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    <article-meta>
      <title-group>
        <article-title>Relato das experiências da área de IHC nos cursos de graduação e ações na universidade</article-title>
      </title-group>
      <contrib-group>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Isabela Gasparini</string-name>
          <email>isabela@joinville.udesc.br</email>
          <xref ref-type="aff" rid="aff0">0</xref>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <string-name>Avanilde Kemczinski</string-name>
          <email>avanilde@joinville.udesc.br</email>
          <xref ref-type="aff" rid="aff0">0</xref>
        </contrib>
        <aff id="aff0">
          <label>0</label>
          <institution>Departamento de Ciência da Computação UDESC</institution>
          ,
          <addr-line>Joinville - SC -</addr-line>
          <country country="BR">Brasil</country>
        </aff>
      </contrib-group>
      <abstract>
        <p>This paper describes the experiences in the area of Human Computer Interaction (HCI) at the Santa Catarina State University. The paper shows how the field of HCI is present in two undergraduate computing courses and its relationship to research, academic extension, work and graduate studies. At the end of this work future challenges and new perspectives of the field in the university are discussed.</p>
      </abstract>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <sec id="sec-1">
      <title>Palavras-chave</title>
      <p>
        IHC, ensino, ciência da
desenvolvimento de sistemas
computação,
análise
Embora a área de IHC seja importante para a formação
acadêmica dos alunos, ainda hoje ela é muitas vezes tratada
como parte de uma disciplina, ou ainda não estudada em
diversos currículos acadêmicos. A inclusão de disciplinas
da área de IHC na graduação de cursos de computação e
informática como os bacharelados em ciência da
computação e sistemas de informação e os cursos de
tecnologia são essenciais para que os alunos tenham
conhecimento tanto de fundamentos (conceitos, teorias,
paradigmas, métodos) e práticas (modelagem, projeto,
prototipação, avaliação) importantes para o
desenvolvimento de produtos e sistemas interativos
centrados no usuário. O foco do ensino de IHC na
graduação está atrelado ao primeiro contato do aluno com a
área, e que muitas vezes ainda é insuficiente para sua
formação [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref5 ref6">5, 6</xref>
        ]. Este artigo apresenta a prática de ensino de
IHC em dois cursos de graduação, e a ligação da área de
IHC na universidade com a pesquisa, extensão
universitária, mercado de trabalho e pós-graduação.
      </p>
    </sec>
    <sec id="sec-2">
      <title>A ÁREA DE IHC NA UDESC</title>
      <p>
        O Departamento de Ciência da Computação (DCC) da
Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) conta
com dois cursos de graduação – o Bacharelado em Ciência
da Computação (BCC), e o curso de Tecnologia em Análise
e Desenvolvimento de Sistemas (TADS). Os dois cursos
possuem uma disciplina na área de IHC com ênfase no
projeto, desenvolvimento e avaliação de interfaces. O curso
de Bacharelado é um curso integral. Dentro da grade do
bacharelado, a disciplina foi iniciada em 2004, como uma
disciplina optativa. Em 2010 o departamento aprovou o
novo plano político pedagógico do curso e a disciplina
passou a ser obrigatória, com base nas recomendações da
SBC (Sociedade Brasileira de Computação) e [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref6">6</xref>
        ]. A
disciplina neste novo formato será iniciada em 2013, com
carga horária de 72 horas/aula e formalmente curricular na
6ª. fase do curso. Já o TADS é um curso oferecido no
período noturno, sendo que a grande maioria dos alunos são
pessoas que já atuam profissionalmente na área. A
disciplina de IHC no TADS também foi iniciada em 2004,
sendo uma disciplina optativa visto a natureza tecnológica
do curso, sempre com o total de vagas oferecidas
preenchido.
      </p>
      <p>As disciplinas de IHC ofertadas para o BCC e TADS possui
relação com outras disciplinas dos cursos de computação,
tais como Computação Gráfica, Processamento de Imagens,
Banco de Dados, Engenharia de Software, Informática na
Educação. Deste modo, notamos como ponto positivo
projetos de desenvolvimento e avaliação em conjunto com
outras disciplinas. Uma experiência multidisciplinar foi
realizada em 2007 para o curso do BCC e resultou em um
produto final que foi avaliado pelas disciplinas de IHC,
Banco de Dados e Desenvolvimento de Sistemas Web.
