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      <title-group>
        <article-title>Uma Ontologia das Classificações da Despesa do Orçamen- to Federal1</article-title>
      </title-group>
      <contrib-group>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Luís Sérgio de O. Araújo</string-name>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Daniel Aguiar da Silva</string-name>
          <email>daniel.aguiar@planejamento.gov.br</email>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Mauro T. Santos</string-name>
          <email>mauro.santos@planejamento.gov.br</email>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Fernando W. Cruz</string-name>
          <email>cruz@unb.br</email>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Matheus S. Fonseca</string-name>
          <email>matheus.souza21@live.com</email>
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        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Guilherme de L. Bernardes</string-name>
          <email>guilhermedelima@hotmail.com</email>
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          <label>0</label>
          <institution>Secretaria de Orçamento Federal - SOF/MP SEPN 516</institution>
          ,
          <addr-line>bloco D, lote 8 CEP: 70.770-524 - Brasília - DF -</addr-line>
          <country country="BR">Brasil</country>
        </aff>
      </contrib-group>
      <fpage>266</fpage>
      <lpage>271</lpage>
      <abstract>
        <p>This paper presents in OWL language the Federal Budget Expenditures Classification Ontology which aims at enabling developers and public finance experts a complete, unrestricted and automatic access to the brazilian federal budget data. Resumo. Este artigo apresenta, em OWL, a Ontologia da Classificação da Despesa do Orçamento Federal, que tem como propósito possibilitar à comunidade de desenvolvedores e técnicos em finanças públicas, o acesso completo, irrestrito e automático aos dados do orçamento federal brasileiro.</p>
      </abstract>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>1. Introdução</title>
      <p>ções agregadas e seletivas, de forma a subsidiar as decisões dos gestores públicos, o
cidadão comum, por sua vez, não dispõe de recursos equivalentes.</p>
      <p>
        A fim de aumentar a transparência e acesso ao orçamento, alguns esforços vêm sendo
despendidos pelo governo federal
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3 ref4 ref5">(Brasil, 2012a)</xref>
        , sem contudo eliminar a assimetria de
informações criada pela falta de instrumentos que permitam ao cidadão um nível de
acesso mais amplo e livre.
      </p>
      <p>
        Neste sentido, a Secretaria de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão – SOF/MP, motivada pela nova Lei de Acesso à Informação
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2 ref3">(Brasil,
2011)</xref>
        , que, entre outros aspectos, em seu art. 8º, §3º preconiza a abertura de dados
governamentais de forma estruturada e legível por máquina, iniciou esforços para
estabelecer um mecanismo que permita à sociedade civil organizada o efetivo acesso às infor
mações orçamentárias do Governo Federal.
      </p>
      <p>
        A estratégia adotada foi criar uma ontologia da classificação da despesa do orçamento
federal, contemplando as categorias e conceitos sedimentados no MTO
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3 ref4 ref5">(Brasil, 2012b)</xref>
        os quais resultam de décadas de evoluções da doutrina do orçamento público e de
debates entre especialistas, parlamentares, gestores e representantes da sociedade.
Utilizamos, aqui, o termo ontologia com o sentido de especificação – mais utilizada na ciência
da computação – em contraste com o sentido de sistema conceitual – normalmente
usado na área de sistemas de informação (Hepp, 2007). O propósito imediato do trabalho
neste caso é, primordialmente operacional, qual seja, viabilizar a publicidade dos dados
em formato computacionalmente tratável.
      </p>
      <p>O trabalho é dirigido à comunidade de desenvolvedores, que poderá utilizá-lo para criar
produtos voltados aos técnicos em finanças públicas e aos cidadãos comuns,
destinatários finais desses esforços, considerando suas idiossincrasias. Um tratamento deste
domínio referenciando a visão do cidadão comum é, sem dúvida, um desideratum desafiador.
