de uma inovação, eles podem se tornar
multiplicadores na rede social e promover um ritmo mais
acelerado para o processo de difusão. Embora existam
outros aspectos importantes a serem considerados para o
estabelecimento de um framework que dê suporte à difusão
de inovações em sites de redes sociais, são destacados aqui
os pontos-chaves mais investigados até o momento,
considerando-se, no entanto, que outros ainda serão
analisados e explorados ao longo deste trabalho.
O FRAMEWORK CONTAGIOUS
O desenvolvimento do framework Contagious visa ao
estabelecimento de diretrizes que orientem a construção de
sites de redes sociais dotados de recursos computacionais
que representem e instanciem questões sociais inerentes à
teoria de difusão de inovações. Uma representação gráfica
preliminar desse framework pode ser dada através da
extensão do framework honeycomb [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref16 ref17 ref9">9, 16, 17</xref>
        ], que
representa de forma gráfica os sete blocos de construção
que provêem, segundo Smith [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">9</xref>
        ], uma definição funcional
para software social. São eles: identidade, presença,
relacionamentos, conversas, grupos, reputação e
compartilhamento, conforme ilustra a Figura 2.
      </p>
      <p>Em resumo, “identidade” refere-se a uma identificação
pessoal única dentro do sistema; “presença” refere-se a
algum recurso que permita saber se um usuário está online
(ou disponível) no sistema; “relacionamentos” compreende
uma maneira de representar como os usuários estão
conectados entre si; “conversas” são os recursos pelos quais
as pessoas podem se comunicar no sistema; “grupos” são
os recursos que promovem a formação de comunidades;
“reputação” é algum meio ou conjunto de recursos para se
conhecer o status de outras pessoas no sistema e;
“compartilhamento” referem-se a funcionalidades que
permitem que os participantes compartilhem coisas – como
fotos e vídeos – entre si.</p>
      <p>Figura 2. O framework honeycomb e os sete blocos de
construção de um software social.</p>
      <p>
        Fonte: Smith [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">9</xref>
        ].
      </p>
      <p>
        A Figura 3 exibe a representação gráfica e conceitual do
framework Contagious, a partir da extensão do framework
organizado por [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">9</xref>
        ]. Conforme pode ser observado, quatro
novos blocos de construção foram adicionados: inovação,
líder de opinião, homofilia e adoção.
      </p>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>Figura 3. O framework Contagious.</title>
      <p>
        A “inovação” é um bloco de construção primordial para um
site de rede social que visa à difusão de inovações. Afinal,
ela é a unidade de valor fundamental através da qual se
deseja “contagiar” os participantes de uma rede social com
vistas à promoção de um bem comum coletivo. Nesse
ponto, é importante registrar que os atributos de uma
inovação devem ser considerados, pois eles podem exercer
uma influência significativa no grau de adoção [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">3</xref>
        ]. A
“complexidade”, ou seja, o grau de esforço que um
potencial adopter2 precisa despender para compreender a
2 O termo original foi mantido por falta de um mais
adequado na língua portuguesa. Ele se refere ao indivíduo
que adota uma inovação.
inovação e avaliar suas vantagens relativas como parte do
processo de adoção, foi endereçada por [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref10 ref11">10, 11</xref>
        ]; nesse
trabalho, foi desenvolvido um ambiente para geração de
hiperdocumentos contextualizados, em cujo processo de
construção é considerado também o nível de letramento do
público-alvo. O trabalho, desenvolvido no grupo de
pesquisas do LIA, é um exemplo de recurso computacional
que vem atender a um elemento de aspecto social dentro da
teoria de difusão de inovações. Considerando-se, por
exemplo, o uso de um site de rede social para a mobilização
e desenvolvimento de uma comunidade local, é primordial
que o nível de letramento e a contextualização cultural
sejam priorizadas como forma de permitir o acesso à
informação.