Cada professor avaliou uma parte do produto, com ênfase
em sua área de atuação. Essa proposta de trabalho conjunto
foi bem aceita pelos alunos, que conseguiram trabalhar de
forma mais integradora, porém o processo avaliativo deve
ser bem estruturado e organizado de forma independente
em cada disciplina. A proposta foi o desenvolvimento de
um website por pequenos grupos de alunos, de até 3
integrantes. Na área de IHC a avaliação analisou todo o
processo de desenvolvimento, desde as fases iniciais de
análise e projeto (design conceitual e físico), seguidos da
implementação (prototipação de baixa e alta fidelidade) e a
avaliação de usabilidade. Na área de Banco de Dados, o
instrumento avaliativo foi realizado sobre o banco de dados
gerado e suas consultas. Já a disciplina de Desenvolvimento
para Web avaliou a codificação do trabalho, a estruturação
do código e as técnicas utilizadas. Apesar do relato positivo
dos alunos, esta experiência não foi continuada, visto que o
novo plano político pedagógico do curso segue o regime
baseado em créditos, ou seja, o aluno pode realizar as
disciplinas em qualquer momento, salvo os pré-requisitos,
comprometendo a execução paralela das disciplinas.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-3">
      <title>IHC no Bacharelado em Ciência da Computação</title>
      <p>Segundo o atual Plano Pedagógico do Curso de
Bacharelado em Ciência da Computação, o objetivo geral
do curso é viabilizar a formação de cidadãos capazes de
responder aos desafios da sociedade em contínua
transformação e que atuem profissionalmente na área de
ciência da computação, com ênfase no estado da arte da
ciência e da tecnologia da computação e suas aplicações. O
Bacharel em Ciência da Computação deve ser um
profissional capaz de exercer sua cidadania de forma ética e
de identificar e resolver problemas na área da computação
de forma metodológica e pró-ativa.</p>
      <p>O curso enfatiza uma vivência acadêmica e prática para
capacitar os egressos para: projeto e construção de soluções
(software), desenvolvimento de atividades de pesquisa na
área de computação levando para o ambiente externo ideias
inovadoras (empreendedoras) e capacitação para alavancar
e/ou transformar o mercado de trabalho com uma visão
humanística e consciente das implicações de sua atuação
profissional na sociedade. Os egressos do curso devem
estar aptos como candidatos potenciais a seguir carreira
acadêmica, através de estudos pós-graduação. O plano
pedagógico do curso elenca as atividades do profissional a
ser formado:








</p>
      <p>Levantamento de requisitos;
Projeto lógico e de interface;
Modelagem conceitual destes temas;
Projeto de desenvolvimento e implantação destes
temas de informação e computacionais;
Pesquisa de novas tecnologias;
Codificação e adaptação de tecnologias;
Teste de software;
Avaliação funcional, de interface e de usabilidade;
Avaliação de segurança computacional;</p>
      <p>Conteúdos Abordados
Introdução, áreas correlatas,
Interface e interação, perspectivas,
Sistemas Interativos, Usuários,
Componentes de Software e
Hardware, conceitos básicos e
qualidade (usabilidade,
experiência do usuário,
comunicabilidade, acessibilidade),
estilos de interação (e.g.
manipulação direta, wimp, rv),
introdução a interfaces GUI, web,
NUI, etc. Aspectos éticos e sociais
de pesquisas envolvendo pessoas.</p>
      <p>Aspectos cognitivos, modelos
conceituais. Processo de design no
ciclo de vida. Modelos de IHC,
aspectos envolvidos (usuário,
tarefa, tecnologia e contexto),
critérios ergonômicos, princípios,
diretrizes, padrões e guias
Requisitos, projeto e prototipação
(esboços, storyboard, protótipo de
baixa fidelidade x alta fidelidade,
wireframes e mockups),
webdesign
Processo de Webdesign: análise,
projeto, desenvolvimento.</p>
      <p>Introdução. Porque avaliar.</p>
      <p>
        Apresentação das técnicas de
avaliação. Framework DECIDE
para a escolha e combinação de
técnicas [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">1</xref>
        ]. Estudo de trabalhos
sobre o tema. Avaliação de
 Documentação;
 Gerenciamento de sistemas e projetos.