Acreditamos que este trabalho colabora com este objetivo, que deverá ser perseguido
em desenvolvimentos futuros.</p>
      <p>Este artigo está assim estruturado: a Seção 2 traz uma breve explanação sobre a
estrutura de organização do orçamento federal, para melhor situar o leitor não versado no
tema; a seção 3 descreve a ontologia, sua forma de implementação e tecnologias
utilizadas; a seção 4 traz as considerações finais e conclusões.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>2. Estrutura do Orçamento Público Federal</title>
      <p>A base para a compreensão do orçamento público é o sistema de classificação. É por
meio desse sistema, que o orçamento é organizado, ou seja, segmentado com base em
critérios. Essa estrutura permite que os técnicos e gestores públicos consigam
estratificar os dados e estabelecer as relações entre os valores financeiros do orçamento e os
fenômenos da administração pública associados (e.g. gasto em quê, para quê, sob a
responsabilidade de quem).</p>
      <p>
        Jesse Burkhead
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">(Burkhead, 1956)</xref>
        , propôs quatro objetivos essenciais para um sistema
de classificação: 1) facilitar a formulação de programas; 2) contribuir para a execução
do orçamento, 3) fixar responsabilidades e 4) possibilitar a análise dos efeitos
econômicos das atividades governamentais (Teixeira Machado, 1967, pág 64).
      </p>
      <p>O orçamento público apresenta uma representação detalhada da receita e da despesa de
um ente público (União, estado ou município) para o período de um ano. Existe um
sistema de classificação específico para a receita e outro para a despesa. Por limitação de
espaço, este trabalho focaliza apenas a despesa, por ser o aspecto normalmente mais
discutido do orçamento.</p>
      <p>
        A estrutura orçamentária é composta basicamente de uma lista de itens de despesa com
seus respectivos valores. Cada item é representado por um código de 37 dígitos,
estruturado em 13 campos, que o vinculam aos critérios de classificação despesa.
A Figura 1 apresenta uma representação simplificada de um orçamento fictício
composto por três itens de despesa. No caso do orçamento federal, este número chega a dezenas
de milhares de itens. A Figura 1.b apresenta o esquema da classificação da despesa, com
os critérios referentes a cada um dos 13 campos que compõem o seu código. A título de
exemplo, o campo “Órgão” classifica o item em relação ao órgão responsável. O
significado de cada critério de classificação e os códigos correspondentes podem ser
encontrados no Manual Técnico de Orçamento 2012 – MTO 2012
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3 ref4 ref5">(Brasil, 2012b)</xref>
        .
      </p>
      <sec id="sec-2-1">
        <title>Orçamento (representação hipotética simplificada) - Despesa</title>
      </sec>
      <sec id="sec-2-2">
        <title>Item de despesa #1</title>
      </sec>
      <sec id="sec-2-3">
        <title>Item de despesa #2</title>
      </sec>
      <sec id="sec-2-4">
        <title>Item de despesa #3</title>
        <p>Valor total</p>
        <sec id="sec-2-4-1">
          <title>1.a – Itens de Despesa</title>
          <p>1.530,00
5.640,00
8.600,00
15.770,00
1.b – Critérios de classificação de itens de despesa orçamentária (Brasil, 2009)</p>
        </sec>
        <sec id="sec-2-4-2">
          <title>Figura 1 – Representação simplificado hipotética de um orçamento</title>
          <p>Essa estrutura permite que sejam respondidas diversas perguntas, a exemplo de valores
gastos por um determinado órgão ou nos vários programas e ações de governo.
A ontologia descrita é composta pelos itens de despesa e os seus classificadores
orçamentários (e.g. Função, SubFunção, Programa etc). Na Figura 2, os conceitos
identificados são descritos como classes OWL, identificadas por retângulos na cor cinza, e as
relações entre elementos de classes por retângulos pretos. O range das relações é
representado por uma letra ‘r’, enquanto o domain é representado pela letra ‘d’. Linhas
tracejadas representam relações de subclasse. O prefixo siop2 foi assumido para as
propriedades de objeto (object property), enquanto as propriedades de tipos de dados (data type
property) são representadas por retângulos brancos contendo seu tipo. Subentende-se
aqui que os elementos da classe Item de Despesa são definidos por terem uma relação
unívoca (1:1) com um elemento de cada uma das classes referentes aos diferentes tipos
de classificadores vigentes no orçamento. Apesar de não constar, estão implícitas: (i) a
classe Classificadores, que reúne todos os classificadores orçamentários apresentados na
Figura 2, e (ii) a classe Orçamento Anual, que contempla os itens de despesa, dentre
outros elementos.</p>
          <p>Figura 2 – Ontologia das Classificações da Despesa do Orçamento Federal
Como prova de conceito, essas classes foram utilizadas para converter as informações
constantes nos bancos de dados relacionais (Figura 3.a) em triplas RDF (Figura 3.b),
tomando como base os conceitos definidos na ontologia (Figura 3.c). A Figura 3, no
entanto, não contempla a totalidade das classes consideradas. O processo de triplificação
envolveu várias fases e foi realizado pela adaptação da ferramenta Triplify, versão 0.8
(triplify.org), utilizada na conversão para o formato N-Triples, e pelo tratamento dos
ca2SIOP – Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento, do Ministério do Planejamento.
