<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Archiving and Interchange DTD v1.0 20120330//EN" "JATS-archivearticle1.dtd">
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    <article-meta>
      <title-group>
        <article-title>Modelagem de relações conceituais para a área nuclear</article-title>
      </title-group>
      <contrib-group>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Luana Farias Sales</string-name>
          <email>lsales@ien.gov.br</email>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Luís Fernando Sayão</string-name>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Dilza Fonseca da Motta</string-name>
          <email>dilzafmotta@yahoo.com.br</email>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)</string-name>
        </contrib>
      </contrib-group>
      <fpage>182</fpage>
      <lpage>187</lpage>
      <abstract>
        <p>The nuclear energy area is a complex domain involving a large number of disciplines, concepts and relations. Despite its long tradition in organizing, processing and dissemination of information, reflected in important databases and international information systems, in recent decades this field has not evolved satisfactorily regarding the development of tools to standardize terminology and, consequently, concerning the extension of the theoretical and methodological framework for conceptual modeling. This fact creates an obstacle in the development of more sophisticated information systems. Starting from the systematization of ontic conceptual relations in the domain of the nuclear area, this paper presents a new way to conceptual modeling, anchored in the theoretical basis of information science. The proposed model, based on a classification principles, seeks to combine categorical and formal relations, to reaching the triadic model of relations for the nuclear area. Resumo. A área de Energia Nuclear é um domínio complexo que envolve um grande número de disciplinas, conceitos e relações. Apesar da sua longa tradição na organização, no tratamento e na disseminação de informação, refletido em importantes bases de dados e sistemas internacionais de informação, nas últimas décadas não evoluiu a contento no que diz respeito à elaboração de instrumentos de padronização terminológica e, consequentemente, no que diz respeito à ampliação de arcabouço teóricometodológico para modelagem conceitual. Esse fato cria um obstáculo no desenvolvimento de sistemas de informação mais sofisticados. Partindo da sistematização das relações conceituais ônticas existentes no domínio da área nuclear, o presente trabalho visa apresentar um novo caminho para a modelagem conceitual, ancorado na base teórica da Ciência da Informação. A modelagem proposta, baseada em princípios classificatórios, procura combinar relações categoriais e formais, chegando ao modelo triádico de relações para a área de ciências nucleares.</p>
      </abstract>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>1. Considerações iniciais</title>
      <p>A necessidade de elaborar modelos deriva inicialmente da dificuldade de o
homem entender a complexidade da realidade do universo que o envolve. Assim, em
uma primeira instância, o ser humano elabora modelos para compreender o mundo ou
simplesmente uma questão no mundo; estabelecer padrões de comunicação entre ele e
outros seres e representar de forma simplificada um objeto ou uma situação no mundo.</p>
      <p>
        Os modelos podem ser construídos “por meio de formalismos matemáticos,
fenomenológicos ou conceituais” e permitem “testar hipóteses, tirar conclusões,
caminhar no sentido da generalização e da particularização, através de processos de
indução e têm sempre vida provisória”. (
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">SAYÃO, 2001</xref>
        , p.83).
      </p>
      <p>Os modelos conceituais são construídos a partir de abstrações que especificam
relacionamentos entre conceitos, trabalhando semelhanças, diferenças e outras
associações de significado.</p>
      <p>Na esfera da modelagem conceitual, identificar os tipos de relações presentes em
um domínio pode ser considerada uma etapa da modelagem conceitual deste domínio,
pois são as relações que ligam os conceitos a outros conceitos, permitindo evidenciar a
abstração de uma dada realidade.</p>
      <p>O problema que se coloca, no entanto, é que as relações não-hierárquicas,
também chamadas de associativas ou ônticas se manifestam diferentemente de acordo
com a área, variando de acordo com o objetivo e com a questão que se visa modelar.
Acredita-se que uma possível solução para este problema esteja na proposta de um
método para modelagem de relações conceituais que possa ser generalizável a qualquer
domínio. O presente trabalho tem por objetivo apresentar um método para modelagem
de relações não-hierárquicas que foi aplicado, neste momento, na área de ciências
nucleares.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>2. A área de Energia Nuclear e a necessidade de modelos conceituais</title>
      <p>No domínio da Ciência da Computação, a modelagem conceitual é um estágio
anterior ao desenvolvimento do sistema. Nesta área, a elaboração de modelos
conceituais fornece subsídios para construção de sistemas eficazes aos seus propósitos.