      </p>
      <p>Adicionalmente, o Bacharel em Ciência da Computação é
provido de uma base lógica e matemática, permitindo sua
continuidade na formação acadêmica em cursos de
PósGraduação lato-sensu e/ou stricto-sensu. Este
aprimoramento está garantido devido à formação básica do
curso proposto.</p>
      <p>Dentre as atividades profissionais citadas no plano
pedagógico do BCC, pode-se perceber a inclusão da área de
IHC, fruto do trabalho dos pesquisadores, que a oito anos
vem desenvolvendo atividades de ensino, pesquisa e
extensão universitária na universidade. A disciplina,
iniciada em 2004, era uma disciplina optativa, de 60
horas/aula, e que inicialmente pouco interagia com outras
disciplinas do currículo. Ao passar do tempo, e com a
inserção mais ativa junto aos professores e alunos, a
disciplina é obrigatória, passando para 72 horas/aula (sendo
36 teóricas e 36 práticas), e ativamente ligada a outras
disciplinas e aos grupos de pesquisa.</p>
      <p>O curso do BCC tem a computação como atividade-fim,
por isso o objetivo geral da disciplina regular de IHC é
aplicar os fundamentos de Interfaces para o projeto e a
construção de interfaces. A ementa da disciplina e os
conteúdos abordados em cada unidade são apresentados na
tabela 1.</p>
      <p>Tabela 1. Tópicos da ementa e seus conteúdos</p>
      <p>Tópico da Ementa
Conceitos básicos de Interação
Humano-Computador
Fundamentos teóricos
Projeto
Interfaces
e</p>
      <p>Prototipação</p>
      <p>de
Interfaces Web
Avaliação de Interfaces: tipos e
técnicas de avaliação
usabilidade e/ou acessibilidade
dos pares.</p>
      <p>
        Tópicos avançados. Aplicações
móveis, Interfaces não
convencionais.
As referências básicas da disciplina são [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">1</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref2">2</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref3">3</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref7">7</xref>
        ]. As
referências complementares são [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref8">8</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref9">9</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref10">10</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref11">11</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref12">12</xref>
        ],
[
        <xref ref-type="bibr" rid="ref13">13</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref14">14</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref15">15</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref16">16</xref>
        ]. Ao final da disciplina espera-se que
os alunos adquiram os conhecimentos básicos envolvendo o
projeto, prototipação e avaliação de interfaces, além de
investigar interfaces não tradicionais e desenvolvam as
habilidades necessárias para conduzir o desenvolvimento
dos trabalhos. Para tanto a avaliação da disciplina envolve a
aplicação de uma prova, e diversos trabalhos, incluindo
atividades práticas (desenvolvimento de uma aplicação,
desde sua concepção, requisitos, projeto, prototipação), a
avaliação prática dos trabalhos desenvolvidos pelos pares, e
desenvolvimento de artigos científicos e apresentação oral
sobre novas tendências.
      </p>
      <p>A disciplina enfoca tanto o aspecto teórico de IHC, com o
estudo da fundamentação de teorias e técnicas, bem como o
aspecto prático, abordando o processo de design e
prototipação de interface, atividade essencialmente prática,
em grupo e que necessita de dedicação extraclasse. O aluno
é estimulado a refletir sobre diversos problemas na
interação entre usuários e sistemas, realizando exercícios
práticos, leitura e escrita de artigos científicos. Esta
disciplina busca criar uma visão crítica nos alunos, os
fazendo pensar como se estivessem no lugar de usuários de
seus ambientes, e faz com que além de utilizar técnicas de
projeto e avaliação já existentes, procurem empenhar o seu
diferencial e buscar por novas estratégias e ideias.</p>
    </sec>
    <sec id="sec-4">
      <title>IHC no curso de Tecnologia em Análise e</title>
    </sec>
    <sec id="sec-5">
      <title>Desenvolvimento de Sistemas (TADS)</title>
      <p>Segundo o atual Plano pedagógico do curso de Tecnologia
em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, aprovado em
2011, o objetivo geral do curso forma profissionais aptos
para:




</p>
      <p>Planejar e orientar o processamento, o
armazenamento e a recuperação de informações e
o acesso de usuários a elas;
Analisar, desenvolver e gerenciar serviços e
recursos computacionais que atendam às
estratégias, planejamento e práticas das
organizações;
Desenvolver, implementar e gerenciar
infraestruturas para o armazenamento e a
comunicação de informações da organização;
Projetar, desenvolver, implantar e manter sistemas
de informação para processos organizacionais de
modo a viabilizar a aquisição de dados,
comunicação, coordenação, análise e apoio à
decisão da organização; e
Investigar, selecionar e difundir novas tecnologias
de informação de modo a contribuir para a busca
de soluções que atendam às necessidades das
organizações.</p>
      <p>O perfil do egresso do curso é o de um empreendedor, com
capacidade de trabalho em equipes, dotado de iniciativa na
proposta e implementação da solução de problemas e de
espírito de cooperação e articulação. O Tecnólogo em
Análise e Desenvolvimento de Sistemas é um profissional
com sólida formação técnica e científica associadas a uma
visão ética e humanística, capacitado para identificar,
formular e solucionar problemas referentes à:
 Automação de sistemas de informação;
 Modelagem e solução de problemas através de
análise;
 Avaliação e implementação de projetos de
sistemas de informação;
 Planejamento, programação e supervisão de
operações e equipamentos e aperfeiçoamento de
métodos.