      </p>
      <p>
        O bloco de construção “homofilia” foi anexado ao bloco
“grupos” porque eles estão relacionados, pois grupos
homofílicos podem coexistir ao lado de grupos
heterofílicos, ou heterogêneos. Deseja-se, em um site de
rede social com suporte à difusão de inovações, que grupos
homofílicos sejam formados a fim potencializar a
comunicação e, consequentemente, a disseminação de
informação. Como uma inovação normalmente tem um
foco de interesse específico (embora possa contemplar mais
de uma finalidade), espera-se que indivíduos homofílicos
conectados em torno de um interesse em comum possam
alavancar a difusão de uma inovação. Por exemplo, uma
inovação que visa à conscientização de pessoas de uma
cidade para a coleta seletiva pode ser melhor aceita,
adotada e difundida por um grupo de pessoas reunidas em
torno desse interesse. Um outro trabalho do grupo de
pesquisas do LIA [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref12 ref13">12, 13</xref>
        ] visa justamente à identificação
de pessoas que têm um interesse comum em sites de redes
sociais. Essa identificação é realizada através da análise de
sentenças que compõem as mensagens postadas pelos
usuários e que remetem a um assunto específico – o assunto
de interesse. As diferenças culturais no vocabulário das
pessoas são consideradas para contextualizar a busca,
graças a uma base de conhecimento cultural mantida pelo
projeto OMCS-Br [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref14">14</xref>
        ]. Esse trabalho continua em
andamento, e novos algoritmos para aprimoramento da
medição do “grau de interesse” de uma pessoa por um
determinado assunto são os atuais objetos de pesquisa.
Ainda no contexto dos grupos, a figura do “líder de
opinião” é fundamental. Esse bloco de construção foi
anexado ao bloco “reputação” porque ao líder de opinião é
atribuído um status de reputação por outros membros de
uma rede social. Embora este elemento ainda não tenha
sido explorado sob uma visão computacional, o que se
espera é que algum algoritmo identifique formadores de
opinião dentro da rede social de tal forma que eles possam
ser convidados a adotar uma inovação e, por conseguinte,
difundi-la. Portanto, os líderes de opinião podem ser o
ponto de partida para o processo de difusão.
      </p>
      <p>
        Finalmente, o bloco de construção “adoção” foi anexado ao
bloco “presença” porque também têm similaridades em
seus objetivos. Enquanto a presença caracteriza recursos
que permitem “perceber” se um usuário está “online” e/ou
disponível no site de rede social, a adoção tende a sinalizar
se um indivíduo adotou determinada inovação. Este recurso
é importante porque, conforme discutido por Rogers [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">3</xref>
        ], a
percepção do outro como adopter pode influenciar
positivamente a adoção por outro indivíduo. Por exemplo:
se em um bairro a adoção da prática da coleta seletiva passa
a ser comum, os indivíduos que ainda não adotaram a
prática, ao observarem que estão se “deslocando” do grupo,
podem optar pela adoção, ainda que tardia, da inovação.
A base de conhecimento cultural, comentada anteriormente,
deve permear todo o processo de difusão de inovações,
embora não tenha sido representada explicitamente na
Figura 3. É através dessa base de conhecimento que um
outro atributo da inovação, “compatibilidade”, pode ser
endereçado. Em [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref15">15</xref>
        ] é delimitada uma proposta de
investigação de uso da base de conhecimento cultural para
que o background cultural do público-alvo principal de
potenciais adopters possa ser compreendido ou, pelo
menos, sutilmente traçado. Tal proposta precisa ser
amadurecida e adequadamente trabalhada, pois pode
enfocar explicitamente a diversidade cultural dos
participantes de um site de rede social.
      </p>
      <p>Outros elementos ainda devem ser considerados para a
consolidação do framework Contagious. Apenas para citar,
a presença do “agente de mudança” e sua possível atuação
dentro do site de rede social devem ser consideradas.