Já na Ciência da Informação, os modelos são construídos para servirem de instrumentos
padronizadores de informações, tornando a recuperação e a comunicação mais precisas.</p>
      <p>A área de Energia Nuclear tem uma longa tradição na organização, tratamento e
na disseminação da informação. O International Nuclear System (INIS), órgão
subordinado à Agência Internacional de Energia Atômica, da ONU, deu prosseguimento
à política de valorização da informação nuclear, como insumo estratégico para o
desenvolvimento das aplicações pacíficas da energia nuclear.</p>
      <p>
        No que tange a elaboração de regras e padrões, o INIS criou um conjunto de
ferramentas terminológicas, incluindo classificação e tesauro. O desenvolvimento do
tesauro foi derivado de um modelo gráfico chamado INIS Terminology Charts, que
exibia representações gráficas dos conceitos envolvidos e as suas relações, incluindo a
intensidade de cada relação e o seu tipo
        <xref ref-type="bibr" rid="ref6">(INIS, 1970)</xref>
        .
      </p>
      <p>As iniciativas de construtos teminológicos do INIS foram muito interessantes e
consideradas avançadas para os padrões da época. No entanto, apesar dos indícios da
necessidade desses instrumentos acompanharem evolutivamente a produção do
conhecimento e as mudanças temporais, a área de Energia Nuclear, nos últimos anos, se
manteve indiferente em relação à atualização metodológica de seus instrumentos.
Enquanto na tabela de classificação houve uma diminuição considerável do número de
áreas abrangidas, o tesauro vem se mantendo estático no que tange a inserção de novos
termos e novas relações.</p>
      <p>Mesmo com a descontinuidade dessas ferramentas conceituais, elas continuam
sendo de fundamental importância para essa área, principalmente devido ao fato dela
sempre ter utilizado, para compreensão de seus fenômenos, modelos e generalizações
como uma ponte entre os níveis de observação e o teórico. Nas últimas décadas, o uso
massivo de técnicas de simulação em computadores para realização de experimentos na
área, mais uma vez, coloca em voga a necessidade dos modelos. Por fim, a intensa
geração de dados, fruto do uso de software, leva à necessidade de curadoria desses
dados para fins de recuperação e reuso e, neste caso, são os modelos que dão estrutura e
significado aos dados. Esses fatores evidenciam a necessidade de modelos conceituais e
consequentemente da modelagem das relações conceituais.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>3. A modelagem das relações da área de Energia Nuclear</title>
      <p>
        A modelagem das relações da área de Energia Nuclear foi realizada a partir da
base teórica da Ciência da Informação para construção de linguagens ou modelos
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1 ref2">(CAMPOS, 2001b)</xref>
        . Essa escolha se justifica por ter esta área abordagens
teóricometodológicas consolidadas para construção de instrumentos de representação da
informação e do conhecimento. Conforme abordagem de Campos (2001a), a união da
tríade teórica formada pela Teoria da Classificação Facetada
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">(RANGANATHAN,
1967)</xref>
        , Teoria Geral da Terminologia (
        <xref ref-type="bibr" rid="ref10">WÜSTER, 1981</xref>
        ) e Teoria do Conceito
        <xref ref-type="bibr" rid="ref4">(DAHLBERG, 1978)</xref>
        vem atendendo não apenas a elaboração de linguagens, mas
também toda e qualquer necessidade de classificação, sistematização, mapeamento de
domínio e modelagem conceitual.