 Realização de empreendimentos relacionados com
tecnologia da informação;
 Gestão de programas e atividades de aplicação da
tecnologia da informação, tais como: estruturação
de unidades de tecnologias da informação nas
organizações, implantação de sistemas integrados
de gestão e auditoria de sistemas informatizados.
O curso de TADS tem a computação como atividade-meio,
por isso o objetivo geral da disciplina proposto é apresentar
os fundamentos de Interfaces mostrando os principais
conceitos de IHC e de design da interação para a
construção da interface. A ementa atual ainda em uso neste
semestre (fornecida pela antiga grade) da disciplina para o
curso de TADS e os conteúdos abordados em cada unidade
são apresentados na tabela 2.</p>
      <p>Tabela 2. Tópicos da ementa e seus conteúdos
Tópico da Disciplina
Introdução a Interação
Humano-Computador
Introdução a Ergonomia
de Interfaces
HumanoComputador
Fundamentos teóricos
voltados ao profissional
de sistemas de
informação
Paradigmas da
comunicação
humanocomputador e o projeto
de interfaces
Interfaces Web</p>
      <p>Conteúdos Abordados
Conceitos Básicos de Interação
HumanoComputador (IHC)
Interação e Interface
Princípios de Sistemas Interativos
Aspectos Envolvidos: Usuários, Tarefas,
Tecnologia e Contexto
Interfaces de qualidade: características
principais, conceito de usabilidade
Fundamentos da Ergonomia de IHC
As ferramentas da ergonomia de IHC
Qualidades ergonômicas para IHC
Modelo de Componentes de IHC
Design centrado no usuário
Usabilidade, Interfaces GUI, web, NUI,
Prática sobre diversos tipos interface
Introdução a Engenharia Cognitiva e a
Engenharia Semiótica, Manipulação Direta,
Modelos do Design de Software, Engenharia
da Usabilidade
O uso de Guidelines em Design, Metáforas,
Ergonomia de IHC para desenvolvimento de
Interfaces Web (e.g. Técnicas ergonômicas e
guia de estilos)
Fundamentos para o projeto de Interfaces</p>
      <p>Espera-se que ao final da disciplina os alunos conheçam as
técnicas fundamentais de projeto e avaliação de interfaces,
adquiram os conhecimentos básicos envolvendo o projeto e
avaliação de interfaces, e que possam buscar novas
soluções em seu dia-a-dia. O aluno é estimulado a refletir
sobre diversos problemas na interação entre usuários e
sistemas, especialmente trazendo problemas encontrados
em sua vida cotidiana e de trabalho. Exercícios práticos,
leitura de artigos, pesquisa na internet são procedimentos
adotados visando o aprendizado e o desenvolvimento das
habilidades necessárias. Este curso deve despertar o aluno
para aspectos importantes associados à utilização de
sistemas computacionais, estimulando o aluno para os
aspectos essenciais para desenvolvimento e avaliação de
interfaces. A avaliação da disciplina é composta de uma
prova formal e de vários trabalhos práticos, nos quais eles
devem observar ambientes a sua volta (como por exemplo:
caixas automáticos, sites de e-commerce, aplicações de seus
trabalhos, avaliações de usabilidade e acessibilidade) e
averiguar o que precisa ser melhorado e alterado de acordo
com normas, guias e recomendações existentes.</p>
      <p>
        Desde 2010, os pesquisadores da área de IHC vêm tentando
aproximar os conteúdos programáticos dos dois cursos,
visando uma ementa única a ser aplicada. Desta forma, a
nova ementa para curso do TADS aprovada em 2011, que
será implantada a partir do ano que vem, será a mesma
aplicada ao curso do Bacharel em Ciência da Computação.