racteres especiais (vogais acentuadas, cedilha, etc). Em paralelo a esse processo, foi
feita uma investigação para identificar um endpoint para consultas SPARQL sobre os
dados convertidos. Dentre os ambientes testados, optou-se pelo Fuseki, versão 0.2.2
(http://jena.apache.org/documentation/serving_data/index.html). Além disso, foi
desenvolvida uma aplicação com consultas federadas (www.siop.planejamento.gov.br) para
demonstrar a possibilidade de cruzamentos de dados orçamentários com informações
constantes em bases como, por exemplo, Google Maps e Dbpedia, sendo este um
aspecto especialmente promissor para as potenciais aplicações desta ontologia.</p>
        </sec>
        <sec id="sec-2-4-3">
          <title>Figura 3 – Processo de preenchimento da ontologia</title>
        </sec>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>4. Considerações Finais</title>
      <p>A ontologia populada com os dados da Lei Orçamentária Federal 2012 gerou um
arquivo rdf com 824.591 triplas, publicado com a especificação owl e um manual de
referência no portal www.siop.planejamento.gov.br, em 30/08/2012, para o acesso irrestrito às
informações da despesa prevista no orçamento, segundo os critérios do sistema de
classificação. Sua utilização pode ser automatizada utilizando a linguagem SPARQL ou
uma biblioteca adequada como, por exemplo, JENA. Desenvolvedores podem fazer uso
imediato da ontologia e dos dados associados. Trata-se portanto de um produto pronto
para uso, porém não acabado. A ontologia poderá ser acrescida com mais informações,
tais como a descrição dos programas de governo, o acompanhamento da execução,
relatórios de auditoria, legislação, definições, exercícios anteriores, entre outros.
A literatura acadêmica pouco tem abordado o tema ontologia-orçamento público.
Esperamos que a divulgação desta ontologia e dos dados correspondentes possa fomentar o
interesse e o diálogo na comunidade.</p>
      <p>Entre as possibilidades que se apresentam diante deste passo está o desenvolvimento,
pela comunidade de desenvolvedores, de produtos diversos que poderão fazer o
cruzamento dos dados do orçamento federal com os de estados e municípios, e outros de
naturezas diversas, a exemplo da correlação entre os recursos destinados à saúde de uma
determinada região e a evolução dos respectivos indicadores sociais.</p>
      <p>Essencialmente, este trabalho vai ao encontro das iniciativas do governo brasileiro no
campo da transparência e do acesso público às informações governamentais de interesse
geral. Espera-se que a iniciativa produza um debate construtivo na comunidade de
ciência da computação e de finanças públicas sobre as possibilidades e a contribuição das
novas tecnologias para o aperfeiçoamento da democracia no país.
Hepp, Martin at al; Ontology Management: Semantic Web, Semantic Web Services,
and Business Aplications (Semantic Web and Beyond), Springer, 2007, Kindle edition.</p>
    </sec>
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        <mixed-citation>
          3.
          <article-title>Ontologia das Classificações da Despesa do Orçamento Federal 2012</article-title>
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          <article-title>Lei nº 12</article-title>
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          <year>2012</year>
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          <article-title>Lei nº 12</article-title>
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            <surname>Brasil (2012a) “Orçamento Federal ao Alcance de Todos. Projeto de Lei Orçamentária</surname>
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          Anual - PLOA”, Brasília: Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
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          <article-title>Brasil (2012b) “Manual Técnico Orçamentário”</article-title>
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          , Brasília: Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão - Secretaria de Orçamento Federal.
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            <surname>Brasil</surname>
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          (
          <year>2009</year>
          )
          <article-title>“Manual Técnico Orçamentário”</article-title>
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          , Brasília: Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão - Secretaria de Orçamento Federal.
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