Afinal, o agente de mudança é responsável, na maior parte
das vezes, pela difusão de uma inovação.</p>
      <p>Um outro fator que deve ser considerado é a reformulação
da representação gráfica do framework, de tal maneira que
possa refletir mais precisamente os próximos elementos
que devem ser embutidos em sua composição.</p>
      <p>Após o estabelecimento de uma versão sólida do
framework Contagious, prevê-se a implementação de um
site de rede social aplicado à difusão de inovações entre
profissionais de saúde de uma instituição focada no
atendimento de pessoas com transtornos psiquiátricos e
distúrbios neurológicos, com vistas ao estabelecimento de
uma cultura organizacional colaborativa que promova
melhorias nos serviços prestados pelos profissionais e,
consequentemente, o refinamento da humanização do
atendimento aos pacientes. Essa será, portanto, a forma de
validação do trabalho.</p>
      <p>CONSIDERAÇÕES FINAIS
O artigo apresentou o framework Contagious, cujo objetivo
é estabelecer diretrizes computacionais que dêem suporte à
difusão de inovações em sites de redes sociais. O desafio da
multidisciplinaridade é endereçado ao contemplar aspectos
das ciências sociais na computação, lançando luz à
interação de áreas antes consideradas tão distintas e,
portanto, trazendo uma contribuição significativa à
computação, principalmente no que diz respeito à
efetivação de um olhar sócio-cultural no desenvolvimento
de um sistema de software.</p>
      <p>
        Embora o foco do trabalho seja o estabelecimento de
recursos computacionais que reflitam elementos da teoria
da difusão de inovações, nota-se que futuramente uma
visão orientada a valores [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref16">16</xref>
        ] também deve ser
considerada, consolidando as possibilidades de uma efetiva
participação de pessoas com os mais diferentes perfis no
mundo virtual da conectividade e da colaboração.
AGRADECIMENTOS
Este trabalho é parcialmente apoiado por FAPESP-MSR,
proc. 2010/52135-9.
      </p>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <ref-list>
      <ref id="ref1">
        <mixed-citation>
          1.
          <string-name>
            <surname>Barros</surname>
            ,
            <given-names>G.</given-names>
          </string-name>
          <article-title>Internet acelerou e ampliou a mobilização no Egito, diz Sérgio Abranches</article-title>
          . Disponível em http://colunistas.ig.com.br/guilhermebarros/2011/02/11/ internet-acelerou
          <article-title>-e-ampliou-a-mobilizacao-no-egitodiz-sergio-abranches/</article-title>
          , último acesso em 15 de agosto de
          <year>2011</year>
          .
        </mixed-citation>
      </ref>
      <ref id="ref2">
        <mixed-citation>
          2.
          <string-name>
            <given-names>TNS</given-names>
            <surname>Global</surname>
          </string-name>
          .
          <article-title>Emerging LatAm consumers on the Internet</article-title>
          .
          <source>In GEMs - Insights from Emerging Markets. March</source>
          <year>2011</year>
          .
        </mixed-citation>
      </ref>
      <ref id="ref3">
        <mixed-citation>
          3.
          <string-name>
            <surname>Rogers</surname>
          </string-name>
          , E.M. Diffusion of Innovations. 5 ed. New York: Free Press,
          <year>2003</year>
          .
        </mixed-citation>
      </ref>
      <ref id="ref4">
        <mixed-citation>
          4. boyd, d.m.,
          <string-name>
            <surname>Ellison</surname>
          </string-name>
          , N.B.
          <article-title>Social network sites: Definition, history, and scholarship</article-title>
          .
          <source>In Journal of Computer-Mediated Communication</source>
          ,
          <volume>13</volume>
          (
          <issue>1</issue>
          ),
          <source>article 11</source>
          ,
          <year>2007</year>
          .
        </mixed-citation>
      </ref>
      <ref id="ref5">
        <mixed-citation>
          5.