Essa unificação de ementas teve dois objetivos principais.
O primeiro foi à adequação da ementa e conteúdos
programáticos para ambos os cursos, de acordo com as
sugestões de [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref6">6</xref>
        ] para os cursos de graduação, e também
para possibilitar que alunos possam validar sua disciplina
mais facilmente na universidade. Na prática o que acontece
com outras disciplinas que adotaram a mesma estratégia, é
que alunos do TADS algumas vezes fazem disciplinas com
o BCC, no período integral, para poderem finalizar o curso
mais rapidamente (pois utilizam o horário da disciplina do
noturno para fazerem outra disciplina optativa). A
possibilidade inversa não é oferecida, (alunos do BCC
cursarem a noite), primeiramente porque o processo
avaliativo é realizado de forma mais detalhada no BCC, e
envolve um maior entendimento das teorias e
desenvolvimento prático extraclasse. Além disso, a
disciplina oferecida no BCC apresenta a ementa de forma
mais profunda em cada tópico apresentado. Além dos itens
levantados, também existe a questão da logística das
turmas, visto que a disciplina no TADS (noturno) sempre é
preenchida com o total de vagas ofertadas, não deixando
espaço para alunos de outros cursos se matricularem.
A diferença principal entre as duas disciplinas está no
enfoque dado a cada tópico da ementa e sua relação com as
outras disciplinas da área de computação e informática. O
enfoque da disciplina para o BCC está principalmente na
inovação científica e tecnológica, e os alunos geralmente
estão engajados nos projetos de pesquisa e extensão da
universidade, visto o curso ser integral, e os alunos estarem
presente como alunos de iniciação científica, voluntariado e
monitoria. Já a disciplina para o TADS tem um enfoque
mais técnico, buscando soluções práticas para o dia a dia de
trabalho, e soluções tecnológicas para problemas
enfrentados. Os alunos do período noturno geralmente já
trabalham na área, e desta forma dificilmente podem
participar de projetos de pesquisa com uma carga semanal,
porém, temos algumas experiências interessantes de
voluntariado, com uma menor carga de trabalho. Além
disso, tentamos sempre fazer a ligação da universidade com
as empresas, que têm a oportunidade de apresentarem seus
trabalhos na semana da computação. Todos os anos, a
Semana da Computação dispõe de palestrantes da área
científica e da área empresarial, e as palestras também são
ofertadas no período noturno. Todos os anos existem
palestras relacionadas a área de IHC, seja por meio de
convidados acadêmicos, como profissionais atuantes nas
empresas. A próxima seção apresenta algumas experiências
da área de IHC em todos os âmbitos da universidade.
      </p>
    </sec>
    <sec id="sec-6">
      <title>EXPERIÊNCIAS NA PESQUISA CIENTÍFICA, EXTENSÃO</title>
    </sec>
    <sec id="sec-7">
      <title>UNIVERSITÁRIA, MERCADO DE TRABALHO E</title>
    </sec>
    <sec id="sec-8">
      <title>MESTRADO ACADÊMICO</title>
      <p>A área de IHC está envolvida diretamente com dois grupos
de pesquisa dentro do departamento, o LARVA
(LAboratory for Research on Visual Applications) nas
linhas i) Fundamentos do processamento gráfico e da
interação; e ii) Processamento gráfico aplicado e no GPIE
(Grupo de Pesquisa em Informática na Educação), nas
linhas i) Ensino-Aprendizagem auxiliado por Computador
e; ii) Tecnologia Educacional. As disciplinas de IHC
começaram a ser ministrada no departamento em 2004, e
desde então diversos projetos de pesquisa e extensão foram
realizados. Em particular, os projetos de pesquisa
vinculados à avaliação de usabilidade e de projetos e
desenvolvimentos de sistemas com enfoque em IHC; e o
projeto de extensão visando à acessibilidade na web para
portadores de necessidades especiais visuais. Neste projeto
de extensão, contamos com a participação ativa de
voluntários que fazem parte da AJIDEVI (Associação
Joinvilense para a Integração dos Deficientes visuais), com
a participação de usuários cegos e com baixa visão. Com
este projeto fizemos a análise comparativa da avaliação
realizada por especialistas e da avaliação com usuários
reais, obtendo diferentes resultados. Todos os trabalhos de
pesquisa e extensão realizados passam pelo Comitê de Ética
da Universidade, seguindo todas as orientações e regras