      </p>
      <p>
        Em trabalho apresentado anteriormente
        <xref ref-type="bibr" rid="ref8">(SALES, 2008)</xref>
        , um modelo triádico de
relações foi proposto para reunir as relações da Ciência da Informação (duplas de
categorias, ex: coisa-material, as quais são aqui chamadas de Relações Categoriais) e
também as da Ciência da Computação (Relações formais, ex: has_material, que
revelam a forma como um conceito se relaciona com outro). Este modelo é composto da
seguinte forma: &lt;Relação categorial1 – relação formal – Relação categorial2&gt; =
(&lt;rc1rf- rc2&gt;). Ex: &lt;Processo-results-Entidade&gt;
      </p>
      <p>Para se chegar ao modelo triádico de relações foi utilizado no processo de
modelagem um método que reuniu aspectos conceituais, lógico-classificatórios e
matemáticos. Este método está sendo chamado a priori de “Método
relacionalcategorial”, pois visa estabelecer relações a partir da combinação das categorias
existentes no domínio mapeado. No que tange aos aspectos conceituais, o método se
valeu de abordagens advindas da Teoria do Conceito e da Terminologia para a
identificação de definições terminológicas consistentes para os termos que fizeram parte
do corpus selecionado, bem como para a intervenção nessas definições, quando
necessário. Quanto aos aspectos lógico -classificatórios, o método se valeu da Teoria da
Classificação Facetada para identificação das categorias e classificação dos termos
identificados para compor o corpus. Com relação aos aspectos matemáticos, o método
utilizou-se de arranjo em uma análise combinatória para compor os pares de relações
categoriais.</p>
      <p>O método abrangeu as seguintes etapas: 1)Análise das definições. 2)
Categorização dos termos; 3)Análise combinatória das categorias; 4)Retirada de
assertivas 1das definições no modelo &lt;rc1-rf-rc2&gt;; 5)Categorização das assertivas e
identificação das relações formais; 6)Sistematização das relações formais possíveis para
cada par de relações categoriais.</p>
      <p>
        A primeira etapa do método foi a análise do Glossário Nuclear da
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">CNEN (2011)</xref>
        ,
composto por 107 termos, que se configuraram como corpus. Suas definições bem
construídas auxiliaram na categorização dos termos e, consequentemente, no
estabelecimento das relações entre os termos.
      </p>
      <p>A segunda etapa do método foi baseada na Teoria da Classificação Facetada de
Ranganathan que sugere cinco categorias fundamentais representadas pela sigla
PMEST, cujas iniciais significam: Personalidade, Matéria, Energia, Espaço e Tempo2.
Os termos foram separados em categorias baseadas nestas últimas, adaptadas para a área
em análise.</p>
      <p>Chegou-se então a sete categorias: Entidade, Equipamento, Propriedade,
Matéria, Processo, Espaço, Tempo. Na categoria Entidade foram agrupados todos os
objetos, indivíduos, agentes e produtos. Na categoria Equipamento foram considerados
os instrumentos, as ferramentas, as máquinas ou outros artefatos, aparelhos, utensílios,
dispositivos e aparatos experimentais que sirvam para executar um processo e/ou gerar
um produto. Os conceitos referentes às características, atributos, medidas, dimensões e
outras qualidades dos objetos, das entidades, dos processos, do tempo, do espaço etc.
foram incluídos na categoria Propriedade. Os conceitos referentes aos materiais
constituintes e substâncias foram categorizados em Matéria. Ações, operações e
fenômenos em geral foram agregados na categoria Processo. Os conceitos referentes às
áreas, locais ou regiões foram agrupados na categoria Espaço. Por fim, na categoria
Tempo foram incluídos os conceitos cuja noção de tempo é determinante. Veja o quadro
1.</p>
      <p>Quadro 1 - Exemplo de categorização dos conceitos constantes nos glossários
EQUIPAMENTO PROPRIEDADE MATÉRIA PROCESSO ESPAÇO TEMPO
Acelerador</p>
      <p>Radioatividade</p>
      <p>Elemento
combustível</p>
      <p>Radioterapia
Área Meia
controlada vida
ENTIDADE
Átomo
1 Assertivas são afirmações ou proposições que podem ser atestadas como verdadeiras. Neste caso, as
assertivas são modeladas por triplas que vem a ser predicados binários.