          <string-name>
            <surname>Recuero</surname>
            ,
            <given-names>R.</given-names>
          </string-name>
          <string-name>
            <surname>Redes</surname>
          </string-name>
          <article-title>Sociais na Internet</article-title>
          .
          <source>Porto Alegre: Sulina</source>
          ,
          <year>2009</year>
          .
        </mixed-citation>
      </ref>
      <ref id="ref6">
        <mixed-citation>
          6.
          <string-name>
            <surname>Franco</surname>
            ,
            <given-names>A</given-names>
          </string-name>
          . Topologias de rede. In Cartas Rede Social, publicado em 17 de julho de
          <year>2008</year>
          . Disponível em http://augustodefranco.locaweb.com.br/cartas_comment s.
          <source>php?id=249_0_</source>
          <issue>2</issue>
          _0_C, último acesso em 15 de agosto de
          <year>2011</year>
          .
        </mixed-citation>
      </ref>
      <ref id="ref7">
        <mixed-citation>
          7.
          <string-name>
            <surname>Baran</surname>
            ,
            <given-names>P.</given-names>
          </string-name>
          <article-title>On distributed communications: I. Introduction to distributed communications networks</article-title>
          .
          <source>In Memorandum RM-3420-PR</source>
          ,
          <year>August 1964</year>
          . Santa Mônica: The Rand Corporation,
          <year>1964</year>
          .
        </mixed-citation>
      </ref>
      <ref id="ref8">
        <mixed-citation>
          8.
          <string-name>
            <surname>Franco</surname>
            ,
            <given-names>A. Redes</given-names>
          </string-name>
          <string-name>
            <surname>Sociais</surname>
          </string-name>
          .
          <article-title>Como funcionam as ligações entre as pessoas? Palestra apresentada no TEDxSP 2009</article-title>
          . Disponível em http://www.tedxsaopaulo.com.br/augusto-de-franco/, último acesso em 15 de agosto de
          <year>2011</year>
          .
        </mixed-citation>
      </ref>
      <ref id="ref9">
        <mixed-citation>
          9.
          <string-name>
            <surname>Smith</surname>
            ,
            <given-names>G.</given-names>
          </string-name>
          <article-title>Social Software Building Blocks</article-title>
          . Publicado em 04 de abril de
          <year>2007</year>
          . Disponível em http://nform.com/publications/social-software-buildingblock, último acesso em 15 de agosto de
          <year>2011</year>
          .
        </mixed-citation>
      </ref>
      <ref id="ref10">
        <mixed-citation>
          10.
          <string-name>
            <surname>Magalhães</surname>
            ,
            <given-names>V. M. A.</given-names>
          </string-name>
          ,
          <string-name>
            <surname>Anacleto</surname>
            ,
            <given-names>J. C.</given-names>
          </string-name>
          ,
          <string-name>
            <surname>Silva</surname>
            ,
            <given-names>M. A. R.</given-names>
          </string-name>
          <article-title>Building contextualized web hyperdocuments taking into consideration readers' culture and literacy in order to allow them to understand these hyperdocuments</article-title>
          .
          <source>In IADIS International Conference / e-Society</source>
          <year>2011</year>
          , Avila, Spain,
          <year>2011</year>
          .
        </mixed-citation>
      </ref>
      <ref id="ref11">
        <mixed-citation>
          11.
          <string-name>
            <surname>Magalhães</surname>
            ,
            <given-names>V.</given-names>
          </string-name>
          <article-title>M. A</article-title>
          . et al.
          <article-title>Cultural adaptation of content for ICTs considering different levels of literacy and textual equivalents</article-title>
          .
          <source>In Proceedings of IberoAmerican Artificial Intelligence Conference (IBERAMIA</source>
          <year>2010</year>
          ), Bahía Blanca,
          <year>2010</year>
          .
        </mixed-citation>
      </ref>
      <ref id="ref12">
        <mixed-citation>
          12.
          <string-name>
            <surname>Astolfi</surname>
            ,
            <given-names>G.</given-names>
          </string-name>
          et al.