atuais. Além disso, os pesquisadores da área de IHC
fizeram parte do comitê de ética por vários anos,
contribuindo de forma ativa no desenvolvimento e
divulgação das questões éticas no centro de ciências
tecnológicas.</p>
      <p>
        Os pesquisadores da área de IHC envolvem os alunos em
participações de fórum nacionais e regionais sobre o tema,
incentivando a pesquisa e o desenvolvimento de novos
processos e produtos. Uma conquista inicial, em 2006, foi
fazer parte das equipes finalistas da graduação da primeira
competição de avaliação promovida pelo congresso de
IHC, em Natal. Com iniciativas como esta, a área de IHC
vem crescendo da universidade e também na comunidade
local. Vários ex-alunos hoje trabalham diretamente com
IHC dentro de empresas de grande porte da região, tendo
papéis como analista de usabilidade e coordenador de
design da interação. Outros alunos abriram suas próprias
empresas e startups, com foco em produtos inovadores para
aplicações web e móveis, focando na usabilidade e
experiência do usuário. Uma empresa em especial, formada
por três ex-alunos, ganhou este ano o Brazil Startup
Awards, na categoria Melhor web app [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref15">15</xref>
        ] e foi escolhida
para integrar o 500Startup, ficando por quatro meses no
processo de incubação e aperfeiçoamento da gestão na sede
do programa, no Vale do Silício, nos Estados Unidos.
Este ano o Mestrado acadêmico do Departamento de
Ciência da Computação foi iniciado, e a área de IHC está
inserida dentro de uma das três linhas disponíveis. Além
disso, o mestrado conta com uma disciplina de IHC, de 4
créditos. O objetivo geral da disciplina é capacitar o aluno
no entendimento da área de IHC fomentando sua percepção
e análise crítica com as demais áreas relacionadas. Os
objetivos específicos são:
 Compreender a fundamentação teórica da IHC.
 Associar a teoria aos principais métodos e técnicas
de projeto e avaliação.
 Desenvolver espírito crítico e consciência dos
pressupostos éticos que regulamentam as pesquisas
envolvendo seres humanos.
 Tomar decisões justificadas quanto a quais
métodos e técnicas devam ser aplicados em
diferentes situações e contextos.
      </p>
      <p>Os tópicos da ementa da disciplina e conteúdos abordados
em cada unidade são apresentados na tabela 3.</p>
      <p>Tabela 3. Tópicos da ementa e seus conteúdos
Tópico da Disciplina
Introdução a IHC
Aspectos éticos e sociais
em IHC</p>
      <p>Conteúdos Abordados
Motivação, Histórico, Mapeamento da área,
Conceitos básicos (interface, interação,
affordance e design de interação),
Perspectivas sobre o usuário, Conceito de
qualidade, usabilidade, experiência do
usuário, comunicabilidade e acessibilidade
Conduta profissional (e.g. ACM, IEEE,
SBC, UPA), Legislação em pesquisa
Ciclo de vida
sistemas interativos</p>
      <p>
        de
Estudo de aspectos
teórico-práticos do
desenvolvimento da
interação
humanocomputador e o conceito
de usabilidade
Métodos (aspectos do
usuário e modelos de
design em IHC)
Métodos de Avaliação
Inovações e Tendências
envolvendo seres humanos (lei brasileira) e
documentos para submissão ao CEP,
Aspectos éticos e sociais de pesquisas
envolvendo pessoas (impactos éticos e
sociais tais como: acessibilidade,
privacidade, segurança e anonimato)
Aspectos cognitivos (percepção, atenção,
modelos mentais e metáforas), Modelos
conceituais (baseado em atividade, baseados
em objetos), Engenharia cognitiva,
Engenharia semiótica, Teoria da atividade
Processo de design no ciclo de vida, Visão
de ES X IHC: integração com processo de
desenvolvimento de software (modelo
cascata, espiral, estrela), Modelo de IHC
(centrado no usuário, engenharia de
usabilidade), Modelos (de tarefa; de
interação), Design baseados em cenários,
Design participativo
Aspectos envolvidos (usuário, tarefa,
tecnologia e contexto), Estilos de interação,
Critérios ergonômicos, Princípios de
diretrizes, padrões e guias
Design da Interface, Requisitos, Projeto,
prototipação, construção, Webdesign,
Análise de ambientes já desenvolvidos
Visão geral (porque, o que, onde, quando
avaliar), Tipos de Avaliação, Técnicas de
Avaliação: abordagem em relação a etapa do
ciclo de vida (formativa versus somativa);
abordagem em relação ao usuário (sem