2Para Ranganathan, o PMEST pode ser explicado da seguinte forma: Na categoria Tempo estão as idéias
isoladas de tempo, na categoria Espaço estão aquelas referentes ao local de pertencimento de um
determinado objeto, seja ele indivíduo, coisa, fenômeno, entre outras entidades. Na categoria Energia
estão as idéias de processo, ação ou fenômeno. Na categoria Matéria - suas manifestações são de duas
espécies - Material e Propriedade, que são partes intrínsecas de um objeto ou processo. Na categoria
Personalidade, Ranganathan considera através de um método residual, tudo aquilo que não cabe nas
outras categorias.</p>
      <p>A terceira etapa constou da análise combinatória das categorias identificadas
anteriormente. Como na Ciência da Informação as relações se manifestam entre duplas
de categorias, combinar as categorias que mapeiam uma área é uma forma de
identificar, no nível mais genérico possível, as possibilidades de relações a serem
encontradas em um domínio. A partir da análise combinatória chegou-se a 49 pares de
relações categoriais. Para citar algumas: entidade-entidade, entidade–propriedade,
entidade–matéria, entidade–equipamento, entidade–processo, entidade–tempo,
entidade–espaço, entre outras.</p>
      <p>Para encontrar as relações formais, partiu-se então para a quarta etapa do método
que constou da retirada de assertivas no modelo relação categorial1-relação
formalrelação categorial2 &lt;rc1-rf-rc2&gt;, a partir da análise das definições. Conforme primeira
coluna do quadro 2:</p>
      <sec id="sec-3-1">
        <title>Quadro 2 - Identificação e categorização das assertivas</title>
        <p>ASSERTIVA IDENTIFICADA CATEGORIZAÇÃO DAS ASSERTIVAS
Área controlada- controla -exposições à radiação Espaço - controla - processo
Área controlada –previne - disseminação e Espaço – previne- processo
contaminação radioativa</p>
        <p>A quinta etapa constou da categorização das assertivas, reescrevendo-as de
acordo com as categorias identificadas na etapa 2. O objetivo foi generalizar, no grau
máximo, as relações categoriais, deixando em um nível mais específico apenas as
relações formais, já que a ideia era identificar todas as possibilidades de relações
formais do domínio escolhido. Esta etapa pode ser observada na segunda coluna do
quadro 3.</p>
        <p>Na sexta etapa, foi realizada a sistematização das relações formais possíveis para
cada par de relações categoriais. Assim, chegou-se a 19 pares de categorias e 39
relações formais. No quadro 3 pode ser visualizada uma pequena amostra das relações
identificadas.</p>
        <p>RELAÇÃO CATEGORIAL
ENTIDADE – PROCESSO
ENTIDADE - ENTIDADE
ENTIDADE - PROCESSO
ENTIDADE - PROPRIEDADE
EQUIPAMENTO - ENTIDADE
EQUIPAMENTO -MATÉRIA</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-4">
      <title>5. Considerações finais</title>
      <sec id="sec-4-1">
        <title>Quadro 3 - Sistematização das relações</title>
        <p>RELAÇÃO MODELO TRIÁDICO</p>
        <p>FORMAL
emite entidade - emite- processo
parte_de entidade - parte_de - entidade
contém entidade – contém - entidade
transforma entidade - transforma - entidade
recebe entidade - recebe - processo
sofre entidade – sofre - processo
representa entidade – representa - propriedade
acelera equipamento – acelera - entidade
produz equipamento - produz - entidade
aumenta equipamento – aumenta - entidade
contém equipamento – contém - matéria
reutiliza equipamento – reutiliza - matéria
utiliza equipamento – utiliza - matéria</p>
        <p>O presente trabalho é fruto de estudos que caminham em direção à busca dos
fundamentos de modelagem. O assunto em questão é abordado aqui como um ponto de
interseção entre a Ciência da Informação e a Ciência da Computação, pois reúne
relações interessantes para as duas áreas. A modelagem conceitual requer cuidado
especial com conceitos e também com as relações entre esses conceitos. Desta forma,
este trabalho contemplou apenas um desses aspectos: Relações conceituais ônticas para
modelagem.</p>
        <p>Este trabalho é parte de um projeto maior que está em andamento, que envolve
curadoria digital de dados de pesquisas nucleares, o que pressupõe a necessidade de
modelo conceitual e consequentemente uma modelagem das relações. Entende-se que a
modelagem das relações conceituais será de fundamental importância para ligar os
dados de pesquisa aos documentos que os geraram. Sendo assim, pretende-se também,
em momento oportuno, realizar um experimento utilizando o modelo de relações
identificadas para, em uma publicação ampliada, ter os dados científicos ligados às
publicações de forma consistente.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-5">
      <title>6. Referências</title>
    </sec>
  </body>
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