          <article-title>Identifying people who are talking about the same topic in social networks, even having a different cultural background</article-title>
          . In Revista de Informática Teórica e Aplicada, v.
          <volume>17</volume>
          , pp.
          <fpage>234</fpage>
          -
          <lpage>248</lpage>
          ,
          <year>2010</year>
          .
        </mixed-citation>
      </ref>
      <ref id="ref13">
        <mixed-citation>
          13.
          <string-name>
            <surname>Anacleto</surname>
            ,
            <given-names>J.C.</given-names>
          </string-name>
          et al.
          <article-title>A Cultural Knowledge-based Method to Support the Formation of Homophilous Online Communities</article-title>
          .
          <source>In Conference on Human Factors in Computing Systems 2011 (CHI</source>
          <year>2011</year>
          ), Vancouver, CA,
          <year>2011</year>
          .
        </mixed-citation>
      </ref>
      <ref id="ref14">
        <mixed-citation>
          14.
          <string-name>
            <surname>Anacleto</surname>
            ,
            <given-names>J.C.</given-names>
          </string-name>
          et al.
          <article-title>Can common sense uncover cultural differences in computer applications</article-title>
          ? In Bramer,
          <string-name>
            <surname>M. Artificial</surname>
          </string-name>
          <article-title>Intelligence in theory and practice</article-title>
          . Berlin: Springer-Verlag, v.
          <volume>217</volume>
          ,
          <year>2006</year>
          .
        </mixed-citation>
      </ref>
      <ref id="ref15">
        <mixed-citation>
          15.
          <string-name>
            <surname>Balbino</surname>
            ,
            <given-names>F.C.</given-names>
          </string-name>
          ,
          <string-name>
            <surname>Magalhaes</surname>
            ,
            <given-names>V.M.A.</given-names>
          </string-name>
          ,
          <string-name>
            <surname>Anacleto</surname>
            ,
            <given-names>J.C.</given-names>
          </string-name>
          <article-title>Improving Diffusion of Innovations in Social Media through a Content Generation Process Supported by Cultural Knowledge</article-title>
          . In Social Media for Development Workshop - CSCW
          <year>2011</year>
          .
          <article-title>Disponível em https://sites</article-title>
          .google.com/site/sm4dev/file-cabinet, último acesso em 15 de agosto de
          <year>2011</year>
          .
        </mixed-citation>
      </ref>
      <ref id="ref16">
        <mixed-citation>
          16.
          <string-name>
            <surname>Pereira</surname>
            ,
            <given-names>R.</given-names>
          </string-name>
          ,
          <string-name>
            <surname>Baranauskas</surname>
            ,
            <given-names>M.C.C.</given-names>
          </string-name>
          ,
          <string-name>
            <surname>Silva</surname>
            ,
            <given-names>S.R.P.</given-names>
          </string-name>
          <string-name>
            <surname>Social Software Building</surname>
          </string-name>
          <article-title>Blocks: Revisiting the Honeycomb Framework</article-title>
          .
          <source>In International Conference on Information Society (i-Society</source>
          <year>2010</year>
          ), Londres, p.
          <fpage>263</fpage>
          -
          <lpage>268</lpage>
          ,
          <year>2010</year>
          .
        </mixed-citation>
      </ref>
      <ref id="ref17">
        <mixed-citation>
          17.
          <string-name>
            <surname>Kietzmann</surname>
            ,
            <given-names>J.H.</given-names>
          </string-name>
          et al.
          <article-title>Social Media? Get Serious! Understanding the Functional Building Blocks of Social Media</article-title>
          . In Business Horizons, Elsevier, v.
          <volume>54</volume>
          , issue 3, pp.
          <fpage>241</fpage>
          -
          <lpage>251</lpage>
          ,
          <year>2011</year>
          .
        </mixed-citation>
      </ref>
    </ref-list>
  </back>
</article>