versus com usuário), framework DECIDE
para a escolha e combinação de técnicas [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref1">1</xref>
        ],
dados quantitativos e qualitativos, Problemas
de usabilidade,Comparações e classificações
Tópicos avançados e seminários. Ligação da
área de IHC com as diversas áreas da
computação. (e.g. sistemas sensíveis ao
contexto, adaptabilidade, NUI, jogos e UX,
sistemas colaborativos, interfaces ubíquas,
acessibilidade e design universal, interfaces
3D e RV, internacionalização e localização
de interfaces, modelagem do usuário e
sistemas de recomendação)
Além dos livros já citados para os cursos de graduação, os
livros [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref18">18</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref19">19</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref20">20</xref>
        ], [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref21">21</xref>
        ] e [
        <xref ref-type="bibr" rid="ref22">22</xref>
        ] são utilizados como
referências complementares. Outras duas disciplinas do
mestrado da computação têm ligação com a área de IHC e
serão oferecidas aos alunos a partir do ano que vem, tais
como a disciplina de Qualidade de Software e a disciplina
de Metodologias para Construção de Software Educacional.
Dentro da pós-graduação strictu-sensu, além do mestrado
em computação já em andamento, estamos elaborando em
conjunto com outros departamentos, um mestrado
interdisciplinar na área educacional, e neste programa
contaremos com algumas disciplinas ligadas a área de IHC,
onde os pesquisadores do Departamento de Ciência da
Computação irão atuar: Interação Humano-Computador
aplicada à Educação, Design Instrucional para Objetos de
Aprendizagem, Jogos e Conhecimento e Educação a
Distância. Nesta área de atuação específica, alguns
pesquisadores da área de IHC desenvolveram capítulos de
livros que serão utilizados como bibliografia complementar
no curso.
      </p>
    </sec>
    <sec id="sec-9">
      <title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
      <p>Este artigo teve como objetivo fazer um relato das
experiências da área de IHC na Universidade do Estado de
Santa Catarina (UDESC), e seu relacionamento em todos os
âmbitos da universidade: ensino de graduação, pesquisa,
extensão universitária, mercado e pós-graduação.
O presente artigo apresenta brevemente as duas disciplinas
da graduação da área de IHC e a sua evolução na
universidade. A cada ano os professores vêm refinando e
melhorando o plano das disciplinas em busca de melhores
resultados.</p>
      <p>A atualização das ementas das disciplinas de IHC para os
dois cursos de graduação pode promover uma maior
integração entre os alunos, focando em atividades
semelhantes. Outras mudanças estão sendo estudadas, como
a criação de novas disciplinas da área na graduação, e.g.
uma disciplina com enfoque na Avaliação de Interação
Humano-Computador e nos processos experimentais com
usuários; Modelagem do Usuário e Sistemas Hipermídia
Adaptativos; Interfaces naturais e uma disciplina sobre
Sistemas Sensíveis ao Contexto.</p>
      <p>Uma das principais conquistas junto ao departamento foi a
inserção da área de IHC aos Planos Pedagógicos dos
cursos, e especialmente para o BCC, a transformação da
disciplina de IHC de optativa para uma disciplina
obrigatória. Outra conquista da área de IHC foi a inclusão
da área no mestrado de computação, iniciado no começo
deste ano. Apesar do pouco tempo de atuação, o mestrado
já tem resultados positivos, com aceites de artigos de alunos
da disciplina em conferências científicas internacionais. Os
principais desafios para a área de IHC estão relacionados
em envolver maior quantidade de alunos nas pesquisas,
desde as fases iniciais, e também nas parcerias com a
indústria e mercado de trabalho. Espera-se que com a
criação do Parque tecnológico, inaugurado este ano, essa
ligação com o mercado seja fortalecida. Alguns passos
neste sentido já foram dados, onde os pesquisadores
buscam parcerias na região, atuando com associações e
empresas em projetos de pesquisa e extensão. Outras
parcerias podem ser realizadas em futuro próximo, com a
inclusão do mestrado acadêmico em computação aplicada.</p>
    </sec>
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